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Frases de Gabriela Scheid

22 frases

Durmo pouco Quase nada Descabelo o sono
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Durmo pouco Quase nada Descabelo o sono Coloco-lhe pijama Faço até cafuné Pago a janta De graça Desgraça Aparece agora Quando os olhos Devem ficar abertos E a boca fechada Sem bocejo Lhe agradeço. - De nada. E dá risada

Incenso aceso Rabiscos nas paredes Arrisco também no papel.
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Incenso aceso Rabiscos nas paredes Arrisco também no papel. Violão pendurado Sem lugar pra tanto quadro Os deixo no chão pegando pó Livros e mais livros De realidades distintas Transbordam da estante Derrubando as tintas Que derrubam os pincéis E apagam o incenso. Roupas poucas no armário Tudo com fácil acesso Devido a falta de memória E a falta de paciência. Tênis, cortina, cobertas, rotina Escuros As cores que alegram o meu quarto A luz que ilumina os dias, Além do meu cabelo claro Vem do peito. Irradia.

Indigestão O bloco de notas sujo de café nas pontas por conta das noites mal dormidas.
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Indigestão O bloco de notas sujo de café nas pontas por conta das noites mal dormidas. Algumas páginas em branco dos dias mais vazios com sol Aquelas pontas nos cantos das folhas marcando os dias importantes. Como se ela soubesse o que realmente importa. Como se já não tivesse marcado sua vida... Dias chuvosos cheios de rabiscos atraem palavras viradas, papéis remendados, colados, troca de tinta de caneta, mais rabiscos... Algumas marcas de batom e poucas cores. Pouca vida naquilo tudo. O que não tem são orelhas no canto inferior das páginas Ela nunca relê o que vomita e ninguém nunca se atreveu.

Adoro cactus É a única planta que sobrevive na minha residência, talvez por ser xerófita. As vezes passa meses, tudo passa
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Adoro cactus É a única planta que sobrevive na minha residência, talvez por ser xerófita. As vezes passa meses, tudo passa E ela continua dando o ar da graça Perto da janela. Quando lembro, corro dar um oi Fazer um agrado, mas na volta sempre me arrependo. Malditos espinhos. Malditos cactus Os dedos ardem, prometo não regá-la outra vez Consigo ouvir os sussurros: Era tudo que eu queria, obrigado Maldito cactus

Ah meu bem, lhe compreendo mais que ninguém Passo minhas asas sobre tua cabeça
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Ah meu bem, lhe compreendo mais que ninguém Passo minhas asas sobre tua cabeça e sugo toda dor que já sentiu. Vago sobre o bosque das almas pra achar a luz e te ofertar... pelo teu bem, pela tua paz. Você merece o universo em um vaso repleto de flores coloridas. Você merece se banhar em um lago de estrelas infinito, tão vasto quanto teu sorriso Ser fisgada por um estrela cadente e flutuar pro céu, onde pertence. Lá não tem maldade nem julgamentos é tão perfeito que não existe. Mas é sua cara.

Não se trata de isolar a solidão, O bom é saber como e em qual momento morar nela. Não tenha pena dos que estão sozinhos
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Não se trata de isolar a solidão, O bom é saber como e em qual momento morar nela. Não tenha pena dos que estão sozinhos Reze por aqueles que temem e jamais conseguirão desfrutá-la Pois chegará uma hora Em que não haverá ninguém, Apenas você, a escuridão e o silêncio Não, não é ruim

O sono é aquele amigo preguiçoso sempre o último a chegar Esquento o café e sento na varanda
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O sono é aquele amigo preguiçoso sempre o último a chegar Esquento o café e sento na varanda o que será que eles fazem a esta hora lá fora neste frio? - me pergunto não interessa - o vento corta Aquele amigo preguiçoso que quando senta no sofá não quer mais ir embora invejo o gato que dorme desde cedo Planejo o próximo dia, as coisas que precisam ser feitas, aquelas coisas de adulto sabe Mas deixo o silêncio prevalecer não sou submissa à ele, apenas uma antiga admiradora Aquele que sempre te deixa na mão quando você mais precisa

Esquento o café. Acendo o fogo. Noto a extravagância das chamas E a sensualidade da sua dança
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Esquento o café. Acendo o fogo. Noto a extravagância das chamas E a sensualidade da sua dança Dança melhor que eu - embora não precise muito. Sempre me pediram Ajuda ou conselhos. E eu dei Fiz o melhor que pude. Talvez eles se sentem mais seguros Em se expor pra alguém Que não teme a tristeza Eu não temo ela. A exponho no olhar, Quando a sinto. Choro em público, sem pudor. E vomito ela no papel sempre que preciso. Esses sorrisos Escancarados em perfis De estranhos conhecidos Não me convencem. A alegria exagerada Exposta não vale meus minutos de atenção. Tenho admiração Por aqueles que brilham ao natural. Que sorriem ao acordar E agradecem ao ir deitar Por mais um dia. Mas desconfio. O choro é motivo de riso E o riso é aplaudido, Mesmo quando não verdadeiro. Dou graças aos meus amigos Sobram dedos quando os conto, Mas falta tempo em nosso encontros Pra tanta conversa E tanta risada gostosa. Da alma pra fora. A noite se estende O fogo cresce - O meu e o da lareira. Me sinto bem ajudando os outros e frustrada por não me ajudar. Quando faltar-lhe lenha Venha me procurar. Meu estoque dura mais Oitenta invernos. Só não tema em tirar a máscara Aqui somos eu, você e as chamas Que queimarão qualquer dor E qualquer mentira. Não posso prever seu caso, Mas as almas que amparei Hoje estão aquecidas.

Com destino certo, esperando o ônibus na parada Me flagro sem rumo. Não sei o que quero
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Com destino certo, esperando o ônibus na parada Me flagro sem rumo. Não sei o que quero Não sei se fiz o certo Não sei se almejo Seguir no ritmo desenfreado Da sociedade insana. Tão perdida quanto a mulher Que caminha atrapalhada no asfalto gelado, Beirando a morte. - E quem não beira? Caminha como pode. Bêbada. Vestindo seu pijama e chinelos Em pleno inverno. Eu mal respiro, devido a gripe A mulher ri, sem aparentes motivos. A persigo com o olhar Até onde a neblina permite. Ela sobe o morro Eu subo no ônibus. ... Peço um café Temendo o frio e a chuva. Um senhor sentado na mesa ao lado Escreve em um bloco velho. Me olha e sorri. Escrevo atrás de um currículo Que deveria ter entregado. Mas lembro apenas de estar perdida, Como de costume. Caminhos existem vários. Ainda que não almejo ter tudo, Sonho muito alto. O senhor da mesa ao lado soa sabedoria Arrisco uma conversa tímida, Peço um conselho sobre a vida. Volto desapontada e sorrindo. Lhe perguntei se havia alcançado O tão aclamado sucesso. Ele fixou o olhar no chapéu na cadeira E me respondeu, como pôde: - Sucesso é relativo, jovem garota. Sinto minhas mãos, escrevo no meu bloco Estou vivo! E é claro, paguei pelo meu café. Considero-me bem sucedido, por hoje. Amanhã, se acordar, farei isso outra vez Embora sei que estou beirando a morte - lembro da mulher no asfalto Não que isso importe. O meu sucesso eu alcancei.

CIÚMES "CLICHÊ" Ciúmes, meu bem É o que sinto pela gaita de Dylan,
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CIÚMES "CLICHÊ" Ciúmes, meu bem É o que sinto pela gaita de Dylan, Pelo microfone de Cash Pelos óculos de John. É o que sinto pela caneta de Stephen King, Pelo copo do velho Buk. Pelo cabelo branco de Einstein Pelos pincéis de Shakespeare. Ciúmes sinto ainda Dos cigarros de Audrey E do vestido esvoaçante de Monroe, Que tocou seu belíssimo corpo. Sempre que vejo ou ouço O ciúmes bate. De leve, sem força, mas bate. Ciúmes De gente que viveu Pra conhecer todos eles. Na época em que amar era moda Mandar carta era elegante E sentir ciúmes era brinde, Lamento por sentir apenas ele hoje. Mas não por você querido, Por todos eles.

Curiosa por instinto procuro saber sobre tudo - sobretudo minto.
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Curiosa por instinto procuro saber sobre tudo - sobretudo minto. Me indigno Comigo toda vez que abro uma página Na internet ou algum livro Não consigo! Minha cabeça não permite Tamanho pulo no infinito. Concentro-me por horas Por fora fico Da realidade ignorante. Porém a mente ansiosa Cheia de ideia inovadora Perturba os olhos e os ouvidos. Preciso de uma caneta, Preciso cuspir no papel Ou na tela Antes que me comam viva Os vermes que correm em minhas veias. Socorro! Maldição! Paro na metade da leitura – novamente Pra começar a escrever minha história. Pra pintar a tela. Tenho dó, tão sem cor. É tanto ego que mal consigo ler outros autores Admirar outros artistas Viver outras vidas Me perdoem! Eu vivo, crio e recrio a minha Dia após dia.

Quero uma casa na árvore De madeira maciça De maneira fictícia
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Quero uma casa na árvore De madeira maciça De maneira fictícia Já a criei na mente Corro pra dentro muitas vezes Pinto as paredes Quebro os vidros Derramo vinho nos panos de prato To querendo essa casa Morar eu, os livros, o gato Dias metal Dia danço Dia o som dos pássaros Um dia canso Aí mudo pro chalé na praia Com a rede e a vara de pescar Combinar algumas visitas Me tragam bebida e boas notícias E uma carga leve Que ao pesar dos poucos anos de vida Pesei muito Sustento o peso do mundo Quando deveria desfrutar a paisagem Quero uma casa na árvore

dá-me flor da caminhada matinal arrancada do mato
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dá-me flor da caminhada matinal arrancada do mato dispenso a janta naquele restaurante caro dá-me beijo na mão no meu aniversário dispenso as chaves do hotel ou do carro faz-me uma trança lhe devo uma dança lhe pago com gosto no luau em agosto ao redor da extravagante fogueira qualquer noite é festa todo lugar é lindo se simples for dá-me teu sorriso ao acordar dou o meu sempre que possível ao ir deitar. não tenho limites não me importo com o preço preocupo-me mesmo com o real valor Aqui todo pouco vale muito

bordava vestidos para as bonecas com retalhos e pedaços de roupa outrora escrevia, enrolada nas cobertas
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bordava vestidos para as bonecas com retalhos e pedaços de roupa outrora escrevia, enrolada nas cobertas confusas palavras e não eram poucas hoje bordo a pele com que escrevo tecendo cada centímetro sem saber o que vai ser um casaco de lã, talvez um vestido eu decido quando por fim me cansar há quem duvide, há quem se encante apesar do fio ser frágil e eu costureira iniciante, espero tocar não somente na pele, no que tens de artificial aqui tem dor e alívio verdades que não calo mentiras que não falo, escrevo bordo

Menina do interior Cheio de flor E do externo
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Menina do interior Cheio de flor E do externo Cheio de espinho Teme o abuso Inventa pedras no caminho Na estreita estrada de chão. Teme ser uso E desuso De frágeis Que acreditam ser fortes Tudo primeira impressão. A casa é simples E muito aconchegante Praqueles que entram Sem derrubar as xícaras Sem levar os pratos junto. Raramente os que adentram Vão embora logo Caso queira entrar Deixe o sapato lá fora O interior dela é puro E limpo, o da casa. Provavelmente escreverá Outra história Breve e positiva pro teu futuro O passado fica no barro No teu sapato Atrás da porta. Só não repara a bagunça

árvore no cinza do concreto me trás paz observo as folhas, raízes, pessoas
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árvore no cinza do concreto me trás paz observo as folhas, raízes, pessoas as leves, as secas, as novas e as experientes há lixo, há arte há riso, há verde essa cor é a melhor parte venta as folhas a pressa os levam Eu fico. pressa sempre foi minha amiga aquela que combina e nunca aparece até insisto as vezes mas certamente ela tem planos melhores e mais divertidos, pra minha tranquilidade

mais um psicólogo e um dia cinza entro na sala, me acomodo na poltrona macia
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mais um psicólogo e um dia cinza entro na sala, me acomodo na poltrona macia me incomodo com a curiosidade do moço eu que gosto de conhecer pessoas não me agrado com questões pessoais e me questiono, logo se nem bem me conheço de que vale o começo da conversa abstrata olho pra dentro do estranho eu... me perco desisto vou pra casa.

me perco fácil as vozes da rua me exaustam.
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me perco fácil as vozes da rua me exaustam. de longe segui a canção como um leão faminto segue a caça a moça tocava, quanta graça a gaita enorme em seus braços pequeninos não estava lá por obrigação ria. sorria pra todos sorri pra ela ganhei o dia ecoa a melodia da alegria da risada no olhar dela as vozes sessaram encontrei o caminho pra casa fácil o que quero da vida? não suporto rotina quero ter os olhos emocionados eufóricos daquela artista