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Frases de J.W.Papa

157 frases

Indecisão Já no parto o caminho entortou O que estava previsto pra ser por via normal
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Indecisão Já no parto o caminho entortou O que estava previsto pra ser por via normal Passou a cesária E antes que percebesse Estava sendo subtraído do útero - Fórceps! O útero - lugar onde permaneci por quase dez meses - Mais que todos eu sei - Pareceu-me apequenar quando despontou a luz no fim do túnel Convidando-me a sair. Bateu aquela indecisão - Saio ou não saio? Firmei o corpo, segurei-me ao máximo Não teve jeito... - O médico estava decidido - Sai por volta da meia noite Mas aguentei firme, não chorei! Senti-me tímido ao ver tanta gente me olhando Com a cabeça virada para baixo e as pernas para o ar Não teve jeito... Senti apenas o tapa no traseiro Revoltei-me com tal desrespeito. Bateu-me aquela indecisão Não sabia o que fazer. Mas não chorei... Não chorei. A vontade era a de no primeiro descuido Entocar-me novamente no útero e de lá nunca mais sair. Mas eles não me deixariam voltar. Pareciam, inclusive, rir da minha desgraça. E depois... O túnel já estava fechado mesmo! E a luz de antes já não se via lá! Quis voltar, mas não teve jeito, bateu aquela indecisão.

Cheio de mim Eu às vezes
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Cheio de mim Eu às vezes sinto-me tão farto de mim que a vontade que dá é de embalar-me em um papel de estampa colorida prender-me em um laço de fita de cetim e dar-me inteiro de presente a ti.

Caminhos(in)versos Desnudam-me a arte, o espelho, o tempo e os trilhos. Mostram-me quem sou, quem não sou,
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Caminhos(in)versos Desnudam-me a arte, o espelho, o tempo e os trilhos. Mostram-me quem sou, quem não sou, quem poderia ter sido... Quem não deveria ser de jeito nenhum! Ao reverberar em mim, a arte, faz surgir a poesia. No espelho, meu corpo adquire forma, enquanto desconforma a vida em sua imensa sabedoria, conforma-se meu corpo, na silhueta errante refletida no espelho. O tempo, dá-me, os limites de que preciso. Na exatidão de teu agir, molda-me a seu bel-prazer com a precisão cirúrgica de um bisturi. Os trilhos são os descaminhos, os segredos guardados, os espinhos. Neles, sigo em apresentação solo, sem platéia ou aplausos sigo, errante como sempre, e fazendo um monte de merda.

O sono que toma o teu corpo Na pupila que aguça por uma música qualquer
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O sono que toma o teu corpo Na pupila que aguça por uma música qualquer ou no tímpano que desperta eufórico as quatro horas da manhã. No sono que te amolece tomando todo o teu corpo reivindicando que adormeças. Tens bigornas presas às pálpebras anjos tentam selá-las dedilham harpas douradas e “pianam” solos para ti. Mas, bravamente resistes. O sono que toma o teu corpo torna-te frágil, vulnerável, alvo fácil. Já sentes os olhos caraminholando o corpo lentamente vai cedendo e a mente se acalmando. O sono é como um mal- necessário- sorrateiro te envolve em seus braços num abraço apertado toma teu corpo pra si, controla-te. Você resiste luta persiste. Ao amanhecer, já quase sem forças, você cede e adormece.

Sobre os dias e as noites Sobre o que dizem se dizem
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Sobre os dias e as noites Sobre o que dizem se dizem e se dizem o que dizem, de mim não sei ao certo! A bruma que me cega pela manhã de noite não mais está lá dispersa-se feito fumaça desaparece à luz da lua. Suave, sigo! A espreita dos versos certos a espera de algo ainda incerto não sei o que esperar ­. Na verdade de tais versos incólumes, inconclusos, incertos ao menos espero algo. Não interessa-me saber o que dizem tais versos o que dizem tais e tais verbos. Dessabidos, versos incertos excertos versos, abrasados e alocados ali... Ao longe, longe de ti, longe daqui longe, ali, do seu lado! Suave é a noite que se opõe ao dia, numa peleja incansável embalada por um tango fruído bailado a dois dama e cavalheiro, cavalheiro e dama em um flerte quase transcendental. Incansável...Incansável é o dia que se opõe ao sol em sutileza tamanha irretocável presença, inalcançável! Até mesmo ao crivo do mais genial dos artistas. Noite e dia dia e noite.

Destarte Luzes deflagradas na escuridão Em estampidos secos
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Destarte Luzes deflagradas na escuridão Em estampidos secos E ocos ecos Num vazio ambiente. Obscuros sentidos opacos E silêncio barulho pós agitação Alma inquieta em corpo estático Descontrolado e irremediavelmente morto. Desorientadas por tais intervenções: - Algumas memórias - Rememoradas a esmo. Em instantes segundos E verbos perdidos e símbolos rotos Vis sentimentos em (des)conformação.

Quando chega o fim E de repente sorridente
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Quando chega o fim E de repente sorridente vem você... Uma flor branca as mãos o refrão muito bem ensaiado duas ou três palavras amargas por entre os lábios. Descarga inesperada de emoções! Choro, risos e juras de bem querer reencontro, reenlace, desembaraço mágoas antigas são retomadas. Um abraço frio na despedida um até logo vazio na saída E um nunca mais quero te ver. Assim termina o livro.

Presente do dia dos pais (10/08/2014) Neste dia dos pais resolvi dar-te um presente diferente
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Presente do dia dos pais (10/08/2014) Neste dia dos pais resolvi dar-te um presente diferente encomendei para você esta lua que ai está. Olha da janela... Vai... Olha para o céu, vê o presente que você ganhou! Pega, é toda sua, esta lua que ai está! Faz o que quiseres com ela, só não aceito devolução. Antes mesmo de dar-te esta lua, ela já transbordava em meu quarto enchia também os meus olhos. Lembra-se... quando brincávamos de astronautas, e íamos à lua uma vez ou mais todos os dias? Toma pai... a lua que te prometi! Espero que gostes, porque não tenho onde guardá-la. Caso recuse o presente terá de se virar sozinho ou, deixá-la estacionada no céu aos olhos de todo mundo. Pode ser que um larápio se aproveite da ocasião roube-lhe a lua que dei-te de presente e o deixe na mão.

In media res No meio das coisas, as coisas do meio: As pedras, o caminho, o vento...
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In media res No meio das coisas, as coisas do meio: As pedras, o caminho, o vento... O vazio que preenche e desconforma A não-forma conformada em toda sua eloquência O movimento dos passos, descompassados O eco ressonante das coisas ao caírem A simplificação que reduz, o reducionismo As falas descabidas, fora de contexto O pensamento divagante, distante de sua origem de nascença No meio do caminho, o meio termo: Entre equilíbrio e perfeição Pretensão e receio Entre ser o último ou ser o primeiro. Em meio ao caos de hoje... Toda abrangência de um abraço inesperado: A recusa inicial O olhar desconfiado Depois o aceite... E os braços desconhecidos são chamados ao abraço que ao ser aceito, segue galgando espaço pelo corpo envolvendo lentamente o pescoço toma também o peito e o ombro para si Num movimento ritmado, pomposo, quase cerimonial. E de repente... No meio do abraço, um beijo! Um sorriso, um até logo.

Sem título [...] “Somos capazes de mudar tudo, inclusive o mundo em que vivemos. É preciso dialogar com as diferenças e respeitar os diferentes, pois, é tudo uma questão de ponto de vista. O que é bom para mim, pode não ser bom para o outro e vice versa; é preciso ver além do no…
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Sem título [...] “Somos capazes de mudar tudo, inclusive o mundo em que vivemos. É preciso dialogar com as diferenças e respeitar os diferentes, pois, é tudo uma questão de ponto de vista. O que é bom para mim, pode não ser bom para o outro e vice versa; é preciso ver além do nosso pequeno mundo onde nossos medos e nossas inseguranças só sobrevivem enquanto não construímos conhecimentos novos que nos permitam sair de um estado de ignorância a respeito de um assunto qualquer e passar deste, para um estado de conhecimento, de iluminação. É preciso enxergar o outro como igual, pois, mesmo diferente na cor, nas ideias, na etnia, na religião somos de uma mesma raça, a raça humana”.

Há manhãs Vê. Sente a vida como é boa! Abre a janela bem cedinho...
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Há manhãs Vê. Sente a vida como é boa! Abre a janela bem cedinho... Deixa o sol entrar. Toca com as tuas próprias mãos a brisa primeira da manhã. Sente o vento... Galgando espaço pelas frestas da cortina, acariciando-te o rosto, percorrendo todo o teu corpo. Vê! Se já podes, vê. O ar, entrando sorrateiro por suas narinas, envenenando-te os pulmões, embriagando-te as palavras - que a essa hora - desenrolam-se manhosas por entre os lábios. Recusa-te ao sono matutino. Mesmo que a cama tente te convencer do contrário. Não permitas que os bocejos que deslizam por tua boca o controle. Desperta-te pela manhã, uma vez que seja em toda a sua vida, e abra a janela.

Axioma cotidiano O tiro disparado por um carro arma a dor latente sentida por um corpo alvo-
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Axioma cotidiano O tiro disparado por um carro arma a dor latente sentida por um corpo alvo- mirado medido acertado. Deitado na solidão do manto negro - asfáltico- tomado de súbito assalto pelo cotidiano chão âncora que o resgata da dor e o conforta. Da chuva encarnada que despenca do céu azul ensolarado e se mistura à curva turva do trauma sofrido. Em apenas um segundo toda a vida como em um filme preto e branco passando lentamente bem diante dos olhos. Uma multidão incrédula e em estado de choque se aglomera ao redor. Olhares perdidos confundem-se com sentimentos sentidos (na hora). Tudo parece nada, o mundo some! De repente, para: Um... Dois... Três... Afasta! Afasta... Afasta. A vida se renova, a multidão desaparece como fumaça e tudo volta ao normal: Corpos voltam a ser alvo perfeito e carros armas letais.

No caminho No caminho vi pessoas vi pessoas a caminhar
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No caminho No caminho vi pessoas vi pessoas a caminhar pessoas... A caminhar. No caminho vi gente, só! Só pessoas a caminhar. Vi pessoas tristes no caminho. No caminho pra te ver vi pessoas a caminhar sem saber pra onde iam indo por caminhos por qualquer caminho pareciam sem lugar. Feito elas, fui indo... Feito quem vai indo sem saber pra onde ir indo por algum caminho feito quem vai, não feito quem fica, feito quem vai, vai indo tentando descobrir pra onde ir. Quando fui vi pessoas indo tristes... Indo tristes a algum lugar. Quando cheguei estava triste não sabia o que esperar esperei triste por pessoas que não sabia se iriam chegar e sem saber pra onde ir e nem se deveria ficar fui indo sem hora de voltar.

Básico são os outros Básico é copo d'água sem gelo e uísque Cowboy sem emoção é solidão abundante e tristeza falseada nas mesas dos bares
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Básico são os outros Básico é copo d'água sem gelo e uísque Cowboy sem emoção é solidão abundante e tristeza falseada nas mesas dos bares básico são os olhares chorosos das pessoas escondidos por detrás de largos sorrisos de desespero e o desesperado soluço engasgado no peito na iminência de rasgar as entranhas de dentro para fora e transbordar feito fazem os vulcões em cólera. Básico é o levante furioso dos insetos disputando os melhores lugares em sua parede favorita carregando e entremeando os restos mortos de carne que se encontram caídos no chão levando-os para as fendas e buracos abertos pelos pregos sujos que sustentam os engordurados quadros com propagandas de conhaque, cerveja e cachaça. Básico é uma pitada de raios dourados de meia lua na retina e uma noite inteira cheia de estrelas num céu à sua escolha. Básico é não querer ser o que não se é e sendo, não ser o que se pode. Básico é sentir a poesia entrando pelas narinas queimando a pele, alterando a pulsação feito o vento frio que maltrata o corpo em uma bucólica manhã de inverno. Básico é não morrer de véspera, por antecipação ou viver a vida numa pressa desmedida embalado por um repetitivo e antiquado refrão. Básico é embriaguez no mês de dezembro - às vésperas do natal - sem pessoas nos pontos de ônibus cães ladrando pelas ruas e larápios espreitando a melhor ocasião. Básicos são os tombos que se cai no caminho de volta pra casa com a gravata retorcida no colarinho da camisa e a cara amassada de tanto sono. Básico é a chave da porta da sala que insiste em não abrir a fechadura do portão e o movimento do lápis desembestado na folha e o da borracha, desgovernada na contramão. Básico são os outros, nós não.

poemas retalhos Hoje vi a vida. Parecia feliz!
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poemas retalhos Hoje vi a vida. Parecia feliz! Tinha um belo sorriso no rosto enquanto flutuava pela rua. Hoje quando cheguei... Estava a maior confusão. Ufa! Um sufoco. Hoje não conseguia falar, repeti duas vezes. Não sobrou histórias para contar. Parei para curtir o último pedaço de ser criança.

Que remédio - o amor? Os poemas estão duros o amor desapareceu dos versos
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Que remédio - o amor? Os poemas estão duros o amor desapareceu dos versos a tinta que antes coloria as linhas agora, apenas mancha o papel Falta sinceridade aos romances. Aos poemas falta amor aos versos, poesia aos casais falta romance sincero, melodia Falta o pulsar no coração dos poetas Falta retomar o passado com nostalgia. Falta morrer de amor, ao meio dia com o peito apertado após longa noite de desespero e luzes acesas e cama vazia. O amor, aos versos sinceros aguarda retornar um dia Almeja transformá-los em poemas inteiros e a partir do zero enchê-los com o desespero contido em suas agonias. Não há remédio para tal mal há que se amar feito os poetas de antes e apaixonar-se pela vida todos os dias Há que se deixar levar pelas curvas do amor mesmo delirando de febre, encolerizado, cheio de dor.

Pai Se eles não se fossem, mas eles se vão! Insistem em ir, de repente partem e te deixam.
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Pai Se eles não se fossem, mas eles se vão! Insistem em ir, de repente partem e te deixam. Partem porque têm de viajar partem porque se separam de sua mãe partem porque vão ao encontro de deus partem, simplesmente partem. E as vezes, partem sem explicação; uns voltam, outros não! Existem os que resistem até que se contem as últimas piadas bem velhinhos, parecem cada vez mais jovens com o passar do tempo. Riem de tudo, até de si mesmos! São sempre a maior atração contam sempre as melhores estórias estão sempre na contramão do mundo só pra te agradar. Existem os que nunca estiveram presentes e quando presentes, fazem realmente a diferença (pra bem ou pra mal). Na maioria das vezes, são feito as crianças, um crianção! Mas existem aqueles que se fazem de sérios, parecem gelados e frios até que um acorde de guitarra lhes desconcerte. Ao ouvir aquela sua música do passado o velho se transforma desarrocha a gravata do terno e vira outro louco, baila pela sala de forma estranha - Isso é rock'n roll baby! É tão engraçado! Acho que deus pôs as mães no mundo para nos ensinar a caminhar com retidão e os pais, existem, porque conhecem os atalhos mais irados.

A vida Viva a sua vida como se fosse a última como se fosse a única
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A vida Viva a sua vida como se fosse a última como se fosse a única como se fosse sua a vida. Viva-se como se seu fosse esse ar que envenena os teus pulmões. Como se seu fosse esse sopro que carrega no peito e que faz pulsar o teu coração. Viva a sua vida antes que seja tarde antes que passe do ponto. Viva o desencontro os desamores os reencontros. Viva! Apenas viva os momentos a falta de tempo. Viva as amizades viva a cidade viva o campo. Pare de se lamentar e viva a sua vida antes que seja tarde! Enquanto aguarda na fila do banco, do ônibus, do supermercado... acene com um sorriso para as pessoas que estão a seu lado seja cortês. Assobie no trânsito engarrafado. Na praça, dê milho aos pombos. No parque, não sinta vergonha... desfrute da emoção de andar no pedalinho na montanha russa, na roda gigante. Vá ao mercado municipal nos dias de domingo e compre os temperos que quiser experimente novos sabores. Mostre-se sem se exibir não se torne invisível - desinvisibilize-se torne-se acessível, imprescindível, indispensável. Acorde cedo durma tarde veja as luzes da noite se apagarem e as do céu se acenderem. Veja o que antes não podia ver não queria ver não se permitia ver. Olhe o mais longe que os seus olhos alcançarem deixe que seus olhos se percam no horizonte sem censura prévia. Viva este instante de segundo próximo sinta o ar, entrando por suas narinas tornando-te mais confiante, mais vivo. Aproveite este instante, pode ser o último! Pode até parecer pouco... Mas também pode ser que não hajam outros.

Dentro; Fora A escola não pode ser um mundo à parte da sociedade, como se lá fora não existisse
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Dentro; Fora A escola não pode ser um mundo à parte da sociedade, como se lá fora não existisse e não exercesse influência no agir das pessoas do lado de dentro. Os portões não devem ser o limite do cárcere entre o mundo de fora e o de dentro. "A escola não pode ser, não deve ser uma bolha". (Emicida) Talvez, não precisássemos de muros com quase três metros de altura protegendo as escolas do agir desmedido das pessoas que estão, que ficaram ou foram deixadas do lado de fora, se não houvesse essa divisão - dentro; fora. Talvez, não precisássemos de muros, portões, grades... Se agíssemos no "entremundos", incluindo os de fora e acolhendo os de dentro. Abaixo os muros das escolas! Os físicos, os invisíveis, os idealizados... Que limitam e provocam segregação. Ajamos no "entremundos", incluindo os de fora e acolhendo os de dentro. Abaixo os muros das escolas, das casas, das fábricas, das mentes.

Democrático do tamanho do Brasil Em toda sua dimensão e territorialidade o Brasil nunca será um só, nunca será só um; serão sempre Brasis, convergindo e divergindo do Oiapoque ao Chui do Leste ao Oeste do Norte ao Sul. Sendo sua identidade construída e reafirmada na diversidade…
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Democrático do tamanho do Brasil Em toda sua dimensão e territorialidade o Brasil nunca será um só, nunca será só um; serão sempre Brasis, convergindo e divergindo do Oiapoque ao Chui do Leste ao Oeste do Norte ao Sul. Sendo sua identidade construída e reafirmada na diversidade e justamente no movimento democrático preestabelecido em decorrência desse embrolho social.

De Goiás a Brasília – Memórias de Minas Gerais [J.W.Papa]
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De Goiás a Brasília – Memórias de Minas Gerais [J.W.Papa] E como se eu carpisse três quartos de chão duro de terra vermelha numa empreitada só, e ensimesmado olhando para o sol visse meu futuro por entre as folhas já quase secas de um abacateiro - sem abacates. E a lua antes da hora de costume, já fosse se aproximando e se antecipasse a mim, feito os beijos quando são roubados. E as estrelas raivosas não me alumiassem e desconjurando-me negassem seu pisco aos meus olhos, já marejados de tanta tristeza e solidão. Feito se eu fosse de pedra, dos pés ao fio de cabelo mais encravado do couro cabeludo ou se eu fosse de veludo, feito o fundo mais profundo de uma caixinha dessas de guardar segredos e quinquilharias. Feito se eu olhasse mudo a transição de mundos e a patifaria que ocorre todos os dias e em silêncio, tivesse de permanecer até que se secasse a última gota de suor de minha testa escaldada pelo calor dos raios deste sol enorme posto no céu de Minas Gerais. E visse o vento ligeiro soprando ainda tímido por entre as frestas das coisas, trazendo-me a brisa, que me aliviaria por hora deste meu sofrimento. Se pudesse, veria o vento, se curvando a todo tempo para não se chocar com a montanha avermelhada - do pó da terra que eu carpia logo ali perto! Mesmo que topasse com onça brava no caminho ou outro bicho grande, destes que habitam as matas selvagens. Mesmo se topasse de frente com bicho bravo, seguiria a pé pelas trilhas e pelos caminhos de terra por mais distantes que fossem, seguiria ereto e rijo até o ponto mais alto do vale. E desceria o abismo escuro enrolado em cipó de macaco numa queda só, até a cachoeira d'alça d'água, só para me refrescar desta quentura toda. E se eu fechasse a janela às três horas da manhã sem um pingo de sono sequer e me deitasse na cama de olhos abertos e ficasse olhando o escuro e tateasse o mundo, o meu mundo... E pontilhasse no ar constelações inteiras de insetos luminescentes ponderando acerca de conferir ou não o incômodo do Xixixi... Das formigas e cupins desfazendo minha porta, transformando-a em minúsculas esferas de madeira marrom. E eu acordasse todas as manhãs bem cedo desejando do fundo de minha alma que já fosse de noite, só para recomeçar tudo de novo. Desejando que fosse esse, o meu mundo; que fossem esses, os meus sonhos; que fosse esse, o meu futuro! E mesmo que esta terra nunca mais me quisesse, nem eu a quisesse, e mesmo que ambos não se quisessem - (E mesmo que eu não fosse daqui, e nessa terra não tivesse nascido) – só desejaria carpir um quarto desse chão de terra fértil, plantar uma roça inteira de pés descalços pisando o chão quente aquecido pelo sol. Mesmo que o chão fosse duro e a terra fosse vermelha e a colheita não fosse assim tão farta, mesmo se a terra fosse arrendada do patrão, e os impostos para explorá-la fossem muito caros acima de minhas possibilidades, mesmo assim! Mesmo que este chão não se tornasse meu um dia, mesmo que não se tornassem meus os sete palmos de terra prometidos a mim. Mesmo assim, seria um sonho! Se deste sonho um dia me despertasse e nada me adviesse, mudar-me-ia para Goiás, mudar-me-ia para Brasília. Quem sabe lá não encontrasse as minhas origens, as tais raízes... Que nos fazem querer retornar à nossa terra natal. Que nos faz enxergar os traços em comum com gente que a gente nunca viu, mas se sente bem ao ver pela primeira vez, e é como se as conhecesse desde sempre. E neste caso, voltaria para Goiás Velho, iria revisitar as memórias de Cora Coralina e quem sabe não escrevesse algum verso sentado em sua cozinha! E perto do fogão a lenha, sentindo o calor do tacho quente a me aquecer no inverno sorriria, saboreando as delícias feitas pela poetiza. Com um pedaço generoso de bolo de milho com queijo às mãos e rodeado por vários cães e gatos manhosos, por todos os lados que olhasse me lembraria de Minas! Dada toda essa alegoria política, talvez eu seja mesmo de Brasília, talvez seja um filho bastardo de Juscelino! Pensava ser de Minas... Mas agora não tenho tanta certeza se sou. Se fosse de Goiás não me importaria. Pensando bem... Vou para o Planalto Central tocar viola caipira, comer arroz feito com pequi e falar de política ao largo do Lago Paranoá.