SEM ESBOÇO...
Escrevendo a vida...
“nas entrelinhas”...
sem linhas... só estrelinhas...
À mão livre... coração livre...
corpo livre... alma livre...
só nos livros... livre...
Sem margem... marginalizada...
sem esboço...
no calabouço?
Máscara a ferro e fogo?
Que nada... uma máscara
cheia de riso e poesia ...
Lagoa encantada
Vive em mim um estado febril
um desatino aninhado
um terremoto apaziguado
erupção lava estancada
mar de ressaca
enchente de rio
uma Lagoa encantada
cacimbas abissais...
tantos ais calados
tantos gritos silenciados
tanto “trem lindo”...
tanto “trem bão”...
vivo assim maravilhada e assombrada!
Um dínamo que me “anima” e “atiça”...
Por dentre chamas e céu
Nos vãos e devãos, perco o juízo
e sou o que quiser... sem censura e sem juízo
solta e revolta... toda hora é hora
de dar a “volta por cima” e voar...
por entre os escombros
e paisagens celestiais
“dar o ar da graça”
e inventar outras rotas...
Outros voos, sonhos outros..
PÔR DO SOL MÁGICO
O pôr do sol me põe em mim...
de novo... me (re)compõe...
a praia da Graciosa é meu lugar mágico...
onde me encontro “em estado de poesia”...
Despida de cansaço e angústia...
me visto de pôr do sol outra vez...
o pôr do sol me sintoniza e «entroniza»
o sagrado outra vez... ali me rendo
ao enredo do sol
em magia e estripulia...
Ali alinha o teu e o meu caminho...
pra onde tenha pôr do sol
é pra lá que vamos...
Vamos tecer e ser...
e esquecer o não
ter...Seremos...
FARÓIS E ANZÓIS
Teus olhos são faróis...
Teus olhos são anzóis...
me fisgam para dentro
de você e de mim!
semente verde esperança
verdes profundos suaves
fortes destemidos
adentram meu corpo
Pousam e repousam no meu coração...
nossas almas em sorrisos
abraçadas sabem
que é hora de seguir estrada juntinhas
a estrada é feita sonho utopia
batizada na pia sagrada
Abençoados no céu aqui na terra...
Agora e sempre!
Amém!
COLO SORRIDENTE
O colo é abrigo... carinho...
ninho... o abraço segura
o corpinho que cresceu...
o corpinho que floresce!
o abraço mais laço...
Nesse abraço floresceu
todo amor e bem deste
e de todos os mundos
os vividos, os inventados
e os sonhados...
No espaço inexistente
e infinito deste abraço
mora um ser “encantado”...
que (re)vive no teu e no meu peito
que sorri a cada (re)encontro nosso...
PONTE CHÃO CÉU
Ponte aérea da terra ao céu
voo baixinho...
“quase chão”...
mas ainda nuvem
Roço teu chão...
aos teus pés...
em teus pés...
sobre teus pés...
acostamento seguro
Chão asfalto
hora do beijo...
o céu desce ao chão...
o chão estremece...
e se ergue... “cambalhota”!
somos “marmota”...
nossa rota (des)torce nós...
tecemos tapete que voa
tecemos tapete que cobre o chão...
um só tapete...
Divino à flor da pele...
Coração à flor do amor...
Alma à flor do coração...
Meu corpo à flor do teu...
o teu floresce no meu...
Nossos corações florescem
e são canteiros floridos...arrebentando,
delicadamente, bloqueios de espinhos...
caminhos de carinhos e mimos de ternura...
somos voz corpo alma coração
veludo seda algodão
a acariciar o divino um do outro...
Fascínio e mistério em rios
de sorrisos e encantamentos...
desnudos na candura de anjos
em arranjos e desarranjos celestiais e carnais...
Celebração na vibração do amor...
amor flor... amor à flor dos nossos sorrisos...
Sorrisão...
Uma orquestra em “concerto”
Dizem que o mundo não tem conserto...
está tudo “petecado”...
Teimosa e amorosa acredito
no “concerto” do mundo...
Creio que, sob e sobre a batuta e literatura do
Grande Maestro, a nossa orquestra
ainda será “concertada”...
E afinaremos as vozes e os instrumentos em fios
invisíveis de amor...
Minha substância é o sonho...
minha forma é a poesia...
minha mania é o amor...
minha teimosia é a utopia...
Acredito que esse aparente caos seja apenas um ensaio
meio desajeitado...
Sob a regência do Amor... do Maestro... do Poeta...
essas estrofes são odes a um Grande Concerto...
e o mundo será “concertado”...
Um concerto com acordes prenhes nos amanheceres
que ainda estão sendo fiados e tecidos no horizonte
sob e sobre a batuta e literatura desse
Narrador Onisciente e Onipresente...
O nosso presente...
Mais amor, por favor...
O milagre da vida e da morte são enigmas
que nos instigam desde tempo imemoriais...
A natureza com toda sua grandeza e pureza
nos fascina e ensina...
somos centelhas divinas em caminhada individual e
coletiva...
Somos mistério profundo em comunhão
com a fonte Amor...
O Amor nos adorna e transforma em formas de
Amor...
Somos amor em nosso andor de amor e dor...
Somos sementes a germinar em amor... para o amor e
pelo amor...
Amor, por favor!
Somos “interrogação”...
As minhas interrogações
são passarinhos ainda no voo...
são estrelinhas delicadas
no firmamento do meu coração...
são borboletas ainda “lagarteantes”
em pré estréia de voo...
“lagarteando” e sonhando voos...
Minhas interrogações interrogam as suas...
minha interrogação... tua interrogação...
brincam nas dobras de nossas dúvidas
em estado de encantamentos
momentos delicadeza ternura beleza...
Minha interrogação reza e a sua, ora...
Por ora, somos cirandas e crianças
tentando decifrar o enigma amor...
Em “tibungo”
Sou “asas” de borboleta... beijo de beija-flor...
ninho de passarinho quentinho e fofinho...
Sou burburinho de rio mar amar...
Sou pôr do sol me pondo em você...
sou arco íris colorindo teu corpo e riso...
Sou poesia em tua cantoria...
sou ‘estripulia” em nossa folia magia...
Somos mel a lambuzar a vida
de doçura e literatura ternura...
Ternura que cochicha e urra
em nossa urdidura bordadura...
Somos sol nascendo... um no outro...
Olho no olho...
mergulhados em “tibungo” um no outro...
Somos ouro um para o outro...
O Todo-Poeta e nós...
Nossos olhares se jogam um no olho do outro e... se
diluem em ondas quânticas e semânticas...
são chamas e labaredas...
em paredes e redes de fios de sonhos risonhos...
Somos feito “bobos alegres” em tibungo
no fundo dos olhos um do outro...
As palavras são sorrisos e risos
em encontro trocado...
trocadilho sintonizado e sincronizado...
nado alado... cílios embaraçados e abraçados...
somos braçadas de promessas...
remessas de carinhos
em trocas simétricas e miméticas...
Só Deus o Todo-Poeta desfia o nosso enredo
sob as suas mãos e bençãos
onipresentes e oniscientes...
Somos personagens nas suas margens
benditas e benfazejas..
Lateja amor em nós...
somos criaturas na santa escritura...
nossa literatura nas alturas...
DNA EM POESIA
A poesia é meu dna mais profundo...
um mundo particular e secular...
vivo “carregada” pela poesia...
Uma ponte a me (re)ligar a mim mesma...
a esmo me procuro...
sou caleidoscópio em espiral...
uma tal mania de me perder
dentro e fora de mim..
A busca é fulga... me escondo nas palavras...
entre o dito e o não dito...
repito: bendito todos os dias em que a poesia me
possui e intui...
Bendita a tal mania de dizer o “não dito”...
o proibido... poesia com libido pelo não dito...
... inventa ditos escondidos na profundeza
de palavras vazias... mentiras...
“De mentirinha” vou me fazendo
verdade dita e bendita...
A menina que adorava “gabiroba”...
Naqueles idos, lá nas Minas Gerais
Especificamente, na nossa Lagoa Formosa
vivia a “criançar” pelos imensos quintais
e ruas de terra vermelha batida...
nosso pai não tinha carro
mas o Senhor “Vorigues”,
pai da minha amiga de infância
Ione Costa e Silva
(nunca esqueci seu sobrenome, pois era igual
ao de um general que havia sido
presidente do Brasil, naquela época de História decoreba)
Mas isso não vem ao caso...
voltemos ao Senhor Vorigues
e ao que minhas memórias “guardam”...
Ele, o Senhor Vorigues, pai da Ione
era motorista de caminhão e...
vez ou outra, enchia o caminhão
de crianças e adultos e íamos
“catar gabiroba no mato”...
Meu Deus! Que delícia maravilha!
ainda sinto o cheiro e gosto
dessa fruta que se confunde
com minha infância...
Fruta sabor criança...
Gente, minha boca ainda guarda esse gosto!
ainda existe “gabiroba”? Onde?
ou essa iguaria infantil existiu
apenas na minha infância mineira?
Pia e utopia...
Em busca de mim...
um caminho de andarilha...
atenta às armadilhas por meu ego inventadas...
Desatando nós imaginados em ilhas outras...
Maravilhas (re)inventadas pelos “eus”
curados e poetizados por uma poesia utopia magia
amor....
Em andor na pia batismal amor...
Exposta...
(Ex)posição de coração...
na beleza e reza de sorrisão em subversão...
Contravenção de invenção na oração...
posta na sua vida...
(ex)posta no voo de tirolesa até seu coração...
Inteira na derradeira (ex)posição...
Despedaçada? Que nada?
(Ex)posta na nossa literatura em urdidura...
sem “duras penas”...
Aprendentes de amar em encontro de sorrisos...
(in)ventando caminhos sorridentes
no ninho de carinho
(re)construindo voos livres de “sorrisos dados”...
Amém!
Teu gosto em agosto...
O vento é pente...
penteia e despenteia
as folhas... flores...
árvores em reconfiguração...
A ventania exala...
(pre)sinto,
sinto e (re)sinto o teu cheiro e gosto...
num agosto à gosto de saudade e carinho...
Ventania que nina e sacode e descobre...
abre estradas e mares de amares
em meu corpo em (re)composição...
uma canção em meados de um agosto...
Encantos sem quebrantos...
Aí você vai tirar as roupas da máquina de lavar
para estender no varal...
(não daqueles da minha infância
que eram de arame farpado ou liso...)
e, sim, desses “modernos”...
próprio para pequenos espaços
Voltando às roupas...
você se depara com um “sutiãzinho”
pequenininho infantil ainda...
da sua neta tão amada...
Emoção coração na mão
e lágrimas nos olhos...
um misto de sentimentos,
aliás, um turbilhão no coração...
Gratidão pela participação
mais que especial no desabrochar
do feminino sagrado da minha neta...
Aquela em que ficou “um pouco do teu queixo”,
Filho “encantado”, Gregório...
Ela que nos “presenteia”
com a presença continuação Tua entre nós...
ela que nos “encanta” mais a cada dia com seu jeiti#2;nho“Elisa” de ser... de ser “encantadora”!
FEITO “BOBOS ALEGRES”
incêndio poético...
incendiada pela fúria das palavras “engasgadas”...
Em “labaredas” me consomem
as paredes de vento e nuvem
que se fazem ciranda andança ...
A nossa dança é em fogo poetizada...
fogo que se espalha e se espelha
em nossos “sorrisos bobos”...
de fogo atada e espetada em
alada capela musical...
Sem sinal de fumaça... somos sinais
de chamas em labaredas...
Enredadas e “mancomunadas”
estão nossas peles em fogo sagrado e alto...
Alta voltagem... em contagem
Regressiva e progressiva somos nós...
“Nós” em acabamento de “deslumbramentos”...
momentos lentos e envolventes...
Peles em estesia...
A vida é mar... vida amar...
mar bravio... de pavio curto...
de ressaca tabula e encabula
com novas bulas de uso...
O mar é manso... um remanso...
massageia nossos pés e almas
com novas abordagens...
bordadura em literatura ternura...
O mar é música inspiradora e sedutora
a sussurrar e urrar nos nossos ouvidos e almas...
A vida é mar amar a suspirar
e gemer saudades e eternidades...
Você veleja em meus mares...
eu navego no ter mar amar...
nessa peleja, somos desejos ancorados
em nossas peles em estesia...
somos poesia e cantoria...
Vó Donana
A pele é nosso esboço mapa...
dna... cartografia em afagos...
Vamos fazer círculos mágicos em volta
das sombras que nos “assombram”.. .
Vamos “delicadamente” adocicar
tudo à nossa volta...
Vamos em “saltos” e voos
ser borboletas e carícias na alma do outro...
Vamos ser “sopros de luz”
no coração do irmão...
palavras algodão e palavras sedas a deslizar das nossas
bocas...
Sejamos “sorrisos” a acariciar em mel e céu...
na pontinha dos dedos... enredos iluminados...
Toque de levinho na alma... ama...
Emana... irmana... vó Donana...
(Des)entendida...
Como se diz lá nas nossas Minas Gerais
ando “disintindida” sobre a vida... da vida...
buscando apenas “sentir’ a sua grandeza e inteireza...
Tentando deixar fluir... fruir cada instante
com alegria e poesia...
buscando a sabedoria divina
na simplicidade profunda que funda a vida...
Uma literatura fundura candura...
sem duras penas...
apenas o encanto... o teu canto...
no nosso canto... um cantinho
cheinho de sedução e canção...
Zeus e eu...
Meu Zeus e eu... eclipse no panteão...
Esse Zeus é deus meu...
nosso altar é sol nascendo nas nuvens...
Altar adornado de corpos, almas e coração...
Nossa oferenda é de rendas...
rendas tecidas e entretidas
por nossos corpos em trança e dança sagrada...
Isso muito nos agrada...
teu eros é elo a bordar e desenhar amar...
beija- flor a beijar a flor amor em voos e pousos...
Repouso por entre peito e cabeça
a esperar nova performance...
Um romance em nuance
por um eros artista divino profano...
Zeus e eu...
Eu e meu Zeus...