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Frases de Hidely Fratini

68 frases

⁠PALAVRAS... LAVRAS (Essencial é ver; ser, basta!) Não há palavras! Há.
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⁠PALAVRAS... LAVRAS (Essencial é ver; ser, basta!) Não há palavras! Há. Esperar? Não há por quê. Para quê? Silêncio... Tristeza... Invisibilidade! Não sou. Sou? Ser! Essência, Basta? Que bosta! Universo Terra/ mar/ ar... Misture tudo! Nada? Vazio! Dez/ 2017

⁠DESIMPORTAR (quando se desligar da energia... retorne à fonte para brilhar!) Cansa mesmo...
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⁠DESIMPORTAR (quando se desligar da energia... retorne à fonte para brilhar!) Cansa mesmo... Fale menos! Enche mesmo... Esvazia mais! +++++++++++ Ih, não passa! Volte, Retorne, Retome.... mumumumumu_______________* Começar de novo? Que saco, diz-se... Não diga! Esmurrar a ponta da faca __ fraca? Sangra, Dói. E daí, quem se importa? 2017

⁠TEMPO (Cosmovisão: achando-se nada) Amigos, muitos.
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⁠TEMPO (Cosmovisão: achando-se nada) Amigos, muitos. Família, nada. Perdeu-se no tempo! Gerou-se sozinho... Muitos, (a)parentes. Mão estendida... Volta vazia! Dias vários. Vida curta, Sem fim! O Tao de tudo. Profundo! Sorria, Pois é contínua, Continua! Dez/ 2017

⁠A PROCURA Procuro você Não há encontro
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⁠A PROCURA Procuro você Não há encontro Existe uma variedade de crianças: Irrequietas, quietas, travessas, malcriadas, comportadas. Onde está você? Em que ponto do passado encontrá-lo? Vasculho o prédio: Por baixo da mesa, das cadeiras, No pátio, diretoria, no lixo. Não o encontro! Vou à Bahia, de Mucuri ao Ibó. Vasculho Itabuna, Vitória da Conquista, Ibirapitanga... Perdeu-se! Não foi a morte que o levou Foi a vida! Junho/ 1974

⁠ZOO ? ! (inspiração quase adolescente) Zodíaco, um aquário...
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⁠ZOO ? ! (inspiração quase adolescente) Zodíaco, um aquário... Lendas mitos e, no fundo, um saber. Zodíaco, um peixes... Do mar, do mistério, do homem nu. Um áries... Fogo e brasão, representação de gente histérica! Do taurus... fugidio, rico e que acelera a vida. Do gêmeos com câncer... Leva o espírito, mata a matéria compadecido e passivo... Zodíaco, astrologia leonina... Marca o marco, ponto largo; o universo gira. Ah, virgem! Vida santa, martiriza a flor Protege seus restos com o poder da vontade. Signo libra e escorpião... Vem do amor, marca a música, é imortalidade. Num quase findar, sagitário... Arredio, constrangido, que a vida leva. Que marca o mundo... Capricórnio... fim de tudo. Quase vida. É terra, da teimosia e das cores negras que não existem. Todos, tudo unido num poço fundo... Mistérios que se compadecem da alma humana. Set/1970

⁠PARTES ARRANCADAS DE MIM (amor integrativo) Parte complementar arrancada de mim...
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⁠PARTES ARRANCADAS DE MIM (amor integrativo) Parte complementar arrancada de mim... Vivi como mutilada Hora sem mãos, pés ou cabeça Faltando-me de mim Ah, essa parte arrancada do outro em mim... Levada embora Jamais retornada Faltou-me a boca perfumada Nunca mais beijada, nem outras encontradas Inigualável em intimidade e emoção Ah, essas partes arrancadas, Multiplicadas, Nunca preenchidas Busca que vem de longe, de mares não navegáveis Percebidas cedo Encontradas Depois perdidas em múltiplas etapas As, essas partes do outro arrancadas de mim... Faltas multiplicadas ao infinito Nunca mais apartadas, nem retornadas Ah, que falta sinto delas em mim! 2024

⁠Grande dor a uma criança morta (em homenagem à prima Kátia) I
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⁠Grande dor a uma criança morta (em homenagem à prima Kátia) I Chegaste e eu fiquei triste. Chorei... Não podia crer Que isso fosse a pura verdade. És muito mau meu amigo. Por que dar uma notícia assim? II Fiquei chocada, gritei... Mas tudo inútil, Pois só tu me ouvias! III Tristeza, sempre estás Aqui junto a mim. Nem sei se aguento... Mas a ilusão de tudo se acalmar, E a nossa felicidade voltar, Ainda existe em meu coração. IV Sorrir, sorriso puro? Era o daquela linda criança Que conheci há algum tempo... Seus olhos azuis, quase negros, Fitavam os meus vivamente Enquanto eu, pobre pirralha, Escondia, para não veres, Uma enorme, grande Tristeza e dor... V Teus cabelos perfumados Todos os dias eu afagava. Tu sorrias, pura criança... Andavas, corrias e choravas... Mas eu não me importava! Tu me querias e eu a ti. Amada, minha querida! Eras tão boa de alma. Singela, tão sonhadora e triste! Será que tu herdastes algo meu? Não, não quero... VI Mas hoje, criança, Dormes um sono, Um pesado sonho angelical. Aquele que permite a nós, homens, O descanso eterno pela morte... Não corres, nem choras e nem sorris mais... Teus cabelos estão ainda perfumados... Teus olhos, nem posso lembrar-lhes a cor! Mas lembro que eram puros, Tão puros quanto a flor! (junho/ 1967)

⁠GÊNIO (inspiração quase adolescente) Sabe, simples folha,
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⁠GÊNIO (inspiração quase adolescente) Sabe, simples folha, Branca e mal riscada, Eu queria te contar um segredo Revelar a minh’ alma. Colocar-te a emoção deste momento Que dedico a um gênio... Gênio da arte, Chopin! Chopin com todos se seus prelúdios que me revigoram. Ah, minha simples folha, Eu te revelo: __ Queria ser cada nota deste prelúdio... De um quase outono. Ah, como queria morrer... E me transformar em som melódico Para vasculhar a alma humana. Fazê-la voltar-se às coisas supremas Feitas de notas simples... Mas amo tanto este impossível Que possivelmente eu morra antes do tempo certo. Talvez eu morra antes do meu morrer. Mas será, folha mal traçada, Será que compreendes? Responda! __ Entendo-me! Mais uma vez há um toque de silêncio, Mais uma vez só! Para se repetir sempre. Impossível eu não me render Às profundezas deste abismo. Ah, meu gênio já está morto, Com uma vida mais de essência. E é para esta essência que eu caminho: - Para a essência eterna. - Para o mundo do além! Set/1970

⁠ENTARDECER E A LUA A noite descia como em voo de pássaros, Em rajadas de flocos coloridos.
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⁠ENTARDECER E A LUA A noite descia como em voo de pássaros, Em rajadas de flocos coloridos. Meus olhos se deliciavam, estremeciam, De prazer e dor. Como cristalizar este momento? De que forças retirar o fluído para tal proeza? Pensamento tolo que me fez perder todo o poente. Quando dei pela natureza, A noite me abraçava, Beijava meus lábios com o nascer da lua. Espetáculo de noite invernal. Como deter o astro prateado No seu lugar de agora? Para saciar o meu prazer, Para matar a minha sede de beleza. Oh maldito pensamento! Fez-me perder todo o nascer da lua! Todos os poentes, todo o sol no seu turno. Todos os verdadeiros voos de andorinhas! E aqui estou sem saber contemplar. Desejando obras monumentais da natureza. Maldizendo o pensamento, Vi-me num túmulo frio, escuro, Sem haver sentido o momento de minha morte Por tanto haver pensado nela! Conclusão de alma: O belo está naquilo que se vê e sente Não no que se quer! Nov/ 1974

⁠Mar, luar e canção (uma história em versos) Assim, como para anunciar a chegada de alguém,
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⁠Mar, luar e canção (uma história em versos) Assim, como para anunciar a chegada de alguém, O mar cantava um hino. Ambos sozinhos – eu e o mar, Unimo-nos e esperamos que sua preferida Se enfeitasse para nos ver. Você fazia das ondas lindos saltos... Estava contente, feliz! Trazia algumas pérolas que tomara para si. Estavam ali, na superfície, vindas de suas profundezas Para ofertá-las à sua amada. Enfeitava-se e compunha hinos, Hinos ora alegres, ora tristes, serenos ou enfurecidos. Estava impaciente, nem tudo preparado Pois faltavam os pássaros... Mas eis que surgem, assim, em bandos De tenras nuvens calmas, diferentes do mar. O sol se foi e seus raios vermelhos beijavam os céus, Abraçavam as águas... Então, ela se fez surgir! Não era pura, mas singela... Seu manto rosa dourado reluzia... Tomando para si as pérolas Que horas depois vestiu! De seu rosa feminino tornou-se mais pura, prateada... Surgindo sua imagem trepidante por entre as ondas do mar. E o mar, apaixonado, tomou-a, beijando-a... Mas não era ela... Somente seu reflexo, sua luz! E mesmo assim ele se fez feliz! Nisso, como num encanto, Uma canção saltitante se fez ouvir... Mais pássaros, eram eles, brancos... calmos. Um grande bando... Rezavam, como em prece suplicante Para os que ali, embaixo de suas asas, descansavam... Outros, brincalhões, trocando encontros com as águas, Inspiravam-se naqueles que ali foram felizes, Aos que ali admiraram o mar! Ainda não era noite... As estrelas não se faziam todas presentes Para constituir o grupo daquelas Que, antes da amada do mar chegar, Enfeitavam-na com vestes simples, femininas Para, na terra, os seres se apaixonarem. As nuvens estavam ligeiras, douradas, Cobrindo muitos desses mitos infantis. O mar, então, repleto de esplendores, deixou soltar um suspiro, Suspiro de namorado que ama realmente alguém. Cada vez mais se fazia noite... A lua, muito mais feliz, atirou, de modo admirável, Uma luz que se fez voar pelo espaço... O seu prateado, às vezes modesto, Deixava o mar louco e este se enfurecia. Chegava, então, às praias com suas ondas de censuras amargas, Amargas por não poder tê-la. E foi assim que se fez noite. Noite encantadora, repleta de esplendores. Fiquei triste... tinha que partir. Não podia ficar ali eternamente... Lágrimas começaram a rolar. Fiquei triste, tão triste que mal podia caminhar por entre a imensidão da noite. Suas espumas, tão suaves, estavam sempre a me beijar... Eu ia sorrindo, enquanto a tristeza me invadia. Pensei: E quando tudo terminar? O que será do mar? Irá se enfurecer e com toda a sua força crescer para aos céus implorar Por outras noites, assim, lhe acompanhar! Mar, com suas canções... Canções saltitantes e felizes Acabará por chorar eternamente por não poder rever a lua novamente! Não, você não tem um coração! Não tem olhos, nem ilusões. O amor pela lua acabará, pois tem outras coisas para amar... Esta noite não mais se fará... Foi a primeira e única; aproveitem-na. Não se esqueçam de se amarem, De se amarem a todo custo. Então, deixei-os a sós. E mesmo que meu coração doesse, eu já havia assistido ao espetáculo. Sabia que iria ficar assim, noite adentro, O mar cantando suas canções para se declarar à lua, A lua, cheia de emoção, amaria por toda a noite o mar! (junho de 1967)

⁠Partida paterna (período de luto) Parte I Fecharam-se os olhos
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⁠Partida paterna (período de luto) Parte I Fecharam-se os olhos do corpo, da alma, da vida. Fecharam-se para sempre ao plano físico e material. Continuam abertos em outros mundos, Nos lugares onde tudo fica registrado. Lugares além do visível a nossos carnais olhos. Muito além... Parte II Histórias, muitas delas e variadas. Há o lugar das histórias do dia a dia Das infantis e de todos os períodos e com todas as pessoas! Lugar de histórias de choros e sorrisos. Lugar dos medos, do estender as mãos... E do voltarem sozinhas e vazias... Das mãos perdidas de afetos e sentimentos condignos. Da falta de colo e de abraços. Da falta dos aplausos e do chorar juntos. Lugar do aflorar da raiva disfarçada, dissimulada, não posta para fora... Da raiva não vivida para, enfim, ser enterrada! Lugar do seguir adiante buscando meu caminho, Posto que iluminações sempre chegaram a mim, Como clarões de ajudas internas e externas, Por estar num alerta constante e transcendente: __Comigo; __Com amigos de uma rede de apoio desta vida; __Com amigos invisíveis que, pressentia, estavam presentes... por ouvir através de ouvidos fluídos e, confiante, os seguia. Histórias de força de vontade e de determinação paterna. Enfrentamento de medos e limitações. De ter racionalidade, honestidade e Justiça: -- O maior legado ensinado por meu pai! Histórias de todos os matizes, De alegrias, choros e sentimentos vários. Fatos carregados comigo, que me formaram! Parte III O bilhetinho de despedida, posto ao lado do corpo morto de meu pai, queimou-se na fornalha que consumiu seu físico e transcendeu sua alma. As palavras escritas foram apagadas da memória ao serem consumidas pelos fogos fátuos e dos rios eletrificados... Apesar das palavras virarem cinzas junto às suas cinzas, foram-se juntar ao pai espiritual e da minha história, Como que coladas em sua pele para acompanhá-lo por um bom período Ou para todo o sempre. A história que agora se inicia: __A minha... __A sua, ora separadas, Decidirá novos caminhos! Quem sabe, um dia, se cruzarão de novo... Para terem um desfecho renovado, aquele do afeto claro, inocente, fraternal, mas consciente de humanidades! Quem sabe o que o destino nos reserva! Sigamos! abril/ 2024

⁠DESPEDIDA É na partida triste Que se encontra um todo,
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⁠DESPEDIDA É na partida triste Que se encontra um todo, Um todo a querer ficar Para vagar, vagar... Com os anjos do além-mar. E depois ter beijos doces da morte, Deixar ser levada pelo anjo Lá para o fundo do oceano ativo, Dentro do desconhecido. Deixar ser levada pelo vento, Pela brisa suave da noite rubra. Deixar a vida tola... e ser tua! 15/11/1970 (retorno da Praia Ocean)

.⁠P.A.L.A.V.R.E.A.N.D.O. PRIMEIRA NEUROSE (inspiração adolescente)
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.⁠P.A.L.A.V.R.E.A.N.D.O. PRIMEIRA NEUROSE (inspiração adolescente) Sou eu, Simplesmente isso: Neurótica. Vinda de neuroses! De um caminho... ... beira da loucura! Sem cura, Sem remo. Vai devagar infiltrando-se em minh’ alma. Escolhe um canto, Ali mora... Instala-se! Cresce e depois simplesmente morre. Sim, vem com ela a morte. Eternamente. Sempre. Leva-me e leva-o também. Sempre assim. Amém! Jan/ 1969 SEGUNDA NEUROSE (inspiração adolescente) Neurose ou loucura? Até o título mudei. Passou à frente. És segunda! A primeira? Destruída... Esta? Maltrapilha, fulgurante. Também, caminha! Ah, sim, resides em mim. És amiga nova. Bem-vinda sejas! Queres ficar? A casa é tua. Não mais minha... nem da outra, a primeira. Como vês, sou bem mais tua amiga. __ Mas, notes bem, não confia. Vás levando. Mores em mim! Fiques mais. Assim... caminha. Não tenhas dó. Há muito não sei disso... Sou sozinha! Ah, o amor? Quantos o temem. E tu? Não respondes... é impossível. Tu és destruição. O amor constrói. Cria vidas! Bem, como eu sei? __ Já amei: Tomei uma flor... Rebusquei-a. Maltratei-a até! Mas ela era perfeita! Quem não a amaria? Como vês, quem não ama alguma coisa? E tu, amas também? Set/ 1970

⁠Sem nome (inspiração adolescente) Iluminou-se um caminho.
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⁠Sem nome (inspiração adolescente) Iluminou-se um caminho. Fez-se em chamas o Universo. Estrelas entreolharam-se Mas simplesmente não se viram... -- e nem podiam. Voltaram-se todas para o mesmo caminho... Num pequeno fim de mundo Encontram e iluminaram um tesouro, Tesouro que transmitia amor... Era um pequeno mundo sem fim, Onde um menino surgiu, abençoando a Humanidade! Dezembro/ 1969

ENCONTROS O amor, reflito, apesar dos conflitos,
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ENCONTROS O amor, reflito, apesar dos conflitos, conduz-nos como os raios de infinitos versos. Fazer amor, repenso, apesar do repouso merecido entre espaços de finitos verbos, desnuda a fonte primitiva de cada ser. Abrem-se botões... de flores. Desnudam-se ... corpos e estrelas como entre versos representados por poemas. É a poesia que se esvai em cada gesto, rito do animal frente sua alma. Comovem-se corpos e muitos astros desta Via-Láctea representante de infinitos mares. Os olhos, bem atentos, espreitam outros olhos buscando a poesia contida em cada ato. Jan/1993 ⁠

⁠Perdão do esquecimento (inspiração adolescente) Pequei!
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⁠Perdão do esquecimento (inspiração adolescente) Pequei! Se pequei, pecastes mais! Eu gritei... E de um surdo eco me arrepiei. De joelhos mais uma vez fiquei... Procurei teu olhar sem encontrá-lo. Queria-te por toda força junto a mim. Mas nada fazia sentido... Tudo desfeito! O amor que nos unia, findou. Ódio em teu olhar notei! Compreendi que entre nós tudo estava acabado... Chorei noites, fiz nascer dias. Construí e imaginei mortes. Mas seu perdão eu nunca mais teria... 1968

⁠REVELAÇÃO Domingo como tantos de final de ano... Não fosse a revelação da existência de uma “musa”,
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⁠REVELAÇÃO Domingo como tantos de final de ano... Não fosse a revelação da existência de uma “musa”, tudo transcorreria pausadamente igual. Como se sentir sendo a fonte de inspiração amorosa de outra pessoa? Ainda mais quando este alguém é a fonte de inspiração da maioria dos versos escritos por essa “musa”? Levitar é a única resposta frente à vastidão do mundo com estrelas buracos negros e o seu olhar profundo! Dez/1992

⁠O velho (versão II) Quis depor dentro de mim, mas impossível
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⁠O velho (versão II) Quis depor dentro de mim, mas impossível Não cabia dentro de mim um juiz, Mas um dia coube o meu eu, tão orgulhoso! Os meus defeitos continuaram sãos por muito tempo As minhas mãos, aniquiladas pelo perdão que nunca veio O bolor tomou conta de toda a minha pele. Envelheci... Mais caduco era antes com aqueles risos falsos Hoje, orgulho-me de não ser nada e falar claro. Muitas vezes sou criança e todos correm atrás de mim Falo do mundo, xingo, brigo com os gatos! Mas que importa? Sou um velho sincero como tantos. Às vezes paro numa época da vida Lembro-me dos filhos, colho flores Procuro a namorada que antes me acariciava... Sinto seus beijos e suas mãos em meus cabelos. Sou um velho rabugento e espero passar o tempo Aguardo a morte e vejo minha eterna namorado me acenando Ralho com os mortos, pois é mais perto deles que me encontro agora. abril/ 1971

⁠TEMPORALIDADE Choque de ideias. Maestria cigana.
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⁠TEMPORALIDADE Choque de ideias. Maestria cigana. Pois, quem diria, ela, pensando ser a dona do seu tempo, acabou mortal frente a instantes desconexos da sua vida. Passados cem anos, pessoas, trabalhos, amores e solidões, abertas suas mãos, o nada a persegue! Dez/1992

⁠⁠SOBRE A BELEZA Quando você vê um pássaro, e diz: __ Ele é bonito!
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⁠⁠SOBRE A BELEZA Quando você vê um pássaro, e diz: __ Ele é bonito! Isso basta? Por que perguntar a razão da sua beleza? __ São as penas, o bico, a localização dos olhos, a entonação do canto, disposição das pernas? Não, é o pássaro em si que conta! Só o pássaro! A ciência da passarologia não entende de beleza. Assim acontece com a música, com a poesia e uma teoria filosófica. Algumas notas musicais ou palavras não nos transmitem mensagem de beleza. Só o todo pode nos tocar. Na verdade, eu nem sei o porquê dessas palavras... Posso estar errada. Mas tudo no mundo pode estar errado. Eu posso, até, não existir! Junho/ 1974

⁠Despertar Um dia, deixei hibernando o amor que me servia De guia, encantamentos e prazeres.
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⁠Despertar Um dia, deixei hibernando o amor que me servia De guia, encantamentos e prazeres. Hoje, desperta pelas águas mansas do futuro, Compadeço-me por ter dormido tanto Sem abrir meus olhos à verdade! Entorpecida pelo dia a dia que me sugava e consumia, Inativa, busquei viver por meio De mil afazeres e enganos violentos. Hoje, desperta pelas águas mansas do futuro, Agradeço a oportunidade do reencontro e do resgate! 2024