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Frase de Elis Barroso

PAI Pai, quantas vezes fiquei revoltado Por não deixar-me andar com aqueles "amigos" Que gostavam de correr perigo Por não teres me dado aquele tênis irado. Pai, tantas vezes eu não entendi O porquê de querer me levar pra escola Deixar-me de castigo por notas vermelhas Beijar-me na bochecha sem entender que cresci. Pai, tantas vezes desprezei seus conselhos Fugi de casa pra viajar com colegas Acidentei-me naquele carro sem freio No hospital virei a cara aos seus beijos. Pai, hoje sei que você estava certo Quando queria que eu chegasse cedo em casa Quando dizia que não fosse tarde pra cama Quando mandava eu ficar por perto. Pai, levou tempo, mas agora entendo Suas lágrimas em minha formatura Àquela surra quando roubei no mercado Seus soluços ao ver vovô morrendo. Pai, como eu queria que você soubesse Hoje sou igualzinho a você Meus filhos ainda não me entendem Como eu queria que seus conselhos desse. Meu pai, tudo eu daria com toda certeza Pra ter direito a um último pedido Pois sem você eu me sinto perdido Só mais um beijo em minha bochecha.

Elis Barroso

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Pensador.com

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DE BARRO Sou barro Sem forma
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DE BARRO Sou barro Sem forma Sem beleza Barro sem serventia Poderia ser pisado Soprado pelo vento até não sobrar um grão sequer Simplesmente virar pó Sou barro A espera que o Oleiro Me coloque em suas mãos E dê a forma que quiser.

ANTAGÔNICA Anoitece lá fora Enquanto eu amanheço
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ANTAGÔNICA Anoitece lá fora Enquanto eu amanheço É inverno do outro lado da porta O sol me aquece por dentro No verão deixo que caiam minhas folhas No inverno floresço Na primavera aqueço Desabrocho em qualquer ocasião Já não obedeço estação Não me adequei aos padrões Sermões se tornaram vazios Se desejam calor Eu faço frio.

TEMPO Às vezes tão lento Quando tudo que queremos é que se vá
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TEMPO Às vezes tão lento Quando tudo que queremos é que se vá Leve as dores Apresse as tempestades Fica ele ali tal qual relógio com o ponteiro quebrado Ora passa rápido Como os números no cronômetro Mal pode ser visto Quando se percebe O menino cresceu A rosa murchou Perdeu-se o trem Nem foi dado o adeus Tempo Se passas lento como as borboletas Ou ágil como os Colibris Já não importa Desisti de entender em qual asas vêm Me ensine a voar contigo.