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Frases de Jaak Bosmans

171 frases

Contrariando a lei da física, no amor, dois corpos ocupam sempre o mesmo espaço.
Conquista circense Entre rugidos e lonas suspensas, lá estava o circo montado. Arrastado pelos ventos contrários aos teus fugazes desejos
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Conquista circense Entre rugidos e lonas suspensas, lá estava o circo montado. Arrastado pelos ventos contrários aos teus fugazes desejos Persegui-te em saltos mortais nas alturas dos trapézios Contorci-me a caber-me inteiro em teu irrevelável interior Pouca luz, rufar dos tambores, avisam silêncio e suspense Lâmina afiada separou-te em metades que se refizeram em meu inteiro Equilibrei-me com vendas e guarda sol em cordas bambas e monociclos Palhacei-me para os sorrisos ingênuos e puros na criança de todos nós. Expelido entre fumaça saí em tua direção como homem bala sem sabor Caindo sempre em redes tecidas por pescadores de sereias e sonhos Corri ainda no picadeiro de tantas agonias e pesadelos. Onde me equilibrei em cavalgadas aladas entre estrelas e satélites. Em veloz e ruidoso show, repeti sempre o mesmo trajeto Onde a vida só existe como espetáculo, no mesmo globo da morte. Conquistei-te pela mágica do desfilar dos finos lenços multicores Que lançados aos céus, se transformaram em suave e alva paz. Na apertada malha de tantos brilhos esperou-me o cume da pirâmide Onde pousei sob o olhar da tua bela e misteriosa esfinge. Fiz bailar com doçura os elefantes do teu amargo passado E como último e anunciado impossível de todo o espetáculo Enfrentei a fera indomável da tua beleza selvagem Com o requinte que me fez domar-te com carícias e sussurros. Jaak Bosmans

Na distância de estar tão perto Hoje amanheceu tão bonito. Estavas abraçada em mim.
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Na distância de estar tão perto Hoje amanheceu tão bonito. Estavas abraçada em mim. E do teu coração escorriam lágrimas coloridas. Cada uma pertencia a um verso guardado de tanto tempo. Teus olhos nos meus Teu coração o mesmo meu. Colorimos nossos corpos de liberdade púrpura Permitindo ser suave e leve o silêncio de cada palavra De um amor tão igual, na distância de estar tão perto. Despedimos alegres dos nossos pesos Desamarramos nossos sonhos Partimos em doces beijos para o mistério do que somos. Nada era mágico, nada imperdoável ou proibido Apenas singelo estar, entre nossos impossíveis. Que o simples amor de tudo cuidou. Jaak Bosmans 22-06-09

Na procura de nada Permita que eu seja louco nos meus dizeres Incógnito nas minhas decisões
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Na procura de nada Permita que eu seja louco nos meus dizeres Incógnito nas minhas decisões Permita que eu possa ter a coragem que sempre te falta, Caminhar estradas que eu mesmo construí. Aceite ou não o convite de vir comigo. Mas jamais exija qualquer espera. Na próxima curva podes não me ver mais. Vou correr novas paisagens, Novos encontros e desencontros com ninguém. Fazer de mim o louco perdido na procura de nada. Acreditando que a vida pode ser assim. Apenas sonhada. Jaak Bosmans 6-06-09

Encontro sonhado As costuras de nossos encontros não suportam mais tantas agulhas e linhas fracas, Segurei o tempo com o cerzir de ternuras e só recebi remendos de dissabores.
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Encontro sonhado As costuras de nossos encontros não suportam mais tantas agulhas e linhas fracas, Segurei o tempo com o cerzir de ternuras e só recebi remendos de dissabores. Alinhavado por poesias e imagens, canções e recordações já rasgadas. Volto sozinho e me fecho agora, com todos os botões e zippers, e me guardo. Ainda tenho novos retroses que me tecerão no mais belo bordado. Assim estarei vestindo suavidade e carícias no perfeito encontro sonhado. Jaak Bosmans 14-05-09

Desvendar – te a mulher. Percorro em deslizantes carícias Teu perfil -silhueta, em noite da grande lua
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Desvendar – te a mulher. Percorro em deslizantes carícias Teu perfil -silhueta, em noite da grande lua Deitados em lençóis de perfeitas ondulações Bordados com brilhos abissais, em cenário de prata. Momento -silêncio de música etérea Escuto o perfeito encanto do teu desejo. É pequeno, suave e tímido, o toque de teus pés Num acolher que me faz sentir que me queres teu. Percorres ainda em pequenos delírios Em desejo ardente de ser mulher Buscando meus segredos desvendar Sem abrir a guarda, de teus contidos recatos. Se refazem sabores dos perdidos inícios Nos lençóis já em dobras menores Onde os corpos já desnudos se bordam entre si Na busca do que se torna apenas outro ensaio. Desejos contidos pelas velhas lembranças, Se revelam num súbito desfazer de algumas carícias E no inquieto e incontido sentir-se mulher Ainda escondes o desvendar – te inteira. Sufocas em beijos teus sussurros de esperado prazer, Que no mais perfeito entrelaçar de nossos corpos, Te retesas e te entregas no mais doce e perfeito delírio, Quando enfim te fazes mulher naquele que é teu homem. Jaak Bosmans 04-06-09

Futuro conjugado De virtudes e cumplicidades se refez passados Nunca como o presente vivido em tantas agonias
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Futuro conjugado De virtudes e cumplicidades se refez passados Nunca como o presente vivido em tantas agonias Passado de glória do sangue inocente Se é que possa existir algum sangue culpado. Desfez-se a humanidade em pretéritos inacabados Em mais do que perfeitos sinais de decadência De tudo que construímos no presente imperativo Sem nenhuma importância do afirmativo ou do negativo, Desde que o imperfeito conceda lugar à desesperança. Mas jamais se esquece dos inesperados intransitivos. Que tardam aconteceres e precipitam o final das histórias. Apenas para se fazer Verbo e voltar a existir entre nós. E assim já sinto saudades. Saudades do futuro. Jaak Bosmans 14-02-09

Vista a fantasia Passou o ano e é hora de brincar Carnaval na porta, na janela e no ar.
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Vista a fantasia Passou o ano e é hora de brincar Carnaval na porta, na janela e no ar. Palhaços se vestem como se nunca tivessem sido, Mulheres que dançaram o ano todo, Sem perceber, se fantasiam em bailarinas. É hora de brincar apenas com ritmos e cantos repetidos, Serpentinas rasgam os céus e enforcam tristezas, mágoas e saudades. Confetes colorem os copos já cheios, logo tragados sem recatos. Olhares se confundem, beijos são trocados, outros só tocados. Agora bem juntos já não sabem nem brincar. Corpos vestidos de pele humana é fantasia barata. E na sua simplicidade faz mais sucesso que penas de pavão, Em desfiles, nos concursos, clubes e nas camas. Entre na brincadeira porque depois tudo vira cinza mesmo. Retira essa tua máscara de ano inteiro e desfile a fantasia que você é. Jaak Bosmans 21 -02-09

Dia da poesia Que pena Um dia dedicado à poesia.
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Dia da poesia Que pena Um dia dedicado à poesia. Que se perdeu entre a vaidade De ser poeta. Poesia não há que ter poetas Existe pela forma bela e simples De tudo que é. Poeta morre poesia não. Dia permitido para se ver e escutar Versos que inventamos ser nossos Que se fez antes mesmo de existir Por simples razão de ter sido a primeira Criação. Que pena. Um dia que se esquece a poesia Para o poeta se exaltar em si mesmo Pelos versos que apenas colheu. Ai de mim! Jaak Bosmans 14-03-09

Nossos caminhos Passei a guardar meus passos A negar conhecer teus caminhos
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Nossos caminhos Passei a guardar meus passos A negar conhecer teus caminhos Onde as pedras que nele existem Se desmancham no prazer da minha dor. Olho sempre em teu rosto sereno Que espera sempre pelo meu primeiro passo. Dado em perfeito desequilíbrio Para que me ampares no teu abraço Num frescor ardente e gélido é tudo passageiro. Voltei a caminhar em compassos novos, Te abraçando com todo o equilíbrio. Em medidas sem medidas que agora te desejo, Em perfeito estado de loucura. Perdido entre caminhos que não os teus, São meus os lugares reservados para te abraçar. E ali, em pleno flutuar de prazeres, Podemos nos sentir inteiros, loucos e verdadeiros. Num frescor ardente e gélido é tudo passageiro. Jaak Bosmans

Véu Nenhum véu é capaz de cobrir sua pureza. Apenas tira a nitidez de seus traços,
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Véu Nenhum véu é capaz de cobrir sua pureza. Apenas tira a nitidez de seus traços, Seu sorriso, seu olhar. Nenhum véu é capaz! Nem nos seus mais íntimos prazeres Cobrir a doçura de sua entrega. Não! Sua pureza é mágica e escondida. Guardada em lugar seguro, Que só se abre com segredos do coração. Jaak Bosmans 30-01-09

Iguais. Que bom ser assim Exatamente como todas as pessoas não são
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Iguais. Que bom ser assim Exatamente como todas as pessoas não são Ser igual a todos com todas as diferenças Ter tudo, que os outros têm e saber Que nada tenho! Eu divirto em sorrisos e gargalhadas, Enquanto choram pelo sorvete derretido. Roubo goiabas, cigarros e amores, Durante o tempo em que eles se roubam. Toco ainda as mesmas músicas e canto desafinado, Para o aplauso ébrio das mesmas pessoas. Tenho tanto pra fazer que, prefiro descansar primeiro, Vendo saltos altos, gravatas e paletós, Prontos para um encontro tosco. Luz de velas, champanhe ou vinho, A grande farsa que ainda é galanteio. Na mesa ao lado, converso em versos, Batatas fritas e como foi seu dia. E aí sim, vem o melhor: saímos a passear! Que bom ser tão igual. Jaak Bosmans 12-01-2008

A você! Não te conheço. Apenas te sei.
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A você! Não te conheço. Apenas te sei. Nunca te toquei, Mas te sinto. Jamais ouvi tua voz, Sempre te escuto. Tenho sempre dúvidas, Da certeza que existes. Somente esta dúvida É toda a minha certeza. Gosto de te ver assim. Espelhada na nudez dos sentimentos. É ali que ternuras amores e desejos Refletem apenas o que interessa. Jaak Bosmans

Desaparecer do dia Foi no primeiro desaparecer do dia Que com ternura e sonhos de aventura
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Desaparecer do dia Foi no primeiro desaparecer do dia Que com ternura e sonhos de aventura Te abracei nas matizes que se fizeram em cores. Olhei sereno o tempo e o espaço que se fundiram, Num silêncio perfeito para a criação de um Éden. Te criei em tanta beleza, que somente ali me permiti sorrir. Correste ao encontro do mais perfeito jardim. Colorindo as flores, fazendo cantar os pássaros, atrasando o tempo. E no suave tocar de tuas mãos me fizeste sentir os teus desejos. A todos satisfiz, porque a todos te pertenci. E, em retorno pelo tempo e no espaço, Ficaste ainda, no último desaparecer do dia. Jaak Bosmans 1-1-09

Desagravo de mim Hoje mergulhei no mar dos meus sonhos inacabados Subi as montanhas dos meus sucessos inacessíveis
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Desagravo de mim Hoje mergulhei no mar dos meus sonhos inacabados Subi as montanhas dos meus sucessos inacessíveis Corri ao tempo passado que levou as mais puras esperanças Lutei sem armas contra as barreiras de toda as intolerâncias. Hoje me matei com saudades Contorcendo sem do e sem dor, De toda amargura, de todo abandono. Derramei em gritos todas as agonias, tristezas e mágoas. Teci novos horizontes com fios novos e fortes Apertei os lábios num último desagravo ao que vivi E no pequeno jardim da minha antiga prisão Cantei a primeira canção, desacorrentado e livre! Jaak Bosmans 11-1-09

Delicata De nada me serviria te olhar Se em mim não existissem reflexos
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Delicata De nada me serviria te olhar Se em mim não existissem reflexos De tudo que em mim te habitas Na grande aventura do querer Me basta poder te entender Não me fales de amores impossíveis Que deles sei bem conhecer Em perdas que me valeram O ganho maior da vida De tão longe fizeste perto O que ainda posso sentir Como fogo de ardente desejo Saber que posso deitar Receber teus lábios nos meus E de olhos ainda fechados Saber que você chegou! Jaak Bosmans 6-1-2008

Perpétuo Caminho por lugares vastos Onde ouço apenas o arfar dos rochedos
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Perpétuo Caminho por lugares vastos Onde ouço apenas o arfar dos rochedos Ali, onde a liberdade se fixa Porque qualquer movimento é prisão. As cadeias fortes das cordilheiras. Algemam no seu ventre qualquer neblina. Apenas a presença forte de qualquer sol, Derrete e a liberta antes da condenação. E do sêmen deste calor e liberdade Rompe-se em nova aurora Do fecundo e perpétuo grito Um movimento, ainda que foragido. Quietude da escravidão dos ventos. Retorna aos mares a porção líquida e menor Que se fez liberto de toda essa corrente: A criatura, o criador e muita dor! Jaak Bosmans 31-12-08

Vapor do adeus Te via partindo Da vidraça em gotas de chuva
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Vapor do adeus Te via partindo Da vidraça em gotas de chuva Enquanto ainda escutava “Ne me quitte pas” Rua deserta sombria e calma Nada mudava na sua passagem Gotas solenes marcavam mais dor Lavava o passado, levava você. Perdia um sonho que apenas sonhei Presença cruel da maior ausência A música parou, e tudo acabou. Só na vidraça ficou meu vapor! Jaak Bosmans 7-1-09