Frase de Filipe Marinheiro
É-me inevitável! Diariamente sou impelido a dialogar lúcido com meus próprios medos, esses medos têm medo de mim e eu deles os medos têm aflitivamente medo de todos os medos, dormem fraquejados na tosse de uns e de outros, de todos... Tomam-se, lassam-se, escorraçam-se!.. Quando os medos começam a respirar, ralham-nos, inflamam-nos, dissolvem-nos, impossibilitam-nos, calcinam-nos... Em contrafé falam-me num derradeiro Adeus aos medos... Adeus à tristeza que esses medos comportam... Adeus à solidão que desses medos escorregam... Adeus à obsessão que esses medos baptizam... Sob a estúpida impotência não compreendo. Sinto-me alcatrão calcado, e na última vénia murmuram-me a estremunhar que a minha única imaculada saída é escrever poesia até enlouquecer!
No pensador.ai desde