Porquê?
Porquê escrever, com dor na alma?
Se eu gosto de escrever poemas.
São como filhos acabados de parir.
Porquê andar por caminhos de pedras?
Se o meu chão é feito dos teus carinhos e ternura.
Porque é que eu ando a chorar pelos cantos?
Se apetece-me cantarolar, quando tu olhas para mim.
Porquê gritar aos sete ventos, todos os meus desejos?
Se eu oiço os murmúrios dos teus beijos.
Porque é que ando a fugir dos teus braços....
Com medo de sofrer?
Se posso sentir o teu desejo a deslizar no meu ser.
Porque é que ando a morrer por dentro de dor e solidão?
Se digo-te com loucura e com desejo.....
Amo-te meu amor "com prazer"!
Rosmaninho doce perfumado
onde canta uma alma doce uma sinfonia
nunca tocada e talvez nunca escrita.
Rosmaninho doce perfumado
onde perfuma um corpo de desejo
nas noites escuras, escritas em rimas.
Rosmaninho doce perfumado
vinho da loucura, néctar dos deuses
encantada moura deixada ao relento.
Rosmaninho doce perfumado
pedaços de dor, migalhas de amor
esquecidas no tempo, talvez no momento.
Rosmaninho doce perfumado
poemas doces, levados pelo vento
banho perfumado, do nosso deserto.!
A morte afaga todos os meus sentidos.
Neste meu corpo frágil e gelado.
Voa a minha alma num papagaio de papel.
Por este céu brilhante, onde queima o sol.
Areia branca ou talvez vulcânica.
De pedras grandes e pequenas onde ferem os pés.
Pés descalços à beira do mar
Deixamos as mágoas, as dores do corpo
Onde a morte afaga os pensamentos.
Frágeis, soltos e débeis
Deste meu corpo já tão frágil e gelado!
Quero...
.... ver nascer o por do sol.
Nele sentir todo o amor.
Toda a esperança que tive.
Quero....
.... ler no vazio do meu corpo.
Toda a dor que me vai na alma.!
O cadeado da minha alma está fechado.
Fechado à chave, deitei fora a chave.
Para um poço, um poço profundo!
O cadeado do meu coração está fechado.
Perdi a chave na areia branca e quente...
Da praia e não quero encontrá-la!
O cadeado do meu corpo está fechado.
Entreguei a chave ao meu amor.
Onde ele guardou-a junto ao seu coração!
Noites dolorosas!
Há noites muito difíceis, onde rezamos, rezamos e pedimos o sono.
Mas ele simplesmente não aparece, tornando a noite dolorosa.
Quero dormir ou não me apetece dormir, só quero sair para a rua.
Andar, andar sem destino, embrenhar-me no nevoeiro desta noite.
E chorar, chorar sentindo os ramos das árvores, a vergarem o meu corpo.
Triste, entristecido no orvalho da madrugada, que está a chegar.
No jardim sinto os espinhos, a penetrarem a minha alma já em chaga.
A lua, minha companheira das noites compridas e longas desapareceu.
Abandonou-me nesta noite já tão dolorosa, é só escuridão profunda dentro do meu ser.
O som do rio, é agora medonho, a corrente é forte, vejo o meu rosto refletido nas suas águas.
Onde as minhas lágrimas são gotas negras, nesta noite sem sono, sombra do que fui.
Do que sou lentamente afogada nesta noite de espinhos, onde rasgam a minha alma sem sono!
Escrevo
Com a pena no teu corpo
Fazendo
Dele o meu caderno de poesia
Escrevo com tinta da china
Tatuando os beijos da tua boca
Ouve o meu coração
Deixa o mundo cair
Ama-me
Mergulha no meu corpo
Beija a minha alma
Rapta-me
Consume-me até à exaustão.
Quero-te como um lobo que uiva
Que quer matar a sede.
Quebra as amarras
Deixa-me sem pensar
Sem ouvir
Sem falar
Rodeados de velas
De luz.
Despidos de pudor
Escrevo-te e tatuo o teu corpo!
Primavera (1984).
Chegaste sem avisar amor, numa manhã de primavera.
Aos poucos e poucos, invadiste o meu coração.
Ocupaste um lugar na minha mente, no meu pensamento.
Na minha alma, no meu corpo, na minha vida.
Afinal quem te deu permissão para invadir.
Invadir todo o meu ser.
Sem pressa tu foste-te instalando, aninhando-te no meu colo.
Hoje percebo que gosto da tua presença.
Dou por mim a pensar em ti, no teu sorriso.
No teu rosto doce, como é bom o sabor das lembranças de ti.
Pensar em ti é como sentir um perfume, que nos traz boas recordações.
No compasso dos sentimentos, dos pensamentos doces.
Gosto de fechar os olhos e visualizar o teu rosto, o teu sorriso.
Embalar o delírio, o desejo, sinto saudade dos teus beijos.
Dos teus abraços, dos teus carinhos, do calor da tua pele.
Ouço a tua voz a sussurrar no meu ouvido, as palavras doces.
Abro os olhos e tu estás aqui meu amor!
Rosmaninho da saudade.
Quando eu morrer meu amor..
Quero a minha campa cheia de rosmaninho
Para que te lembres do meu corpo perfumado.
Quando eu morrer meu amor...
Planta-me aos meus pés, camélias de todas as cores.
Para não te esqueceres dos filhos, que eu pari com amor.
Quando eu morrer meu amor...
Planta-me um roseira de rosas vermelhas.
Para recordares o amor e o desejo que senti por ti.
Quando eu morrer meu amor...
Canta muito, chora o que tiveres de chorar.
Mas nunca te esqueças de viver, de sorrir e de amar.
E nunca culpes Deus por me ter levado!
Observo a chuva miudinha.
Que escorre, cai dos meus olhos.
Lágrimas de dor, de alegria, de amor.
As gotas tecem as palavras que a minha alma sente.
Tecem e sente espontaneamente.
Embalo as letras, embalo as palavras.
Embalo a minha dor
Tentando compor versos ou talvez poemas.
Poemas tantas vezes ausentes de mim.
Ausentes do meu corpo
Palavras onde resmungam na minha boca.
Há dias que as palavras escorrem.
Escorrem para o papel.
Escritas num telhado de telhas de barro
Escrita de sonhos em forma de rimas.
Tantas vezes a inspiração adormece.
Adormecemos num sono leve.
E as letras descansam no papel.
Talvez queiram ser apenas observadas.
Ou apreciadas no pensamento.
Do nosso silêncio!
Murmurios de ansiedade
Sussurros imaginários
Ecos da tua voz
Que passeiam
Pelos cantos vazios
Vazios e escuros
Do nosso quarto
Insólita insônia
Vai o ilusão
Deste amor impossível
Que assombra as minhas noites
Evocando o teu nome
Sussurros de ansiedade
Murmúrios de saudade
Que mente doentia, esta a minha!
Na alvorada
Dos meus olhos
Um dia tu serás madrugada.
Orvalhada de amor.
Orvalhado de desejo.
Do teu corpo e do meu...
Estará sempre cheio de poesia.
Serás mar...
Mar sem maresia.
Da boca que dá-me beijos.
Que aquece o meu coração.
Enche a minha alma.
De amor
És tu o meu rei e senhor
Serás sempre.
Deste meu corpo.
Deste castelo...
Feito em fortaleza.
Sem amargura.
Sem dor.
Deste meu jardim florido.
Onde nasce a tua flor.
Que só quer o teu amor.!
Plagiamos o amor que sentimos
Plagiamos o medo que temos
Plagiamos toda a dor que existe em nós
Plagiamos a solidão na noite escura e sombria
Plagiamos a nossa pele na areia quente da praia
Plagiamos o corpo em cirurgias perversas
Plagiamos o sangue que corre nas nossas veias
Plagiamos o cabelo dando-lhe outra cor
Plagiamos a nossa vida com medo dos outros
Plagiamos o trabalho que muitas vezes odiamos
Plagiamos por maldade ou por uma simples vontade
Plagiamos por tudo e por nada, por nada e por tudo!!
Tenho
Tenho uma necessidade absurda de escrever.
Sobre tudo o que sinto, sobre tudo o que me incomoda.
Ao principio os meus textos, muitas vezes não saiam dos rascunhos.
Talvez por medo ou talvez porque achar que não eram bons.
Para partilhar ou ler.
Depois o medo foi ganhando coragem.
Dou graças a Deus por ter-me dado asas.
A realidade é que os meus textos ou rascunhos...
Estão cheios de tudo que vai cá dentro.
As minhas mágoas.
Os medos
As vitórias
As derrotas
As mágoas
De que tenho sido protagonista.
Os meus textos e poemas.
São o meu cantinho.
O meu abrigo.
Sei que posso escrever.
O meu maior critico é o meu marido, é nele que eu confio.
Sinto-me segura no meu cantinho e no meu refúgio
Posso escrever o que quiser, não ofendo ninguém
Falo de mim, fico muito feliz que gostem do que escrevo "obrigado" !
Passeio contigo na praia, é noite de luar.
Abri os meus braços, recebi-te com carinho.
Com emoção, onde adormeci a minha alma.
Desci o vale encantado do teu corpo.
Com o meu corpo a arder.
Como arde a madeira seca numa fogueira.
Eu só queria ver o mar e banhar-me nos teus braços.
Para apagar este fogo, nas asas de um sonho lindo.
Vi-te delirante e nele semeei toda a minha ternura.
Os teus olhos eram ondas bravas feitas de loucura.
Rasgas-te as seivas da minha ousadia.
Extravasaste os mares de mim.
Cortaste todas as amarras
E incendiaste o vale dos meus desejos.!
"ESCRITOS DESENCONTRADOS"
O nosso limite ultrapassou
A fronteira do visível ao invisível
Perder o tempo, perder a paz
Fugir para trás, sem pensamento
Num contratempo, sem ser capaz
Enfurecendo-me assim a minha própria alma
Perder a vida, já que nada me satisfaz
Até de joelhos, supliquei a Deus, aos anjos
Esvaziei-me por dentro, dum só lamento
Foge-me o momento, já nada me apraz
Perdida ferida, sem um caminho a percorrer
Envenenada, amordaçada por tão grande amor
Onde os versos escritos paridos, são lágrimas de dor
Sem palavras para escrever, linhas para corrigir
Um ar amargo de desilusão, talvez seja só decepção
Tornei-me um cativeiro de um amor impossível
Como uma flor perdida no quente deserto do Saara
Entre secas, tempestades irei sobreviver às palavras
Destino meu, onde a minha dor envenenou os versos
Escritos paridos que estou a perder, sem letras para escrever.
"MEU MENINO JESUS"
Dá-me meu menino Jesus
Paciência com o meu semelhante
Dá-me meu menino Jesus
Um abraço que tire toda a dor
Dá-me meu menino Jesus
Ser a mão estendida para tirar a fome
Dá-me meu menino Jesus
Que possa ser o sorriso da tristeza
Dá-me meu menino Jesus
A fé de tantos que não a têm e querem
Dá-me meu menino Jesus
Ficar muda sobre as atitudes pré concebidas
Dá-me meu menino Jesus
O silêncio para sentir e escutar o que me falta
Dá-me meu menino Jesus
A paciência que me falta a mim mesma
Dá-me meu menino Jesus
Residir perto do teu coração inocente
Dá-me meu menino Jesus
A sensibilidade de acreditar nas pessoas
Dá-me meu menino Jesus
Aprendizagem para reacreditar neste mundo materialista.
"LINHAS DE FLORES"
Lendo, relendo as linhas que escrevi
Das palavras que foram traduzidas
Em sentimentos tão intensos
Que transformaram-se em amor
Na leitura das linhas retratadas
Em sinceridade, lágrimas que descem
Nas linhas escritas, lidas, desprezadas
Cicatrizes de felicidade nos meus olhos
Lapidei os meus caminhos em belas paisagens
Onde sobrevivi as minhas próprias dores
Podei com paixão as flores no meu jardim
Para colher nele o mais belo perfume
Lendo, relendo as linhas que escrevi
Onde as palavras transformaram-se em amor.
MENDIGO
Dorme agasalhado
Um vulto numa saca de sal
Alegria ao espelho, lerdo pano
Salgada doce, carne velha
Aperto a mão ao mar dando-lhe o bom dia
Ele manda as suas ondas de maresia
Palavras que brilham
Adormecem na mentira
De quem tem ou tinha pernas curtas
O silêncio do barracão perturba os ouvidos
Sons adaptados calmos da rua.
Estranha escuridão que permanecia calada.
Caminha entre os passos baralhados
Tenta silenciar os pensamentos que gritam congelados.
"SEARA DOCE"
Sonhos desfeitos feitos prisioneiros
Amarguradas mágoas que ceifam vidas
Mergulhos na escuridão que o vento levou
Em grãos de areia que repousam no silêncio
Vida coberta de esplendor da anunciada morte
Onde a alma renascia de humilde transparência
Vidas feitas de esperança, que correm de águas cristalinas
Num mundo que se transforma num novo amanhecer.
Seara verde pela planície, montanhas da nossa vida
Sementes caídas em terra fértil, regadas de amor!
"UM SÓ CAMINHO"
Um só caminho de uma alma doente
Dum receio tantas vezes prematuro
Caminhante sereno, rosto marcado
Pelo sofrimento da vida, tão vivida
Madrugada orvalhada de sonhos cruéis
Embebido nas arestas do futuro
Com medo das saudades do presente
Desta dor que em vão procura
Onde cobre o coração dum escuro véu
Alma de luz desgrenhada
Caminho de uma jornada
Amiga aurora da manhã, eu te saúdo
Neste caminho de fragas, giestas, estevas
Desçamos o monte, a serra juntos
Bebamos juntos o vinho doce de morangueiro
Com um travo suave a alecrim
Espinho encontrado de escombros
Onde encontro-te no caminho, tão só, tão sozinho
Repartamos os dois o mesmo vinho
Amargo da nossa jornada
Taberna escura cheia de amargura
Secura na alma, no corpo doente
Prematuras sombras, frias e cruéis
Calvário onde choramos o mesmo pranto
Das saudades, já esquecidas, perdidas
Caminhante sereno, rosto marcado
Pelo sofrimento da vida, num só caminho
Embebecido nas arestas do presente sem futuro.
"AME E SEJA AMADO"
Ame o próximo momento
Ame o sorriso que lhe for dado
Ame a atitude demonstrada
Ame o abraço oferecido
Ame o tempo, o presente que lhe é dado
Apenas ame, ame para amar e ser amado
Afinal como é maravilhoso começar e chegar ao fim do dia
Agradecendo a Deus, pela vida
Que ele tão generosamente nos concedeu
Tenham todos um bom dia
Um final de tarde e um anoitecer maravilhoso.
Fiquem com Deus meus amigos.
"PROCURO-TE"
Procuro-te e busco-te
Nas fragas do caminho
Pelos vidros da janela
Em cada nascer do sol
E não consigo encontrar-te.
Procuro-te e busco-te
Nos seixos da rua
Nas brechas da porta
Nos grãos de areia.
E não consigo encontrar-te.
Procuro-te e busco-te
No brilho das folhas à chuva
No nevoeiro estampado na serra
Nos espelhos do orvalho
E não consigo encontrar-te.
Procuro-te e busco-te
Na tempestade dos ventos
Nas nuvens altas e azuis
No escuro da noite.
E não te encontro, mas tu revelas-te!