Frase de FMS
Augusto Foi há alguns anos, numa noite ao pé do lago. Como sabeis todos, foi lá que encontrei aquele que sempre soube amar; vive ainda em meus pensamentos, e amar-lhe era mais que amar a mim mesmo. Eu era um jovem moço, ele, um belo jovem, nesta cidade ao pé do lago; mas o nosso amor era mais que amor — o meu e o dele era carnal, um amor sagrado e profano. E foi esta a razão por que, há muitos meses, nesta cidade ao pé do lago, à luz do luar eu ainda soube amá-lo; mas a vida o tirou de mim para encerrá-lo em meu sepulcro, nesta cidade ao pé do lago. E o rosto triste, no reflexo da água, ainda murmura: eu te amo… Sim, foi essa a razão — como sabem todos — que eu te perdi, Augusto. Numa quinta-feira gelada, o vento saiu da nuvem e matou o amor que um dia soube amar. Mas o nosso amor não era para sempre, ridicularizado pelos deuses; e nem os demônios sob o lago poderão separar minha alma da alma de Augusto. Porque a luz triste do luar só me traz sonhos do dia lindo em que soube amá-lo; e as estrelas na sexta sombria só me devolvem os olhares do meu amor que um dia soube amar. E assim ‘stou deitado toda noite ao lado do meu sepulcro, sem Augusto, no sepulcro ao pé do lago onde nos conhecemos, ao pé do eterno murmúrio do lago.
No pensador.ai desde