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Frases de Eduardo de Paula Barreto

209 frases

⁠VERSOS E AMARGURA . Se de mim retirassem os enganos
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⁠VERSOS E AMARGURA . Se de mim retirassem os enganos Em mim apenas acertos restariam Seria um poeta de versos levianos Que como bolas de sabão se esvaziam Prefiro ser alguém cujas conjecturas Correm o risco de trazer amarguras Do que ser um ser vivo sem opinião Prefiro que me calem com mordaças Do que ao me ouvirem achem graça Por repetir os gracejos da multidão. . Prefiro ser chamado de subversivo Do que receber afagos dos opressores Porque tais afagos só são oferecidos Aos fracos em troca de favores Com os quais traem a sua dignidade E ganham uma falsa felicidade Como troféu para a covardia Prefiro ter a honra da clausura Nos frios porões da ditadura Do que a desonra na democracia. . Se de mim retirarem os versos Ainda me restarão os pensamentos Que voarão na amplitude do Universo Montados nas costas do vento E baterão à porta de Deus Que atendendo ao apelo meu Mandará uma forte tempestade Formada por poesias agudas Que caindo regarão as mudas Que aflorarão como liberdade.

⁠FOLHAS SECAS DE OUTONO . Caiam folhas secas de outono
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⁠FOLHAS SECAS DE OUTONO . Caiam folhas secas de outono Sobre a terra avermelhada E no mais repousante sono Num mundo livre sem dono Suspirava a moça apaixonada. . Ela viu chegar um lindo cavaleiro Montado num cavalo branco Ele a arrebatou por inteiro E sobre o animal faceiro Saíram a passear pelo campo. . Milhares de pássaros entoavam canções Os jardins estavam floridos e perfumados Não existiam as quatro estações E ela sentiu muitas palpitações Quando percebeu que o cavalo era alado. . Lá do alto ela via as serras E as nuvens que as cobriam Via também escorrendo pela terra Alimentando as plantas e as feras As águas que nos rios corriam. . Ao pousar sobre uma colina Nos braços ele a tomou E olhando para cima Viu-se refletida na retina Do homem que a conquistou. . Ela não resistiu aos encantos E se deixou beijar pelo amante tão hábil Mas acordou em prantos Ao perceber que foi o vento brando Que jogou folhas secas sobre os seus lábios.

⁠A ORAÇÃO DA FLOR . Ó Senhor criador das flores
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⁠A ORAÇÃO DA FLOR . Ó Senhor criador das flores Agradeço-Lhe pelos favores Com os quais tem me abençoado Pelas abelhas que levam o meu pólen Pelos homens que me colhem Quando estão apaixonados. . Pelo Sol que me traz luz e calor Pela chuva que com gotas de amor Nutre as minhas raízes Pelo vento que me massageia E pela romântica Lua cheia Que se reflete nos orvalhos felizes. . Que eu possa enfeitar os cabelos E também afastar os pesadelos Perfumando o ar dos que dormem E que mesmo sabendo que no vaso Minha vida terá curto prazo Eu me alegre com o sorriso do homem. . Ó Senhor me use como enfeite Para trazer beleza e deleite Aos campos e jardins Faça de mim um instrumento Que desperte no homem o intento De também despertar emoções sem fim.

⁠CHIBATAS MODERNAS . Que o fluido do trabalho
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⁠CHIBATAS MODERNAS . Que o fluido do trabalho Seja o suor e não a lágrima E que nas mãos haja calos Ao invés de marcas trágicas Causadas pela aplicação De condições que não Preservam o trabalhador Transformando o que deveria Ser uma fonte de alegria Numa grande usina de dor. . Que o trabalho seja uma ponte Para conduzir quem se dedica À conquista do horizonte Onde o seu ideal habita Mas que jamais seja um muro Entre o presente e o futuro Por isso eu proponho Que o trabalho sempre seja Garantia de alimento para a mesa E de estímulos para os sonhos. . Que haja líderes e não feitores Com novos métodos de tortura Que fazem dos trabalhadores Vítimas de uma escravatura Na qual disfarçados escravos Se julgando livres são alvo Da ambição desmedida Da minoria abastada Que com invisíveis chibatas Produz visíveis feridas.

⁠ PÁTRIA PÁRIA 14/04/2021
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⁠ PÁTRIA PÁRIA 14/04/2021 . Debruçados nos peitoris Das escancaradas janelas Gritavam: ‘O meu País Não será uma Venezuela’ E aquela gente enfurecida Colocou um genocida Como líder da Pátria E agora todos calados Veem o Brasil transformado Num indesejado pária. . Por temerem que o Brasil Virasse uma nova Cuba Elegeram o imbecil Que encantava turbas Mas bastou ele assumir Para o povo descobrir Que abusou da sorte Porque com o cetro na mão Quase transformou a Nação Numa Coreia do Norte. . Essa gente brasileira Que gritou na minha orelha: ‘A nossa bandeira Jamais será vermelha’ Hoje em dia se constrange Ao ver que foi sangue Que as quatro cores cobriu E agora pagamos o preço De ver o mundo ter medo De virar um Brasil.

⁠DEIXE-OS NUS 15/01/2019 .
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⁠DEIXE-OS NUS 15/01/2019 . Deixe-os deitados nas redes No aconchego das ocas Sonhando com as verdes Folhas de mandioca Deixe-os correr pelados Com os pés enlameados Com o húmus da floresta Deixe-os caçar e pescar E com destemor se armar Com seus arcos e flechas. . Deixe-os exercer a fé Com seus místicos rituais E acreditar que o pajé Tem poderes sobrenaturais Para que irmanados fiquem Ligados ao grande cacique Que criou todas as tribos Deixe-os sempre isolados Para não serem transformados Em civilizados indignos. . Deixe-os ser o que são Donos da terra onde todos Compartilham o pão E fazem do corpo A única vestimenta Que orgulhosa ostenta Cocares, braceletes e brincos Eles são herdeiros da salvação Por viverem em comunhão Por isso deixe-os ser índios.

⁠MITOMANIA 04/02/2019 .
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⁠MITOMANIA 04/02/2019 . Moralistas sem moral Capitalistas sem dinheiro Caridosos que não sabem qual É a carência dos companheiros Religiosos sem disposição Para amar sem discriminação Quem pensa diferente E patriotas que se alegram Quando os políticos entregam Nossas riquezas a outras gentes. . Intelectuais sem opinião própria Filósofos que só citam sábios mortos Governos civis que calçam botas Donzelas puras que fazem aborto Somos membros de uma espécie Que nunca amadurece E assim não adquire supremacia Porque somos seres doentes Que vivem constantemente Infectados com a mitomania. . Neste mundo a mentira Recebe animados aplausos Da plateia que faz fila Para subir no palco E com abraços calorosos Elogiar os mentirosos E dar-lhes os parabéns Por serem os ídolos Daqueles tolos indivíduos Que adoram mentir também.

⁠O CELEIRO 04/06/2018 .
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⁠O CELEIRO 04/06/2018 . A supressão de direitos E a limitação do saber Formam o mecanismo perfeito Para se exercer o poder Dos fortes sobre os fracos Que lambem os pratos E buscam no fundo das panelas Algum resto de comida Enquanto oferecem as sortidas Ceias para quem os flagela. . O trabalho mesmo remunerado Pode significar servidão Quando ao trabalhador é negado O direito de obter do patrão Ganhos justos e carga horária Que transformem a rotina diária Em degraus para que ele cresça E deixe de vestir-se com trapos Enquanto para o patrão abastado Ele cose lindas roupas de seda. . Que o agasalhado produza agasalho E o alimentado produza alimento Para que a força do trabalho Seja garantia de alento Para todas as classes Que esperam que a sociedade Um dia ainda seja Celeiro de bem-estar e justiça Ao trocar o egoísmo e a cobiça Pela distribuição de renda e riqueza.

⁠A TRILHA EXTINTA . Certa vez um passarinho
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⁠A TRILHA EXTINTA . Certa vez um passarinho Ficou reparando o caminho Que via de cima da encosta Mas ele não entendia Por que o mato sumia Deixando a terra exposta. . Indagou um pássaro adulto Que conhecia o mundo oculto Dos humanos e de outras feras: Sr. pássaro sábio e nobre Por que o mato não cobre Aquele caminho de terra? . Lá embaixo os seres sem asas Constroem as suas casas Distantes umas das outras E quando sentem saudade E querem rever suas amizades Caminham pela planície toda. . Durante as caminhadas A terra vai sendo amassada Impedindo que o mato cresça E as flores que crescem Nas margens agradecem Pois querem que o amor prevaleça. . Então o pássaro pequenino Entendeu por que via um menino Chorando sentado numa trilha Que agora estava todinha Cheia de capim e ervas daninhas Que cobriam suas panturrilhas. . Provavelmente aquela criança Tinha alguém na vizinhança Que costumava fazer-lhe visitas Mas aquele mato comprido Indicava que o seu amigo Deixou de pisar na trilha extinta.

⁠PAPEL DE MUSA . Minha adorada e inspiradora musa
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⁠PAPEL DE MUSA . Minha adorada e inspiradora musa Preciso urgentemente da sua ajuda Porque a escrever a intuição me compele Quero abordar o nosso amor sem limites Mas por ter acabado o meu papel sulfite Terei que escrever sobre sua pele. . Sobre esta testa escrevo O maior dos meus desejos Com letras garrafais: ‘Este local é exclusivo Como lousa e abrigo Deste poeta e de ninguém mais’. . Nestas bochechas rosadas Deixo as seguintes palavras Gravadas com simetria: ‘Aqui só tem permissão para beijar Aquele que sabe me transformar Em tema para as suas poesias’. . Nestes seus lábios carnudos Com verbetes minúsculos Deixo um recado meu: ‘Afaste-se destes lábios doces São dela, mas é como se fossem Deste amante que neles escreveu’. . Neste aveludado pescoço Sem querer provocar alvoroço Escrevo ousadamente assim: ‘É aqui onde está o segredo Para romper da minha musa o medo E fazê-la se entregar para mim’. . Entre estes lindos seios Escrevo com certo receio De ser malcompreendido: ‘Estes são os dois culpados Por eu ficar descontrolado Diante da minha libido’. . Sobre esta barriga Branca, macia e lisa Escrevo delicadamente: ‘Não se aproxime deste lugar Porque é aqui que brotará A minha secreta semente’. . Nesta sua área mais íntima Registro uma declaração mística Escrevendo a seguinte mensagem: ‘Este é o meu tapete voador No qual me acomodo com amor E levito em emocionantes viagens’. . Nestas coxas torneadas Deixo para sempre gravadas Estas palavras nas partes internas: ‘Adoro os abraços dos seus braços Mas eu perco as forças e me desfaço Ao receber abraços das suas pernas’. . De repente ela abre os seus olhos lindos E percebe que no seu corpo despido Não existe nem sequer uma letra Mas isso não a entristece Porque em pleno êxtase reconhece Que fiz dos meus lábios uma caneta.

⁠APELO À NOITE . O Sol mergulha no horizonte dourado
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⁠APELO À NOITE . O Sol mergulha no horizonte dourado E logo respingos de luz tornarão O infinito céu estrelado E sob a influência da Lua estarão Os casais apaixonados Envoltos pelo romântico clarão. . Já é tarde Preciso deixar o meu corpo dormir Para que o meu espírito acorde E vá visitar os lugares longe daqui Os quais os meus olhos não podem Em hipótese nenhuma invadir. . Abrace-me doce noite e sussurre os seus segredos Através da suave brisa de outono Me envolva com a escuridão livre dos medos E cante os seus silêncios no abandono Para que eu me desprenda do meu corpo terreno E, conduzido por suas mãos, suba no palco dos sonhos.

⁠MAIS DO QUE PÃES . Existe uma força espiritual
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⁠MAIS DO QUE PÃES . Existe uma força espiritual Que religa o cordão umbilical Permitindo que a mãe receba amor Enviado pelo filho grato Que aceita que apenas no parto A mãe possa sentir alguma dor. . O colo se transforma no ventre Que oferece abrigo quente Para o filho que amadureceu Ninho em que encontra guarida Oferecido pela mãe querida Que nem percebe que ele cresceu. . Mães, mãezinhas, mamães Merecem mais do que pães Ou joias cheias de brilho Precisam apenas ser amadas E no colo suavemente embaladas Como se mães fossem seus filhos.

⁠PAÍS MORIBUNDO 14/09/2019 .
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⁠PAÍS MORIBUNDO 14/09/2019 . O Brasil em agonia Vê-se caído ao chão Com pouca democracia Inflando seu pulmão E em suas veias tensas A liberdade de imprensa Enfrenta bactérias de censura Que acirram os ânimos E destroem os gânglios Aumentando a temperatura. . Perde-se numa hemorragia A seiva da solidariedade Que deixa com anemia O corpo da sociedade Que vomita a disposição De lutar pela recuperação De um País moribundo Que respira por aparelhos E vê o sangue vermelho Coagular feito chumbo. . O coração das multidões Sofre com a arritmia Que provoca palpitações Mescladas com bradicardia E o País doente implora Para que alguém sem demora Evite o choque séptico É quando surge um médico Trazendo como remédio Um frasquinho de choque ético.

⁠LATIFÚNDIO . O primeiro dono da Terra
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⁠LATIFÚNDIO . O primeiro dono da Terra Abriu mão de fazer escritura Apenas a distribuiu em glebas Para a subsistência das criaturas Que plantavam para comer E comiam para viver Cuidando dos pedaços de chão Chão que alimentava os animais E que com ricos mananciais Fazia germinar os grãos. . Como vassalos do suserano Deus Tinham que cuidar da terra recebida Permitindo a todos os irmãos seus O livre acesso às bênçãos Divinas Como trabalhar para alimentar o corpo E exercitar a fé no verdadeiro dono Das terras cheias de minérios nobres Deus dava tudo e não exigia nada Mas das Suas criaturas Ele esperava Que na terra não houvesse pobres. . Os que receberam as terras como dádiva Nelas fizeram semeaduras de prantos Pois com a cobiça produziram lágrimas Que caindo regaram os campos E como água salgada não nutre o solo Nas plantações de dor só vingou o ódio Que até hoje alimenta as guerras Pela posse da terra pessoas se consomem Mas a terra não pertence ao homem É o homem que pertence à terra.

⁠PLÁGIO . O artista que cria
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⁠PLÁGIO . O artista que cria Música, arte, poesia Ilumina a escuridão Mas aquele que copia Segue a lanterna que alumia Mas que está em outra mão. . Quem copia não inova Apenas aguarda coisas novas Vindas dos artistas criativos Para furtá-las sem escrúpulos E assim mantém minúsculos Os seus neurônios inativos. . O plágio é recurso do incapaz Que se esmera sempre mais Em tomar o que não lhe pertence Mas para quem é plagiado Não vale a pena ficar indignado Porque só se copia quem está à frente. . Deixe que os que plagiam E que assim se saciam Sigam copiando tudo Porque chegará o momento Em que olharão para dentro E não encontrarão conteúdo. .

⁠. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL .
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⁠. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL . A gente entra no veículo E já vai ligando o GPS Para não dirigir em círculos Evitando ter mais estresse E a voz do guia virtual Nos leva até ao final Do trajeto sem reclamar Assim não decoramos mapas E deixamos nas estradas A capacidade de memorizar. . No momento das compras Diante das vitrines tentadoras Ao invés de fazer contas A gente usa calculadora Pra ganhar tempo e dinheiro E passar o dia inteiro Com nada pra se preocupar Assim a gente ri à beça Mas sem conta de cabeça A gente desaprende a calcular. . O professor pede um texto E com preguiça de escrever A gente inventa um pretexto E vai no ChatGPT E assim nos livramos De ter que ficar juntando Conhecimento e habilidade Então tiramos nota dez Mas perdemos de vez A nossa criatividade. . A gente vive cercado De recursos modernos Nada disso é pecado Que nos levará ao inferno Mas se não nos precavermos No futuro próximo seremos Vítimas do avanço tecnológico E por termos deixado de pensar Veremos robôs a nos examinar Nas jaulas dos zoológicos. . Eduardo de Paula Barreto 20/04/2023 .