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Frases de Evan do carmo

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⁠O Eterno Crepúsculo Caminha o homem, sem rumo, sem lares, Sob um céu de cinzas, em tons sepulcrais.
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⁠O Eterno Crepúsculo Caminha o homem, sem rumo, sem lares, Sob um céu de cinzas, em tons sepulcrais. O vento murmura segredos dos ares, Levando memórias, levando sinais. As cidades jazem, ruínas vazias, O tempo as consome, num último ardor. Os nomes se apagam, virando poesias, Sussurros dispersos, sem fé, sem fulgor. A vida, um eco que morre ao ser dita, Um breve estilhaço em meio ao vão. O homem conhece a dor infinita De ser luz fugaz na imensidão. Sem pressa caminha, pois nada perdura, Nem o tempo, nem a razão. E no efêmero, a beleza mais pura, O peso da morte, a redenção. Ergue-se o sol, um astro em cansaço, Suspenso no abismo do tempo sem fim. O homem sorri, num último instante, E some no vento, num verso ruim.

Contrato metafísico ⁠Em um dia de cansaço, o que quer um homem?
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Contrato metafísico ⁠Em um dia de cansaço, o que quer um homem? O fim da labuta, dessa inglória luta contra o absurdo. Quando percebe que o fim está próximo, não raro, todo homem compreende que não é mais hora de disputa. A vida, essa peça curta que engendramos com fios de esperança vã... Se desgasta. Como uma roupa usada, a alma se sente em farrapos e, como um velho trapo, desistimos de tudo, rasgamos o contrato que fizemos com a metafísica.

⁠Queira eu falar ao ouvido do mundo, Poeta rouco, que sabe pouco dessa função. Mas, agindo com bravura, fingindo loucura,
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⁠Queira eu falar ao ouvido do mundo, Poeta rouco, que sabe pouco dessa função. Mas, agindo com bravura, fingindo loucura, Alcança, sem rima, a erudição. Poeta nasce por acaso, Entre um suspiro e outro do caos... O absurdo me atrai; diante do abismo, Acelero o passo. O rito sacrossanto Repete o mantra da má sorte, Que suplanta qualquer dúvida da esperança, Que pergunta ao homem sobre a eternidade

⁠Em busca de sentido Se você deseja, eu também quero, O mesmo que te faz bem.
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⁠Em busca de sentido Se você deseja, eu também quero, O mesmo que te faz bem. Você e eu, juntos em qualquer canto, No céu, na terra, no rio ou no mar. Vamos nós buscar sentido, Dormir abraçados, olhando as estrelas. Tudo parece bom— A música, o vinho, o tom da voz, Nosso paraíso perdido. Um lampejo de eternidade Ilumina o mundo Quando estamos sós.

⁠O Lamento Incrédulo Choro de pedra, de pó e de abismo, lágrima seca na face do tempo,
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⁠O Lamento Incrédulo Choro de pedra, de pó e de abismo, lágrima seca na face do tempo, um grito que rasga o véu do infinito, mas Deus se esconde no entendimento. As dores dos mortos pesam na carne, vozes antigas sufocam o sono, nas ruas, exércitos marcham sem glória, resta-me o nada, o pó do abandono. Abraço que afaga e logo desfaz-se, esperança em cinzas, fé em ruína, o beijo da culpa que arde na pele, o pecado sem nome que nunca termina. E se Deus não houver? Se tudo for sonho? Se a dor for em vão, se o mundo for frio? Sou sombra sem dono, sou noite sem astro, cometa perdido no próprio vazio. Por Evan do Carmo

⁠O Artista e o Abismo Se afasto a mão do ofício, treme a lâmina do tempo.
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⁠O Artista e o Abismo Se afasto a mão do ofício, treme a lâmina do tempo. As cores desbotam nos olhos, as notas desafinam no vento. ] É no vício do traço e da pena que a ruína ainda se sustenta. Se largo o verbo, me perco, se calo o canto, me ausento. E o mundo? Ah, o mundo... segue órfão de beleza, tropeçando no silêncio sob a sombra da tristeza. Quem se aparta do fogo, gela na sombra do nada. Quem solta o pincel ou a lira, caminha sem luz, sem estrada. Não me peçam que pare, não me exijam o exílio. Minha arte é meu fôlego, meu abismo e meu alívio.

⁠O Lamento Incrédulo Choro de pedra, de pó e de abismo, lágrima seca na face do tempo,
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⁠O Lamento Incrédulo Choro de pedra, de pó e de abismo, lágrima seca na face do tempo, um grito que rasga o véu do infinito, mas Deus se esconde no entendimento. As dores dos mortos pesam na carne, vozes antigas sufocam o sono, nas ruas, exércitos marcham sem glória, resta-me o nada, o pó do abandono. Abraço que afaga e logo desfaz-se, esperança em cinzas, fé em ruína, o beijo da culpa que arde na pele, o pecado sem nome que nunca termina. E se Deus não houver? Se tudo for sonho? Se a dor for em vão, se o mundo for frio? Sou sombra sem dono, sou noite sem astro, cometa perdido no próprio vazio. Análise do Poema "O Lamento Incrédulo" O poema "O Lamento Incrédulo" carrega um forte teor existencialista e metafísico, abordando temas como dor, perda, vazio e a incerteza da presença divina. A construção poética evoca um estado de desencanto e angústia profunda diante da vida e do mundo, reforçando uma visão quase niilista da existência. ________________________________________ 1. Estrutura e Musicalidade O poema é composto por quatro estrofes de quatro versos cada (quartetos), mantendo um ritmo melancólico e uma sonoridade densa, impulsionada pelo uso de aliterações e imagens marcantes. O tom lírico é marcado por versos cadenciados que transmitem a sensação de peso e desamparo. ________________________________________ 2. Imagens e Simbolismo O poeta constrói uma atmosfera sombria e desoladora por meio de metáforas e símbolos poderosos: • "Choro de pedra, de pó e de abismo" → A pedra remete à rigidez e à impossibilidade de suavidade ou redenção. O pó sugere efemeridade e esquecimento, enquanto o abismo denota a ausência de sentido, um vazio infinito. • "Um grito que rasga o véu do infinito" → Expressa um desejo de transcendência ou uma tentativa de romper as barreiras do desconhecido, mas sem resposta ou alívio. • "Mas Deus se esconde no entendimento" → Aqui há uma crítica implícita à inatingibilidade de Deus. Se Ele existe, está oculto na complexidade intelectual, inacessível ao sofrimento humano. Na segunda estrofe, há um aprofundamento do tema da dor coletiva e da ruína: • "As dores dos mortos pesam na carne" → Uma imagem que reforça a conexão entre passado e presente, como se os sofrimentos das gerações anteriores ainda deixassem marcas vivas. • "Vozes antigas sufocam o sono" → Evoca memórias ou culpas ancestrais que impedem o descanso e a paz. • "Nas ruas, exércitos marcham sem glória" → Um retrato de guerras ou lutas sem sentido, esvaziadas de heroísmo ou propósito. • "Resta-me o nada, o pó do abandono" → A solidão e o desamparo culminam na ideia de que, no fim, sobra apenas o vazio. A terceira estrofe intensifica o desencanto e a perda da fé: • "Esperança em cinzas, fé em ruína" → A imagem de destruição reforça a ideia de que não há mais crença na redenção, tudo foi consumido pelo tempo ou pela decepção. • "O beijo da culpa que arde na pele" → A culpa é tangível, quase física, como uma queimadura. • "O pecado sem nome que nunca termina" → Há um pecado indefinido, eterno, que não permite absolvição ou alívio, remetendo a um sofrimento sem causa clara. A última estrofe questiona o sentido da existência e toca no cerne da dúvida filosófica: • "E se Deus não houver? Se tudo for sonho?" → O questionamento central da poesia. A possibilidade de que Deus seja uma ilusão ou que a própria realidade não passe de um delírio. • "Se a dor for em vão, se o mundo for frio?" → A dúvida sobre a existência de um propósito. Se não houver sentido para o sofrimento, o que resta? • "Sou sombra sem dono, sou noite sem astro, cometa perdido no próprio vazio." → O eu lírico se define como uma entidade errante, sem destino, sem luz, condenado a vagar sem propósito no vácuo da existência. ________________________________________ 3. Influências e Temáticas Filosóficas O poema dialoga com o existencialismo e o niilismo de pensadores como Nietzsche, Sartre e Camus. A ausência de Deus, a sensação de abandono e o questionamento sobre o sentido da vida são temas recorrentes na poesia moderna e na filosofia do absurdo. A angústia do eu lírico diante do possível vazio existencial lembra a ideia de Sartre de que "estamos condenados à liberdade" e de Camus em O Mito de Sísifo, onde a vida é um ciclo de esforço sem recompensa. O último verso reforça essa ideia ao comparar-se a um cometa perdido, que segue sua trajetória sem um destino ou objetivo definido. ________________________________________ 4. Conclusão "O Lamento Incrédulo" é uma poesia forte e impactante, que mergulha nas profundezas da dor existencial e da incerteza metafísica. Seu tom melancólico, aliado às imagens densas e simbólicas, reforça um sentimento de desamparo e inquietação filosófica. O poema se destaca por sua construção imagética e pela maneira como conduz o leitor a refletir sobre a fragilidade da fé e a possibilidade do vazio absoluto. A dúvida sobre Deus, o sofrimento e a falta de sentido permeiam toda a estrutura poética, transformando-a em uma reflexão poderosa sobre a condição humana.

FARDO ⁠Deixe eu lhe dar só um pouquinho do meu prazer. Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra você...
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FARDO ⁠Deixe eu lhe dar só um pouquinho do meu prazer. Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra você... Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra você. Diz o poeta, com razão: Que amor demais dá combustão. Acende o fogo da paixão, Mas toda chama, um dia, apaga. E todo amor, meu bem, um dia acaba... Deixe eu lhe dar só um pouquinho do meu prazer.

⁠O Alter Ego e o Labirinto Na literatura, o alter ego do autor raramente é um só. Ele se desdobra, se infiltra em múltiplos personagens, e por vezes se oculta no que não é dito, no que se evita.
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⁠O Alter Ego e o Labirinto Na literatura, o alter ego do autor raramente é um só. Ele se desdobra, se infiltra em múltiplos personagens, e por vezes se oculta no que não é dito, no que se evita. Em Labirinto Emocional, meu primeiro romance, publicado em 2005, meu alter ego se dividiu em dois homens: Valter e Paulo. Valter é jornalista, alcoólatra, devastado por uma perda que o tempo não cura — um filho perdido na Europa, tragado pelos rastros da guerra. Ele carrega o peso da memória e do fracasso, mas também da lucidez crua de quem já viu o mundo pelo avesso. É um homem que já foi centro, mas hoje gira em torno de um vazio. Paulo é músico da noite, filho da boemia carioca. Conhece Valter em Copacabana, num tempo em que os bares tinham alma e a amizade era vício raro. Paulo vê em Valter um espelho trincado — e, talvez por isso, não foge dele. Eles criam uma amizade intensa, marcada por silêncios, desconfianças e lealdades tortas. Enquanto Valter afunda nas suas crises, entre surtos e lapsos, Paulo se aproxima de Rute, a filha única de Valter — a mais bela, a mais viva — e casa-se com ela. Não há escândalo. Há destino. Paulo se torna o cuidador de Valter, quase um herdeiro não nomeado. É ele quem permanece quando o mundo se vai. Talvez o alter ego não esteja só em Valter. Nem só em Paulo. Está no abismo entre os dois. Na fronteira tênue entre decadência e continuidade. Na pergunta silenciosa: quem somos quando os outros começam a cuidar do que um dia foi nosso? Labirinto Emocional é isso. Não é apenas um romance sobre amizade, amor, decadência e lucidez. É um romance sobre o artista diante do espelho: partido entre o que viveu e o que ainda insiste em escrever.

⁠Eu sou burro, dizem. Não aprendi a ser hipócrita. Não sei sorrir com o fígado doendo,
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⁠Eu sou burro, dizem. Não aprendi a ser hipócrita. Não sei sorrir com o fígado doendo, nem elogiar quem me envergonha. Nasci torto pra esse mundo liso, onde a esperteza é se calar, e a virtude é caber na média. Não sei me vender. Não sei bajular. Não sei. Só sei ser inteiro. E isso, hoje, é burrice. Vejo os que vencem — sabem o tom, a pose, o disfarce. Sabem dizer sim sem concordar. Sabem pedir desculpas sem culpa, elogiar sem respeito, defender sem acreditar. Eu não. Eu sangro na frente de todos, falo o que penso, perco amigos, perco oportunidades, perco o conforto. Mas durmo. Durmo sabendo quem sou. E isso, talvez, seja o que ainda me mantém vivo — mesmo fora do rebanho.

⁠Eu sou burro, dizem. Não sei me posicionar, não sei me calar na hora certa, não aprendi a jogar o jogo. Nunca entendi o valor de um elogio falso, nem a importância de um aperto de mão estratégico. Não sei fingir respeito, não sei sorrir com o fígado amargo. Nunca aprendi a ser h…
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⁠Eu sou burro, dizem. Não sei me posicionar, não sei me calar na hora certa, não aprendi a jogar o jogo. Nunca entendi o valor de um elogio falso, nem a importância de um aperto de mão estratégico. Não sei fingir respeito, não sei sorrir com o fígado amargo. Nunca aprendi a ser hipócrita — e isso me custa. Enquanto outros sobem, eu permaneço. Enquanto fazem alianças por interesse, eu perco oportunidades por lealdade. Enquanto moldam a voz ao que o outro quer ouvir, eu falo o que penso, mesmo que doa, mesmo que afaste. Eu não me adaptei. Não consegui. Há quem chame isso de orgulho, de teimosia, de burrice mesmo. Eu só sei que não consigo ser outro pra agradar. Só sei ser eu — e isso, hoje, é visto como falha. Não é que eu goste da solidão. Nem que me orgulhe da minha margem. É que a conta que me pedem pra pagar pra caber no mundo — ela custa minha alma. E isso, não. Prefiro perder, prefiro errar, prefiro andar só. Mas durmo. Durmo sem vergonha. Durmo em paz com o homem que carrego dentro. E isso, talvez, ainda seja o que me salva de virar o que todos esperam.

⁠Nada me inspira mais do que a raiva. Não essa raiva histérica, superficial, que grita sem saber por quê. Falo da raiva que nasce do abuso, da injustiça cotidiana, do silêncio imposto aos que ainda têm alma. A raiva que surge quando vejo gente boa sendo engolida por um sistema qu…
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⁠Nada me inspira mais do que a raiva. Não essa raiva histérica, superficial, que grita sem saber por quê. Falo da raiva que nasce do abuso, da injustiça cotidiana, do silêncio imposto aos que ainda têm alma. A raiva que surge quando vejo gente boa sendo engolida por um sistema que premia a mentira, que endeusa o disfarce, que trata a hipocrisia como virtude social. A indignação me dá vida. Me acorda. Me empurra pra escrita. Não sou movido a paz interior, nem a frases de autoajuda. O que me move é o desconforto. O que me guia é a vergonha de ver o mundo como está e fingir que está tudo bem. Eu não me adapto, não consigo. E não quero. Escrever, pra mim, não é florescer: é rasgar. É reagir. É cuspir de volta o que me enfiaram goela abaixo. Minha arte não é gentil — é necessária. É a forma que encontrei de não enlouquecer. Porque se eu me calar, se eu aceitar, se eu sorrir junto, aí sim estarei perdido. A raiva me lembra que estou vivo. A indignação me prova que ainda sinto. E enquanto isso durar, ninguém vai me domesticar.

⁠Jadeilson Meu irmão não é especial. Não tem nenhuma virtude fora do comum.
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⁠Jadeilson Meu irmão não é especial. Não tem nenhuma virtude fora do comum. Não brilha nas rodas, não encanta multidões, não coleciona diplomas. Mas é um homem. E isso, hoje, já é raro. Homem no gesto firme, no que acredita, no que não negocia. Rude, às vezes seco. Mas nunca falso. Nunca curvado ao que dizem ou ao que esperam dele. Ama suas escolhas, como quem sabe o peso que é carregar a própria vida sem fazer dela espetáculo. Eu, mais novo, olho pra ele com admiração quieta. Não por heroísmo, mas por coerência. Por resistir, mesmo no erro, com a dignidade dos que não fingem. Jadeilson não precisa saber que escrevo isso. Ele não liga pra palavras bonitas. Mas o que sinto por ele é mais velho que a palavra. É afeto de sangue. É respeito de silêncio. É amor — sem precisar dizer.