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Frases de Filipe Marinheiro

43 frases

Olho a linha que espia a retina do mar espero, espero, espero
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Olho a linha que espia a retina do mar espero, espero, espero e de tanto esperar em vão um dia tarde demais descobri que na escrituras dos rebentos das ondas estava escrito que à nascença tinha sido condenado pois alma alguma me irá amar

É-me inevitável! Diariamente sou impelido a dialogar lúcido com meus próprios medos,
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É-me inevitável! Diariamente sou impelido a dialogar lúcido com meus próprios medos, esses medos têm medo de mim e eu deles os medos têm aflitivamente medo de todos os medos, dormem fraquejados na tosse de uns e de outros, de todos... Tomam-se, lassam-se, escorraçam-se!.. Quando os medos começam a respirar, ralham-nos, inflamam-nos, dissolvem-nos, impossibilitam-nos, calcinam-nos... Em contrafé falam-me num derradeiro Adeus aos medos... Adeus à tristeza que esses medos comportam... Adeus à solidão que desses medos escorregam... Adeus à obsessão que esses medos baptizam... Sob a estúpida impotência não compreendo. Sinto-me alcatrão calcado, e na última vénia murmuram-me a estremunhar que a minha única imaculada saída é escrever poesia até enlouquecer!

Aquela afligida atmosfera da loucura, sempre e sempre me perseguiu quando engolfava, caprichosamente, durante as destinadas descidas aos selados planetas
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Aquela afligida atmosfera da loucura, sempre e sempre me perseguiu quando engolfava, caprichosamente, durante as destinadas descidas aos selados planetas esboçados nos trémulos blocos de gelo como varandas tribais no interior de uma jarra abençoada por flores a arder penedos a cima. Era eu assomada vertigem sibilante. quis afligir minhas preces, minha cama, minhas ternuras- nervuras, minha sobriedade, minhas imigradas alvoradas, minha levedura. Agradeci à desventura que me tenha inspeccionado, imemoravelmente, possuindo minha síncope comoção, alimentando-a com cambaleantes vielas e ondeantes ruelas enriquecendo-me com orgias isentas de vozes. Era eu assomado lascivo silêncio costurado a meus querubins lábios. vivo apenas hoje para beijar a loucura.

Após chutar a dita estética frágil descreio na cega literatura violentíssima para mim inexistente
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Após chutar a dita estética frágil descreio na cega literatura violentíssima para mim inexistente – destrutiva, desfigurada, falecida, mas precisa! Nem tampouco me comovem as contradições d’arte emaranhada em muitos contornos decalcados – um recalcamento absurdo, improdutivo, um salto num vazio absorto… renego-me profundamente… renego-me, renego-me! aller à Rimbaud… … …

Visto-me na colónia do medo porque já nada sei ser senão medo desmembrado com a sensação presa de me aprofundar
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Visto-me na colónia do medo porque já nada sei ser senão medo desmembrado com a sensação presa de me aprofundar num remoinho golpeante p’los vidros em derramamentos que me tocam até aluar escarpas em lágrimas mil... Quando será que vou poder tactear a infância para descalço brincar? Tenho tantos medos quanto medos!...

Toco na harmonia do suspenso caminho sei-me lamento pasmo rolado em erupção paralisante.
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Toco na harmonia do suspenso caminho sei-me lamento pasmo rolado em erupção paralisante. Um passageiro muito só que cai, desequilibra-se no esquecimento indiferente. É terrível não dar mesmo encontro de mim. Perco-me num denso escuro sombrio onde as visões que sublinho fatigado, picam a esquecível memória donde parto.

Sei como te fazes procurar pelo ar atmosférico numa atribulação
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Sei como te fazes procurar pelo ar atmosférico numa atribulação formando delicadas palavras clandestinas. Basta fazeres-te naqueles dias sem regaço à chuva para simpaticamente assumir a melancolia desfeita como a tocar as alturas sobre tremendas paisagens a incidirem gentis, calmas, isoladas e algumas letras sem alívio sabotagem. Ou pouco ninguém diabolicamente se cantará no instante da matéria a rodear o peso bárbaro das mãos em espasmos. Pedem pois vidas maravilhosas, fazendo renascer o sopro casto virado para dentro do pulso cantante e bailas perante os teus dedos espantados despenhando-os na pureza da carne a furar a esplêndida noite dita durante a curva do sangue intenso, como se procurasse a estabilidade daquilo que encontrei porque tu, numa voz, o perdeste. Senão, encontras a luz esmigalhada contra a pele a estrangulá-la na fímbria à cabeça crepuscular adentro. Virarias um rolo de papel sôfrego que não se percebe enquanto atravessa naquela comoção da próxima curva abstracta, céptica, iminente, ensinando à parte, quanta estrada chumbo cheira os ganchos quando roçam a ventania curiosa entre corpos fortes. Nem mesmo com a parada de desejadas chaves frágeis, em turbilhão, por se fecharem, inventas toda essa estrada de vitalidade a manquejar pormenores sábios mas realmente o farás como outras palavras esgravatariam o céu inteiro lá pelos lados empurrando certas maravilhas que gráceis brilham. Deitas-te entre joelhos na dança de meus lábios deslizantes. Como num edifício de bruma redonda, ardes toda a boca pousada onde o beijo me procura e te sabe.

Nem sequer me
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Nem sequer me ocorre a ideia de cerrar os olhos e não rodopiar veemente com a INFELICIDADE. Talvez depois de ontem salude a bela FELICIDADE.

houve uma ensinada tarde em que a luz se esticava dentro de mim agitava-se cruelmente longamente
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houve uma ensinada tarde em que a luz se esticava dentro de mim agitava-se cruelmente longamente e eu expandia sem parar quando subi demasiado humano por entre avenidas de escadas povoadas vizualizava esquecidos sábios quem seriam? quem serão? existirão? depois da meditação sentado na última abóbada do planeta descobri a diferença entre a palavra origem e proveniência essas asas d’ouros em tudo bizarras acorreram-me uma a uma amando o vento retina de minha oriunda consciência outros arrastaram o espaço do meu concreto corpo e a profundeza do mar a avistar as feridas palavras eis que me amarram de ponta a ponta uma infinita espuma movida por rostos meu coração recluso do impróprio choro doce contempla o tempo desafinado por raros perfumes deslizantes dessas hirtas pétalas ligeiramente oblíquas e noctívago danço a sinfonia em que morro loucamente

Na palma de minha mão cabem os esguichos daquele emaranhado mar ofegante
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Na palma de minha mão cabem os esguichos daquele emaranhado mar ofegante esfiam-se cachos de búzios nas bordas tacteando uma pandemia de linhos a puxarem-se temperamentalmente do bico pontiagudo das aves a moer o céu pálido da boca amedrontava num arrepio arenoso embora fosse embarcar nas ocas águas sem os antepassados existirem decidi riscar o fundo que não estava destinado à visita de grandes visões e apaguei os declinados olhos migrantes até esgaçar o ódio que restava no punho carregado de sal aberto é notável defesa redescobrir o exílio lânguido quando se move uma traça míope antes da sua nascença fétida donde vejo redentor sorriso a caber-me