Frase de Eduardo de Paula Barreto
VERSOS E AMARGURA . Se de mim retirassem os enganos Em mim apenas acertos restariam Seria um poeta de versos levianos Que como bolas de sabão se esvaziam Prefiro ser alguém cujas conjecturas Correm o risco de trazer amarguras Do que ser um ser vivo sem opinião Prefiro que me calem com mordaças Do que ao me ouvirem achem graça Por repetir os gracejos da multidão. . Prefiro ser chamado de subversivo Do que receber afagos dos opressores Porque tais afagos só são oferecidos Aos fracos em troca de favores Com os quais traem a sua dignidade E ganham uma falsa felicidade Como troféu para a covardia Prefiro ter a honra da clausura Nos frios porões da ditadura Do que a desonra na democracia. . Se de mim retirarem os versos Ainda me restarão os pensamentos Que voarão na amplitude do Universo Montados nas costas do vento E baterão à porta de Deus Que atendendo ao apelo meu Mandará uma forte tempestade Formada por poesias agudas Que caindo regarão as mudas Que aflorarão como liberdade.
No pensador.ai desde