Emanuele Era numa noite sem lua ou talvez fosse dentro do meu peito
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Emanuele Era numa noite sem lua ou talvez fosse dentro do meu peito que teu nome começou a ecoar como um sino rachado anunciando minha própria ruína. Amada minha, mais pálida que a névoa que rasteja sobre túmulos esquecidos, mais doce que o veneno lento que se mistura ao vinho. Eu te amei antes do primeiro delírio, antes que os anjos, invejosos, cruéis sussurrem maldições nas frestas do céu. Eu te amei quando teu riso ainda não sabia que me condenava. Teu nome ah, teu nome é uma lâmina que percorre as paredes da minha mente, entalhando tua face em cada pensamento que ousa nascer. Dizem que o amor é chama. Mas o que sinto é incêndio em catedral antiga: vitrais estilhaçados, santos decapitados, o altar consumido pela fome da tua ausência. Eu não durmo vigio. Vigio o vento, como se ele pudesse trazer teu perfume. Vigio as sombras, pois nelas imagino teus passos. Vigio meu próprio coração, temendo que ele ouse bater sem pronunciar teu nome. Ó minha amada minha febre, minha sentença teu silêncio é um oceano negro onde me afogo todas as madrugadas. Se te afastas, meus ossos rangem como portas de mausoléu. Se te aproximas, minha carne treme como se a eternidade estivesse a um sopro da perdição. Eu te quis mais do que o céu quis as estrelas. Mais do que a noite deseja a lua. Mais do que os mortos desejam Um último suspiro. E, no entanto, quanto mais te possuo em pensamento, mais te perco na carne do mundo. Te imagino deitada sob constelações frias, teus cabelos espalhados como raízes que me prendem ao chão da loucura. Ah, se a morte viesse não para te levar, mas para selar-nos num túmulo partilhado, onde minh’alma pudesse se enroscar na tua como hera sobre pedra antiga! Porque amar-te, minha sombria estrela, não é gesto é destino. Não é escolha é corrente. E mesmo que os anjos se levantem com suas espadas de luz invejosa, mesmo que o mar se abra em fúria contra meu delírio, ainda assim ainda assim meu espírito rastejaria pela eternidade sussurrando seu nome como oração profana. Pois és minha não por direito, mas por obsessão. E se um dia disserem que não me amas, o mundo se partirá em duas metades ocas, e eu vagarei entre elas como espectro faminto que só reconhece um único altar: Teu coração mesmo que ele jamais bata por mim.