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Frases de Enide Santos

342 frases

Moça bonita Ah, moça bonita! Quando tu ainda
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Moça bonita Ah, moça bonita! Quando tu ainda Florescias em minha sina Lambuzava-me de tanto te olhar. Ah, garota linda, Que sorrisos sabes dar! Eu não os pego Pois não os sei aprisionar. Mas às lembranças me entrego Destes teus sorrisos ternos Que aos poucos me tira o ar. Ah, moça bonita! Tua formosura me excita Teu traquejo me irrita E de cócoras faz-me ficar. Jovem donzela Rouba de mim grande parcela Compreendes ser a bela Não se inibi em tripudiar Rapariga volátil e exibida Que a mim apenas incita Saboreando atormentar. Pequena senhorita Linda e febril Ama saber Que a ela sou servil. Enide Santos 27/05/15

Ser poeta é... Ser poeta é notar A intensidade da dor
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Ser poeta é... Ser poeta é notar A intensidade da dor E com versos reclamar Que lhe apoie, oh, amor! Nas noites de insônia Bordar no papel Pedaços de infância Que amenize o fel Com amor e doçura O poeta sana a dor Revigora a escritura Dá sentido a seu labor. Ser poeta é cantar A música do coração Cada nota entoar Moldando uma canção. Ser poeta é doar Todo tipo de emoção Para de a vida resgatar O propósito a razão. Enide Santos 14/05/2015

Desencrava (dor) Duas únicas letras Que muito querem dizer
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Desencrava (dor) Duas únicas letras Que muito querem dizer São expressões de dor Que alivio tenta trazer Não existe outro dito Que consiga apaziguar Este momento insano De profundo mal-estar Ai, este desejo de sanar! Reza, prece, petição Só a raiz do sofrimento Justifica a intenção. Símbolo de dor Grito de pavor É o som do fim Ai, aiai de mim. Enide Santos 05/05/15

São Paulo, 07 de setembro de 2015. Epístola-22 Fragmentos de mim
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São Paulo, 07 de setembro de 2015. Epístola-22 Fragmentos de mim Estava chovendo... Naturalmente te acompanhei até o carro, nos despedimos e eu voltei para casa, entrei no nosso quarto, deitei-me em nossa cama que ainda estava quente do nosso amor. Deitei-me no seu lado da cama agarrei-me em seus travesseiros e chorei. Chorei muito, como se minha alma estivesse sendo arrancada do meu corpo a ferro e fogo, mas que, não apenas eu sentindo, também vendo e também executando. Chorei por um bom tempo sem saber ao certo porque chorava, sei que me sentia magoada, furiosa, sentindo principalmente muito medo. Amofinei as lágrimas que havia em minha face, instintivamente já proibindo que outras se atrevessem a surgir. Então cacei aquele ar! Aquele que só usamos quando a vida parece que vai nos deixar, aquele que é pouquinho, pequenininho, mas que tem o poder de afastar o fim. Não sei como lidar com algumas destas “novas” descobertas, sinto-me definitivamente perdida, despida de astucia. Embora pareça ridículo, mas no fundo, bem lá no fundo sinto-me honrada e muito aliviada. Eu sabia que tinha um preço para ficar com você, sabia que a qualquer momento ele se manifestaria, pois sempre que pensava nisso, já tentava me prevenir de que nada seria problema para o tamanho do meu sentimento por você, imaginava que seria capaz de compreender tudo, de superar tudo para não ter que viver longe de você. Não sei o que faço com todas estas informações, apenas sei que as que me fizeram chorar são menos importantes que as que e me elevaram como mulher, como ser humano e não estão sendo vividas como se deveriam. Percebi que estou em sua vida, e isso me deixa extremante feliz, porque quando se ama alguém subitamente é na vida dela que queremos estar. Á magoa, a fúria e o medo surgem, emanam de saber que não apenas eu preciso e quero você, mas que há um dissimulado combate que eu não vou perder, porque nunca fui muito de lutar por nada pra mim, mas não quero e não vou abrir mão de você. Esta decisão é irrevogável. Enide Santos 07/09/2014

São Paulo, 01 de setembro de 2015. Epístola 21 Fragmentos de mim.
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São Paulo, 01 de setembro de 2015. Epístola 21 Fragmentos de mim. Enide Santos (Poções, 30 de outubro de 1968). Decidi que não quero ir para sempre, e para isso me propus a criar o caminho que me fará permanecer, pois de alguma forma quero ficar. Hoje tudo que tenho é tudo que sinto e é este o meu passaporte para alçar meu principal voo. A liberdade de estar depois de ir. Para chegar onde quero preciso trespassar o tempo, necessito de conhecimento e principalmente da intimidade com o entendimento, porém jamais saberei se cheguei, mas ao menos saberão que tentei. O que mais me é necessário hoje é que me deem amanhã, hoje convém plantar-me no futuro sem mim o qual jamais saberei se brotei. Não quero apenas tornar-me leve e simplesmente ser levada pelos ventos, quero jazer-me em negrito ou itálico quero ser grifo. Habita-me o conteúdo ao qual almejo aprimora-lo e intensifica-lo, para que não se desfaça facilmente. Pretensão de minha parte? Sim, sei que sim, mas se eu não fizer por mim como poderei dizer para que façam por si se é para isso que estamos aqui! Nascer não é apenas para viver por viver, nascer é o principio de se fazer. Neste contexto, dedico minha vida a construção de minha morte, a sua eterna gestação de mim. Enide Santos 01/09/2015.

Tem poesia que vem assim Tem poesia que vem assim Do engano e da verdade
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Tem poesia que vem assim Tem poesia que vem assim Do engano e da verdade Do entendido não entendido. De um descuido da realidade Do instinto da felicidade Vem montando substâncias Articulando Regendo Cometendo suicídio Vezes dinâmica e ininterrupta Engolindo passado Ejetando o presente Danificando o futuro São frequentes as mudanças Elaborando degradações Revelando histórias de dor Incubando a sede do amor Dom sem preço Virtude órfã de decomposição Ou será Defeito Mania Pecado ou perversão? Tem poesia que vem assim Vem se apossa e fim. Enide Santos 26/08/15

Só A palavra que contém em si Tudo que sou
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Só A palavra que contém em si Tudo que sou Tudo que almejo Tudo que amo e odeio Verbo que de seu ventre Verte infindas lágrimas E com seus risos Afugenta minhas farpas Termo clandestino Sabotador de instintos Mutila sinas Não economiza rixas Só estando só Que toda a realidade olha pra mim Descobrindo-me da ilusão De que já ao nascer sou solidão. Enide Santos 2608/15

Dor fresca na memória Talvez eu não deva morrer Como se morre qualquer ser
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Dor fresca na memória Talvez eu não deva morrer Como se morre qualquer ser Talvez depois de te perder Eu deva um pouco por vez fenecer Talvez eu deva mesmo buscar O maior tempo possível durar Para que mesmo sofrendo Tenha mais tempo para te amar Talvez, apenas talvez. Tudo isso seja bom Apenas por agora Que a dor é fresca em minha memória. Enide Santos 02/08/15

Na ponta da língua Estava na ponta da língua A palavra que iria te intitular
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Na ponta da língua Estava na ponta da língua A palavra que iria te intitular Mas um pensamento indecente Apossou-se de mim ferozmente E a este nome fez mudar. Estava na ponta da língua Toda minha fome de beber Toda minha sede de comer Mas um pequeno gesto teu Tudo mudou e todo meu corpo ascendeu Estava na ponta da língua O resgate para o desperdício de sabor Mas já com o corpo fervendo As palavras foram se perdendo Apenas entre os dentes a língua ficou. Enide santos 31/07/15

Oh, My Lord! Porque te vais embora? Porque rejeitas meu amor?
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Oh, My Lord! Porque te vais embora? Porque rejeitas meu amor? Eu posso abrigar os teus medos. Proteger-te de teus pesadelos Curar-te de tua fragilidade E renovar tua virilidade Ainda não és falecido teu amor por mim Vejo-te sempre faminto Por que my Lord, queres te afastar assim? Já bebestes da fonte Já cruzastes os montes Oh, my Lord! Não se vá daqui. Não deixes tua Milady Sabes que sou eu o teu deleite Que de mim não podes partir. Venha my Lord! Desvista-se desta rosna Seja valente, não brinque com a sorte. Enide Santos 31/07/15

Sê meu rei. Sê meu rei. Seja a fonte que nutre meus instintos
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Sê meu rei. Sê meu rei. Seja a fonte que nutre meus instintos Sê meu dono, meu arrimo. Sê meu amante, meu menino Seja a força de meu intimo Sê sereno e continuo. Sê a fome da minha sede Seja prazer e jeito de doer Sê fisionomia do poder Sê meu discípulo Seja meu galante curumim Sê meu macho, meu serafim Sê meu rei, meu tutor Seja a jaula de meu pudor Sê meu homem, meu amor. Enide Santos 11/07/15

Hoje pedi perdão a Deus Hoje pedi perdão a Deus Pedi que me perdoasse
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Hoje pedi perdão a Deus Hoje pedi perdão a Deus Pedi que me perdoasse Por meu coração quase explodir Sempre quando penso em ti. Orei ao meu Senhor Para que sempre de ti cuide E não te afaste Deste meu amor. Pedi que me guie, me instrua Ajude-me a enveredar E em teus caminhos Belezas hei de plantar Deixei a minha verdade falar Deixei-a pedir e implorar Que em nome do Senhor Não me permita sem ti ficar. Ah, a humana que sou! Infinitamente mesquinha Imensamente sozinha Dependendo deste teu amor Hoje pude com clareza me ouvir E com este som roguei Lancei-me ao vão E ao Senhor pedi perdão.

Embaixo do mundo Embaixo do mundo Onde se disfarçam as horas
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Embaixo do mundo Embaixo do mundo Onde se disfarçam as horas Para onde se varrem os restos de histórias De onde se (re) tira os finos e frágeis fios Que laçam a memória. Embaixo de cada mundo, há um mundo. E nos sabemos e o absorvemos E sob o mundo da amizade Há um mundo de saudade Um mundo da verdade Um mundo de amor. Enide Santos

Despida de ti Agora despida deste amor Rumino o passado
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Despida de ti Agora despida deste amor Rumino o passado Como um cão flagelado Devolva-me a doçura que te dei Não es digno de abrigar Nem mesmo de mencionar As palavras que a te dediquei. Restitua minha brandura Com a ausência de tua figura Afaste-se de mim Es um abutre indigno e ruim Distancie-se Vá daqui Vá para bem longe Deixe de existir, ao menos em mim. Enide Santos 16/06/15

Ar feminino do fogo O ar feminino do fogo Abranda-se em sua formosura
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Ar feminino do fogo O ar feminino do fogo Abranda-se em sua formosura E com seu prazer sensitivo Lambe a carne das coisas Com veemência expõe-se Lançando seu desapego Interpretando sua composição Faminto oscila, baila, flama. Devorando-se como a um grito Chega ao seu ápice, expurga e fim. Apenas cinzas fitaram o vento Apagadas e frias ressaltam... O ar feminino do fogo jaz sem luz. Enide Santos 16/06/15

Escrever Escrever é deixar cair a voz No abismo absoluto do ser
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Escrever Escrever é deixar cair a voz No abismo absoluto do ser É desvanecer do instante Permutar-se em pensamentos Escrever é despertar a alma Amparando-a para que se mostre Incitando-a retratar seu lascivo tecido Assinando assim o construir de todo seu possível Escrever, escolher ditos Para que unidos sejam sons de gritos. É o poder de acariciar a existência E nela imprimir razões e emoções. Escrever é respirar com as mãos. Enide Santos 01/12/15

Tão somente amor Dissecá-lo por quê? É só amor
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Tão somente amor Dissecá-lo por quê? É só amor Deixe-o acontecer. Escalpela-lo para que? Deixe-o inteiro Intenso e verdadeiro Mostrando o seu poder. Destrincha-lo, interpreta-lo para quê? É a vida correndo nas veias de sua história Completando você. É apenas amor Não há o que temer. Enide Santos 27/11/2015

Indriso: Deambulo Derramando-me entre os campos e as florestas Perfuro com fome o passado
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Indriso: Deambulo Derramando-me entre os campos e as florestas Perfuro com fome o passado Entre os tempos e as horas certas Vou debulhando-me como flores que viram cisco Vou reparando em tudo sem saber o que dizer Vou vertendo-me devagar, sem prever. E em cada suspiro que dou, deambulo. Buscando incessantemente por ti, amor. Enide Santos 20/11/15

Tipo Assim: Tipo para mim O que tem em você de Deus hoje? O que tem de Deus em suas perguntas em suas respostas?
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Tipo Assim: Tipo para mim O que tem em você de Deus hoje? O que tem de Deus em suas perguntas em suas respostas? O que há de Deus em suas atitudes em suas quietudes? Será que vale o ar que consumiu no dia de hoje? Será que vale apenas para você? O que tem de Deus em você agora? Talvez, Enide, você deva excitar cada vez mais a sua capacidade de ver. Estimular a sua vontade de entender. E não deixar perder-se o seu desejo de o coração de Deus no seu ter. Enide Santos 170/9/15

O último passo do destino A terra que cobrirá meu corpo Esta me chamando.
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O último passo do destino A terra que cobrirá meu corpo Esta me chamando. Espreitando-me sem cessar Os vermes já me rondam Como que se, minha sorte pudessem tirar Diante disso, vou traficando dias Vomitando de mim agonias Cessarei assim desinibida de mim Derramando palavras em sulcos Adiando com versos o meu fim A fase final das horas sorri olhando-me Aproximam-se o cessar Distanciam-se os sons dos meus suspiros Não há gestação de dias A fome do fogo da vida, saciada, chora Murcha como flor, sem culpa Completo minha caminhada Deixando-me ainda aqui. Enide Santos 18/12/15