Mode que será?
Mode que será
que nunca me canso do cê?
Será que é amo
ou apenas vontade de viver?
Quanto mais tamo junto
Mais eu quero ocê.
É, memo teno medo
Acho que é vontade de viver!
Má o sor se levanta
Antes memo de manhacê
Já ta esse diacho desse medo
Quereno me corrompe.
-Mais hora essa, deixe de bestagem!!
É o que sempre me diz ocê
-Não se apoquente, pois desse má
Também sei sofre!
Num sei mode que será
Só sei que esse amo
Nunca há de se cabá.
Enide Santos 11/12/15
Remendo de capim
Agora à noitinha
Tava já escureceno
Quando de longe vi no cer
O que parecia um remendo
Tinha pontos no cer
Memo pareceno que de argodão
Través das nuvens percebi
Tinha uma muié cosendo
Seu cabelo era arvo
Pele rosada face serena
Com jeitim alinhavava
Aperfeiçoando o remendo
Quando manheceu
Pensei que tava sonhano
Mas admirave foi a cena
Do cer caiu em mim
Foias de capim
E flores de açucena.
Enide Santos 11/12/15
Deitada a beira da pedra gelada
A beira da pedra gelada, deitada
Vestida apenas de anágua
Olhos acesos, como lamparinas
Velando a dor que a aniquila
Encolhendo-se em seu centro
Precisando da saudade
Dor na pele já não há mais
Só a alma que aos poucos se desfaz
Deitada a beira da pedra gelada
Do corpo já esquiva o calor
Em repouso o mundo deixou
Distanciando de si definhou.
Enide Santos 04/12/15
Frio e escuro
.
Não percebo nada mais que o frio e o escuro,
Não me é possível emergir sem você.
Não entendo as (des) necessidades da vida.
Vejo-as infiltrando-se com gana do extermínio
Todas as razões para alegria,
Não serão o bastante se não o tenho.
E esta é a primeira dentre todas a se ir.
O sorriso faz descaso de qualquer motivo.
Quanto à vontade, esta é perseguida acuada, abatida.
O frio do escuro, o escuro do frio, são propícios ao momento
Só há uma espécie de gloria no fétido horror que permuta cada hora.
Nada é mais belo e prazeroso que o saber
Que não sou se não tenho você.
Enide Santos 09/04/16
(in)consciente para sempre.
Acordo, e não mais está comigo.
Então, tenho que controlar as minhas mãos
Conscientiza-las de que não temos mais você.
Preciso fazer com que meu corpo não lhe procure
É necessário que minha boca te esqueça
E que meus olhos apaguem de vez qualquer traço de sua imagem.
Não sei como ensinar meu coração a pulsar de outra forma
Sem fazer repercutir o seu nome
Não sei como me vestir de um outro corpo
Porque este não suporta a dor que vaza de minh’alma.
Enide Santos 03/04/16
Gosto da dor que sinto quando te vejo
do ardor que flama-me até o interior da alma.
Gosto do despeito que faço à amargura
da violência que condiciono à solidão.
Gosto do deslumbramento que exita as minhas retinas sempre que te vejo, sempre que te sinto, sempre que te amo.
Enide Santos 06/04/16
Tipo Assim... Intolerância
Letal é para ti a tua intolerância
que te usando aperfeiçoa-se
adquirindo total comando sob a tua inescrupulosa vontade
de estar alheio a tudo que não seja você mesmo.
És uma reles versão inacabada
Do que poderia ser transformar
Caso ousasse reconhecer o sentido do respeito.
Tipo Pensamento... Enide Santos 11/02/16
Intencional sentir
Intencional sentir, então, embriago-me de ti
Ah, o meu amor bem sabe
Quão permanente e silenciosa es a tua ausência!
E mesmo quando tudo está machucado
Curvo-me diante desta paixão
Buscando colher promessas que jamais farias a mim.
Degolo cada nova percepção que tenta interferir
Nas escolhas que crio para nós.
Digo não ao sádico desejo da desistência
E como uma mãe injeta na veia do filho a cura
Eu lanço-me diante da fornalha torpe que guia a vida
Para não deixar que partas de mim.
Me ame, e eu ainda o amarei mais.
Enide Santos 11/02/16
Nada sou
A maior dor que já senti
Não veio do horrendo
Emergiu ferozmente
Da profundidade da beleza.
Mostrando-me quão
Ordinária e ínfima sou
Pensava que me bastava
Julgava que a tudo alcançava.
Pobre de mim!
Vagando apenas por meus olhares
Que incapazes são
De me manter certa
Da minha própria condição.
Foi ao falhar a minha voz
E ao nublar do meu sentido
Que reparei.
Ah, meu Deus!
Eu não sou nada
Sem estar contigo.
Enide Santos 08/02/16
Seu meu afeto
Que importa se seu afeto se me deu.
Impregnado de eternidade repousa.
Presenteando-me com branduras
Pondo-me cores ao semblante
Seu afeto quis vir a mim
Nuzinho dos pés à cabeça
Cintilando o rosto, o riso e os olhos
Atando-se aos meus sentidos
Atirou sê-me pleno e feliz
Seu, Depois... Meu
Ai! Manuseia-me a alma
Dando-me gozos sublimes.
Ainda quando finjo que eu te fujo
Mira-me toda
Soluçando beija-me
A face
O colo
E dorme em minh’alma.
Enide Santos 24/01/16
Névoas e dores
A névoa que vincula-me ao meu passado
Veste os olhos de minha poesia.
Sem deixar que se rompa o velcro
Impedindo-me de banhar-me em palavras.
E amante da dor que nunca passou
Fisga meus alicerces, incomodando-me
Aprisionando as vozes de minha infância
Retardando o meu acontecer.
Névoas e dores tapam os olhos
Da minha força de vontade
Ilhando-as do lado de fora de mim.
É nascido comigo
O poder infindo de um suspiro
Capaz de me desanoitecer.
Enide Santos 24/01/16
Vontade
O chão de nossos caminhos
É feito de sonhos dos nossos sonhos.
Não há estrada alguma,
Não há portas e nem janelas
Nenhuma paisagem há
Sem a vontade.
É ela quem comanda nosso destino do início ao fim.
A vontade não é apenas a semente
Ela também é a terra o fertilizante
A aurora com chuva que que faz iniciar o destino.
Enide Santos 20/01/15
Redação (O confronto)
Inicio estes meus relatos baseando-me nos acontecimentos que se seguem.
Após inúmeras tentativas de escrever uma redação satisfatória aos meus conceitos. Conceitos estes que não são muito bem resolvidos diga-se de passagem.
Trata-se da persistência do tal trauma de escrever redação.
Bom pensando bem o que me resta fazer? Dar-me por vencida ou dispor de minhas armas? Como tenho a meu favor a inteligência que o talzinho do trauma não tem, vamos a isso. Aqui já se vão mais ou menos umas seis linhas preenchidas descaradamente nas fuças deste sabichão.
Quem diria! Eu pegando briga com este tal de: DESAGRADÁVEL EXPERIÊNCIA EMOCIONAL DE TAL INTENSIDADE QUE DEIXA MARCAS DURADOURAS NA MENTE DO INDIVÍDUO.
Me apoderando deste pânico em escrever elevo-me ao meu extremo e em cada tentativa não bem sucedida o talzinho cresce mais. Os pensamentos cobram dos pensamentos melhores pensamentos. Pensamentos que jugam pensamentos que os condenam e também os pune. Sem nenhum tipo de defesa, são dilacerados e por fim exterminados. O que me resta fazer, desistir, deixar que a insegurança me bloquei para sempre? Permitir que meus anseios sejam manipulados pelo eco da derrota? Não, não comigo!!!
Então cá estamos eu e infinitas linhas em branco desejosas de minhas (ins) pirações.
Vou alimenta-las e a cada uma, seu quinhão. Preenche-las ainda que de tenras asneiras, vou conceber cada juízo e é valendo-me desta dificuldade, uso-a para dela me afastar, pois esta é a forma que arranjei de invadir e deforma-la. Sigo manipulando o meu raciocínio vou desbravando como um barco que segue à deriva e mesmo assim mantém-se bailado sobre o mar. Mantendo-se o mais tempo possível sem naufragar.
Sigo dando cores e formas usando o pó da razão para a partir daqui iniciar a minha redação.
Enide Santos. 09/01/15
1. TOTAL
Bebeu
Soluços
Gole por gole
Ingeriu
Palavras
Letra por letra
Inalou
Horas
Tic e Tac
Tragou
Sons
Alfa e Ómega
Solveu
A vida
Yin-Yang
Só o futuro
Devolveu.
Enide Santos 23/12/15
Pobre de mim!
Andas a fazer sol em meu corpo
E de penitencia ainda me pedes
Que te aqueças.
Pobre de mim!
Que sou apenas a eternidade
Dos sentimentos que reservo para ti.
Andas a fazer luz em minha vida
E de castigo ainda anseias
Que me revele para ti.
Pobre de mim!
Que sou apenas o reflexo
Que emana de ti.
Andas a fazer-me
Instantes
Durantes
Importantes
Semelhantes a ti.
Pobre de mim,
que já não mim...
Significo sem ti!
Enide Santos 07/01/15
Só (lamento)
Naveguei
naveguei
não conheci o mar.
olhei
olhei
não consegui enxergar
flutuei
flutuei
não consegui voar
odiei
odiei
não consegui amar
lamentei
reclamei
nenhuma coisa deste mundo
parece conseguir me alcançar.
Enide Santos 18.07.16
Hoje escrevi um sonho
hoje eu escrevi um sonho, não um sonho qualquer. Escrevi o meu sonho, idealizado por minha mente sã para minha mente insana, um daqueles sonhos que deve existir para sempre independente de ser ou não realizado, ele sempre existirá, estará sempre se modificando para que possa permanecer existindo.
Hoje eu escrevi um sonho, onde eu nem me conhecia, onde lá fora estava sempre me aguardando, invejando tudo em torno de mim. Tudo que não vejo, não percebo e mesmo assim está ali. É como um cenário montado especialmente para compor algo não observado.
Hoje eu escrevi um sonho, não foi um sonho exclusivo para mim, nem para ninguém, foi apenas um sonho para o sonho, nada além disso.
Então alguém me pergunta, que importância isso tem?
e eu saciada de minha vontade digo.
Não sei.
Enide Santos 17.07.16