LIVRO EM PELE Em frente Ou inversos
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LIVRO EM PELE Em frente Ou inversos Leia Da primeira À última pele Releia-se Da primeira À última Pele Frente Verso
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LIVRO EM PELE Em frente Ou inversos
LIVRO EM PELE Em frente Ou inversos Leia Da primeira À última pele Releia-se Da primeira À última Pele Frente Verso
FUTURO DE ALUGUEL Me diga qual é o preço Para morar no futuro
FUTURO DE ALUGUEL Me diga qual é o preço Para morar no futuro Que é pra ver se eu parto Ou continuo com tudo Me diga quanto quanto é Já faz tempo Eu estou pronto Se custar mais alguns dias Vou nem que seja Pra alugar
KAROKÊ É normal pra você Ter dias
KAROKÊ É normal pra você Ter dias Tão sem nexo Quanto um clipe De karokê
DORES NO VARAL "Desta vez, os degraus são de vento e, na queda boçal, quem me ampara é o tempo. Sem saber o que me dói, fiz o nome dele perpassar por entre os dentes, fazer um deserto em toda falta de saliva. Mesmo macio, disto fiz a minha dor. Ele - todo e próprio - é muita raz…
DORES NO VARAL "Desta vez, os degraus são de vento e, na queda boçal, quem me ampara é o tempo. Sem saber o que me dói, fiz o nome dele perpassar por entre os dentes, fazer um deserto em toda falta de saliva. Mesmo macio, disto fiz a minha dor. Ele - todo e próprio - é muita razão para a alegria que me pendura nos varais mais altos da extensão da vida. Perdoe por culpar o vento - é apenas amor."
BRINCO "Meu bem, não conte pra ninguém: se eu brincar em sua orelha, viro brinco - ou refém".
"Para o sim e para o não: chão..."
FÉ NA CIDADE A felicidade Do meu povo
FÉ NA CIDADE A felicidade Do meu povo Está estampada Em sacolas De sorrisos Biodegradáveis
REZA Peço Que me leia
REZA Peço Que me leia Nalgum momento Antes da ida Pois Para quem não Me ouvia Rezo Poesia Toda Dia
BRECHA Já tem é tempo Que eu sumi das brechas
BRECHA Já tem é tempo Que eu sumi das brechas Se quiser me ver Tem de ser na flama da pele E vir com o coldre Sem flechas Sem pressa Sem volta
A LUTA "Vá em paz, meu velho pai, que Deus lhe espera com a paciência que, os dias de calor, pouco lhe deram. O teu nome - forte, em todos ecos da pronuncia - agora é clamado pelos nossas bocas ressecadas. Os nossos dias prosseguirão nos leitos dos rios que fluem, e rolam frouxo…
A LUTA "Vá em paz, meu velho pai, que Deus lhe espera com a paciência que, os dias de calor, pouco lhe deram. O teu nome - forte, em todos ecos da pronuncia - agora é clamado pelos nossas bocas ressecadas. Os nossos dias prosseguirão nos leitos dos rios que fluem, e rolam frouxos, em cada crivo das tuas rugas. As nossa diária luta marcial já nos prepara aos lutos e relutâncias. Vá, meu pai, que o que é teu vai romper as gerações famigeradas. Nunca hei de me dar ao hiato, pois teu timbre treme todo meu corpo. Respeitável seja a tua ida - que, agora, vem para sempre."
A poesia é o meu selfie.
AS ÂNCORAS VOAM "Passa um navio, na minha avenida, navalhando - em garatujas - todo o piso que se estende. Navega sem levantar poeira, mas se anuncia em buzinadas de timbre marítimo, tão alto que, quem grita, só se ver por lágrimas. Nele, que nunca lhe disse antes, agora embarca…
AS ÂNCORAS VOAM "Passa um navio, na minha avenida, navalhando - em garatujas - todo o piso que se estende. Navega sem levantar poeira, mas se anuncia em buzinadas de timbre marítimo, tão alto que, quem grita, só se ver por lágrimas. Nele, que nunca lhe disse antes, agora embarca o único que sabe bem dos meus segredos. No entanto, se o segredo vai embora, já não há de se existir. As âncoras voam, lá vai o meu peso se partir. E se, desse remorso, ainda houver motricidade, que seja para que o meu navio só naufrague quando chegar ao céu."
CABIDE "Vá ao cabide, pendure a tua espinha dorsal. Entre estar vestido de trapos ou de nobres tecidos - mas cheio de entrelinhas -, fique despido e exibindo, somente para o espelho que não existe, as pobres curvas do hiato remendado."
MÉTODO Meu coração Mandou lhe dizer
MÉTODO Meu coração Mandou lhe dizer Que não se enquadra Nas normas técnicas Dessa tal de ABNT
CRU Nem assim Nem assado
CRU Nem assim Nem assado Eu quero é cru E pronto
ALFA(F)ETO Quem colocou as letras Em ordem
ALFA(F)ETO Quem colocou as letras Em ordem Metodizando a distância do "A" ao "Z" Por favor me ajude Pois pra esse amor Eu não sei mais O que dizer
RAN(CORES) Toda saudade Vira edema
RAN(CORES) Toda saudade Vira edema Em pele De amores Tatuáveis
SONS SEM GAIOLAS Ali, naquele galho retorcido Repousam pássaros
SONS SEM GAIOLAS Ali, naquele galho retorcido Repousam pássaros Em ninhos ornamentados Pequenas flautas com asas Por si, são embelezados Pelo torpor da existência Ali, átrios e ventrículos se contorcem O som tem insônia O eco toca campainhas em hiatos Sem perturbar nenhum átomo E, a melodia mais bonita, foi cantada Com saudade Se conseguir ouvir Diga-me que SIMbemol Um par de asas Um par de orelhas Batem com muita fugacidade Para ouvir a tua voz O teu sorriso é um piano completo Cada tecla me desafina Me retoca o batom Sei que meu pássaro logo passará Esteja isento de ingressos Ingressa-te livremente No paraíso dos meus sons Onde não há serpente Nem maçãs Só há pássaros vermelhos Que passam nos meus lábios E entram em espelhos Espanto os corvos bons Não me deixe em pausas Contorça-me em teus tons
CAIXA DE FÓSFORO Pobre deu que sou de calores Fervor, cama, leito e aconchego
CAIXA DE FÓSFORO Pobre deu que sou de calores Fervor, cama, leito e aconchego Fui me atear nesse mundo de dois vértices Sem saber Que pro meu fogo Gente desse bioma Se esquiva Pobre de quem não é febril Perde a fé e o brio De se inflamar nesses meus braços Sem saber Que nessa caixa de fósforo Nem espirro Eu posso dar
SURRA POÉTICA Levei uma surra poética Que me fez menos osso
SURRA POÉTICA Levei uma surra poética Que me fez menos osso E menos patética Que me pôs a chorar em rimas E soluçar em soluções salinas Que não me fez nobre Nem pobre Apenas apanhei das letras Lapidei a carne com certezas Uma surra surreal Que me fez pingar Até a vela apagar E escurecer tudo Em pleno dia
TRAVESSO "Quero um peito travesseiro, que cheire a capim-limão, em que se possa atravessar o mundo inteiro - ser onde sonho e faço de chão. Desejo que, qualquer planeta que orbite ao redor de mim, deixe o medo para o fim ou até que a lua volte. Subirei em minhas sobrancelhas par…
TRAVESSO "Quero um peito travesseiro, que cheire a capim-limão, em que se possa atravessar o mundo inteiro - ser onde sonho e faço de chão. Desejo que, qualquer planeta que orbite ao redor de mim, deixe o medo para o fim ou até que a lua volte. Subirei em minhas sobrancelhas para ver o meu amor passar naquela rua, até o gosto me vir à boca, e eu sorrir sem respirar. Pois, do ventre donde que saí, hoje há parreiras e vinho etílico. Preu - que sou travesso - já não o meu lugar." Fabrício Hundou
CHEIRO SEM NEXO Quando chove em minha casa Telha exala as horas
CHEIRO SEM NEXO Quando chove em minha casa Telha exala as horas Eu não sei que horas são Em espelhos de janela Ladro ao primeiro vento que vier A chinela emborcada Desde que deitei Testou minha fé Ninguém sabe a oração Se amanhã eu parir só rimas Minhas metáforas Adestradas pela vergonha na cara Virão abraçar as tuas silhuetas E na mesma cena e palco Saberá que o equilíbrio ensaboado Escorregou do meu meu corpo E foi parar no ralo Pelos logradouros que passou Deixou o rastro Não promete retornar. Ai, que cheiro que deixou...!
RE(VOLTA) "Por enquanto, vão encontrar apenas um grande oco, um eco que sai do esôfago sem esforço e charme algum. Eu só volto quando ganhar mais quilos, quando a lua nascer no meu umbigo e os meus cabelos tocarem os mapas nos meus joelhos. Algum calendário quer me abraçar."
ESTAÇÃO Em algum vagão Enrijeço a minha nuca de desdém
ESTAÇÃO Em algum vagão Enrijeço a minha nuca de desdém Não vago em vão e não alugo peito Não penso em mais ninguém Só num pronto-abraço que me espera Na estação mais farta que a primavera Aonde o meu desembarcar Pisa efêmero nos trilhos Em que vou descarrilar O meu breve juízo Outra vez