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Frases de Everton Arieiro

88 frases

Depois da infância Era um tempo distante Aquele sem desconfiança
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Depois da infância Era um tempo distante Aquele sem desconfiança Era num passo confiante Que se firmava a criança. O verbo vem no passado No passado é só lembrança E o olhar fica molhado Se pergunta sobra a esperança. Já são anos os dias O futuro mudou de lugar São mulheres as gurias Amanheceu o que era luar. Inocência que não existe Tempo tornou-se escasso Incoerência de quem desiste E planos que eu mesmo faço. Na terra que já não ando Na rua que já não brinco A vida que está findando O fim que já está vindo. E eu vivo fugindo Driblando a desesperança Encontro a quem vem sorrindo A encontrar-me durante a dança.

A professora que não mordia Lá, numa pequena cidade no Sul do país, num minúsculo bairro, em uma escola miúda,com um pequeno número de professores, com pouquíssimos recursos, uma professora brava, sempre irritada; cansada de seu trabalho, desgastada pela carga que há anos lhe pe…
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A professora que não mordia Lá, numa pequena cidade no Sul do país, num minúsculo bairro, em uma escola miúda,com um pequeno número de professores, com pouquíssimos recursos, uma professora brava, sempre irritada; cansada de seu trabalho, desgastada pela carga que há anos lhe pesa sobre os ombros. Por causa do desgaste ela sempre desconta a sua ira em alguém. Hoje a vítima foi a merendeira. Dona Nilda, como é chamada a professora, queria uma xícara para beber café. Como já se sentia postergada quanto ao horário de ir à sala, proferiu seus impropérios, e, com palavras que não consigo escrever, porque estão todas no aumentativo, maltratou a coitadinha da Dirce. Depois pediu desculpas, disse que estava nervosa. Mas todos sabem que ela o faz rotineiramente. Ela sempre maltrata as pessoas e depois dá uma de vítima. Aí vem e pede desculpas, e age como se nada tivesse acontecido. Hoje ela ultrapassou os limites. Sempre me dói muito observar a forma que ela trata aquele menino lá do outro canto da sala; ela grita muito com ele, de forma agressiva, embora seja muito quieto. Hoje ela perdeu toda a paciência, e, quando eu olhei para o menino, ele estava vermelho, parecia um pimentão, os cabelos arrepiados de tanto ele mesmo puxar. Os gritos da professora Nilda ecoavam por toda a escola, e, a cada grito eu sentia mais medo, imaginava-me no lugar daquele menino, que já tinha dificuldade quanto a assimilação, e com os gritos, tenho certeza que os ecos não o permitem dormir. Na hora eu tremia todo, temia que um daqueles gritos passasse perto de mim, afinal, até agora tenho visto a impaciência da professora, e imagino que, caso eu erre, ela não pensará duas vezes antes de gritar perto dos meus ouvidos. Eu nunca falei com ela, nunca ousei encará-la. Meu medo nunca permitiu. Na hora de ir ao banheiro, sempre espero por um descuido dela, saio de fininho, corro parecendo um fugitivo policial, fico em silêncio pelo corredor para não chamar a atenção de ninguém, infelizmente não tenho um amigo que me dê cobertura enquanto fujo. No retorno, venho em silêncio, espero por um novo descuido, e entro para o meu lugar, como se nada tivesse acontecido. Nessa hora, geralmente ela está de costas. Ainda bem que não usa óculos. Não há riscos de me ver refletido nas lentes. Hoje ela está terrível, e eu, apertado. Os gritos dela não cessam. Em um momento de tensão ela deu um murro na mesa, e xingou alguém. Eu não sei a quem, mas ouvi, ela xingou! Esperei o descuido, não aguentava mais. A necessidade de ir ao banheiro era muito grande. Então, preparei-me para fazer-me um ninja. E ela começou a escrever no quadro. Chegou a hora de agir. Mas ao chegar na porta os braços dela, enormes, me alcançaram, me seguraram na altura dos cotovelos. -Opa!!! Onde o senhor pensa que vai?- Ela perguntou olhando nos meus olhos, eu, pela primeira vez na vida olhei para ela. -Vou ao banheiro. Respondi com voz quase inaudível. -Ao que ela me disse: - Precisa pedir. Não há que ter medo. Dessa vez você vai, mas na próxima vez terá que falar comigo, eu não mordo... Olhei bem, e pensei comigo:- Só falta morder agora; se está difícil aguentar os gritos, imagine uma mordida.

O retrato do mar Vi-te e desejei-te perto; A saudade quis te buscar;
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O retrato do mar Vi-te e desejei-te perto; A saudade quis te buscar; Vi-me e senti o deserto; Lembrei-me de em ti mergulhar. Quis. Quis voltar no tempo; Aos dias de nossa vivência; Quis. Quis sentir o vento; Sofri com a tua ausência. Tu vens? Ou eu vou a ti? À distância aborreço. Há saudade; Tu queres. Queres vir? Tem um começo. Sem vaidade. O vento continua aí; De cá estou eu tristonho; O amor ainda mora aqui; Apesar do lugar enfadonho. Para ver-te há que viajar; A viagem será mesmo assim; Não importa se for pelo ar; Só espero. Não fuja de mim. Eu te vi no retrato guardado; Fui feliz ao te fotografar; O dia que saí eu molhado; O encontro que foi com o mar.

Amizades Procura-se por verdades Fartam-se da mentira
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Amizades Procura-se por verdades Fartam-se da mentira Mantém-se as amizades Verdades trazem ira. Conta-se com alguém Jamais espera desprezo Ao olhar se vê ninguém É difícil sair ileso. Telefones são rotina São convites a jantar Os olhares nas meninas São convites ao luar Mas não gostam da verdade A verdade causa dor Não é toda amizade Comparável ao amor. O amor é companhia Julga-se incondicional Ele não é só alegria Não se veste em social. Ama-se às pessoas Ama-se ao animal As companhias boas Não esperam o natal.

O buquê Aqui, paro a te olhar; Esperei-te por um tempo;
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O buquê Aqui, paro a te olhar; Esperei-te por um tempo; Não te vi desafiar; Entreti-me com o vento. Envolvi-me em estações; Abracei-me ao meu frio; Procurei por emoções; Evitei ir ver o rio. Parecias ter sumido; Teu silêncio evidente; Temos teres morrido; Sufocado a semente. Para as cores me perdi; Percebi-me um daltônico; Entre tantas escolhi; A que é do amor platônico. Para alguns tu és banal; Para outros, apenas flor; Para mim, tu és a tal; A que inspira o amor. Esperar-te se molhar; Para dizeres o porquê; Aí, resolveu desabrochar; Para migrares ao buquê.

Ela é a pessoa que não tem redes sociais; que nunca leu uma postagem que fiz; e nunca vai ler; nem adianta eu dizer nada em segunda pessoa do singular; mas é ela a pessoa que bateu, que brigou, que arrebentou com qualquer situação que me fosse contrária, só porque é a minha mãe,…
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Ela é a pessoa que não tem redes sociais; que nunca leu uma postagem que fiz; e nunca vai ler; nem adianta eu dizer nada em segunda pessoa do singular; mas é ela a pessoa que bateu, que brigou, que arrebentou com qualquer situação que me fosse contrária, só porque é a minha mãe, a pessoa a quem eu amarei sempre.

Dê bom dia às pessoas; segure na mão de alguém; sorria; chute uma bola; brinque de alguma coisa; ande de bicicleta; sinta o vento; ouça a chuva; dê bom dia aos velhinhos que varrem suas calçadas pela manhã; ou àqueles que passam o dia com um radinho na mão, ouvindo a CBN, ou moda…
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Dê bom dia às pessoas; segure na mão de alguém; sorria; chute uma bola; brinque de alguma coisa; ande de bicicleta; sinta o vento; ouça a chuva; dê bom dia aos velhinhos que varrem suas calçadas pela manhã; ou àqueles que passam o dia com um radinho na mão, ouvindo a CBN, ou moda de viola; A vida é pra ser vivida; a felicidade é um direito; lute por teus direitos; seja feliz; faça alguém feliz. Esqueça o nervosismo; ele não resolve nada. Seja racional.

Quem vai pagar? Entre tantos assuntos que são chamados de polêmicos, sempre há algum que se sobressai. No momento um deles tem ganhado destaque, campanhas na internet e muitos comentários que manifestam a revolta dos vivos em favor da vida. Hei de concordar que a vida faz o mel…
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Quem vai pagar? Entre tantos assuntos que são chamados de polêmicos, sempre há algum que se sobressai. No momento um deles tem ganhado destaque, campanhas na internet e muitos comentários que manifestam a revolta dos vivos em favor da vida. Hei de concordar que a vida faz o melhor dos barulhos que há. Que abortar é impedir este barulho, sim, uma vida é impedida por uma outra que não é capaz de dar vida, portanto, não deveria ter o direito de tirar uma. Claro que todos temos pontos de vista, e é necessário respeitar opiniões, levando em conta que não é possível influenciar no pensamento alheio. No meu caso, não vejo necessidade de polemizar sobre o assunto. Afinal, a questão é a vida, e a vida é a razão da sociedade, a vida é o substantivo responsável por todos os tipos de expressões. Mas quando o assunto é criminalização, legalização, é imprescindível que saiamos do lado emocional, que prevê soluções simples e rápidas. Principalmente quando o problema não é nosso. Surgem então algumas perguntas: “Uma mulher que não quer ter um filho há de criá-lo com atenção e amor? Os locais e processos para adoção são avançados a ponto de impedir que uma criança sofra? Uma criança que vem ao mundo contra a vontade materna, corre o risco de trilhar os caminhos da marginalidade? São algumas das questões para as quais a emoção deve sair de cena na hora da resposta. Para estas não se deve levar em conta os milagres históricos já ocorridos, mas deve-se olhar para a sociedade, esta na qual estamos inseridos. Particularmente, defendo que trata-se de um crime contra a vida, de fato. Mas defendo que o crime que uma pessoa comete em si mesma não me prejudica em nada; a consequência é dela, a saúde é dela e se o amor dela não é suficiente para ter a tal criança, a opinião dela deve ser respeitada. Não defendo a legalização. Porque existem prioridades para o Sistema Único de Saúde, o SUS, que não atende à demanda dos que comparecem às unidades à meia-noite, queimando em febre, e não há medicamentos e nem um atendimento compatível com os impostos que pagamos. Quem quiser fazer um aborto, que pague por isso, afinal, conceber e algo opcional, diferente de uma simples gripe, para não citar as doenças graves para as quais nem se consegue um atendimento. Não apoio a criminalização. Mas presumo que uma pessoa que pensa em abortar o faz em desespero, na surpresa de saber que poderá ter uma vida para a qual não há estrutura familiar, psicológica, e ou financeira para educar, criar e formar um cidadão. A consequência já está na pessoa, essa que pode ser física e psicológica, portanto, eu que estou no meu aconchego olhando para os filhos que sempre quis ter, não devo pensar que a realidade das outras pessoas é igual a minha. Tudo que recebe atenção e cuidados, floresce. O bom filho, um bom cidadão, tendenciosamente, será aquele que for bem criado. Para que isto ocorra, sua concepção deve ser espontânea, com a máxima satisfação por parte de quem o carrega. O feto é uma vítima. A criança que vive sem receber o afeto, a educação, a atenção familiar, é tão vítima quanto à outra. Assim, defendo a vida, a vida que floresce. Quem quiser abortar, não será por mim criminalizado, porém, não me sinto na obrigação de patrocinar o ato. Prefiro que cuidem do prioritário. A prioridade é pensar antes de conceber

Para refletir. Conta-se de um homem, muito bom, capaz de surpreender, muito trabalhador, e capaz de dar à sua família, sempre os melhores presentes. Diziam que sua esposa era uma sortuda, uma pessoa que não tinha do que reclamar, afinal, vestia-se sempre bem, e nada lhe faltava…
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Para refletir. Conta-se de um homem, muito bom, capaz de surpreender, muito trabalhador, e capaz de dar à sua família, sempre os melhores presentes. Diziam que sua esposa era uma sortuda, uma pessoa que não tinha do que reclamar, afinal, vestia-se sempre bem, e nada lhe faltava. Um dia, às vésperas de seu aniversário ela confidenciou que uma amiga havia recebido de presente, um buquê de flores, de cores muito bonitas. Ele disse que a surpreenderia dando-lhe o cartão de crédito para que ela comprasse roupas, sandálias e bolsas, afinal, mulher gosta dessas coisas, e isto é muito melhor do que flores. Outra ocasião, ela repetiu a história da amiga, e ele repetiu surpreendê-la, dando-lhe um carro de presente. Agora, ele não precisava ir com ela aos lugares que lhe fossem cansativos, e ela podia demorar o tempo que fosse quando estivesse no salão, ou em qualquer lugar. Mas chegou uma ocasião em que ele estava pensando nela, depois do carro, quase nem se viam, cada um ia para um lado, um carro chegava em casa, e o outro saía. Nesse dia, ele não sabia o que fazer ou dar de presente, até que encontrou um amigo muito próximo, de muita confiança. O amigo se ofereceu para lhe fazer companhia até o cemitério, para visitar o túmulo daquela mulher, e, finalmente dar a ela o que ela sempre quis: flores. É uma pena que ele esperou não tê-la para dar-lhe o que mais queria.

Cuida do coração Sorria. Sorria, menina Esperançosa no amor
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Cuida do coração Sorria. Sorria, menina Esperançosa no amor Brilha. Fixa a retina Espera ganhar flor . Sozinha, pensa no porquê O porquê de amar assim. Pensativa, ganha o buquê Está propensa dizer sim. O sim dito à paixão Não há tempo para pensar Se domina o coração Diz que é tempo de amar. O amor não tem medida Ele não conta a idade Só quer viver a vida Quer fugir da vaidade. Vaidade é algo que passa Não se diz isso do amor Às roupas vêm as traças E assim é o desamor. Ao fim não se espera Ninguém quer decepção Vale muito quem esmera E cuida do coração.

Eu olho aos cantos, mentalizo meus muitos livros, escritos ao longo dos anos. Em alguns, visualizo as imagens de uma figura derrubada, os tropeços em pedras, das mais diversas, em pés de outros, e às vezes nas próprias pernas. Penso que algumas páginas poderiam ser arrancadas, j…
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Eu olho aos cantos, mentalizo meus muitos livros, escritos ao longo dos anos. Em alguns, visualizo as imagens de uma figura derrubada, os tropeços em pedras, das mais diversas, em pés de outros, e às vezes nas próprias pernas. Penso que algumas páginas poderiam ser arrancadas, jogadas em algum lugar que ninguém fosse ver, principalmente as que contam dos tombos, das vergonhas, ou qualquer situação que valha como vexatória. Mas ao ler a página seguinte, a figura que estava ilustrada caída, está se levantando; descubro que se arrancar a página que tem o tombo, terei que apagar também a página seguinte. O livro não é uma página, é uma história, cuja alegria de se levantar só existe pelo fato de se ter sentido a dor da frustração e dos tombos. Todas as páginas valem de alguma forma, as particularidades são suas marcas, um dia feliz, outro não tão feliz assim, um dia pra se lembrar, outro pra esquecer. O livro vai indo, virando páginas, algumas apenas com desenhos, outras cheias de poesias, outras demagogas, outras irônicas, sem contar aquelas cheias de contradições; mas todas reunidas, pra que a vida seja acrescida de aprendizagem. Mentalizo meu livro, minha coleção, que insisto em escrever, rir de mim e dos outros, das coisas que lembro e das que esqueci, dos conhecidos e dos que nem vi, o melhor livro é o que eu escrevo de mim.