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Frases de Elis Barroso

135 frases

TEMPO Às vezes tão lento Quando tudo que queremos é que se vá
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TEMPO Às vezes tão lento Quando tudo que queremos é que se vá Leve as dores Apresse as tempestades Fica ele ali tal qual relógio com o ponteiro quebrado Ora passa rápido Como os números no cronômetro Mal pode ser visto Quando se percebe O menino cresceu A rosa murchou Perdeu-se o trem Nem foi dado o adeus Tempo Se passas lento como as borboletas Ou ágil como os Colibris Já não importa Desisti de entender em qual asas vêm Me ensine a voar contigo.

ANTAGÔNICA Anoitece lá fora Enquanto eu amanheço
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ANTAGÔNICA Anoitece lá fora Enquanto eu amanheço É inverno do outro lado da porta O sol me aquece por dentro No verão deixo que caiam minhas folhas No inverno floresço Na primavera aqueço Desabrocho em qualquer ocasião Já não obedeço estação Não me adequei aos padrões Sermões se tornaram vazios Se desejam calor Eu faço frio.

DE BARRO Sou barro Sem forma
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DE BARRO Sou barro Sem forma Sem beleza Barro sem serventia Poderia ser pisado Soprado pelo vento até não sobrar um grão sequer Simplesmente virar pó Sou barro A espera que o Oleiro Me coloque em suas mãos E dê a forma que quiser.

DESCOBRI Um dia cresci Descobri que o barulho na concha
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DESCOBRI Um dia cresci Descobri que o barulho na concha Não era o som do mar Que pai e mãe também erram Que a cada dia sei menos das coisas Descobri que verdadeiros amigos se conta nos dedos Que ganhar colo é bom em qualquer idade E que sempre vou querer raspar a vasilha de bolo Um dia cresci Descobri que o para sempre Às vezes tem fim Que nem sempre o sim é melhor que o não E o melhor de tudo Descobri que os grandes abismos Podiam ser pulados feito poças d’água.

PEDAÇOS Pedacinhos de mim Vai ficando em cada verso de poema
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PEDAÇOS Pedacinhos de mim Vai ficando em cada verso de poema Em meus riscos Rabiscos Em cada frase Num conto Em uma crônica Lascas de mim Caem entre os vãos das palavras Ficam presas em vírgulas Entre as páginas de um livro Já não sou mais inteira Derramo-me a cada deslizar da caneta Um dia Serei feito folhas ao vento Terei em cada canto Um pouquinho de mim.

DIVAGAÇÕES Divagando em minha teia de pensamentos Enquanto tecia memórias
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DIVAGAÇÕES Divagando em minha teia de pensamentos Enquanto tecia memórias Quis saber qual palavra mais causa tormentos Morte, dor, desprezo, escória... Entre tantas mazelas Lá estava ela QUASE Quase é a palavra Palavra que mais maltrata Quase passou no concurso Quase chegou a tempo Quase conseguiu o aumento Um quase beijo Quase amor Quase se libertou Quase foi escolhida Quase ganhou a corrida Quase, é a mais doída Quase, jamais gera vida Quase, é a palavra daquele que não alcançou De quem não ficou e nem chegou De quem se perdeu no caminho Ainda em minha divagação, pensei A água quase quente não serve pro café Ah!! Uma vida sem café não dá... Nem tem discussão. Né?!

PAI Pai, quantas vezes fiquei revoltado Por não deixar-me andar com aqueles "amigos"
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PAI Pai, quantas vezes fiquei revoltado Por não deixar-me andar com aqueles "amigos" Que gostavam de correr perigo Por não teres me dado aquele tênis irado. Pai, tantas vezes eu não entendi O porquê de querer me levar pra escola Deixar-me de castigo por notas vermelhas Beijar-me na bochecha sem entender que cresci. Pai, tantas vezes desprezei seus conselhos Fugi de casa pra viajar com colegas Acidentei-me naquele carro sem freio No hospital virei a cara aos seus beijos. Pai, hoje sei que você estava certo Quando queria que eu chegasse cedo em casa Quando dizia que não fosse tarde pra cama Quando mandava eu ficar por perto. Pai, levou tempo, mas agora entendo Suas lágrimas em minha formatura Àquela surra quando roubei no mercado Seus soluços ao ver vovô morrendo. Pai, como eu queria que você soubesse Hoje sou igualzinho a você Meus filhos ainda não me entendem Como eu queria que seus conselhos desse. Meu pai, tudo eu daria com toda certeza Pra ter direito a um último pedido Pois sem você eu me sinto perdido Só mais um beijo em minha bochecha.

BALANÇO Quando criança eu não sabia do vai e vem da vida Cada coisa estava sempre no mesmo lugar
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BALANÇO Quando criança eu não sabia do vai e vem da vida Cada coisa estava sempre no mesmo lugar O limoeiro, a mangueira O pé de papoulas em que eu brincava de comidinha O varal de roupas branquinhas que pareciam bandeiras da paz A merenda estava sempre na lancheira O café na garrafa Cada coisa em seu lugar Parecia que nada nunca mudaria Fui descobrindo que não Os avós não são para sempre Muitos amigos se vão As nuvens nem sempre tem forma Às vezes são só uns borrões Nos terrenos baldios nascem prédios As estradas se bifurcam Nos obrigam a tomar direções Quando criança eu não sabia do vai e vem da vida Ainda estou aprendendo a me equilibrar.

DESEJO A VOCÊ Que tu saibas encontrar felicidade em um botão de flor Em um dia nublado
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DESEJO A VOCÊ Que tu saibas encontrar felicidade em um botão de flor Em um dia nublado No inverno prolongado E até mesmo na dor Desejo que sejas feliz até no dia ruim Quando o riso não for tão constante Quando ouvires mais nãos do que sins Quero que aches graça nos próprios tombos Que mude de sonhos De rumo De planos Que tu saibas encontrar a felicidade Ou melhor Que ela se encontre em você.

EU QUERIA SABER Quanto tempo o tempo leva Pra água esculpir a pedra
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EU QUERIA SABER Quanto tempo o tempo leva Pra água esculpir a pedra O tolo parar de bancar o juiz Perceber que ser aprendiz é melhor Quanto tempo o tempo leva Pra eu descobrir quem sou Se sou uma ou se sou várias Se a dor é minha ou do poema Quanto tempo o tempo leva Pra engavetar uma teimosa paixão A violenta saudade domar Uma ferida virar cicatriz A ausência parar de doer Leva, Tempo? Leva!

MEMÓRIAS Tentei guardar na retina aquela cena O brilho da lua nova fazendo seu caminho dourado nas águas da Guanabara
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MEMÓRIAS Tentei guardar na retina aquela cena O brilho da lua nova fazendo seu caminho dourado nas águas da Guanabara O brilho das luzes da cidade A ponte em estilo europeu do século passado A arquitetura Imperial E o sorriso dos seus olhos Quis guardar aquela cena Algo tão grande não coube em mim Coloquei então no poema Foi melhor assim O sorriso dos seus olhos jamais terá fim.