Frase de Isabel Morais Ribeiro Fonseca
HÁ DIAS E DIAS Há dias que a morte é lenta como os mantos de lã Há dias cinzentos que a fome engole o sossego Há dias que o rosário é negro e dilacera o peito Há dias que a prece é a revolta aguçada dum estalo Há dias que são alinhavados por linhas escuras Há dias que os punhais massacram as veias de sangue Há dias que só Deus sabe os passos que dei, os erros que fiz Há dias que a noite afugenta as sombras com o som do sino Há dias que o poema está escondido, vestido de púrpura Há dias que a mentira cede e é tocada com um dedo no espelho Há dias que o nosso silêncio é simplesmente um dia de festa Há dias que o teu riso, o teu beijo é o melhor do mundo Há dias que o cheiro a canela, alecrim, alho, gengibre, é amor Há dias que o delírio é penitente, nas ondas que cantam embriagadas.
No pensador.ai desde