Você é a estrutura que sustenta os meus sonhos,
A voz que incentiva quando o cansaço chega.
Nos dias nublados ou nos dias risonhos,
Seu amor é a entrega que nunca se nega.
Mais que mãe, você é inspiração e coragem,
A mão que me molda e o coração que me aquece.
Sigo seus passos por toda a viagem,
Honrando a história que você merece.
Alicerce e Sangue
Há um laço que não se explica em palavras,
Que nasce no silêncio do ventre e ecoa na alma,
Uma força antiga, feita de renúncia e entrega,
Que sustenta o meu mundo e me traz a calma.
Teu amor não é apenas porto, é a própria corrente,
É o sangue que corre, a memória que fica.
Em cada gesto teu, sinto a vida presente,
Nessa entrega constante que me sacrifica e me edifica.
Mãe, você é a raiz que mergulha no fundo da terra
Para que eu possa tocar as estrelas e o céu.
É a paz absoluta no meio da guerra,
O rosto do sagrado sob o mais humano véu.
Se hoje sou luz, é porque você foi o farol,
Se hoje caminho, é porque você me ensinou o chão.
Teu nome é o meu mantra, meu norte, meu sol,
Gravado pra sempre no centro do meu coração.
O Eco da Ausência
Eu carrego o peso
das palavras que engoli,
Um silêncio denso que escolhi.
A alma veste um cinza antigo e frouxo,
E cada dia é um novo esboço
De um sorriso que nunca se completa.
A solidão não é a falta de alguém,
É o abismo entre o que sinto e o que convém.
É a canção baixinha que só a parede ouve,
Enquanto o ponteiro da vida não se move,
Preso em um instante que não tem mais pressa.
Eu me perdi no mapa das promessas,
E as esperanças viraram meras rezas.
Resta o nó na garganta, sem desfecho,
Apenas o vazio morando em meu peito,
E a espera por um dia que cesse.
Ainda Há Cacos Espalhados
Eu ando em pontas, lento e distraído,
Pois sei que a dor não foi de todo embora.
A ferida fechou, mas o chão, o meu chão querido,
Guarda o que foi quebrado, mesmo que lá fora
O mundo ache que o tempo já cumpriu o seu castigo.
Ainda há cacos espalhados no tapete,
Fragmentos de um espelho que não soube mentir.
Eu tento varrer, juntar no meu colete,
Mas há estilhaços que insistem em luzir,
Lembrando-me de cada passo que se repete.
A mão que tateia a escuridão é a mesma
Que um dia segurava o vaso inteiro.
Agora ela recolhe a dor, essa gema
Transparente e cortante, sem um paradeiro
Certo, apenas o peso de uma descrença extrema.
É preciso ter cuidado ao recomeçar,
Pois a pressa faz o pé sangrar de novo.
A cura não é um instante, é um lugar
Onde aprendemos a coexistir com o povo
De fantasmas que a memória teima em guardar.
E eu respiro fundo, sabendo que amanhã
O Sol vai nascer sobre os pedaços que restaram.
Não para uni-los, mas para que a manhã
Me encontre a caminhar, mesmo que me custaram
O peso e a prova de que nada é mais de lã.
Os olhos brilham, mas o coração chora
Ninguém percebe o peso deste meu sorriso,
A capa que disfarça a chaga que não sara, E a multidão em volta, cega, não repara. Que o peito se consome num total desvio. Meu olho ganha um brilho que parece astral,
Mas não é a faísca viva de contentamento, É só o reflexo úmido, o lento movimento. Da lágrima que esconde o seu destino fatal. O coração afoga-se no pranto que não verte, É água represada que não encontra a foz, Morrendo em segredo, sem que a alma alerte. E o brilho, essa miragem que no olhar se insere,
É a luz da própria dor gritando em meio a nós, A prova de que a alma sofre, mas resiste.