Frase de JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
MARISQUEIRAS Quase no limiar da manhã, Sofredores semblantes de mulheres denodadas Partem de suas calorosas vivendas infaustas Rumo ao encontro de mais um árido dia de lavra. E que lavra dura, pesada, prolífico jardim de sáfaras: Colher no Atlântico mar da Goiânia pernambucana Pérolas culinárias que hão de extasiar o paladar Daqueles providos de algibeiras Parcamente ou demasiadamente Magnânimas, exuberantes cataratas do Iguaçu e do Niágara, Imponentes cordilheiras dos Andes e do Himalaia! Ah, o quinhão que recebem É torpe, infame, aluvião de vexames nada breves: Uma ignóbil monção de atrozes intempéries ultrajantes Que as afoga no sádico oceano de dores Oclusas no reino do pranto exangue, Salpicadas de alamedas da piedade serelepe e incessante. No entanto suplantam a humilhação Com o fulgor da aura da dignidade, Que aflora da imagem de suas nordestinas cabeças, Levantadas ao girassol-firmamento em amplidão na verdade. Sim, e lá vão elas, as catadoras de mariscos, Com seus filhos lhes fazendo companhia, Depois de um dia pejado de faina cansativa E humilde dinheiro na palma das mãos, Voltar, finalmente, para o aconchego De seu exíguo e íntimo torrão. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
No pensador.ai desde