Beloadormecido...
Quero o teu sono profundo
na fundura abissal dos meus olhos
a velar pelo teu adormecer...
Meus olhos tecem bordados e telas
do teu corpo em repouso e pouso...
Um pausa para pousar minha alma na tua
sentir teu coração em “modo sono”...
teu corpo parece flutuar no ar...
Você “beloadormece”...
na ternura e quentura de nossa literatura...
Sonhos e voos...
Enquanto “ocê invem”...
vou inventando você dentro e fora de mim...
Um caminho de passarinho “avuano”
ainda sem asas...
pois, é no voo que se aprende a voar...
é preciso acreditar e pular para o voo
que ainda está escondidinho dentro da gente...
é necessário encarar o medo...
e encorajar o voo a nascer... “avuar” amar...
no ar do coração...
onde moram os sonhos bebêzinhos...
com suas asinhas em
penugem plumagem de
sonhos revestida...
Uma investida tida como um sopro do Deus Amor que
mora dentro da gente...
Nosso céu...
Partida e chegada...
uma jangada lançada no mar da vida...
flores jogadas no céu...
Céu salpicado de rosas e jabuticabas
adornam a jornada celebrada
a cada partida e a cada chegada...
Uma partitura de notas em concerto divino
nos acariciam no ventre do amor em semeio...
Semeadura de beija-flor... voo e pouso...
Pouso e repouso no teu colo...
onde tudo (re)começa e nunca termina...
uma história de amor sem fim...
sempre sublime a se inventar-se
e nos reinventar...
Você e eu... no nosso céu...
Novos belos horizontes...
Sou andarilha dos meus infinitos
cercados de “novos belos horizontes”...
Ando mergulhada em ternuras e literaturas de
“outros mundos”...
Descabida em mim, mergulhada nas
tuas ilhas e maravilhas...
cercada por ti por todos os poros...
são nossas peles
que envolvem o encantamento deste momento...
Momento de geografias delicadas e dedicadas
a memórias favo de mel...
Doçura que cura... doçura pura...
cura pura... pura cura...
você e eu inventando e desenhando
ilhas outras...
Outras melodias
em dias e noites de pura poesia...
Mania de poesia... eu ia e você vinha...
Encontro, nem te conto,
regado a cerveja e pureza
Abtusida
O teu sorrisão é mansidão e amplidão...
“abtusida” e possuída pelo teu riso aberto...
Sorrisão escancarado e marcado...
teu sorriso imantado e abençoado me toca em mágica...
hipnotizada e maravilhada na nossa ilha
de amor cercados pelos nossos corpos
em abraços e beijos sorridentes...
O encontro abençoado entre
dois sorrisos apaixonados...
De corpo e alma lavada...
entrei em conjunção com a chuva...
uma interação profunda e de alma...
a chuva brincava com meu corpo...
deslizava e dançava...
Sussurrava palavras de carícias
em meio ao ventinho
que assobiava e cantava “coisas”
de outras dimensões...
ações de assoprar e espraiar cura e literatura
que atura com ternura medos antigos
e empurra para uma libertação revelação...
Viva o perdão de corpo e alma lavada...
Tua pele melanina
doçura revelada vulcão
incêndio desmedido
veludo labaredas
Literatura enredo
peles enredadas
paredes balançam
a lua entra pela janela
e se aloja no inexistente
espaço entre nossos corações
teu peito travesseiro
minha cabeça repousa
nas batidas (des)compassadas
do amor rendido gemido
corpos gemem hino
tido e sentido...
(Des)calça está minha alma
nua na serenidade
batismo sonho água mar
(Des)água rio mar coração
corpo santo em rebentação
navegação contramão
cais porto tua mão
somos tripulação
rota céu terra mar estrelas lua sol
voo em mão dupla
dentro
Infância balaio
No paiol das minhas memórias
ainda debulho sonhos
dedilho loucura
invencionice pura
moagem literatura
abundância balaio
ainda transborda vertigem
importância tamanha
aproxima boca manga
carne devorada alada
Sobrevoo livre
as bolinhas de gude
do maninho Roberto
ainda quicam nos meus olhos
fascínio nas dobras do tempo
Em tempo, a menina ainda me nina!
Sonho em prosa...
Sonho estrada no céu...
voo no mar...
mergulho na terra...
Sonho janela sorrindo pro sol...
Suspirando pra lua...
Piscando pra estrela...
Sonho chuva derramando ternura...
Sol esquentando poesia...
Poesia cutucando coração...
Palavras envolvendo pele...
Pele arrepios delírios...
Delírios ao som chuva caindo...
Sonho noite carícia de chuva...
Chuva ternura entre mim e você...
Um rio se abre em nossas bocas...
Bocas caladas... inundadas!
Dadas a encontro nossas almas...
Almas tecendo verso e prosa...
Prosa nossa em versos vivos!
Nosso mantra
Imersão introversão...
uma versão nova de mim
submissão coração...
afinando sonho intuição
dedilhando canção!
melodia poesia cantoria...
Um “acorde” musical
percorre rotas...
as mais secretas
em notas discretas abissais...
labirinto abismo batismo
batismo em minhas águas profundas
gruta que se ilumina... ao tato...
entremeada pelo “lençol sanguíneo”
minas preciosas apontam
um iceberg se desenha...
tesouro à vista!
para quem tem coração nos olhos...
sorriso sonho mão oração!
nosso mantra em comunhão...
(Re)fazer-se semente...
voltar ao útero mãe
(Des)fazer-se em feto e afeto
(Des)manchar-se líquido fluido
bolsa feita sangue amor
(Re)unir corpo coração alma
em cordão mágico “(re)invenção”
(Re)ligação fruto flor raiz
caule folha vento
orvalho estrela lua
(auto)fotossíntese luz
(Re)iluminar-se e (re)acender-se
Transcender e alcançar o outro
Deus ponte horizonte
amor luz semente
sementeira vida...
Braços alados
Ainda “dispindurada” nos galhos
arrisco a “doçura” que se oferece
na pontinha ... prontinha para a mordida
ainda “estico” os braços
ao infinito abismo lacuna
para alcançar o “inalcançável”
Vez ou outra ainda “espatifo”
no chão... nesse voo rota
e lá se vão perna... pé ... coração
as pernas e pés se curam,
de novo alçam voos...
ah! O coração? levanta, sacode
a “poeira da palavra amar”...
e ama ainda mais... “novinho em folha”
fênix coração...
resolução poética
uma tal cura “estésica”...
Coração na praça
Boquiaberto está meu coração...
surpreendido e rendido!
bendita e bem traçada as ondas quânticas
em sua trança dança
sagrada andança...
Praça palco encontro beijo
ensejo desejo sem receio...
corpos em recreio
piquenique abraços laços
cesta de agrados alados...
Abraçados em linhas que se buscaram
e... “rabiscam” um enredo sem medo...
Literatura arremedo em linhas bem traçadas...
Nossa dança arrepia e (re)cria
poesia principia amar!
Amanhecer...
A luz do amanhecer percorre o meu corpo
toca a minha alma e meu coração
e eu amanheço...
hipnotizada me ponho a respirar e sentir
o urdir dos sentimentos e sensações
de alumbramento e arrebatamento...
Pelos meus olhos, o cheiro do dia novinho
brinca e tem gosto de jabuticaba
madurinha no pé...
um convite irrecusável para degustar
e provar tudo de novo... de um jeito novo...
olhar diferente... olhares múltiplos
que abarcam e acolhem o sutil... o invisível...
a energia que atrai o espetáculo da vida...
um oráculo que se faz passarela e invade
meus olhos crianças curiosos e perguntadores...
Amanhece em mim, fome e sede...
nem sei do quê...
Coração romaria calmaria...
sensação estrelas no céu
das nossas bocas que se lançam
na sede uma da outra...
inundam-se rios mares
lábios brincam e se escondem
na fundura abissal inaugural
beijos que forjam buscas
em fontes que jorram...
em cores desejos líquidos!
“Brevidades” e eternidades
Nem preciso fechar os olhos
para “voltar” no tempo...
“ver” e “sentir” de novo e “de cor”
minha mãe e seu forno de barro
na varanda da minha infância...
Um forno mágico movido a lenha
e amor... toda a arte de fazer biscoitos
de todos os tipos e sabores e cores...
Geralmente, sexta era o dia
de “abastecer” as latas de alumínio...
O dia “intirim”, todos os meus “sentidos”
envolvidos nessa poética mineira biscoiteira
as gamelas, por entre farinha e ovos
gemiam e recebiam a mão feita pão
de minha mãe, “mãos de fada”!
entre fogo e varredura
o forno e minha mãe
multiplicavam pães... de queijo,
broas, roscas, sequilhos, bolos...
uma literatura de “brevidades” e eternidades!
Coleciono manhãs...
cada uma com seu cheirinho de dia bebê...
dia sonhador na quina da noite
madrugada prenhe de manhãs
manhãs madrugadeiras!
As rendeiras que tecem a manhã
se despem de suas vestes ao tecer
revestem seus corpos de raios de sol
e de orvalho florido
são feitas sol tecido nu
Manhãs são imãs...
imantada me deixo amanhecer
hipnotizada sigo estrada
sonho em estado sol nascendo
Manhã sonhando amanhã!
Cordão condão...
Nas memórias do meu ventre
ainda sinto “pezinhos” ensaiando
vida... “mãozinhas” esboçando carinhos
“coraçãozinho” plasmando amor!
Filhotinh@s ainda tatuados em minha pele
pele que se abre qual botão em rosa viva
que abriga vida perfume essência
o amor tecido em ciência
Ciência paciência
mistério em memória rio
rio navegante
filhotinh@s tripulação coração
Cordão condão maravilhoso
Amor passarinho...
Passarinho caminho chão...
“pezinhos” cheinho nuvem
chão e nuvem, encontro...
de céu e terra, agora,
sob e no andar voar passarinho!
Nuvem no chão... chão nas nuvens
Passarinho caminho voo...
asas no céu...
nuvem e chão, namoro...
entre céu e terra
passarinho cupido!
Assim, meus olhos se enchem de estrelas no chão... e
de flores no céu!
semente passarinho...
semeia no chão e nas nuvens!
leva e traz sementes e segredos
de um amor feito sementes estrelas flores...
Amor chão estrelado terra...
Amor nuvem flor céu...
Amor assim terra e céu...
Amor céu e terra!
Assim seja eternamente!
Amém!