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Frase de Elis Barroso

LINHAS Ontem, quando o sol terminava seu expediente, sentei em um banco de praça pra guardar na pele seus últimos raios. De frente pra mim havia uma senhora de cabelos cor de lã. Usava um vestido de tecido florido, um casaquinho preto e chinelinhos que só as avós usam. Ela estava entretida fazendo um sapatinho de crochê, nem notou minha presença. Eu me perdi nas linhas do seu rosto tentando ler as histórias que o tempo escreveu. Noites mal dormidas, amores que se foram, marcas de sorrisos e o tanto de saudades guardadas naquelas covinhas. Suas mãos já não tão ágeis continuavam a dar forma à linha, traçando caminhos, dando nós, modelando o fio. Acredito que provavelmente aquele sapatinho fosse pra presentear alguém que ainda viria ao mundo, uma pessoinha que como aquele fio ainda estava sendo modelada e um dia daria seu primeiro choro pra vida e quem sabe um dia, num futuro distante também sentaria ali naquela praça com um novelo de linha traçando seu caminho Ou lendo as histórias nas linhas que o tempo escreveu no rosto de alguém.

Elis Barroso

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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DE BARRO Sou barro Sem forma
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DE BARRO Sou barro Sem forma Sem beleza Barro sem serventia Poderia ser pisado Soprado pelo vento até não sobrar um grão sequer Simplesmente virar pó Sou barro A espera que o Oleiro Me coloque em suas mãos E dê a forma que quiser.

ANTAGÔNICA Anoitece lá fora Enquanto eu amanheço
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ANTAGÔNICA Anoitece lá fora Enquanto eu amanheço É inverno do outro lado da porta O sol me aquece por dentro No verão deixo que caiam minhas folhas No inverno floresço Na primavera aqueço Desabrocho em qualquer ocasião Já não obedeço estação Não me adequei aos padrões Sermões se tornaram vazios Se desejam calor Eu faço frio.

TEMPO Às vezes tão lento Quando tudo que queremos é que se vá
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TEMPO Às vezes tão lento Quando tudo que queremos é que se vá Leve as dores Apresse as tempestades Fica ele ali tal qual relógio com o ponteiro quebrado Ora passa rápido Como os números no cronômetro Mal pode ser visto Quando se percebe O menino cresceu A rosa murchou Perdeu-se o trem Nem foi dado o adeus Tempo Se passas lento como as borboletas Ou ágil como os Colibris Já não importa Desisti de entender em qual asas vêm Me ensine a voar contigo.