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Frases de Hidely Fratini

68 frases

⁠BEIRA (inspiração adolescente) Com licença!
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⁠BEIRA (inspiração adolescente) Com licença! Aqui não é lugar pra mim. Eu sou um revoltado... -- Ora quero amor. -- Ora a solidão. Com licença! Aqui não é lugar pra mim. Eu sou um neurótico. -- Ora não sei por onde vou. -- Ora encontro só caminhos. Mas com licença! Aqui não é lugar pra mim. Bem, eu sou um quase louco. -- Ora não reconheço imagens. -- Ora, há hora em que há menos ainda. Com licença, eu me vou! Aqui não é lugar pra mim. -- Ora nem para ti. -- Ora nem para nós todos! Nós somos... quase. Só isso! Um pouco de nada com um toque de cor! Set/ 1970

⁠SAUDADE DOS ANDES Sentimento invade o ser que dorme Penetrando lembranças apagadas pela mente.
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⁠SAUDADE DOS ANDES Sentimento invade o ser que dorme Penetrando lembranças apagadas pela mente. Ressurgem imagens que invadem o coração Como presentes escondidos no inconsciente. Pergunto-me: __ Onde estou? Que lugar é esse? Uma resposta apresenta-se em meio à névoa, Evocada pelo som de uma orquestra Que vem ao meu encontro. Uma voz canta e ecoa reminiscências De um passado ainda mais remoto Que despertam pela vibração dos instrumentos: Violinos, órgão, "chello" e uma voz de contralto a cantar! Viajo. Vou longe. Aos picos dos Andes. Vejo os incas: são mulheres, homens e crianças, Cabanas, fogo, céu estrelado e a mesma lua. Sons abafados, choros, canções e risos. Não quero voltar! Está tão frio lá fora... Mas sinto um calor intenso em mim. De repente, o som se transforma! Uma buzina soa estridente do outro lado do mundo. Retorno, sem piscar, rodopiando, ao mundo presente, Ao plano material e dos corpos físicos! São 23 horas de um dia 29 de outubro. O ano é 2004! Uma multidão discute embaixo da janela. A noite está quente. Água cai do céu... E a orquestra já se foi... Como nunca, estou mais do que presente! Malgrado os ruídos que vêm da rua, O quarto está calmo e em silêncio: Reverência pelos irmãos que dormem nos Andes - como sempre! out/ 2004

⁠Tentações humanas (Inspiração adolescente) Da escuridão gélida da noite,
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⁠Tentações humanas (Inspiração adolescente) Da escuridão gélida da noite, Sem conter um ar de vida em cores, O feroz ser das multidões longínquas Fez-se mais uma vez presente! Conseguias derrubar montanhas onipotentes, Destruir mil vidas encarniçadas. Enquanto outras, ainda mais desgraçadas, Se debruçavam no mundo tristemente... Em cada face amiga que surgia, Mais um tremor entre o céu e a terra se fazia, Mais uma vez plantar seu ódio conseguias! Tu, o que queres? O que desejas? Nenhuma resposta! Mas algo era certo: era o diabo que surgia! Agosto/1968

⁠Alguma pessoa (Inspiração adolescente) Andando num lugar muito movimentado
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⁠Alguma pessoa (Inspiração adolescente) Andando num lugar muito movimentado Notei pessoas de vários tipos. Eu não pensava normalmente, Sonhava com algo... E foi com esse pensamento Que deparei com dois olhos, Olhos grandes, crianças... Estes eram puros, Pareciam castanhos! Traziam, bem no fundo, Tristezas não reveladas, E alegrias que nos enganam. Eras uma quase criança; então um apelido se fez! Olhamo-nos... Meus olhos não são sonhadores Como os das crianças... Mas sim de querer paz! Tu, apesar da idade, Apesar do tamanho, Tinhas um rosto tão jovem, infantil... Será que nunca mais verei, Aqueles olhos castanhos, De tristezas não reveladas E alegrias que nos enganam? Sim, foi só um relance! Mas só os olhos falam da alma? Do caráter? E os sentimentos? Talvez sejam verdes! Diferentes dos meus... Talvez teus olhos, enormes, Sejam a revelação do mais puro amor! Ou me enganei? Será que nunca mais verei, Aqueles olhos castanhos, De tristezas não reveladas E alegrias que nos enganam? Outros passos eu dei. E me fui... Pensando sempre nos olhos tão sonhadores Que põem qualquer um a sonhar E a pensar em amar! Tudo desapareceu. Morreu! Seguistes um caminho, para mim indiferente... E eu segui o meu, que para ti é desconhecido. Na verdade, nunca mais te vi! Agosto/ 1967

⁠Sonhos maravilhosos (inspiração adolescente) I
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⁠Sonhos maravilhosos (inspiração adolescente) I Sonhei, tu estavas entre estrelas... Uma festa só de luzes! Meu amor junto a mim! II E como em murmúrios de lágrimas, E em tinir de cristais, Começamos a dançar A nos amar A correr em pleno salão... Tu estavas em plena emoção, E tua sensível alma Não cabia em si de alegria! III Ao veres o sol bem longínquo Gritastes e me chamastes: __ A M O R IV Uma vida nunca imaginada, Com grandes seres em jornada Para nos mundos estranhos o amor colocar. E eles vieram a mim, Deram-me a vida sem fim... V Mas os murmúrios não paravam, E continuamos dançando lá no alto... Como se estivéssemos num palco. VI Meus melhores dias, Minhas melhores horas tinham que terminar, Morrer... E a linda valsa nunca escutada, Seus lindos traços jamais imaginados, Findaram... E só lembro: Os murmúrios como as lágrimas, Os tinires como em cristais, O começo da dança, - A valsa, O salão todo em luz, Estrelas... 1967

⁠A nova vida (nem tanto) paulistana Praça do shopping Almoço
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⁠A nova vida (nem tanto) paulistana Praça do shopping Almoço Pai e filho ao lado Nenhuma palavra O adolescente curva-se ao celular Olhos e mãos fixos no aparelho De repente, nem tão de repente assim, Quatro palavras saem do pai: __ Vou ali. Já volto... Filho continua mais curvado do que nunca Mira e digita com dedos ávidos Nem levanta a cabeça Arre, que incômodo é esse que incomoda tanto! Rio comigo, pois nesse contexto Não é possível fluir palavras Pai retorna Arruma as coisas coletivas: mochila, capa, agasalho, guarda-chuva Mais uma palavra é dita: __ Vamos... E lá se vão pai e filho Cada qual em seu mundinho mundano e quadrado Talvez redondo ou triangular Tão paulistano! Olho à minha frente... Prato posto com alimentos saudáveis Rio de novo... Minha vida flui... Cadeira vazia à frente transmite mensagens: * Os amigos invisíveis estão por perto (parentes, mentores, guias, anjo da guarda) * Os amigos encarnados, também presentes, Estão em meu coração e em meus pensamentos Isso é bom demais Acalenta. Rio... A vida flui Pois ela precisa prosseguir em seus intentos. julho/ 2024

⁠Saudade e um vazio Um livro qualquer da estante... Pego-o
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⁠Saudade e um vazio Um livro qualquer da estante... Pego-o Aquele vazio de não me acostumar Bate em mim Forte. Uma data simples, comum: outubro de 2019, Marcou aquele fim de ano. Penetra-me Sem machucar! Finca o pé sem estreitar visões Sem deixar sinal É só um passado... quase distante, Vindo de livros Um passado que está onde deve ficar, Pois lembranças nada são que memórias _______> Vêm e vão _______> Passam Nada mais são! 11/09/2024

⁠Fia foi-se e eu, cá, sem ela Na sua infinita jornada Mais uma etapa se realizou --
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⁠Fia foi-se e eu, cá, sem ela Na sua infinita jornada Mais uma etapa se realizou -- Caminho de todos nós. Seja lá no que cada um acredita, Esta instância terrena se encerrará. Novos... Caminhos Jornadas Lances e Encontros. Não importa... A porta do outro plano sempre estará aberta para todos! Alerta aos incautos e descrentes: __O fato é que ninguém escapa do que é certo E o certo é o amor que nos une e continuará nos unindo em todas as etapas. Com afeto e amor a você, Fia! Da amiga Hidely 06.01.2023

⁠Tarde suspensa - choros e céus abertos Olho o horizonte com céu aberto. Parece um espaço mágico sobre a Terra.
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⁠Tarde suspensa - choros e céus abertos Olho o horizonte com céu aberto. Parece um espaço mágico sobre a Terra. Enxergo pedacinhos encantados de vários céus: __ Azul, azul com traços de água a vapor. Nuvens voam pelo espaço entre o meu eu e o ser ao lado, Um choro forte emana de profundezas ancestrais, Mas não serve de consolo. Vejo nuvens ora pesadas, ora leves como o nada, Ora como poeiras cósmicas ou de estradas. Escuro total, breu emana sem limite demarcando meus vazios. Ouço o Sol nascente, a pino ou poente, Agora a indicar limites consistentes. Água... Água voadora entre hemisférios a umedecer e fecundar a vida. Água: ...Vaporizada ...Líquida ...Gelada ...Pesada ou leve como pétalas ...Ou em flocos levados pelo vento ...Sadia ...Contaminada ...Rebelde, como tempestades e tormentas. Pedacinhos encantados por vários céus... Meu céu interno aproveita o tempo e se manifesta: ...Vibra ...Chora lágrimas em vapor, profundas ou em cascatas! Digo adeus e bato a porta. Sono profundo, por hoje, basta! junho/ 2021

⁠Dor no peito (visão da morte e seus prenúncios) Dor literal, não literária!
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⁠Dor no peito (visão da morte e seus prenúncios) Dor literal, não literária! É no coração mesmo, no real. Começou do nada, quase sem sentir... Foi aumentando devagarinho, mas sem parar um segundo. Tomou a parte superior do peito. Adentrou as costas. Respiração parecia até normal... Um incômodo. Uma tristeza. Um ai... Como se fosse partir sem ter, ainda, onde chegar. 2021

⁠L.e.m.b.r.a.n.ç.a.s Brincadeira literária com palavras e expressões pré-escolhidas Ainda menina, corria pelas ruas, pés no chão.
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⁠L.e.m.b.r.a.n.ç.a.s Brincadeira literária com palavras e expressões pré-escolhidas Ainda menina, corria pelas ruas, pés no chão. Brincava muito; pulava; pedalava bicicleta com guidão alto que atrapalhava o roteiro de minhas andanças. Quantas vezes, distraída, estatelava-me por cima de pedras e tijolos. Resultado: esfoliação dos joelhos, além da luxação de dedos e tendões. Tudo isso acontecia em frente à casa da vovó, que dizia ter nascido longe, muito longe. Num lugar muito frio, cheio de mares e de gente feliz! A cidade em que nasceu se chamava – e ainda se chama -, Copenhagen, dizia vovó sempre contente. Sua especialidade na cozinha remete-me às melhores lembranças. Lembro de seu inesquecível bolo de chocolate molhado, assim chamado por seus netos. O bolo foi adaptado com ingredientes da nova terra, dizia. A calda que recobria o bolo era levemente picante – sua marca inconfundível, cujo segredo nunca fora revelado às suas curiosas comadres, aos parentes e vizinhos. Quando, nas noites frias, era indagada sobre tal feito, respondia sorridente e com seu sotaque inesquecível: __ Hej, godnat, tak (1) pur perguntar, ér u cheirrú dáo ’Dinamarrk (2) ki tragú cómiga i, sempre ki póossuû, ponha’ um pitadãñ nu cardã di chucollate’ parra trazerr meo paisse maiss prróximuû... Para trazer sua Dinamarca mais perto ainda, e brincar com seus ouvintes, emendava umas palavras dinamarquesas, deixando-as mais longas e à moda alemã, como: __ Speciallaegeprakisplantaegningsstabiliseringsperiode!!! Todos riam sem entender nada e, provavelmente, naquela altura de sua vida, nem minha avó querida! (1) Olá, boa noite, obrigada... (2) cheiro de Dinamarca Agosto/2022

Sonhos, pensamentos e visões Estranhos... ou
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Sonhos, pensamentos e visões Estranhos... ou Distópicos? Sonhar poemas e escritas, que vão: além-túmulos, além camas e divãs. Além, além, muito além! Firmes e acabadas, as palavras são criadas enquanto durmo, mas fenecem ao raiar do Sol, logo ao me acordar. Então, matuto: __ Para onde foram, afinal? __ Seguem para um mundo paralelo? __ Ou para outra dimensão de mim mesma, ... para, assim, esculpidas no sutil, permanecerem gravadas na minh'alma? . . . Pontos interrogam. ! Exclamações ! advogam e me perguntam (?) , . As vírgulas e o ponto final, calados, não se expressam. Mas, todos juntos, compõem, em surdina, vários mundos entre si! abril/2021

⁠Poesia espelhada ao contrário do poema Negra, de Carlos Drummond de Andrade. Um exercício... Branco O sinhô branco tem tudo
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⁠Poesia espelhada ao contrário do poema Negra, de Carlos Drummond de Andrade. Um exercício... Branco O sinhô branco tem tudo o sinhô branco manda em todos: __ Negros, vão carpir arar aguar extrair carregar estocar no celeiro empacotar subir paredes rachar lenha transportar limpar os sinhozinhos fêmeas para servi-lo parir. O sinhô branco manda em tudo tudo que seja tudo tudo mesmo até o minuto final de vida de seus escravos (único tempo que têm para se libertar) enquanto o sinhô branco desde sempre libertado está! Agosto/ 2022

⁠BALANÇO DOS ANOS 40 Recebi a vida sem pedir nada. Cresci.
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⁠BALANÇO DOS ANOS 40 Recebi a vida sem pedir nada. Cresci. Aprendi a exigência do amor, a impaciência da crise. Perdi luz. Enfraqueci ideais. Conquistei planos. Queria um aeroplano vivaz e transparente para me levar pelos tempos (presente, futuro, passado) Em busca de mim, em busca do outro. Da quietude dos campos, com cavalos pastando entre fontes inquietantes de vilas perdidas. Borbulhantes, sadias, por entre mil romarias. O coração entre preces, amor, fantasias. O cotidiano quebrado como a semente do milho caída na terra, germinando, gemendo a cada ciclo por vida. (abril/ 1992)

⁠Poema livre (Inspiração adolescente) Página aberta de um livro
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⁠Poema livre (Inspiração adolescente) Página aberta de um livro Fechou-se... Capítulo algum, Não mais existe... Nada! Foi de compreensão que sucedeu, Foi de paz, Espírito consagrado... Amor! Foi e sempre será por nós, Pelo bem-estar espiritual. Não virás a mim Casa minha Refúgio santo! Tu somente, Ninguém mais. Gélidas vidas? Nada mais Só paz & Amor! Mas, por quê? __ Pelo amor, respondem Mas que amor? Ninguém explica! Nosso olhar reflete a alma, Alma pura de amor Consagração real de felicidade. Nossas mãos encontram-se sempre, Num juramento eterno. Amar sempre, Seguir em frente... Amando-nos sempre... Sempre! (1969)

⁠O AMOR E O TEMPO (ao reencontro de um amor verdadeiro, apesar do tempo e das distâncias) O amor chega.
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⁠O AMOR E O TEMPO (ao reencontro de um amor verdadeiro, apesar do tempo e das distâncias) O amor chega. Instala-se Feito água forte sem pegadas. Cativado, Permanece, Impávido! Anos e mais anos-luz se passam E o amor permanece como semente Numa sucessão de infindas fases e de lamentos. São colheitas de vários e gestados frutos Diuturnamente expelidos dos contatos. Opa, o amor vai além disso, das comunicações e dos tratos feitos Pois o amor, enfim cativo, mas nunca escravo, É eternamente oferecido em pensamento! São contatos que não precisam ser presentes Posto que o amor não necessita de presença física, É gratuito, E atua fora do espaço-tempo. É grão, é sêmen, princípio, causa Efeito das origens e dos finais dos tempos. Ai o amor... Translúcido e transparente, Permanece, para todo o sempre, sendo Oferecido de coração a coração e em pensamento! (2024)

⁠ONTEM Na razão inconsciente Da minha mente insatisfeita,
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⁠ONTEM Na razão inconsciente Da minha mente insatisfeita, Vi quebrarem-se as barras de ferro. Senti um desejo De residir em nós. Na loucura da minha consciência Quase satisfeita, Vi unirem-se as barras do sentimento. Sumiu, então, a moradia que nos unia. A morada se vestiu De um brando amor humano. A mente tomou o seu lugar... O coração repousou, Bateu leve. E as mãos uniram-se fortes e ternas. Abril/ 1971

⁠Alguém pequeno, tão grande (inspiração adolescente) Você criança, de olhos grandes, calmos e serenos, reluzindo como a lua...
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⁠Alguém pequeno, tão grande (inspiração adolescente) Você criança, de olhos grandes, calmos e serenos, reluzindo como a lua... Sua voz infantil era sua, só sua... Quando iria tomar forma? Quando iria crescer? Andava tão engraçado... Eu só podia rir de você! Meu riso não foi zombador, Foi somente de dor, em pensar tantas coisas... de você! Meu riso? Foi riso! Quem pode dizer do que foi? Sua altura era sua, só sua... De repente... Fez-se gigante, apesar de ser tão pequeno! Você, rosto fino, mãos longas, pés grandes... Era engraçado, meio desengonçado! Mas eu gostava de você! (1967)

⁠ELEGIA AO PRIMEIRO AMOR (Apaixonado, arrebatadoramente apaixonado. Amante confesso e condenado) Chuva.
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⁠ELEGIA AO PRIMEIRO AMOR (Apaixonado, arrebatadoramente apaixonado. Amante confesso e condenado) Chuva. Tarde. Pôr do sol. E versos morenos sobre a areia. Calor. Noite. Lua cheia. E um banco de jardim com dois amores. Adolescência. Descoberta do outro. Beijo das mãos. Toques de lábios carnudos. Desnudos, os corações se apaixonam. Como é possível? primeira tarde primeira noite alma ansiosa amor platônico tomar conta de tudo? Instalar-se para sempre “feito um posseiro” dentro do meu mundo! (jan./1992)

⁠Da bondade à maldade (Inspiração adolescente) Uma maldade divina do inferno
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⁠Da bondade à maldade (Inspiração adolescente) Uma maldade divina do inferno Surgiu nos passos de regelante vida Com formas de amor e doçuras de liras Contendo no coração o prazer e nas mãos o pecado! De um sono de anjos, roubavas um beijo E sempre a beijar guiavas teu anjo ao relevo De inanimadas vidas e incorrigíveis prazeres Esquecias que o maior pecador eras tu, pobre imprestável Em tudo buscavas vida e esta passava a odiar-te! As coisas que te cercavam morriam odiando-te, Fugiam desesperadas, sem querer olhar-te Um perdão nunca ouvistes, tu eras mau Nada mais para beijar, tu querias o prazer Implantastes a maldade e colhestes teu plantio, E por fim, por tua vítima, fostes perdoado... [Agosto/ 1968]