Louvados sejam os doces gemidos inexprimíveis - do Espírito. Pois deles: o inefável!
Frases de Italo Samuel Wyatt
26 frases
LEMBRANÇA A casa era branca como a lã branca. Nos fundos: o cachorro rottweiler, as mangueiras, carambolas, forno a lenha, varais, ruínas do cantinho deleitoso da finada Narda e o chiqueiro. Centro de Mucurici. Os coqueiros-imperiais a chilrear um canto melindroso acompanhados d…
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LEMBRANÇA A casa era branca como a lã branca. Nos fundos: o cachorro rottweiler, as mangueiras, carambolas, forno a lenha, varais, ruínas do cantinho deleitoso da finada Narda e o chiqueiro. Centro de Mucurici. Os coqueiros-imperiais a chilrear um canto melindroso acompanhados dos sinos de Fátima compunham as auras interioranas.As solidões de pores alaranjados já enterneciam o poeta da família. A casa era branca como a branca neve. Na varanda: verde-mato. Vértices e colunas prestes a desgarrar da construção. Vez em quando, sentíamos a noite. Branco-breu, sem fundos, sem varada, sem mato. Mas havia a cadeira de balanço e nela vovó sentava-se.
Eu te amarei até o último comprimido da caixa de aspirina!
Minha poesia é o outro lado das tuas pupilas O avesso do olhar Aquela coisa de interior.
Um jovem escritor. Minha vida é como uma imensa praia de muito areal e pouca maré. Preciso de água: as dislexias em semântica, passarinhos a miar nas sentinelas dos caranguejos, sóis a formar plebe em nome da lua. Dispo-me. Não tenho vergonha de me expor. Salve Drummond que comp…
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Um jovem escritor. Minha vida é como uma imensa praia de muito areal e pouca maré. Preciso de água: as dislexias em semântica, passarinhos a miar nas sentinelas dos caranguejos, sóis a formar plebe em nome da lua. Dispo-me. Não tenho vergonha de me expor. Salve Drummond que compreendeu toda precisão do mundo: pessoas, cafés, livrarias. As notas estrugem como vulcões: música, versos, pelicanos e outras delicadezas tímidas do dia. Há em mim enxaquecas dos byronianos, a vontade de encontrar o que perdi (despretensiosamente), fichas de carrossel. E essa manhã que ainda não raiou... Volta?
FOI UM ITAÚNAS QUE PASSOU EM MINHA VIDA (Paródia do samba "Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida", Paulinho da Viola) Roubou-me as forças e a enxada
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FOI UM ITAÚNAS QUE PASSOU EM MINHA VIDA (Paródia do samba "Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida", Paulinho da Viola) Roubou-me as forças e a enxada Cuícas e prateleiras de mim E toda matéria que outrora nadava na Prainha. Roubou-me a infância e meu pai Beijos de mamãe e água de cheiro da babá Triturou na correnteza, esfarelou na cachoeira mansa e irregular Meu espírito que submerge no escuro das águas claras Encontra versos e prosas e narrativas e passados e futuros Foi o Itaúnas que passou em minha vila Foi o Itaúnas que afogou em minha vida Suas mágoas... Fui banhar além do Itaúnas Foi o Itaúnas que me conduziu pra longe de lá Foi o Itaúnas que me conduziu pra Itaparica A saudade não conseguiu desaguar Pelo rio que passou em minha vida. (A Janela do Éden, Italo Samuel Wyatt)
DELÍRIO Acima da cintura, ela é toda cetim púrpura, luminescências das lantejoulas, marfins no colo. O redondo do violão guarnecido por um vermelho-escarlate, figurinhas de melancias, caranguejos e moluscos. Suas pernas estão em matizes caribenhos: esverdeados-mares. As pontinha…
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DELÍRIO Acima da cintura, ela é toda cetim púrpura, luminescências das lantejoulas, marfins no colo. O redondo do violão guarnecido por um vermelho-escarlate, figurinhas de melancias, caranguejos e moluscos. Suas pernas estão em matizes caribenhos: esverdeados-mares. As pontinhas das orelhas adornadas por duas açucenas, as maçãs são manjares-turcos e o queixo um caracol estático. Isso é porque falo somente da pele!
MEMÓRIA Minha avó fazia café bem doce. Talvez, por uma necessidade de se procriar além dos filhos legítimos. Biscoitos na gordura, pão de queijo no forno, bolo de chocolate em cima da geladeira. O cenário aparentemente bucólico escondia guerra das mais matutas em orvalhos e outr…
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MEMÓRIA Minha avó fazia café bem doce. Talvez, por uma necessidade de se procriar além dos filhos legítimos. Biscoitos na gordura, pão de queijo no forno, bolo de chocolate em cima da geladeira. O cenário aparentemente bucólico escondia guerra das mais matutas em orvalhos e outras fragrâncias. Cheirava a cozinha um cheiro forte do que se come. No quintal, cheiravam as flores um cheiro que se vislumbra. Alimentar dos produtos da casa vigorava a minha carne. Alimentar do beija-flor que tomava o néctar de hibiscos em diversos matizes alimentava a minha alma. O cachorro latia freneticamente. Eu não sabia que o bichinho também comia: a alegria das folhinhas em domingo. Ao pé da jabuticabeira, meu Drummond chorava todos os lirismos nascidos da terra caudalosa, terra de muitas veredas e rupturas. Minha mãe afagava meus cabelos, o pai e os tios viam futebol, a pequena irmã devorava porções de desenhos animados. Não fosse eu poeta, esta prosa seria pólvora. Não fosse eu poeta, partículas cintilantes de minha vida perderiam na guerra dos tempos que não se curam: saudade.
A VISÃO DE HELENA BLAVATSKY Raios chicoteavam o rubro céu da pré-Criação. E o Espírito caminhava sobre a face das águas. Havia a batalha dos Contraditos do Reino. Alguns trovões carregavam as súplicas: "deixai-me pecar, deixai-me ser humano". Alguns tornaram-se demônios, ditador…
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A VISÃO DE HELENA BLAVATSKY Raios chicoteavam o rubro céu da pré-Criação. E o Espírito caminhava sobre a face das águas. Havia a batalha dos Contraditos do Reino. Alguns trovões carregavam as súplicas: "deixai-me pecar, deixai-me ser humano". Alguns tornaram-se demônios, ditadores, terroristas, políticos inflamados. Nós: dignos de pena e graça. E o Cordeiro berrava, ao lado de Eu Sou. O Espírito gemia, gemia, gemia. Foi assim. Eu juro. A Santíssima Trindade translocou-se ao Globo. Flash: mais um. Flash: mais um. Flash: menos um. E os cavalos, os macacos, os corvos? Elevou-se montanhas, a pangeia sentiu-se encolerizada, vulcões furaram nossas arcárias. Viram divindade até num pau-oco, nos arrimos de santos devassos e nas catacumbas de fogo. Eu juro. Eu mesmo vi. Contou-me Helena Blavatsky.
Apontava para as estrelas do céu como quem rogasse: por favor, uma verruga! E, num sinal de vacância cognitiva (ou não), sentia um desejo libertino de fugir do mundo num casco de uma tartaruga. Escrevia compulsivamente como quem escreve um testamento e deseja legar uma memória ao…
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Apontava para as estrelas do céu como quem rogasse: por favor, uma verruga! E, num sinal de vacância cognitiva (ou não), sentia um desejo libertino de fugir do mundo num casco de uma tartaruga. Escrevia compulsivamente como quem escreve um testamento e deseja legar uma memória ao Amor. Não se aquietava enquanto dormia. Entre sonambulismos e desvarios era: ele mesmo, a moeda de uma face, o capim da caatinga. E, tampouco era tão pouco, por ironia semântica. Fez-se poeta, pela simples liberdade que há em poder versificar(se).
Esquecer é amar solenemente
SENTIMENTO DO NADA Inspiração exige transpiração Abba! Enojei-me nesta viagem
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SENTIMENTO DO NADA Inspiração exige transpiração Abba! Enojei-me nesta viagem A musa abriu suas pernas, vi o Parnaso desmoronar dentro de seu Útero. Fiz poesia sem ser poeta. Comi a musa [Ou ela me comeu? Pouco Importa! Temos filhos agora: Crise existencial de Sousa Solidão da Silva Encarnada Maria das Dores Zé Pelintra Nosso de Cada Dia. Por hora (sou) pouco importa: uma poeira descolada O tempo fez-me Europa! Por hora (fui) isto importa: uma gotícula no mar A gaivota não tem misericórdia! Modelaram-me num tipo humano Faz graça Estou imberbe: não fumo, não bebo, não mato. Reproduzo o existir: como, defeco, amo. Minhas amantes envelheceram O cupim devorou minha biblioteca, devorou minha planta, minhas pupilas, minhas Raízes. Viver além da conta Há morte aqui Há morte debaixo do meu travesseiro Em minhas pupilas mulatas - há morte. E eis que vivo: posto morto Já não questiono o Universo Sinto! (Italo Samuel Wyatt, A Janela do Éden)
TENTATIVA Eu te proponho um amor-aspirina. Amor que bate e não recorda, que acorda e não levanta, que passa e não deixa. Um amor-comprimido, que alivia a dor, que amarga na boca mas adoça o estômago, faz efeito. Eu te proponho, depois das aspirinas: a morte. Morrer em seus braço…
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TENTATIVA Eu te proponho um amor-aspirina. Amor que bate e não recorda, que acorda e não levanta, que passa e não deixa. Um amor-comprimido, que alivia a dor, que amarga na boca mas adoça o estômago, faz efeito. Eu te proponho, depois das aspirinas: a morte. Morrer em seus braços, decompor-me, como pilula na língua que dissolve.
PAVOR Os jabutis andarilhos corriam corriam. Baixava a cotovia, os lustres arranhavam a lua e o anu melindroso em porfia dilacerava o meu sentimento. Coração tum-tum, a caneta rejeitada, lábios caudalosos e tímidos escondiam os rastros das palavras não ditas. Eu tentei desbarata…
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PAVOR Os jabutis andarilhos corriam corriam. Baixava a cotovia, os lustres arranhavam a lua e o anu melindroso em porfia dilacerava o meu sentimento. Coração tum-tum, a caneta rejeitada, lábios caudalosos e tímidos escondiam os rastros das palavras não ditas. Eu tentei desbaratar as sesmarias usucapidas, tentei romper as possessões várias, o latifúndio de tua presença. Eis que sou errante, errante num verbo imperfeito. Levantas, abres a porta, apagas a luz. Fico aqui! Fantasmas colados na aldraba. Os jabutis andarilhos corriam corriam. Meus cílios aposentaram. Jabutis jabutis oblíquos e dissimulados. Minhas pupilas se enterraram. Amargas a cotovia, vives anu: sois dia!
Musa-meu-mundo, As fragatas de nossa baía frustraram os comércios e especiarias do além-Continente. Frustraram em nódoas e marolas de uma Copacabana desnudada pelos ventos e coices de cavalos-marinhos. Frustraram os escafandristas que esperavam excrementos e outras drogas.
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Musa-meu-mundo, As fragatas de nossa baía frustraram os comércios e especiarias do além-Continente. Frustraram em nódoas e marolas de uma Copacabana desnudada pelos ventos e coices de cavalos-marinhos. Frustraram os escafandristas que esperavam excrementos e outras drogas. Talvez um batom. Não se esqueça das maquiagens e dos perfumes. Nosso divã e nossos porta-retratos. Os Coqueiros de Itaparica cintilaram um luar mais fecundo, mais absinto, mudo. Nossos sóis cansados, os frutos aos pés do pé, um poema em verbo transitivo direto na areia molhada. Meu bem, aquela ilha remota e ignota perdeu-se: mar findo. Risque meu nome do mapa. Peço-lhe sem sabores. Sem ardores. Outrora, bem outrora, além dos advérbios temporais, por cima das larvas, por baixo do colchão: desejei-te alfa e ômega. Perdestes a beleza. Perdestes o encanto. Musa-meu-mundo, já não sei se te amo. Pois digo sem pensar, sem refrear, em caudalosos verbos-croniquetas: Até longo, à próxima primavera que não mais cantarei.
É tua a depressão É minha a fascinação Graves e letais
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É tua a depressão É minha a fascinação Graves e letais Como o beijo e o espinho.
- PELO FIM DA SINTAXE! Rogou o escritor desvairado à procura do inefável.
DESCOBRIMENTO (A João Cabral de Melo Neto) Quando durmo, os ardores tropicais fazem-me chacoalhar na cama. Então, vejo o Cabral descobrir-me - o filho do Brasil. Ele vem, sorrateiramente e sonso como quem conduz - da proa - a primeira embarcação. E adentra nas áridas terras do…
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DESCOBRIMENTO (A João Cabral de Melo Neto) Quando durmo, os ardores tropicais fazem-me chacoalhar na cama. Então, vejo o Cabral descobrir-me - o filho do Brasil. Ele vem, sorrateiramente e sonso como quem conduz - da proa - a primeira embarcação. E adentra nas áridas terras do meu peito de poeta, enfinca bússola no vazio-caatinga, dá-me sonhos de fogo, ladainhas, murmúrios e desvãos. Assim, comunica com os meus reis e musas além-continente, além sete-chaves, além-Luzidia: Península-Ibérica-Mais-Pra-Espanha-Sevilha. Depois de furar a pedra do sono, abre a porta com uma faca só lâmina. Vai-se embora, caminhos agrestes. Fico no desvario, a tecer o amanhã. João, é tu que me colonizas!
; é como se, diante disso tudo, eu visse (sozinho) a aguinha do córrego marejar debaixo de uma ponte velha. Lembro-me sempre daquele belo quadro da copa de minha avó a figurar pieguices de camponesas, pobres camponesas. O lustre não suportou tamanho calor: frangalhos. Onde ficou…
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; é como se, diante disso tudo, eu visse (sozinho) a aguinha do córrego marejar debaixo de uma ponte velha. Lembro-me sempre daquele belo quadro da copa de minha avó a figurar pieguices de camponesas, pobres camponesas. O lustre não suportou tamanho calor: frangalhos. Onde ficou meus suores, meus pelos despetalados, os beiços cintilantes? Sei lá. ... só ficou a poesia. O restante na estante, o mar levou. Subverto sinais gráficos, afronto a língua, blasfemo as compilações e sintaxes. Deus habita nas ruas vazias de minha alma, naquele solzinho gostoso que, vez em quando, põe a vista barquinhos fagueiros. ? Onde está você. Pois seja cada linha dessas não-ditas nas entrelinhas: inevitável e inconscientemente: saudade:
POR CAUSA DE VOCÊ solteiro só inteiro
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POR CAUSA DE VOCÊ solteiro só inteiro interior só out só s'outeiro sol soltei roei orei ter sol ir iro ei! ei! ei!
Vassala palavra que inala hipocondríaca aliança devassa miragem viagem de marte
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Vassala palavra que inala hipocondríaca aliança devassa miragem viagem de marte faca opaca cravada maré de abaeté do-mi-ré amor destoando canto do verso
MOTRIZ O canavial deu um gemido mais forte que a sétima trombeta do apocalipse. Fogo morto, talvez. Engenho de menino, também. Bem perto da solidão de José Lins do Rego e da melancolia desgraçada de João Cabral de Melo Neto. O canavial rompeu as barreiras de suas possessões vári…
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MOTRIZ O canavial deu um gemido mais forte que a sétima trombeta do apocalipse. Fogo morto, talvez. Engenho de menino, também. Bem perto da solidão de José Lins do Rego e da melancolia desgraçada de João Cabral de Melo Neto. O canavial rompeu as barreiras de suas possessões várias, pinicou os boias que insistem em roubar-lhe as pétalas enormes que namoram o vento, adoçou a infância das crianças que pulam corda pertinho de si. O canavial surrupiou o sol, bebericou a última água do solo, venceu o eucalipto, devastou as criações de roça e fingiu indiferença aos versos imortais do Recôncavo Baiano. Canavial é palavra que poderia ser sinônimo de catarse.
POEMA MAS INTIMISTA DO MUNDO (PARA OS ANDES, NA TOADA DE PABLO NERUDA) PUEDO escribir los versos más tristes esta noche.
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POEMA MAS INTIMISTA DO MUNDO (PARA OS ANDES, NA TOADA DE PABLO NERUDA) PUEDO escribir los versos más tristes esta noche. Este poema que despertou-me tantas catarses durante a vida tornou-se um retrato piegas e emporcalhado na lembrança. Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada, y tiritan, azules, los astros, a lo lejos". El viento de la noche gira en el cielo y canta. Toda esta composição do cosmos, agora reflete o voo de uma borboleta o cravo pregado no peito do passarinho a insinuação mansa e irregular dos amantes. Ella me quiso, a veces yo también la quería. Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos. Amei e fui amado. Rejeitado. Desprezado. até consumar-se a oratória do poeta popular: SÓ SOU GRANDE SE SOFRER! La misma noche que hace blanquear los mismos árboles. Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos. Já não somos os mesmos. E será que fomos algum dia? entortamos os nossos destinos na curva da aliança? fizemos arquétipos pessoais? ya no somos los mismos! tampouco, o verbo intransitivo direto: amar. De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos. E isso: consola-me. Eis que a primavera floreou os meus braços não te pertencem mais nem o beijo a voz o corpo meus olhos. O meu olhar já tem a quem... Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero... Não quero. Pois já tenho a parte desejada a rama do outono o verão do vale a manhã que entra pela janela. aquela foi a última dor pois o meu caminho tornou-se valsa tango transeuntes desesperados e a inspiração do aconchego de meu novo amor.
GRACINHA Eu sou aquela caixa d'água a tilintar dentro da noite veloz. Lá fora, o sereno caía vadio enquanto os rumores dos carros mexiam com as luzes dos postes. Tchiqui, tchiqui, tchiqui... Quase sempre, o ventilador ao pé da cama. A cama. A cama. Aquela cama... Na área, o chur…
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GRACINHA Eu sou aquela caixa d'água a tilintar dentro da noite veloz. Lá fora, o sereno caía vadio enquanto os rumores dos carros mexiam com as luzes dos postes. Tchiqui, tchiqui, tchiqui... Quase sempre, o ventilador ao pé da cama. A cama. A cama. Aquela cama... Na área, o churrasco embalava os nossos estômagos famintos. A fumaça passeava por todo espaço. Chegava na cama. A cama. Aquela cama... Ao meu lado direito, meu mano: pequeno, raquítico, olhos negros, cabelos lisos. No centro, a mana: covinhas amontoadas, coqueirinhos na cabeça, chorinho fácil a descolar na boca. Ao lado esquerdo: vovó. Vovó. GRACINHA. Corpo roliço, cabelo despreparado, pele macia e branca. Sua mão a "irribuçar" os netinhos com colcha vermelha. Sua mão a cantarolar no meu peito. Um dois três carneirinhos. O ronco, o sereno a cair, os rumos dos carros e eu-caixa d'água, eu-saudade, eu-vontade-de-voltar.