Pular para o conteúdo

Frases de Elis Barroso

135 frases

DONOS DA VERDADE Procuro onde mora a normalidade Quem dita as regras do feio ou esquisito
Continuar lendo

DONOS DA VERDADE Procuro onde mora a normalidade Quem dita as regras do feio ou esquisito A quem foi dado o compasso, prumo, régua Não acho Se souber, me procure Quem sabe assim eu me cure Estarei por aí Aqui, ali Nesse mundo confuso Quem sabe a louca sou eu Ou você que me lê Inspiro, respiro, piro

Vida de Navegante A cabine é teu lugar sagrado Terra firme já não é o seu lar
Continuar lendo

Vida de Navegante A cabine é teu lugar sagrado Terra firme já não é o seu lar Pelo oceano estás apaixonado Sentido só há no partir e retornar Vida repleta de tanta aventura Tiveste prazer com mulheres de todas as cores Cada qual com sua história e cultura Deixando em cada porto lágrimas e amores Como a Estrela Polaris eu queria ser Para você meu Capitão em mim se encontrar Mas de ilusão não posso viver Convicta sou de que serei mais uma a chorar. Enquanto o navio não parte Vamos brindar, dançar e sorrir Atiçar essa chama que em meu peito arde Armazenando memórias pra minha alma nutrir.

DESPOJAR Carrego tanto ontem Que o hoje não cabe em mim
Continuar lendo

DESPOJAR Carrego tanto ontem Que o hoje não cabe em mim Vou lançando no caminho Fatias que guardei Músicas que pararam de me tocar Beijos que perderam o gosto Amores que não mais encantam Um passado amassado que não me veste mais Um fui que já não me calça Um pretérito em que não mais me reconheço Vou lançando no caminho Aliviando a bagagem.

DESATINO Perdi-me da razão Não mais lembro do seu rosto
Continuar lendo

DESATINO Perdi-me da razão Não mais lembro do seu rosto Nem ouço sua voz O que afirmam ser o certo Acho errado! O que ensinam ser errado Já nem sei! Perdi a razão! Se achar não me devolva Nem diga onde estou Nessa grande maluquice É provável que os loucos guardem o último resquício de sanidade.

ASSIM SOU EU Sou tempestade Não tenho hora para chegar
Continuar lendo

ASSIM SOU EU Sou tempestade Não tenho hora para chegar Me darramo aqui ou acolá Sou cura e veneno Provoco suores Lágrimas Arrepios Arranco suspiros Sou vento sem morada Nada deixo no lugar Tiro pedaços Te viro no avesso Sou bússola sem ponteiro Trem sem maquinista Te tomo por inteiro Não preciso do sim ou do não Tiro o juízo e a razão Muito prazer! Me chamo paixão. Elis Barroso

JOANINHA Essa é a história de Joana dos Santos Mais conhecida como Joaninha
Continuar lendo

JOANINHA Essa é a história de Joana dos Santos Mais conhecida como Joaninha Linda menina com tantos encantos Seu sonho maior era entrar pra marinha Tinha dois irmãos, mãe e padrasto Numa casa simples da periferia Rosto de boneca e corpo casto Os vizinhos diziam que artista seria Aos 11 anos tudo mudou Joaninha tornou-se mocinha Chegou na escola com o braço roxo Sorriso amarelo e olhar de desgosto Cada dia uma história contava Bati na maçaneta, caí da escada Escorreguei no banheiro Cortei-me com o espelho Dona Rosa, sua professora Percebeu haver algo errado Ela confessou à protetora Que era violada por seu padrasto Chorou amargamente Disse que pra casa não voltaria Dona Rosa tinha algo em mente No dia seguinte o denunciaria Ao acordar ouviu a manchete Menina jogada em terreno baldio Não entrou pra Marinha nem tornou-se artista A pobre criança virou estatística.

FÔLEGO --Você ferrou meu coração Foi o que ele disse
Continuar lendo

FÔLEGO --Você ferrou meu coração Foi o que ele disse --Não! Eu o salvei De corpos vazios Peito sem saudade Noites sem sonhos O salvei da mesmice Dos dias comuns Da vida sem tempero O salvei de ter sempre os pés no chão De ter todas as respostas De não fazer do sim ou não a única opção Salvei seu coração de sua própria razão.

MERGULHO Encantei-me pelo mar Talvez por nunca ser igual
Continuar lendo

MERGULHO Encantei-me pelo mar Talvez por nunca ser igual Ora suas águas são serenas Em outra é onda que afoga Nunca sei se a maré estará cheia Se precisarei ficar na areia Apaixonei-me pelo mar De águas frias Areias quentes Mar que enfeitiça a gente Banha o corpo Lava a alma Deixa seu sabor na pele O gosto de sal que tem na água Que vem no vento Tempera a vida da gente Ah mar! Agora sei porquê te chamas assim Quero mergulhar Eu quero amar.

DE TODO JEITO Tem amores que são assim Vem devagarinho
Continuar lendo

DE TODO JEITO Tem amores que são assim Vem devagarinho Pousa de mansinho Faz do peito seu lar Há amores que vem de repente Bagunça o peito da gente Vira do avesso Arrebata por inteiro Existe amores que vem e vão Outros que insiste em ficar E tem o seu Que eu não sei explicar.

LINHAS Ontem, quando o sol terminava seu expediente, sentei em um banco de praça pra guardar na pele seus últimos raios. De frente pra mim havia uma senhora de cabelos cor de lã. Usava um vestido de tecido florido, um casaquinho preto e chinelinhos que só as avós usam. Ela esta…
Continuar lendo

LINHAS Ontem, quando o sol terminava seu expediente, sentei em um banco de praça pra guardar na pele seus últimos raios. De frente pra mim havia uma senhora de cabelos cor de lã. Usava um vestido de tecido florido, um casaquinho preto e chinelinhos que só as avós usam. Ela estava entretida fazendo um sapatinho de crochê, nem notou minha presença. Eu me perdi nas linhas do seu rosto tentando ler as histórias que o tempo escreveu. Noites mal dormidas, amores que se foram, marcas de sorrisos e o tanto de saudades guardadas naquelas covinhas. Suas mãos já não tão ágeis continuavam a dar forma à linha, traçando caminhos, dando nós, modelando o fio. Acredito que provavelmente aquele sapatinho fosse pra presentear alguém que ainda viria ao mundo, uma pessoinha que como aquele fio ainda estava sendo modelada e um dia daria seu primeiro choro pra vida e quem sabe um dia, num futuro distante também sentaria ali naquela praça com um novelo de linha traçando seu caminho Ou lendo as histórias nas linhas que o tempo escreveu no rosto de alguém.

ARTIFICIAL Nesse mundo tão vazio de toques na pele Cheio de toques na tela
Continuar lendo

ARTIFICIAL Nesse mundo tão vazio de toques na pele Cheio de toques na tela Olhares rasos Conversas secas Onde não há mais lugar para cartas escritas a mão Nem se conhece o cheiro do amigo Nesse mundo sem conversas na calçada Onde não se olha mais o céu Não se conta mais estrelas E os pirilampos são apenas recordações Temo que a primavera nos dê flores de plástico.

CHÃO E MESA Não gosto de amores assim Comidos de garfo e faca
Continuar lendo

CHÃO E MESA Não gosto de amores assim Comidos de garfo e faca Pelas beiradas Degustados em pequenas porções Muito menos de amores frios Que ficam no canto do prato Já não descem na garganta Nem pode ficar pra amanhã Gostosos são aqueles comidos como fruta Arrancados do pé ou pegos no chão Mordidos com vontade Que escorrem pelo canto da boca