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Frase de Italo Samuel Wyatt

SENTIMENTO DO NADA Inspiração exige transpiração Abba! Enojei-me nesta viagem A musa abriu suas pernas, vi o Parnaso desmoronar dentro de seu Útero. Fiz poesia sem ser poeta. Comi a musa [Ou ela me comeu? Pouco Importa! Temos filhos agora: Crise existencial de Sousa Solidão da Silva Encarnada Maria das Dores Zé Pelintra Nosso de Cada Dia. Por hora (sou) pouco importa: uma poeira descolada O tempo fez-me Europa! Por hora (fui) isto importa: uma gotícula no mar A gaivota não tem misericórdia! Modelaram-me num tipo humano Faz graça Estou imberbe: não fumo, não bebo, não mato. Reproduzo o existir: como, defeco, amo. Minhas amantes envelheceram O cupim devorou minha biblioteca, devorou minha planta, minhas pupilas, minhas Raízes. Viver além da conta Há morte aqui Há morte debaixo do meu travesseiro Em minhas pupilas mulatas - há morte. E eis que vivo: posto morto Já não questiono o Universo Sinto! (Italo Samuel Wyatt, A Janela do Éden)

Italo Samuel Wyatt

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Pensador.com

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Louvados sejam os doces gemidos inexprimíveis - do Espírito. Pois deles: o inefável!
; é como se, diante disso tudo, eu visse (sozinho) a aguinha do córrego marejar debaixo de uma ponte velha. Lembro-me sempre daquele belo quadro da copa de minha avó a figurar pieguices de camponesas, pobres camponesas. O lustre não suportou tamanho calor: frangalhos. Onde ficou…
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; é como se, diante disso tudo, eu visse (sozinho) a aguinha do córrego marejar debaixo de uma ponte velha. Lembro-me sempre daquele belo quadro da copa de minha avó a figurar pieguices de camponesas, pobres camponesas. O lustre não suportou tamanho calor: frangalhos. Onde ficou meus suores, meus pelos despetalados, os beiços cintilantes? Sei lá. ... só ficou a poesia. O restante na estante, o mar levou. Subverto sinais gráficos, afronto a língua, blasfemo as compilações e sintaxes. Deus habita nas ruas vazias de minha alma, naquele solzinho gostoso que, vez em quando, põe a vista barquinhos fagueiros. ? Onde está você. Pois seja cada linha dessas não-ditas nas entrelinhas: inevitável e inconscientemente: saudade:

DESCOBRIMENTO (A João Cabral de Melo Neto) Quando durmo, os ardores tropicais fazem-me chacoalhar na cama. Então, vejo o Cabral descobrir-me - o filho do Brasil. Ele vem, sorrateiramente e sonso como quem conduz - da proa - a primeira embarcação. E adentra nas áridas terras do…
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DESCOBRIMENTO (A João Cabral de Melo Neto) Quando durmo, os ardores tropicais fazem-me chacoalhar na cama. Então, vejo o Cabral descobrir-me - o filho do Brasil. Ele vem, sorrateiramente e sonso como quem conduz - da proa - a primeira embarcação. E adentra nas áridas terras do meu peito de poeta, enfinca bússola no vazio-caatinga, dá-me sonhos de fogo, ladainhas, murmúrios e desvãos. Assim, comunica com os meus reis e musas além-continente, além sete-chaves, além-Luzidia: Península-Ibérica-Mais-Pra-Espanha-Sevilha. Depois de furar a pedra do sono, abre a porta com uma faca só lâmina. Vai-se embora, caminhos agrestes. Fico no desvario, a tecer o amanhã. João, é tu que me colonizas!