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Frases de Fabrício Hundou - um autor desconhecido.

117 frases

TRATANDO DE MIM "Quando se trata de mim, eu mesmo dou um trago e dano a boca a falar ainda qu'eu tenha medo, da criança que nina entre os meus dedos, acordar e não parar de sonhar. Livrai-me, Deus, dessa doidice. Eu tenho medo dela contar como dançam tristes as lembranças do meu…
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TRATANDO DE MIM "Quando se trata de mim, eu mesmo dou um trago e dano a boca a falar ainda qu'eu tenha medo, da criança que nina entre os meus dedos, acordar e não parar de sonhar. Livrai-me, Deus, dessa doidice. Eu tenho medo dela contar como dançam tristes as lembranças do meu último sorriso. Isso não é segredo - eu duvido. E me tratando, sempre me curo em outro beijo ou na falta de juízo."

PASSAGEIRO Quem passou É passageiro
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PASSAGEIRO Quem passou É passageiro Se demorou Tornou-se estrangeiro Ficou mais que devia Tornou-se ultrapassado Passou mais que ligeiro Deixou-me engomado Fez vinco Dobrou e tudo Deixou-me arcaico Proprietário de lembranças Cobrou aluguel por esperanças A um passo De por à venda Calendários Quase mofados

NOBRE POBRE "Cidade satélite, um bairro sideral. Morada de (q)uês, (n)adas e (M)arias. Lotes amplos, harém retangular. Área nobre, de reis e abacaxis. Nesse, nove quartos de dormir. Banheiros equivalentes, suítes para todos os dezoito que ali residem. Os que ali residem: condômi…
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NOBRE POBRE "Cidade satélite, um bairro sideral. Morada de (q)uês, (n)adas e (M)arias. Lotes amplos, harém retangular. Área nobre, de reis e abacaxis. Nesse, nove quartos de dormir. Banheiros equivalentes, suítes para todos os dezoito que ali residem. Os que ali residem: condôminos. Assinantes fiéis de faixas amarelas que anunciam, mensalmente, aluguéis. Desfrutam, uma vez ao dia, de seus chuveiros mornos. Jornada nas estrelas com mais de 12 horas - desfrutando o chuveiro dos próprios poros. Suor sem racionamento. Domingo, quinta e sábado não tem água. E a desafortunada que carrega o subúrbio na sua genética, em seu extinto de sobrevivência, sempre soube o que era economizar água e choro. A esmoleira de Direitos, generosamente, se põe a exemplo. Amanhã, acordará cedo, pegará os caminhos do carma. A água voltará meio dia, mas na casa da patroa vai dar para enxaguar os olhos. 'Clarinha' - a cadelinha - vai pro banho-tosa e as crianças para a natação. Com mais três giros no terço, logo Ave Maria manda a noite e voltemos para o nosso barracão. Lugar onde o luxo é ilícito e, água, também entrou pra oração."

PEITO MURALHA Minha bagagem, Um milheiro de tijolos
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PEITO MURALHA Minha bagagem, Um milheiro de tijolos Que carrego com brava vocação E tremenda desvantagem, Quando oscilo entre choro e riso. Ora murmuro Ora sussuro Por ora, só um muro. Por ter muralha no peito, Quem quiser deitar à sombra, Pode escorar a alma toda Até fazer as pazes com o sol. E não pode se assombrar com os vultos. Deve podar qualquer arbusto que ornamenta Esse caos monumental.

RACIONAMENTO A mingua atinge a todos Que se declaram meus vizinhos.
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RACIONAMENTO A mingua atinge a todos Que se declaram meus vizinhos. Nalgum dia dos dias Falta água em minha casa. Quem tem sede, Já não encontra torneira aberta Em meus olhos. Donde sou, Racionamento não poupa Nem a quem não tem. Como eu que, Desde que o calendário Ganhou ligeireza, Não ajunto Em meu corpo Nada que não seja tão meu, Nenhum grão. Mesmo no tempo em que me falta, Sob horário de verão, Ganho e perco horas. Nem bolso eu tenho Pra guardar poliqueixosos. Não entesouro mágoas, Tampouco guardo águas, Pra tomar e lavar as dores De amores Que só a vida Há de lhe Economizar.

TIMBRE DOS VENTOS "Quando o vento der timbre às portas e janelas: é hora de acordar. Desperta-te mansinho, como cada fio de uma nuca que se insinua. Olhai as molduras que sol pendura em paredes cruas. Escute os meus uivos - qu'esses, aprendi com os ventos. Num abraço coube todo…
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TIMBRE DOS VENTOS "Quando o vento der timbre às portas e janelas: é hora de acordar. Desperta-te mansinho, como cada fio de uma nuca que se insinua. Olhai as molduras que sol pendura em paredes cruas. Escute os meus uivos - qu'esses, aprendi com os ventos. Num abraço coube todo clarão do dia. É nas manhãs dos teus beijos qu'eu me rein(vento)."

GOELA GOELA "Os meus braços balançavam.
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GOELA GOELA "Os meus braços balançavam. Como um pêndulo, Os meus braços balançavam. Remando em antagonismos, Meus barcos não iam, Nem voltavam. Meus olhos vasculhavam: Do embrulho no estômago Aos mares das pálpebras. E o meu cais virava caos, Revirava todo o chão do mundo Até achar sementes, Raízes, ramas ou, somente, As palavras enterradas A sete palmos Em minha goela."

CIDADES ONÍRICAS "Gosto de tudo o que sou, enquanto caminho para o sono, naquele instante de repouso em que sou apenas mais um tom de vulto. Sou bom em ouvir vento varrendo ruas, em pensar na turbulência dos acasos e em fugir de insônias autorais. Refaço as costuras dos panos qu…
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CIDADES ONÍRICAS "Gosto de tudo o que sou, enquanto caminho para o sono, naquele instante de repouso em que sou apenas mais um tom de vulto. Sou bom em ouvir vento varrendo ruas, em pensar na turbulência dos acasos e em fugir de insônias autorais. Refaço as costuras dos panos que me embrulham, em pensamentos desajuizados, desenfreados. Quando, por fim, durmo, acordo em cidades oníricas e tomo café da manhã com a minha bendita inconsciência."

O CARNAVAL DA CAPITAL "Vista sua fantasia, saia de sua Satélite, procure uma vaga próxima para estacionar. Olha o selfie! - quanta alegria. O Carnaval de Brasília vai começar. Não economize no purpurina meu bem, pois, de mixarias, nesta folia é o que mais tem. Ainda tem o vizinh…
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O CARNAVAL DA CAPITAL "Vista sua fantasia, saia de sua Satélite, procure uma vaga próxima para estacionar. Olha o selfie! - quanta alegria. O Carnaval de Brasília vai começar. Não economize no purpurina meu bem, pois, de mixarias, nesta folia é o que mais tem. Ainda tem o vizinho, amigo de escola, inimigo de Facebook, o ex-professor e você – que, de longe, os avistou e apenas pensou. Não quis a ninguém cumprimentar. Afinal, se ébrio está, é melhor se controlar, tal como o limite dos decibéis que só ecoam com um alvará. Abram vossas rodas de amigos e grupelhos típicos, caros brasilienses. Vamos lá! Abram espaço, a ala da AGEFIS vai passar. A marchinha do relógio não é lenta. Pontualmente, à meia noite, o som vira hiato, a luz se apaga, a serpentina acaba e temos de ir a outro lugar. 'Entrepassando' pelos foliões, ouve-se a nítido e claro som: “se fosse em Salvador...”. A fantasia não é para tanto. Entre prantos e poucos beijos, eis o Carnaval da capital – o bonito é se encaretar."

ELAS POR ELAS Das mulheres que se perdem Em teus lençóis,
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ELAS POR ELAS Das mulheres que se perdem Em teus lençóis, Eis, em teu colo, A única que lhe faz Cama, chão e torpor A mulher em teu colo, Pede com sede, Cada janela dos teus olhos, Elas são elos, Mas, só uma, Geme sem dor A mulher em teu colo Cruza ventos e suspiros Para ter os teus ósculos; Ela sabe a rua do ir e do voltar É sujeito de seu próprio verbo, Sujeitando-se ao delírio e à doidice De comprar horas Pra te amar

LER-ME É LEI "Leia-me! Leia-me, me lê.
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LER-ME É LEI "Leia-me! Leia-me, me lê. Lê aqui...e aqui. Agora, aqui. Cursivo, Bem grafado, Devidamente acentuado. Todavia, gramaticalmente Despenteado. Leia-me! Leia-me, me lê. Lê aqui...e aqui. Agora, aqui E agora, consegue? Não conseguiu. Tá amuado, Sabe que até um desvairado vê, E idem o pobre iletrado. Deixe-me chegar mais perto... Fique parado! Não afrouxe as córneas, Não pule palavras. Minha couraça em páginas... Leia lauda por lauda. Ainda não consegues? Fiquemos bem! É tudo esboço, Se tá turvo, Não tá borrado. Tobogãs venosos Escorrem ´liquid paper´. Omiti ou tá apagado. Leia-me! Leia-me, me lê. Lê aqui...e aqui. Agora, aqui. Há muita luz em mim, Não sou de fins, Muito pouco de abismo. Se não consegues me ler, É miopa - ou astigmatismo."