LIVR( ) "Se Deus me livrar, eu viro livro!"
Frases de Fabrício Hundou - um autor desconhecido.
117 frases
Eu e o abacaxi, não estamos vestindo nada bem. Nele, os espinhos incomodam por fora. Em mim, eles incomodam por dentro.
É mais fácil segurar um tigre com fios de sedas que segurar um pensamento
O Tempo, meus amigos, o Tempo está roubando coisas de mim. Tamanha veemência e desatino, me lembram muito bem que, anos atrás, não era assim. O Tempo tem me ultrapassado, descompassado, fingido não se passar por mim. Decidi ter uma conversa com o Tempo para atarmos uma relação ag…
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O Tempo, meus amigos, o Tempo está roubando coisas de mim. Tamanha veemência e desatino, me lembram muito bem que, anos atrás, não era assim. O Tempo tem me ultrapassado, descompassado, fingido não se passar por mim. Decidi ter uma conversa com o Tempo para atarmos uma relação agradável e pedir mais uma vez que ele não me deixe apenas no passado. Eu perguntei: - Ríspido, o que tens contra mim? O Tempo me respondeu: - Estou farto de ser descuidado e ser usado como desculpa, fingindo que não me tem. Estou cansado de ser perdido em horas em vão. Estou cansado de ser perdido! Se você não tem tempo, tenha tempo para mim. O Tempo, meus amigos, o tempo está roubando coisa de mim. Nesse nosso relacionamento, já dei adeus ao fôlego, às lágrimas, aos agouros; tamanha veemência e desatino, lembro-me muito bem, ainda não teve fim.
Não há veneno que me mate Não há remédio que me cure Existem amores que sempre passam
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Não há veneno que me mate Não há remédio que me cure Existem amores que sempre passam Há, corriqueiramente, aquele que me segure
PEDRAS NA VESÍCULA "Eram tantos os suplícios para que cessassem o arremessar das pedras, eram tantos...Muitos! Tantos tontos ouvirão ecos sem economias. Pedros, pardos e perdidos. Perdidos entre pedras. Tantas pedras prediletas, com valoração, seixos com matizes. Eram tontos os…
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PEDRAS NA VESÍCULA "Eram tantos os suplícios para que cessassem o arremessar das pedras, eram tantos...Muitos! Tantos tontos ouvirão ecos sem economias. Pedros, pardos e perdidos. Perdidos entre pedras. Tantas pedras prediletas, com valoração, seixos com matizes. Eram tontos os que buscavam a pedra sem peso. Pedras não são como penas. Pena de vida, não há morte pior. Tantas pedras amorfas formam desfiladeiros íngremes, subidas delgadas, caminhos de campos calvos e calminhos cavam. A pena dos pássaros está na liberdade. Tantas pedras mofadas, sem uso, formam desafios íngremes, subidas às degoladas, pedras na vesícula, pedras atiradas."
"Meu bem, por fraqueza do hábito, não te esforces a alimentar a esperança que nem fome tem..."
PÃO DE ILUSÃO "Dona Maria vai à mesma padaria há 43 anos e alguns dias. Essa data traz a agonia inventada pela espontaneidade da vetustez. Alguns móveis da padaria, ao longo da modernidade, foram trocados por mármore gelado e mogno lustroso. Os donos do estabelecimento ainda não…
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PÃO DE ILUSÃO "Dona Maria vai à mesma padaria há 43 anos e alguns dias. Essa data traz a agonia inventada pela espontaneidade da vetustez. Alguns móveis da padaria, ao longo da modernidade, foram trocados por mármore gelado e mogno lustroso. Os donos do estabelecimento ainda não foram trocados. O padeiro continua com um semblante frio - tanto quanto o mármore - e a balconista, com a sua pele lustrada pela temperatura dos pães, estende dedos grossos para devolver o troco. Em todos esses anos, os formais comprimentos nunca foram trocados por nenhuma amizade com túnica mais interna. Dona Maria é apenas mais uma velha assídua que sempre compra o mesmo bolo de trigo. Os que estão na padaria, também são apenas os mesmos, apenas são, sem muitas túnicas internas, são superficialmente apenas duas almas sem recheio que Dona Maria vê ao longo de seus 43 anos. Por casualidade, há muitos calendários, Dona Maria vê os mesmos rostos, os mesmos objetos, come as mesmas comidas, veste os mesmos vestidos que cheiram a naftalina. Diga-nos, Dona Maria, diga como era o sol naquela década. Diga-nos, diga com dignidade como as pessoas se trajavam, nos diga sobre os programas televisivos, diga-nos se os corpos eram em preto e branco, diga se havia medo de ter esperança. Conte-nos, conte sobre hoje, conte sobre excesso de cores. Conte-nos como contas as moedas do cofre que guardas em cima da geladeira, qual valor tem a mudança. Para Dona Maria, a dinâmica do tempo não lhe foi muito generosa. Dona Maria aguarda, no cume de sua demência, que nada possa mudar, pois envelhecer é um fenômeno agudo, que esculpe pés de galinha e rugas sem muita cortesia estética. E ela inventa todos os dias mais um dia de monotonia, para que não alcance o desespero de um dia ter de que se reinventar. Dona Maria sabe que a eternidade não se vende em nenhuma padaria, mas que a alegria da ilusão lhe traz a sensação de poder ter desenhar a vida que se quer levar."
INVENTO Poucos conseguem ver, mas o vento não é estéril. Ninguém consegue ver, pois o vento é um mistério. O sopro que sai da boca, transpassa os lábios e vira vento. A força que move caravelas é a mesma força que move pensamentos. Pensamentos sopram o tempo. Há gracejo pesado n…
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INVENTO Poucos conseguem ver, mas o vento não é estéril. Ninguém consegue ver, pois o vento é um mistério. O sopro que sai da boca, transpassa os lábios e vira vento. A força que move caravelas é a mesma força que move pensamentos. Pensamentos sopram o tempo. Há gracejo pesado na alma que não se nutre de vento. Ar, gracejo, há leveza por dentro. Os ventos que penteiam o teu cabelo são os ventos que desembaraçam os sentimentos, são os ventos que criam redemoinhos, são os mesmos que giram os cata-ventos. Escapa à vista do que é feito o eólico. O vento é dos tempestuosos, dos fleumáticos e dos bucólicos. O vento é inventado. Tudo é vento.
TRUCO Troquei de roupa Troquei os passos
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TRUCO Troquei de roupa Troquei os passos Troquei figuras Troquei os fatos Troquei de olhos Troquei de alma Troquei de cores Troquei de espelhos Troquei de braços Troquei palavras Troquei de amores Troquei de pecado Troquei as bolas Troquei Truquei Retruquei Aos trocos e devoluções Não me troco por nada
AMARELO "Em mim haverá paixão até que a última flor de ipê caia e enfeite o chão..."
CARECA DE SAUDADE Há pouco esmero nesse texto. Há pouco ele cresceu. Crespos, lisos, ondulados: tantos são os caminhos para a saudade. Trançados em raiz, espetados, penteados em et ceteras. E, mesmo em caminhos calvos, é algo que cresce, aumenta, cai. Tal vez, saudade. Cabelo, t…
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CARECA DE SAUDADE Há pouco esmero nesse texto. Há pouco ele cresceu. Crespos, lisos, ondulados: tantos são os caminhos para a saudade. Trançados em raiz, espetados, penteados em et ceteras. E, mesmo em caminhos calvos, é algo que cresce, aumenta, cai. Tal vez, saudade. Cabelo, talvez. Arrepia e embaraça. Saudade é capaz conceber sentimentos de arrepiar e embaraçar qualquer sensatez. Há quem peleje ao pentear os fios desse tempo com o credo latente de que a saudade irá passar. Esforços em vão. Cabelo se corta, saudade também. Saudade logo cresce. O cabelo? Também!
AMAR - ATO I "Desde que se tornou verdade, todo medo era apenas mentira, sem parcimônia de sentir a ausência do cais que me era, da imensidão de sorrisos igualmente divididos. Com aqueles braços - que atravessavam-me sutilmente os poros - tod'alma fluía, vestida de lençóis trans…
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AMAR - ATO I "Desde que se tornou verdade, todo medo era apenas mentira, sem parcimônia de sentir a ausência do cais que me era, da imensidão de sorrisos igualmente divididos. Com aqueles braços - que atravessavam-me sutilmente os poros - tod'alma fluía, vestida de lençóis translúcidos, delicados, mas hígidos o suficiente a passar por qualquer espinho sem nem causar ferida, partos e partidas. Partilhas comigo a razão das mais belas canções e da cólera incurável, da falta do ar. Desde que se tornou verdade, tudo se torna...transforma no ato de amar".
O MENINO QUE O VALE LEVA "Você nunca volta pelos mesmos caminhos. Você, o pequeno menino do vale, também é o grande adulto que leva. E se hoje vai embora - cheio de lentidão na marcha - é porque nunca perdeu o medo de voltar. Sempre soube que, o soluço, é o veredito pujante do p…
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O MENINO QUE O VALE LEVA "Você nunca volta pelos mesmos caminhos. Você, o pequeno menino do vale, também é o grande adulto que leva. E se hoje vai embora - cheio de lentidão na marcha - é porque nunca perdeu o medo de voltar. Sempre soube que, o soluço, é o veredito pujante do perdão digerido. E eu, teimoso como sou, dou conversa ao desespero. Tenho calos por ainda ter cordas, na cabeça, para me pendurar em suas fugas. Corra ligeiro, na cidade que há em mim, com todas as suas coisas que vão perdendo o cheiro, exalando o melhor perfume da sua falta. Vale-me muito esse menino. Valei-me...volte! Pois as placas não têm nomes e, as ruas, não têm saídas. Nos fios da barba, há cama para a sua insônia. Riso também é choro. Cacto também se rega. Amor, não se nega".
[LUA CHEIA] Cortei a minha saudade Em plena lua cheia
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[LUA CHEIA] Cortei a minha saudade Em plena lua cheia Só pra poder vê-la crescer Mais rápida, mais bonita No deslumbre vazio De lhe trazer Em meus mitos Com um pouco mais De certeza
[DESAPONTADO] .O mundo acabará da luz que emana dos rios e mares que, juntos, se fazem represa dentro de lâmpadas. Muitas. Lâmpadas, muito acima da nuca, próximas ao nunca, leva ao útero a luz. Luz que amarela o caminho das minhas reticências, das ciências. Eis a minha fria pref…
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[DESAPONTADO] .O mundo acabará da luz que emana dos rios e mares que, juntos, se fazem represa dentro de lâmpadas. Muitas. Lâmpadas, muito acima da nuca, próximas ao nunca, leva ao útero a luz. Luz que amarela o caminho das minhas reticências, das ciências. Eis a minha fria preferência aos pontos finais. Pontos finais são amarrados, feito laço bonito, pelos dedos mais bonitos que jamais vi. Bonitos dedos entrelaçados, perfumados por alcalinos terrosos como se, estes, tivessem bonito cheiro. Cheiro veste todo o corpo de agulha e carne, carne fluida de sangue cor dos fins de tardes. Do céu cai chuvas e chaves – e nenhuma de fenda – que pra eu apertar o balé dos meus parafusos que dançam livres e soltos no eixo do desleixo da minha cabeça. Cabeça, cesto fundo para guardar os nexos sujos, todos carcomidos de repetição, sem nenhuma palavra nova, pois – tal como as lâmpadas – na minha cabeça o mundo acaba em luz – e não em pontos finais.
[VAIDADE] No teu verso Em miúdos alfanuméricos
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[VAIDADE] No teu verso Em miúdos alfanuméricos O prazo de validade. Nos meus versos Em graúdos suspiros A saudade.
PÉTALA POR PÉTALA "Aprendi a andar sobre à vida sem as mãos, sem nenhum apego ou reflexo de segurança mediante ao perigo. Em minha riqueza de aptidões, a que mais contemplam é a terrível maneira como os cadarços se comportam. Os que se importam: sintam-se importantes. Equilíbrio…
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PÉTALA POR PÉTALA "Aprendi a andar sobre à vida sem as mãos, sem nenhum apego ou reflexo de segurança mediante ao perigo. Em minha riqueza de aptidões, a que mais contemplam é a terrível maneira como os cadarços se comportam. Os que se importam: sintam-se importantes. Equilíbrios aos equilibristas. Pra eu que tanto me dou bem e mal - pétala por pétala - sob o papel de malabarista, resta rogar habilidade na dinâmica das instabilidades."
NÃO VÁ! Vem, vá com o sol Vem, vá com o mar
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NÃO VÁ! Vem, vá com o sol Vem, vá com o mar Vem, vá com Deus Vá, com quem te levar Vem, vá com o sol Vem, vá com o mar Vem, vá com Deus Vá com quem te levar
BEM-ME-QUER(O) De todos os pesares O mais leve é saber
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BEM-ME-QUER(O) De todos os pesares O mais leve é saber Que equilibro soluço e canto Enquanto despenteio flores bem-me-quer, mal-me-quer bem-me-quer, mal-me-quer De todos os panos Torço e contorço os fios Para que escorram em minha pálpebra Encantos de mais uma história bem-me-quer, mal-me-quer bem-me-quer, mal-me-quer Como posso despentear flores Se em minhas palmas Cheia de mapas desertos Eu tenho é dente-de-leão? bem-me-quer, mal-me-quer bem-me-quer, mal-me-quer Se bem me queres Mal consegues saber Que bem lhe peço Ao orixá que tu tanto rogas Que lhe perdoe Por ser mais pedra Do que mar bem-me-quer, mal-me-quer bem-me-quer, mal-me-quer E as minhas pétalas Que caem tanto quanto os teus fios Mordem os endereços de nossos abraços Desertando panos e lençóis de algodão E as pedras são as mesmas Ainda que vento só sopre o nunca e nucas Só se basta o que foi bastante Seguro em minhas aspas e grito: bem-lhe-queira, bem-me-quero bem-me-queira, bem-lhe-quero
SAPATO, VESÍCULA E CAMINHO "Eu não escondo desconforto, mas, algumas pedras, encontram abrigos privilegiados."
Eu quero beber do mingau Que dá da areia Da água
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Eu quero beber do mingau Que dá da areia Da água Do sol e do mar
C(ÉU): SOL É TEU "Trocaria os meus óculos pelos teus ósculos. Minha boca dando eco, um abismo a dentro, hospeda uma saudade em paredes de mucosas rosas - divide a inflamação com o sol que quara as tardes sem ti. Tenho o dom da melhor promessa. Quero misturar as cores de todos os…
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C(ÉU): SOL É TEU "Trocaria os meus óculos pelos teus ósculos. Minha boca dando eco, um abismo a dentro, hospeda uma saudade em paredes de mucosas rosas - divide a inflamação com o sol que quara as tardes sem ti. Tenho o dom da melhor promessa. Quero misturar as cores de todos os céus que já vi. Voarei sem pressa e cantarei com os bem-te-vis".
SALVADOR "O sal tempera a carne negra, fosca, a pele crioula exala algum cheiro. Nada se repele no caminhar ligeiro dessa gente provida. Usam dendê e fazem cor e corais para as luzes que flambam os dias em temperaturas tão mais elevadas que, do alto, enxergam as léguas do amor e…
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SALVADOR "O sal tempera a carne negra, fosca, a pele crioula exala algum cheiro. Nada se repele no caminhar ligeiro dessa gente provida. Usam dendê e fazem cor e corais para as luzes que flambam os dias em temperaturas tão mais elevadas que, do alto, enxergam as léguas do amor egresso. Nesta cidade, meu bem, em cada rua que entro a sombra do vento é que me guia às pupilas de mães, pais e filhos órfãos - cujos sotaques têm o mesmo timbre das marés altas. Aqui, o farol acende o seu riso, me salvaguardando de toda a dor."