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Frases de Filipe Marinheiro

43 frases

Foste abatida por flocos de perfume branco porque te deixaste ir à deriva das rupturas combatidas p’los lábios de granizo no franzido céu. Não tive outra chance senão
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Foste abatida por flocos de perfume branco porque te deixaste ir à deriva das rupturas combatidas p’los lábios de granizo no franzido céu. Não tive outra chance senão aprender com torpor a fácil arte de estudar a luz de todos os cometas, subterfúgio do meu vivo crime! Ó, novíssimo crime!

Uma vez atei lençóis ferrugentos aos membros lisos
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Uma vez atei lençóis ferrugentos aos membros lisos da claridade daquele céu tatuado, como deslizava lasso ao longo da corrente sanguínea de um qualquer envenenamento. Após sobrepostas vibrações retalharem a sombra da minha fechadura. São terríveis os afectos.

quis Prudência. dum álamo prescrevi lamacentas aberrações! tive Prudência.
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quis Prudência. dum álamo prescrevi lamacentas aberrações! tive Prudência. bailei misericórdias de defuntos, fragmentei ânimos definitivamente! senti Prudência. as promessas emboscadas nos eclécticos cortejos boiam indefinidas pelas remessas. oh, palpitações e retóricas combinações! rumores empertigados no agreste solstício e paisagístico. pego agora num pequeníssimo revólver detono espadachins de lembranças. virei Prudência!

Jamais te deves importar com a tremenda acção, música, textura, ritmo, cadência, métrica, desenho, estética, género, química, física, massa, espaço, tempo, contexto, situação,
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Jamais te deves importar com a tremenda acção, música, textura, ritmo, cadência, métrica, desenho, estética, género, química, física, massa, espaço, tempo, contexto, situação, rima, estrofes, versos entre outros longínquos atributos perfilados da poesia, isso é muito e muito antes, logo depois... cá e lá a bater-te em toda a dimensão do ser fremente aqui e acolá... É cirúrgico futuro por vir, mas já veio ao pensamento intemporal! Basta então antecipares-lhe suas partículas invisuais, depois romperes as entrelinhas das camadas onde com a mesma indiferença prevês o tal sentido relativo, exacto, profanando consoante a sinfonia metamorfose da melodia. É nesse instante momento sobrenatural que vais sentir e escutá-la adivinhando-lhe a restante beleza porvir. A poesia nunca mais será a mesma, um desregulamento torrencial infinito metafísico, sendo-a apenas!

Adiante o ritmo, depois e depois a dor! Dor morta!... Dor que faz de conta!...
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Adiante o ritmo, depois e depois a dor! Dor morta!... Dor que faz de conta!... Dor que anda morta!... Dor que vira desnorte brasa de tanto praguejar!... Dor que entre épocas canta ao bondoso ritmo!... Ritmo que perdura nas docílimas plantas da nossa dor! Dor que vive para procriar o destino do ritmo por escorregar como derretida cera na consumada alma! Adiante o ritmo, depois e depois a dor! Admite, já não sabes se é do ritmo ou se é da dor...

desviassem filamentos de pedras pomes ao lume que mergulha o meu corpo violino na devassidão das noites picantes conseguiria modelá-la
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desviassem filamentos de pedras pomes ao lume que mergulha o meu corpo violino na devassidão das noites picantes conseguiria modelá-la e antes disto ouvi-la transpirar estanque potência entretanto faço parar o giro desse sol em espiral indolente para encher o tempo com sabor corajoso solto-me do soluço maníaco de um mar afrodisíaco dedal tanto se mente a si mesmo como devora o chilrear do aroma azul-celeste divertido dessa alma apêndice a apêndice embalada desculpem-me se cravo as estrelas estrondosas à desprendida lua sonâmbula e a minha maciça boca tinge-se da alcova entre o aconchegante céu de portas amordaçadas onde potente tudo perdoo

Essa macia tarde deveria ser movida para trás evitando que um nicho de archotes me destapasse o meu cru estômago desobstruindo imbativelmente
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Essa macia tarde deveria ser movida para trás evitando que um nicho de archotes me destapasse o meu cru estômago desobstruindo imbativelmente crateras servidas em divisíveis taças que mal conseguem expiar as monstras vidraças ressentidas através de sãs mentiras. viajantes mentiras.

Porque é que temos de obedecer ás tormentas? Porventura serão relógios que se colam nos corações sem emendas? e depois contaminam nossos
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Porque é que temos de obedecer ás tormentas? Porventura serão relógios que se colam nos corações sem emendas? e depois contaminam nossos dedos de gume? Pois, já cheguei à conclusão de que nunca irei perceber a analítica miragem, por isso só me deve restar despir a elipse da vertigem! que bom viver-se doido e doido e sentir-te naufragar na invejosa aparência! Hurra, Hurra, que pertinência!

fecho os olhos abro-me nos teus como uma balada impune no seu sangue oscilante
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fecho os olhos abro-me nos teus como uma balada impune no seu sangue oscilante entretido percorro-te, estremeço-me nas veias singulares depois com a ponta da língua afável caligrafia reponho as cordas giratórias e andas no meu imenso chão um chão embalado p'los nossos sorrisos de cetim só teu, só meu a transformar-se porém nunca a concluir ou terminar salvo esse romance nada súbito a apertarem violetas durante jactos perfumados decerto uma bondade eterna eis donde chegam os meus afectos e nas artérias de seda cristal crias novas meigas cores novos ligeiros ares novos amantes tons novos endurecidos ruídos novo auroreal amor para eu continuar a ver a ver-te debruçada sobre mar transparente com veludo de orvalho entre os poros a ver-nos encalhados continuando a moldar brancos banhos como numa nossa gargalhada a dormir no cume de videntes astros adentro só dessa maneira estaremos destinados a tais grandes coisas

Impôs-se escorregadia lava da vertigem resvalando todo meu ser em amenas
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Impôs-se escorregadia lava da vertigem resvalando todo meu ser em amenas folhagens matutinas que seriam hasteadas p’lo pico da tua porta púrpura. Fundi-me sonora água encurvada. Somenos soldar bolsas de feixe irrompesse tuas ânsias em formas febris, eu rodaria as quentíssimas tardes, voaria num frutado cachecol aquém, esticaria delicadamente um cordel de brasas às extremidades dum espaço sem espaço extraordinário para bailar felizardo entre filigranas luvas até à impune lua. E assaltava a fortuna cambaleante dos belos anoiteceres ardidos. Como tudo e tudo poderia ser perfeito se me ensinasses com magia, a complexa valsa da alegria.

A loucura é tão inexpugnável o quanto lhe depositamos de delírio e da clareza ante o preconceito renascer insana. Existem loucuras na introspecção doutras loucuras!
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A loucura é tão inexpugnável o quanto lhe depositamos de delírio e da clareza ante o preconceito renascer insana. Existem loucuras na introspecção doutras loucuras! As pessoas imaginam a imprópria loucura doutras loucuras dentro da loucura movediça, mas a loucura também pensa das pessoas! Se estiver do seu lado esquerdo adormeço, do lado direito acordo, de trás desmaio, de frente salto, por cima ilumina-me, por baixo obscura-me, no seu ventre musical, sou a sua clave! É isso a loucura? Uma mera quimérica diferença em tropel? Então deixem-me lá continuar louco, um louco inabalavelmente feliz e lúcido. Lá Lá Lá... Hurra Hurra Hurra...

Num só gesto de gesso desordenado, tombo para a negra chuva triunfal! Ela guarda-me em seu bolso de adobe arminho. mansíssimo viro-me escancarado,
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Num só gesto de gesso desordenado, tombo para a negra chuva triunfal! Ela guarda-me em seu bolso de adobe arminho. mansíssimo viro-me escancarado, pisando grainhas das serranias que quase voam como lástima inté banhar-me no ternurento silêncio em flor... Devo morrer indolor SILÊNCIO

Ora bem, uma agulha encalhada num viciante arbusto no momento em que vai começar a cair representa nada mais que psicológicas represálias
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Ora bem, uma agulha encalhada num viciante arbusto no momento em que vai começar a cair representa nada mais que psicológicas represálias em guerra com as aveludadas lagoas coladas ao aço de teus nervos alcoviteiros. Tão transparente como morderes os ramos dos arbustos e apaixonares-te p’lo seu interior comovedor.