Pular para o conteúdo

Frases de Hermes Fernandes

483 frases

O quanto eu te amo O quanto eu te amo? O tanto de areia que há no mar
Continuar lendo

O quanto eu te amo O quanto eu te amo? O tanto de areia que há no mar e de estrelas no céu Até quando eu te amo? Até a abelha se cansar de fazer seu mel O quanto eu preciso? O mesmo que o barco a velejar do vento a soprar O quanto eu te quero? É como um deserto atravessar e um lago avistar Até quando eu te quero? Enquanto houver troca de estação Do inverno ao verão E quando te abraço Me sinto inteiro uma vez mais Não quero soltar O tempo que passo Pensando em teu sorriso Nem vou calcular O quanto me importo? O suficiente para esperar o tempo voar

PILATOS REDIMIDO Uma bacia diante de mim Não sei ao certo o que farei
Continuar lendo

PILATOS REDIMIDO Uma bacia diante de mim Não sei ao certo o que farei Do meu dever me isentarei As minhas mãos eu lavarei Como lidar com tanta pressão? A quais interesses terei que ceder? Passo minha vez, minha voz à multidão De sangue inocente vou me abster Sem me importar com quem consequências sofrerá Resta tornar-me refém da imagem que eu poupar Olha pra mim! Pilatos, eu me tornei Olha pra mim! Os fatos ignorei Uma bacia diante de mim Já sei de antemão o que farei Se é pra amar, vou até o fim Até os seus pés eu lavarei Na frente de todos me desnudarei Aos que digo amar enfim servirei E me cingirei só com uma toalha Sem disfarçar minha dor, minha falha Apostando no amor que minha vida transformou Desistindo de impor meus valores a quem for olhar pra mim Pilatos chegou a fim Olha pra mim! Meus atos falam por mim

Num estalar de dedo Quem me dera se num estalar de dedo Eu pudesse alterar todo o enredo
Continuar lendo

Num estalar de dedo Quem me dera se num estalar de dedo Eu pudesse alterar todo o enredo E a juventude assim não terminasse tão cedo Quem me dera se num estalar de dedo Eu descobrisse o mais guardado segredo Que me fizesse encarar qualquer que fosse o medo Quem me dera se num estalar de dedo Toda arma fosse um mero brinquedo Nossas guerras se tornassem o tão desejável sossego Quem me dera se num estalar de dedo Eu acordasse sempre ao som do passaredo E cada noite fosse estrelada como as noites de Penedo Quem me dera se num estalar de dedo Já não me importasse se às vezes excedo Se a pressão do dia-a-dia me fizessem um rochedo Quem me dera se num estalar de dedo O caminho pelo que me enveredo Jamais fosse o mesmo pelo qual retrocedo

Édipo A você me revelei por inteiro quando me trouxe para fora
Continuar lendo

Édipo A você me revelei por inteiro quando me trouxe para fora a fim de mostrar-me a beleza que havia no mundo Tirou-me do conforto do cativeiro quando já se avançava a hora E minh’alma ainda presa em um sono profundo Tão logo os olhos abri Foi como sair do ovo E ver que a vida era bem maior Mas a primeira coisa que vi neste bravo mundo novo Ofuscou tudo ao meu redor Por isso lhe amei de imediato E me encantei com seu sorriso Ser-lhe-ei para sempre grato Por me trazer ao paraíso Nestes meus primeiros passos Quero ver-lhe sempre perto Apoiar-me em seus braços Se algo não estiver certo Isso é tudo o que preciso Isso é tudo o que lhe peço Não me prive de seu riso E perdoe meu excesso Sob os seus cuidados sigo Num caminho sem regresso Se sua ausência é um castigo Me declaro réu confesso

Roleta Russa Nem tudo o que é sentido faz sentido Nem sempre a razão que tem razão
Continuar lendo

Roleta Russa Nem tudo o que é sentido faz sentido Nem sempre a razão que tem razão Nem tudo o que se quer é permitido Nem sempre se dá ouvido ao coração Se a intuição vier falar mais forte Não custa nada a gente refletir Pra quê brincar com a própria sorte? Viver é mais que apenas existir Às vezes nesta vil roleta russa O tiro dado sai pela culatra Daí que nem que a vaca tussa se abandona o que se idolatra Ou bem nos cabe a carapuça Ou sequer sei do que se trata A vida segue cheia de percalços A cada curva vem nos surpreender Melhor então seguir descalços Dispostos sempre a aprender Vou viver o que há pra morrer Celebrar cada derrota De onde minha força brota Meu caminho hei de percorrer Lamentar minhas vitórias Pois são todas ilusórias Vou morrer o que há pra viver Vou sorrir minha tristeza Vou driblar a vã certeza A cada espinho que eu colher Vou testar o quanto aguento Desta dor não sou isento A cada flor que esvanecer Não me entrego ao lamento Pois só dura um momento

Sorriso Conheci tantos lugares Vi tanta gente interessante
Continuar lendo

Sorriso Conheci tantos lugares Vi tanta gente interessante Todo chão em que eu piso Nada vi que se compare ao seu sorriso. Comi frutas em pomares Corri mundo feito errante Cruzei todos os setes mares Fui ator, fui figurante Entre tudo que preciso, Nada há que eu queira mais que o seu riso. Seja ímpar, sejam em pares Gargalhadas ofegantes Seu jeitinho, seus olhares Não achei noutros semblantes Que elogio economizo Se me abre assim a porta ao paraíso? Eis porque eu poetizo Pois assim o que eu amo, eternizo Minha musa inspiradora Em teus braços, meu destino Minha vida sem você Nem sequer eu imagino

IMORTAL Quem em vã penitência almeja viver para sempre
Continuar lendo

IMORTAL Quem em vã penitência almeja viver para sempre sem jamais sentir-se amado? Quem em sã consciência deseja viver para sempre sem jamais alguém ter amado? Pois amar dói e nos tira do eixo Acerta o queixo E nos faz chorar Amar também É perder o equilíbrio Render-se ao ludíbrio Deixar-se sonhar Sem amor não se vive Tão-somente existe Quem de nós sobrevive a um destino tão triste? Só vive para sempre quem se dispõe a morrer por amor Só vive para sempre quem se opõe a negar sua dor Existir por existir, Sem condoer-se? Sem nada sentir, Sem atrever-se? Melhor do que ter esta sorte É saber-se um mero mortal Vulnerável até quando é forte Sem pretender parecer ser o tal Que as lágrimas só sejam enxutas Se não houver mais razão pra chorar Que não haja desculpas fajutas Para os que preferem não se importar

INTENSO Como não ser intenso Num mundo tão imenso
Continuar lendo

INTENSO Como não ser intenso Num mundo tão imenso e uma vida tão fugaz? Como não ser intenso Se cada vez que penso Algo fica pra trás? Pra tornar algo eterno Três coisas são essenciais: Interatividade, intensidade e intenção. Pra transformá-lo num inferno Bastam três coisas banais: Egocentricidade, displicência e rejeição.

BELEZA COLATERAL Você é... O sol da manhã invadindo meu quarto depois de uma noite insone.
Continuar lendo

BELEZA COLATERAL Você é... O sol da manhã invadindo meu quarto depois de uma noite insone. O arco-íris que surge antes mesmo que a tempestade se finde. O passaporte esquecido em casa e só lembrado bem na hora de embarcar. Destino decidido na rodoviária. Mudança de rota no meio do caminho. O trabalho escolar entregue depois do prazo. A prova discursiva sem consulta para a qual não estudei. Discurso improvisado, sem esboço ou powerpoint. Apresentação espontânea, sem ensaio ou marcação. Frio na barriga quando as cortinas se abrem. Timidez repentina em noite de estreia. Trailer de um filme que saiu de cartaz antes que eu pudesse assistir. Último filme de uma trilogia que não acompanhei. Epílogo que se recusa a ser mais um capítulo num livro de quinhentas páginas. Argumento que não coube no enredo da minha obra. A licença poética que dou aos meus devaneios. Verdade oculta nas entrelinhas da minha ficção. Uma vida como bônus antes do game over. Café fresco feito na hora de dormir. A desculpa que dei pra mim mesmo. A peça que a vida me pregou. Um dia de calor em pleno inverno. Um dia frio em pleno verão. Fruta colhida fora de época. Flor desabrochada noutra estação. Aperto no peito. Dor na alma. Choro contido. A lágrima mesclada à água que cai do chuveiro. Paraquedas que se abre a poucos metros do chão. A neblina em estrada sinuosa numa noite de lua cheia. O cheiro da maresia na praia numa tarde que deveria ser ensolarada. Armadilha do destino disfarçada de acaso. Cenas extras depois dos créditos num filme da Marvel. O segundo andar de um ônibus londrino. O lado B de um disco de vinil dos Beatles. O desfecho inesperado de um filme que justifica e redimensiona todo o enredo. A música que tocou no rádio, cujo título o locutor se esqueceu de mencionar. O ninho onde a fênix renasce das cinzas. O sinal amarelo num cruzamento perigoso. A nota dissonante que disfarça o plágio acidental. O arranjo que dá vida própria à minha composição. A letra que pus numa canção que nem é minha. Estrela que risca o céu em noite estrelada. Chuva de meteoros em noite nublada. O farol em meio ao nevoeiro que ajuda o navio a aportar. O sonho para o qual tento voltar quando acordo. Sonho impossível de se realizar. Um brinde da vida aos que insistem em sonhar. Quadro sem moldura. Canção sem partitura. Rima que só encontrei depois da poesia terminada. A beleza colateral percebida na discreta assimetria de um sorriso. Arte-finalista que transforma um simples rascunho numa irretocável obra-prima.

Sentimento Oceânico Antes um amor daqueles platônicos que viver relacionamentos biônicos.
Continuar lendo

Sentimento Oceânico Antes um amor daqueles platônicos que viver relacionamentos biônicos. Ainda é melhor querer, sem poder do que poder, todavia não querer. É melhor a ilusão de uma vã utopia do que a razão que alma sã atrofia. É melhor imaginar-se indo além que conformar-se em ficar aquém. Melhor sonhar sem poder realizar do que não ser capaz de sonhar. Melhor a fantasia de um mundo ideal que a hipocrisia de um mundo irreal. Pior que algo meramente orgânico é entregar-se de um jeito mecânico. Naufragar num sentimento oceânico dói menos que tornar-se catatônico. Antes viver uma paixão míope do que contentar-se com um amor daltônico. Que me chamem de ingênuo, romântico

Universo Paralelo Meu universo paralelo Onde o tempo se estanca
Continuar lendo

Universo Paralelo Meu universo paralelo Onde o tempo se estanca Seu abraço, meu castelo Arejado e sem tranca Meu universo paralelo Não há quartos, só terraço Lugar pelo qual anelo Em que acho o meu espaço Meu universo paralelo Se me aqueço ou congelo Permaneço ou apelo Sempre encontro o meu elo Meu universo paralelo Sou cativo do que é belo Se me privo, me esfacelo Sob crivo, me rebelo Meu universo paralelo Por você eu me esgoelo Compromissos eu cancelo A nenhum outro me atrelo Meu universo paralelo Em que posso ser eu mesmo Sem segredos me revelo Sem destino, voo a esmo Meu universo paralelo Seu sorriso é o meu sol Seu falar soa singelo como canta o rouxinol

Cartão Postal Há sonhos que nunca vou viver Lugares que jamais sequer vou conhecer
Continuar lendo

Cartão Postal Há sonhos que nunca vou viver Lugares que jamais sequer vou conhecer Perfumes e sabores Texturas e mil cores (Que existem) Mesmo assim quero sonhar Não custa nada! Sim, eu vou sonhar Se a vida resolver me surpreender? Quem sabe quanto ainda vou viver? Não resta tempo pra desperdiçar Com mágoas e rancores, ilusões Nem pense que eu vou me sabotar Com afetos impostores, projeções De um ego que falhou ao se impor Em vez de se entregar a um puro amor Amor que me transpassa Amor que é pura graça Amor que não disfarça Amor que é pra valer.

CHUVA QUE CAI Chuva que cai E irriga o solo ressecado do meu coração.
Continuar lendo

CHUVA QUE CAI Chuva que cai E irriga o solo ressecado do meu coração. Quem sabe assim a tão esperada semente um dia germine? Chuva que cai E me abriga no colo, me acalma na agitação Quem sabe me traz a bonança num inverno que nunca termine? Chuva que cai Que encharca a roupa, desmanchando o cabelo. Quem sabe desfaz tua trança, me tire do sério e te azucrine? Chuva que cai Que deixa a voz rouca e escorre até o tornozelo Quem sabe te chame pra dança e te solte daquilo que oprime? Chuva que cai Umedece os lábios Emudece o coração Enternece os sábios Eterniza a emoção