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Frases de Hermes Fernandes

483 frases

GARUPA O que é que está esperando? Sobe logo na minha garupa
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GARUPA O que é que está esperando? Sobe logo na minha garupa Bora sair mundo afora... Por que ficar protelando? Aquilo com que se preocupa Esquecido será na aurora Quero apreciar a paisagem Refletida em seus olhos castanhos Ver o vento bagunçar seus cabelos Quero testar sua coragem Percorrendo caminhos estranhos Provocar arrepio em seus pelos Quero acender a fogueira Cantar versos que eu mesmo compus Ao som do velho violão Vou te deixar bem faceira Dançando à vontade a meia luz Celebrando a nossa paixão Quero deitar a relento Contar cada estrela cadente Imaginar outros mundos distantes Quero viver o momento Decidir pra onde ir, de repente Viajantes errantes, amantes Dispensar GPS ou mapa Abrir trilhas em seu coração Saciar-me direto da fonte Da estrada do amor quem escapa? Quantas milhas até a razão? Não há placas que o norte aponte Colher flores à beira da estrada Mergulhar no primeiro riacho Lambuzar-se com frutas do pé Ver as cores de cada alvorada Se me perco, em você eu me acho E sem pressa, caminhamos a pé Do Oiapoque ao Chuí Do Pantanal ao Havaí De Paris à Veneza De Recife à Fortaleza De Machu Picchu a Patagônia Do sertão à Amazônia Do Caribe às ilhas gregas Dos Andes às Agulhas Negras Ao final, o que importa Não é o destino ou a jornada Mas a companhia de quem quer amar e ser amada

A Anatomia de um Abraço Para quê tanto espaço entre gente que se ama?
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A Anatomia de um Abraço Para quê tanto espaço entre gente que se ama? Vem cá, me dá um abraço Deixe de fazer drama! Seja ao luar no terraço Ou ao sol deitado à grama Não vai tirar nenhum pedaço Vem pros meus braços e se esparrama Se lhe causo embaraço Então, por que você me chama? Tudo bem, eu me refaço Pra manter viva esta chama Não vale aqui queda de braço Se desistir, você reclama Se quer saber, também pirraço Você conhece a minha fama... Isso seria um erro crasso Como atirar-se em mar de lama Não vou vencer pelo cansaço Prefiro amar como se ama Nem um quadro de Picasso Retrataria com primor A anatomia de um abraço A geometria de um amor Dizem que isso está escasso É no deserto encontrar flor Posso provar-lhe passo a passo Isso não passa de rumor O que se faz com um abraço Não tira só os pés do chão Põe as batidas no compasso E faz dos dois um coração

360 graus Por entre as frestas da gaiola Enxergo num raio de trezentos e sessenta graus
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360 graus Por entre as frestas da gaiola Enxergo num raio de trezentos e sessenta graus Meu canto é como festa de vitrola Trilha sonora de amores contados em saraus Lá fora aventuras, perigos... Frajola! Mas cá dentro estou seguro destes elementos maus Além de alimento garantido num cardápio de esmola Ao menos sou poupado da fúria desse caos De que me servem as asas se privado sou de explorar o mundo à minha volta? Estas grades me são travas Não percebe que o meu canto é um pranto de revolta? Deixaram a porta aberta... Talvez por um descuido ou até para me testar Agradeço pela oferta É a chance com a qual sempre estive a sonhar Ao abrir as minhas asas Ensaiando meu mergulho céu afora Sofro apenas quedas rasas Fraturando meu orgulho de outrora Dou-me conta de que nada adianta dizer sim a esta oportunidade Se o espanto que secou minha garganta foi notar que as asas me foram cortadas Nada mais nesta vida me acalanta De que serve esta tal de liberdade? Mas as asas um dia voltam a crescer foi o que um anjo sem asas me garantiu Fez a chama da esperança reacender Minha alma de alegria até sorriu

Ato falho Ei! Não adianta mais disfarçar Finalmente descobri quem você é
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Ato falho Ei! Não adianta mais disfarçar Finalmente descobri quem você é Ou você acha que ainda me engana? Que perda de tempo argumentar Testar meus limites, minha boa fé Sua máscara é feita de porcelana Não me venha com um sorriso sem graça de quem acaba de ser exposto Nem me importo com o que diga ou faça Basta olhar a expressão do seu rosto Ato falho! Um a um, fui percebendo os sinais que você emitia Que trabalho foi dar zoom e acabar vendo que você não era aquilo que dizia E eu pensando que você era apenas uma pessoa de bom coração Cada peça num quebra-cabeça de cenas foi desfazendo a minha ilusão Abri a porta estreita da minha vida Pra lhe oferecer hospedagem Sem a menor suspeita, dei-lhe guarida por pura empatia e, camaradagem Chega de conversa! A casa caiu! Então, confessa! Por que me sorriu? Quem bolou todo este arranjo Pra esconder de mim que você não passava de...Um anjo. Como esperar que mentes tão rasas saibam identificar um anjo sem asas?

Infância Violada Não passava de criança Que sonhava ser herói
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Infância Violada Não passava de criança Que sonhava ser herói O que trago na lembrança Eu que sei o quanto dói Era só uma menina Que sonhava ser princesa Mas que teve a triste sina de ser pega indefesa Foi tão feio, tão nojento e tão vil Erguer meus olhos puros e infantis Mirar na cara do meu algoz senil Ultrajado em seus míseros ardis Enojado de seu semblante imbecil Laçado feito um passarinho infeliz Lá se foi minha pureza Antes nunca que tão cedo Quem saiu em minha defesa? Só restaram culpa e medo A vergonha e a tristeza Hoje moldam meu enredo Não havia a quem contar Ninguém me daria ouvido Com quem mais posso contar se até eu de mim duvido? E se eu quisesse evitar Não teria acontecido? Haveria culpa em mim Por tão funesta atitude? Se houver, diga que sim faz de conta que me ilude Sem flores em meu jardim Espinhos me fizeram rude Minha sede não tem fim Faltou água em meu açude Quem sabe mesmo assim Num lampejo de virtude Antes de chegar o fim algo acorra e tudo mude? E se perceba até que enfim Que eu resisti o quanto pude

Jet Lag - 26/05/2016 Esperando a torre liberar a pista Ansioso pra poder desembarcar Turbulências noutros céus enfrentei Finalmente, estou pronto a pousar
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Jet Lag - 26/05/2016 Esperando a torre liberar a pista Ansioso pra poder desembarcar Turbulências noutros céus enfrentei Finalmente, estou pronto a pousar Cada voo para mim é uma conquista Liberdade é poder os céus cruzar Reticências vida afora eu desejei Vez por vez meus destinos celebrar Muito acima de aonde chega o alpinista Sem lugar para fincar minha bandeira Sou piloto, o comandante, não turista Entre as nuvens deixo um rastro poeira Mas no chão já não sou o mesmo artista Sofro agruras que qualquer mortal carregue Sigo sendo um sonhador, idealista Sempre vítima do efeito jet lag Meu relógio segue à risca outro tempo Não se atrasa, nem querendo se adianta O que importa é estar sempre atento Mesmo quando o almoço vira janta Quem suporta viver em tantos fusos Troca o dia pela noite, troca noite pelo dia Seus sentidos se tornaram tão confusos O crepúsculo vira aurora, e um novo dia se inicia

Déjà vu Que cores são estas que tingem o entardecer? Que doce nostalgia inspira este dégradé?
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Déjà vu Que cores são estas que tingem o entardecer? Que doce nostalgia inspira este dégradé? Uma estranha impressão brota do íntimo Algo que alguns chamam Déjà vu Não há como não se sentir ínfimo Quando o universo abre seu baú Apesar de minúsculos Não somos apenas grãos de poeira Para além de ossos e músculos Somos alma e peneira O cosmos inteiro é a mina Da qual a consciência é o garimpeiro Cada estrela examina Em busca do mistério derradeiro Mas quem nunca sentiu Como se já não houvesse tido a lição? Quem nem ao menos previu Qual seria a próxima sensação? Quem sabe seria esta a mais preciosa pepita? Perceber que na vida nada é estreia Que embora graciosa e finita De retornos infinitos é a nossa odisseia Assim, cada encontro é um reencontro E dizer “eu te conheço de algum lugar” não é uma mera cantada Cada conto reforça um ponto E até desencontros nos levam ao mesmo lugar ainda quando se altera a estrada Não seremos outros jamais Nossa essência permanece Nem seremos os mesmos nunca mais Nossa existência esvanece Não se trata de remake ou recapitulação Cada cena, cada take, celebramos a ação Mesmo graduados pra além do tempo e do espaço Estamos destinados a viver no grande abraço Cada afeto vivido no mundo Cada teto chamado de lar Em contato com um ser que é fecundo Para sempre o acompanhará

Trégua Chega o momento em que o que se quer é uma trégua
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Trégua Chega o momento em que o que se quer é uma trégua Hastear bandeira branca, Cessar fogo, acordo de paz Sobra o lamento de que o que se impõe é uma régua Exigências de quem banca Dita o jogo, faz e desfaz O melhor procedimento é que se ande a segunda légua Mesmo com a justiça manca O pedagogo sabe o que faz Pode até parecer covardia Um desprezível pedido de arrego Então, diga por que outra via Se poderia garantir o sossego? E se eu te disser que vitória se conquista é na rendição? Se eu te disser que a história Não passa de uma versão? A de quem venceu no grito Que impôs suas verdades O dito pelo não dito Ditadura de vaidades Quem ergueu bandeira branca Não se rendeu por render Sua esperança não se estanca Jorra sob o manto do poder Se infiltra nas engrenagens Percorre caminhos sutis Flui quieta pelas margens Incólume entre os hostis Mais forte que tanques de guerra É o sonho teimoso de um povo Que o ciclo de ódio encerra Gestando em si um mundo novo

Gemidos da criação A terra treme Os mares rugem
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Gemidos da criação A terra treme Os mares rugem Nossos tesouros viraram ferrugem De nossa cidade restaram escombros Nossa coragem tornou-se assombro Os ventos são Seus mensageiros anunciando “tudo é passageiro” Desta mudança, o que virá? Nossa lembrança, como apagar? Não é o fim dos tempos Como alguém sugere Seus pensamentos não há quem altere A natureza está gestante A hora do parto virá num instante Tragédias são as contrações a despertarem os corações Em sua defesa quem clamará? e com gentileza a conduzirá? Os seus gemidos se intensificam nossos anseios se multiplicam Afinal… o que será? Nosso futuro não será abortado Todo este mundo será restaurado Estou seguro, Deus não volta atrás Em um segundo, Ele pode, Ele faz Mas Ele conta com aquele que crê que em meio a tragédia é capaz de ver Disposto a trabalhar sem duvidar que o Renovo virá e não tardará o Renovo virá Não tardará O Supremo Obstetra o parto fará Novo céu, nova terra à luz trará O Amor entre os povos triunfará A Justiça do Reino se implantará

No pain, no gain Te encontrei quando cheguei Mas você não era minha
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No pain, no gain Te encontrei quando cheguei Mas você não era minha Assustado, estrebuchei Sem saber logo o que vinha Não demorou até que alguém lhe apresentasse enfim a mim Quer saber, nem lembro bem se falou grego ou latim Desde então, vira e mexe Não importa onde esteja, Você sempre aparece Como taça na bandeja Por uma noite apenas Ou por dias a fio Umas vezes, só acenas Outras, pareces no cio Vai chegando devagar Como quem nada pretende Cá estou a ofegar... Quem me ouve não entende Tudo fica tão intenso Nem respeita minha pressa Mesmo frágil, sempre penso Quem tão ágil que lhe impeça? Sempre me tira do sério Faz-me suar e até gemer Dos meus lábios, impropérios Sem juízo, sem querer Em busca de alívio Xingo, uivo, esperneio Não lhe quero em meu convívio Nem mesmo que a passeio Pra perdê-la de uma vez Hei de perder meus sentidos Sem a minha lucidez Meus botões são iludidos Fora isso, só um jeito Livrar-me do que lhe provoca Assim sendo, dito e feito Ou ser comida de minhoca Certas vezes você vem muito bem acompanhada mas humilde, fica aquém sua presença é ofuscada Tô pra ver quem lhe detém Quem lhe ganha na jogada Sim, já sei: No pain, no gain! Indolor é fazer nada Cê dedura o que há escondido Que me devora sem alarde Não sei nem o que teria sido Se me contasse bem mais tarde Sinto ter lhe desprezado Não ter lhe dado ouvido De quanta coisa fui poupado Sem nem ter me apercebido Que ingrato sei que fui, toda vez que me atingiu Pois sensato é quem conclui: Coisa pior de mim fugiu Não me julgue por ciumento Mas detesto lhe ver com alguém Ao ouvir o seu justo lamento Por respeito minha voz se detém O que pra mim é insuportável É ser a causa de você estar ali Por mais que incomparável Seja a alegria ainda por vir. Posso até lhe suportar Com você ir mais além Mas me recuso lhe causar Nem por mal, nem para o bem

Viva e deixe viver Já sabe a desculpa que dará a si mesmo? Como lidar com a dor de ter deixado a vida escapar?
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Viva e deixe viver Já sabe a desculpa que dará a si mesmo? Como lidar com a dor de ter deixado a vida escapar? Quanto tempo perdeu atirando a esmo? Não ouse pensar que você vai se safar E se quem você foi um dia viesse de súbito lhe visitar? Que surpresa teria ao verificar no que você se tornou? Se aquela criança lhe fitasse os olhos sem desviar Vergonha ou orgulho teria do sonho que lhe forjou? Não me venha com esta de que a vida é uma questão de sorte Não escolhemos os sonhos, são eles que nos elegem E o pior pesadelo não tem a ver com o medo da morte Mas descobrir que não fez jus aos princípios que à vida regem Viva e deixe viver, eis um princípio a que me refiro Ame e deixe-se amar, é sem dúvida aquele que eu prefiro Se tiver que se arrepender, então, faça-o sem paranoia Arrepender-se para valer não é lamento, mas metanoia Expansão da consciência. Desistir? Uma pinoia! Quanto mais na companhia de quem ama e lhe apoia A propósito, qual foi mesmo a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Viver dói Viver dói. Existir, nem tanto.
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Viver dói Viver dói. Existir, nem tanto. Já a morte é só um susto. Bancar o herói? Fingir não ter espanto? Que suporte então o custo. Querer corrói. Cede ao toque do encanto Mesmo quando se é justo. Desejar me mói. Me destrói o tanto quanto Até que encontro o que busco.

Ofegante Ofegante. Busco ar, porém em vão.
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Ofegante Ofegante. Busco ar, porém em vão. Num instante, Sinto disparar o coração. Tenho pressa. Corro contra o tempo. Que me resta? Soltar-me ao vento. Fôlego. Na jornada sigo sendo peregrino. Trôpego. Cambaleio rumo ao meu destino. Sôfrego. Da vida só provei o aperitivo. O que quero? Justo aquilo de que me privo. O que espero? Desta vida sou apenas inquilino.

O amor nunca falha Não se enaltece Nem se vangloria
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O amor nunca falha Não se enaltece Nem se vangloria Se é o que permanece O que mais nos importaria? O amor não tem pressa Não se esconde Nada há que o impeça aqui, ali, não importa onde Tal qual um rio flui sem parar Nunca se esgotará O amor sustém O amor provê Muito além do que se possa ver O amor protege Sempre espera Quando emerge O amor tudo supera O amor são os braços que vão lhe embalar Não lhe abandonará Se o meu coração me trair Nele não puder confiar Se o céu sobre mim cair Nada é maior que o amor Maior que o amor O amor está aqui pois sobreviveu Ele é o sentido que o mundo não percebeu O amor é um rio que flui sem parar O amor são os braços que vão lhe embalar O amor lhe solta pra você voar Não lhe desapontará