O segredo da felicidade é ter afazeres que nos façam saltar da cama com entusiasmo.
Frases de Eduardo de Paula Barreto
209 frases
Se existir um remédio para viciados em leitura, ele deverá vir sem bula
ZUMBIS . Enquanto um menino sonha ser craque
Continuar lendo
ZUMBIS . Enquanto um menino sonha ser craque De futebol outro usa pedras de crack Para se imaginar alguém feliz E assim surgem times nos campos E nos guetos das cidades entretanto Surgem legiões de zumbis. . São seres cujos corpos caminham Enquanto suas mentes definham Os transformando em armas vivas Que para satisfazerem o vício Fazem uso de qualquer artifício Chegando até mesmo a tirar vidas. . A polícia com rigor os persegue Usando bombas e cassetetes E às vezes até os mata Tal estratégia parece eficaz Quando este procedimento se faz Não contra gente, mas contra baratas. . Estes zumbis que nos assustam Nos tornam reclusos e nos furtam Além do dinheiro a liberdade Têm que ser retirados do convívio social Criminosos na cadeia, viciados no hospital Para que as ruas voltem a ser da sociedade. . Quero viver sem medo do perigo E ao encontrar jovens reunidos Sob o escaldante Sol Sentar-me tranquilo na calçada Apenas para ver a criançada Jogar mais uma partida de futebol.
TRIBOS URBANAS . Vejo nas esquinas
Continuar lendo
TRIBOS URBANAS . Vejo nas esquinas Meninos e meninas Rivais ou amigos Que se reúnem E com orgulho assumem Que vivem em tribos. . Há os que sujam os muros Protegidos pelo escuro Como noturnos sabotadores Que em busca de emoção Desrespeitam a legislação Esses são da tribo dos pichadores. . Há os que assistem À vida com olhares tristes Como navegantes sem remo Se maquiam como zumbis Na escuridão são seres sutis Esses são da tribo dos emos. . Há outros um tanto obscuros Que ficam perto de túmulos E consideram ótimo Passear pelos cemitérios Sempre com caras de sérios Esses são da tribo dos góticos. . Há os que têm mania De dar vida à fantasia Dos gibis que leem São adultos que têm a esperança De viver sendo sempre crianças Esses são da tribo cosplay. . Há os que requebram a pélvis E usam topete como o do Elvis E têm que ter cabelo que brilhe Adoram carros antigos Curtem rock dos Beatles Esses são da tribo rockabilly. . Há os que andam desengonçados Com bermudas e bonés virados E criticam a arte pop Conversam num estranho dialeto Se reúnem em verdadeiros guetos Esses são da tribo hip hop. . Há os rebeldes sem causa Que têm cabelos como caldas E usam roupas extravagantes Quando andam na multidão Querem apenas chamar atenção Esses são da tribo dos punks. . Há muitas outras tribos Criticadas pelos mais amadurecidos Que consideram tais hábitos odiosos Os quais com terno e gravata Caminham entre as tribos citadas Indo para a tribo dos religiosos. .
BRASIL COLÔNIA 23/12/2019
Continuar lendo
BRASIL COLÔNIA 23/12/2019 . De tanto me indignar Diante dos desmandos Não posso mais chorar Secaram os meus prantos Engulo meus soluços E calado me debruço Sobre os meus joelhos Que ouvem meus sussurros E no abrigo do escuro Me servem de travesseiro. . O Brasil voltou a ser colônia Nossa soberania virou frangalhos Decretaram a morte da Amazônia E da dignidade do trabalho Deram voz à intolerância E transformaram a ignorância Em política governamental Para que as elites privilegiadas Continuem a ser alimentadas Com a desigualdade social. . Fizeram do conservadorismo Fogueira da santa inquisição Para com falso moralismo Queimar quem tem outra visão Para que impere a ideologia Que divide, exclui e contagia Quem tem fragilidade intelectual E que por isso se torna refém Dos pseudocidadãos de bem Que integram o exército do mal.
LUX . No início o Universo era uma luz infinita
Continuar lendo
LUX . No início o Universo era uma luz infinita Que emanava da essência do Grande Deus Éramos apenas centelhas da glória Divina Então corpos espirituais Eles nos deu Para que pudéssemos adquirir identidade Individualidade e personalidade E assim escrevermos a nossa própria história Ele Criou a energia da essência de tudo Mas não criou a matéria dos mundos Porque a matéria não suportaria a Sua glória. . Depois de ter criado as energias sutis e vitais Deus criou espíritos com maiores porções do Seu poder Aos quais chamou de Seus primeiros filhos imortais Que como Semideuses passaram a viver Sendo responsáveis pela criação da matéria Assim Eles criaram os corpos celestes e a Terra E Deus para não destruir tudo o que foi criado Concentrou em Si a luz e tornou-se escuro o Universo Foi quando os Semideuses criaram os diversos Sóis que passaram a manter o Cosmo iluminado. . Os Semideuses habitavam planetas distantes Constituídos de matérias incorruptíveis E tinham como a Sua missão mais importante Permitir que nos tornássemos seres indefectíveis E para desenvolvermos as nossas potencialidades Precisaríamos experimentar a mortalidade Então prepararam a Terra para a nossa morada Criaram os animais, os vegetais e tudo o que existe Sob o solo que pisamos e sobre a superfície E para tudo o que teria vida a energia vital foi dada. . Passaram-se muitos milênios e em ciclos Animais e vegetais surgiam e desapareciam E quando o nosso Planeta mostrou-se propício Os Semideuses ainda no mundo em que viviam Criaram milhares de corpos físicos Que trazidos à Terra receberam os espíritos Que abriram os seus olhos como seres mortais Totalmente ignorantes quanto à sua criação Sem linguagem, sem lembranças tendo a intuição E o instinto como dispositivos naturais. . Por serem os únicos capazes de raciocinar Reinaram sobre as outras espécies Com as quais aprenderam a caçar Colher frutos e apanhar peixes Usavam uma linguagem rudimentar Que se resumia em balbuciar E fazer variados sinais e gestos Assim começaram a se comunicar E quando passaram a se dispersar Surgiram os variados dialetos. . Os Semideuses agradaram ao Deus das alturas Ao ofertarem a chance de crescimento interior Aos Seus filhos que por serem criaturas Passaram a desejar se reaproximar do seu Criador Dessa maneira surgiram as diversas formas De religiosidade que desde outrora Têm permitido ao homem se conectar Ao Grande Deus que espera pelo reencontro Com os Seus filhos desenvolvidos e prontos Para assim como Ele em glória brilhar.
MACHADO DE ASSIS . Joaquim Maria Machado de Assis
Continuar lendo
MACHADO DE ASSIS . Joaquim Maria Machado de Assis Mulato carente em cuja cerviz Pesava o opróbrio do preconceito Filho de pais pobres Mas dono de talentos nobres E de originais conceitos. . Criado pela madrasta Suplantou a dor da desgraça Da perda da mãe querida Frequentou a escola pública Mas sua sabedoria única Adquiriu na escola da vida. . Aprendeu francês e latim Exerceu atividades sem fim No universo da cultura Mas o seu maior legado Para sempre ficou gravado Nas páginas da literatura. . Foi jornalista, contista Cronista, romancista Poeta e teatrólogo E na fundação da ABL Foi distinto cerne E mentor do seu prólogo. . Chamava-se Carolina A musa que inspirava as rimas Dos seus versos de amor Ela foi a sua obra mais perfeita Mas que cometeu a desfeita De morrer antes de seu autor. . A saudade abreviou os seus dias E os textos que ele escrevia Não o acompanharam ao cemitério Ficaram espalhados como a fumaça Que subia das fogueirinhas da casa 18 da Rua Cosme Velho.
ARMAS E LIVROS 21/05/2019 .
Continuar lendo
ARMAS E LIVROS 21/05/2019 . Quem brinda à ignorância Conspira contra si mesmo Porque amplia a distância Entre o fim e o começo De todos os conflitos Que poderiam ser escritos Sem consumir toda a tinta Que precisamos ter Para podermos escrever Nas páginas da vida. . A falta de conhecimento Desperta os piores instintos Porque se não há argumentos Recorre-se aos primitivos Métodos de solução Dos problemas que são Presenças constantes Ao invés de dar espada Dê à criança as palavras Que brotam das estantes. . Arme a criança com livros E assim a livre das armas Porque o saber é antídoto Contra os venenos da alma Que ao longo da existência Podem ficar em latência Ou aflorar como intolerância Dependendo dos estímulos Que despertam os íntimos Instintos da criança.
PELOURINHO . Bate na palmeira o vento
Continuar lendo
PELOURINHO . Bate na palmeira o vento E o negro por um momento Julga ser a brisa do mar Mas percebe muito tarde Que são brancos covardes Que vieram para lhe buscar. . Sem se despedir da família Sob gritos que o humilham Vê distanciarem-se os coqueiros E num barco com outros tantos Prisioneiros em pleno pranto É levado ao navio negreiro. . São centenas de nativos Transformados em cativos Homens, mulheres e crianças Que no porão do navio Passam calor, fome e frio E perdem a noção da distância. . Os que se mostram valentes São presos com correntes E obrigados a se calar Pois com crueldade desmedida Não relutam em lhes tirar a vida Os lançando ao frio mar. . Ao serem tratados feito bichos Não entendem a razão do sacrifício Pelo qual estão passando Será maldição dos orixás Ou os demônios vieram nos buscar E para o inferno estão nos levando? . Depois da árdua viagem Os de maior força e coragem Chegam ao porto estrangeiro E aquela estranha gente Falando numa língua diferente Os troca por algum dinheiro. . Vão para lugares variados Os de sorte se tornam criados Mas os demais que a elite avassala Têm como destino os açoites E as delirantes noites No duro chão das senzalas. . O cepo, o tronco e a peia Lhes tiram o sangue das veias E a sua resistente dignidade Os grilhões e máscaras de flandres Lhes derrubam o semblante E eles sucumbem à saudade. . Muitos veem nos pelourinhos A única alternativa e caminho Para fora da vida trágica Pois o escravo que é forte Encontra na própria morte A chance de voltar à África.
DEUS SEM TEMPLO 03/01/2019 .
Continuar lendo
DEUS SEM TEMPLO 03/01/2019 . Pensam que Deus é pássaro Que pode ser preso em templos Aonde vão para adorá-lo Mas eu prefiro libertá-lo Para voar em meus pensamentos. . Vejo com o espírito contrito A hipocrisia em cada ação E o uso do livre-arbítrio Como o mais vil exercício Do poder de manipulação. . Dominam fazendo ameaças Ou prometendo recompensas Vendem o que é de graça E fazem da fé abstrata Substituta da inteligência. . Justificam os seus pecados Salientando as boas intenções Cerceiam o direito dado Ao outro de achar errado O que julgam serem revelações. . Às vezes com os olhos chorosos Confesso ao meu íntimo Deus: Senhor, quanto mais os religiosos Propagam discursos de ódio Mais eu admiro os ateus.
NOITES INVERNAIS . Vejo sobras de comida na mesa
Continuar lendo
NOITES INVERNAIS . Vejo sobras de comida na mesa De quem não conhece a fome E espaços vazios na despensa De quem há tempos não come Vejo também cobertores Largados criando bolores Sem uso nas noites invernais Enquanto pessoas nas ruas Apagam a luz da Lua E se cobrem com jornais. . Para um lado da balança subir O outro precisa descer Para a primavera florir O inverno precisa ceder E para alguém ter milhões É necessário que multidões Vivam em total miséria Então talvez o ideal Para haver justiça social Seja um País de classe média. . Não alimento a ilusão De ter um País só de ricos Porque sempre haverá distinção Entre todos os indivíduos Mas o que espero ver É uma sociedade em que Todos tenham acesso irrestrito A tudo que alguém precisa Para considerar a vida Uma dádiva e não um castigo.
CRENÇAS ALHEIAS . Quando discriminamos as crenças alheias
Continuar lendo
CRENÇAS ALHEIAS . Quando discriminamos as crenças alheias Deixamos claro que a crença que temos nas veias Não nos reveste com o princípio do respeito Isso torna a nossa crença algo questionável Porque o mínimo que se espera do fiel sábio É que saiba respeitar os alheios preceitos. . As pessoas são maiores do que as suas crenças E são as atitudes que as tornam propensas A conquistar a nossa admiração Como os pássaros que nos fascinam E que com os seus cantos nos contagiam Mesmo não tendo nenhuma religião. . O religioso que nos cantos do presbitério Usa a crença como o mais importante critério Para a avaliação do caráter de um indivíduo Torna-se o mais vil dos filhos de Deus Pois foi Deus quem a todos concedeu O direito de exercer o livre-arbítrio.
UM OU OUTRO 13/03/2021 .
Continuar lendo
UM OU OUTRO 13/03/2021 . Um faz arminha com a mão O outro faz um coração Com os dedos das mãos sofridas Um incentiva ignorância e morte O outro estimula a simbiose Entre conhecimento e vida. . Um simboliza o desrespeito A intolerância e o preconceito Contra as minorias da população O outro representa os braços Que num infinito abraço Envolvem todos sem distinção. . Um é o retrato do retrocesso Que entrega a baixo preço As riquezas do seu País O outro tem no currículo Que sabe tornar seu País rico E fazer o povo feliz. . Um aglutina toda a maldade Das pessoas cuja personalidade Vê nele a chance de expressão O outro reúne ao seu redor Aqueles que fazem do amor O combustível do coração. . Um faz show de horrores Alegrando os espectadores Que o aplaudem com gosto Enquanto o outro desperta saudade Do tempo em que a felicidade Estava ao alcance de todos.
BRUMADINHO 26/01/2019 .
Continuar lendo
BRUMADINHO 26/01/2019 . Sem cautela sugam a riqueza Que dorme latente no chão E formam podre represa Com os rejeitos da exploração Que como lago de lama Por liberdade reclama Até romper as barreiras E à destruição se entrega Ao ver no rio Paraopeba A chance de virar corredeira. . Mas antes de o lago virar rio Deixa lágrimas pelo caminho Lágrimas do choro sombrio Que no ar de Brumadinho Formam nuvens de dor Que assistem ao horror Da tragédia humana Que poderia ter sido evitada Se a vida fosse considerada Mais valiosa que a lama. . Quanto vale a vida? Quanto a vida vale? Da lama não será extraída A vida que deixa saudade Mas quem sabe as lágrimas Caindo como chuvas mágicas Façam surgir como alento Uma barragem de justiça Que represe toda cobiça E seja imune a rompimentos.
COMUNISMO 09/05/2018 .
Continuar lendo
COMUNISMO 09/05/2018 . Não se trata de comunismo A luta pela igualdade social Em todo canto sempre haverá ricos E gente sem riqueza material Mas a sociedade que queremos É aquela na qual encontremos Meios para viver dignamente Nem todos anseiam ter mansões Mas todos precisam de colchões Para dormir confortavelmente. . Ninguém precisa de cardápios caros Com camarões e lagostas no jantar Nem de vinhos raros Para em ceias brindar Tampouco de taças italianas Ou de baixelas de porcelana Nem de talheres de metal nobre O que todo mundo precisa ter É só a certeza de que Nunca passará fome. . Ninguém precisa ter um Jaguar Para locomover-se no dia a dia Nem de jatinho particular Para visitar a família Também não é necessário Ter um enorme armário Cheio de roupas Louis Vuitton Mas o povo quer simplesmente Poder vestir-se adequadamente E ter transporte público bom. . Ninguém precisa estudar na Harvard Para conquistar o que idealiza Nem ter Dubai first credit card Para comprar aquilo que precisa Mas os menos favorecidos Precisam ter acesso ao ensino Público de excelência Para tornarem-se habilitados A não dependerem do Estado Conquistando a sua independência. . Hasteio a flâmula do idealismo Em busca da sociedade ideal Para que apesar do jugo do capitalismo Todos valham mais do que o vil metal E que não haja mais barrigas vazias Nem alunos sem acesso à sabedoria Tampouco descalços pés calejados E que as pessoas sejam bem atendidas Nos hospitais preservando o bem da vida Vida que recebemos sem nada termos pago.
INTOLERÂNCIA . A religiosidade individual
Continuar lendo
INTOLERÂNCIA . A religiosidade individual Não justifica o ódio Na interação social De quem se julga um sóbrio Seguidor de bons preceitos Dentre os quais o respeito É uma regra de convívio E quem se diz religioso Mas discrimina os outros É adepto do extremismo. . O extremismo se baseia Na profunda ignorância Daquele que alardeia Que o uso da intolerância É um método aceitável Para cercear o inquestionável Direito à liberdade de crença O extremista tem mente que ora E que em louvores adora Mas não tem mente que pensa. . Nos livros sagrados Há milhares de conselhos Sejam como santos ditados Ou como evangelhos Que têm em seu teor O exercício do amor Como base da relação Entre os filhos do grande Deus Que nas entrelinhas escreveu: ‘Sem amor não há religião’.
SÚDITOS SEM REI 30/07/2020 .
Continuar lendo
SÚDITOS SEM REI 30/07/2020 . Era uma vez uma sociedade Em que tudo era permitido Desonestos pregavam honestidade Imorais enalteciam o moralismo E religiosos sem escrúpulos Faziam da fé um escudo Para acobertar seus pecados Enquanto ladrões cínicos Travestidos de políticos Roubavam o Estado. . Havia também gente má Fingindo ser gente de bem Que não sabia o que é amar Mas sabia odiar como ninguém E que preferia a agressão Como argumentação Para resolver os conflitos Fazendo da força o meio Transformador do belo em feio E do feio em bonito. . Lá havia pessoas tolas Ludibriadas pelas palavras Que saltavam da boca De um homem que babava Enquanto ruminava o ódio Que nutria o ser mórbido Que se proclamava soberano E transformava em súditos Quem aplaudia os estúpidos Discursos de um insano. . Mas um dia o Rei deixou Cair diante de todo o povo A máscara que sempre usou Para esconder que era louco E por todo canto Surgiram sofridos prantos Que levaram muitos à morte Porque o Rei que nunca existiu Fez naquela terra chamada Brasil Surgir milhões de bobos da corte.
FORMA DE PERCEBER . A forma de perceber
Continuar lendo
FORMA DE PERCEBER . A forma de perceber Supera aquilo que é percebido A flor que acabou de morrer Traz em si o sagrado poder De criar novos campos floridos. . A dor que magoa a carne Deixando a pele vermelha Faz com que a pessoa se desarme E se renda diante do charme Dos brincos nas orelhas. . Diante da forte tempestade É triste testemunhar-se a destruição Mas experimentamos a felicidade De exercitar o amor e a solidariedade Quando trabalhamos para a reconstrução. . O momento de nos despedirmos Causa em nós enorme ferida Mas nada descreve o que sentimos Quando abraçamos quem há muito não víamos O reencontro torna bonita a despedida.
BATALHA DAS IDEIAS . Eu também quero me manifestar
Continuar lendo
BATALHA DAS IDEIAS . Eu também quero me manifestar Contra o que está a me incomodar Neste País e também no Planeta Uns marcham com gritos de guerra Outros brigam como se fossem feras E eu me manifesto com a caneta. . Criticamos os desvios do erário Nas construções dos estádios De futebol para a Copa Mas só tem direito de criticar Aquele que se põe a gritar Estando do lado de fora. . Todo aquele que vai às arenas É conivente com a triste cena Do roubo do dinheiro do povo Quem grita das arquibancadas Não tem direito a mais nada Além de considerar-se um bobo. . Eu quero um País sem corrupção No qual a pacífica população Possa ter acesso às riquezas Traduzidas na saúde, educação Segurança, transporte, recreação E ao bom alimento na mesa. . Mas rechaço o oportunismo De podres partidos políticos Que promovem a baderna Transformando as manifestações Cheias de boas intenções Em verdadeiros cenários de guerra. . Todo ato violento deve ser reprovado Seja ele do povo ou do Estado Para que a vitória se eternize Porque as lutas inteligentes Fazem surgir nas mentes As mais profundas raízes. . Grite nas ruas e sussurre aos ouvidos Ideias que criem conceitos definitivos Mas que a nossa luta seja harmônica E se lembre que a arma mais eficiente Para mudar o que nos faz descontentes É a poderosa urna eletrônica.
CONQUISTAS ALTANEIRAS . O verdadeiro corajoso
Continuar lendo
CONQUISTAS ALTANEIRAS . O verdadeiro corajoso É o homem habilidoso Que supera a si mesmo Vencendo suas limitações Transformando em realizações O que antes era medo. . O verdadeiro altruísta É o homem que fica Admirando as flores de jasmim Sem ousar arrancá-las Para não condená-las À morte fora do jardim. . O verdadeiro espiritualista É o homem que acredita Que a matéria é instrumento Para a evolução do espírito E que o aprendizado empírico Não traz verdades, mas alento. . O verdadeiro bem-sucedido É o homem que traz consigo A sempre renovável disposição De valorizar da mesma maneira As conquistas mais altaneiras E cada pequena realização.
O ROUBO DA LUZ . A noite rouba a luz do dia
Continuar lendo
O ROUBO DA LUZ . A noite rouba a luz do dia Os jardins perdem a magia O homem se sente perdido E ao ver chegar a tempestade Vê nela a oportunidade De chorar sem ser percebido. . As nuvens quando sobrecarregadas Choram com gritos de trovoadas E sinapses de relâmpagos assustadores E somente a força do carinho do vento É capaz de abrandar o sofrimento Das suas indescritíveis dores. . Para não expor a dor daquele que chora O Universo manda a chuva sem demora Disfarçar as lágrimas que rolam no rosto Com o calor as faz evaporar Com a Lua as tinge de prata no ar E com as estrelas abraça o choroso. . No silêncio da noite escura A brisa afaga com ternura A criatura que chorou E de manhã a luz devolve às flores As exuberantes cores Que a escuridão da noite roubou.
PROJEÇÃO . Usamos de projeção
Continuar lendo
PROJEÇÃO . Usamos de projeção Quando apontamos em nosso irmão O que julgamos serem seus erros Mas pensemos um pouco E descobriremos que vemos nos outros Os defeitos que existem em nós mesmos. . Rimos quando vemos pelo caminho Alguém falando sozinho Enquanto anda pelo asfalto Mas quando somos surpreendidos Falando sem ser compreendidos Dizemos que estamos pensando alto. . Quando vemos alguém revoltado Quebrando tudo o que está ao seu lado Dizemos que ele tem miolo mole Mas quando acontece com a gente Nos desculpamos simplesmente Dizendo que apenas perdemos o controle. . Mas quando apontam nossos defeitos Ficamos nervosos e sem jeito E consideramos os críticos ruins Dizemos que na verdade São apenas traços de personalidade E que sempre fomos assim.
USTRA VIVE 16/11/2018 .
Continuar lendo
USTRA VIVE 16/11/2018 . Ustra vive Nos corações pequenos Onde escorrem livres Rios de veneno E de desejos sórdidos Vindos dos mórbidos Cérebros psicopatas Em cujos neurônios Cavalgam os demônios Das mentes fracas. . Ustra vive No ideal fascista Que sem dó oprime Os bravos idealistas Que não se curvam Diante dos que furtam A santa liberdade E que mesmo sofrendo Seguem defendendo A sua verdade. . Ustra vive Nos seres moribundos Que querem reprise Dos anos de chumbo Para sentirem-se vivos Ao causarem nos oprimidos A mais dura angústia Porque é da dor Que retiram o desamor Que dá vida a Ustra.
LADO BREU . Não seja assim tão rude
Continuar lendo
LADO BREU . Não seja assim tão rude Esquecendo minhas virtudes E salientando os meus defeitos Porque assim como você Estou me esforçando para ser Um pouco menos imperfeito. . Não seja assim tão ruim Desejando só o mal para mim Em seus pensamentos secretos Porque as energias negativas Podem não ser sentidas na ida Mas o são na volta assim como os ecos. . Não seja assim tão cruel Remoendo o amargo fel Durante a sua vida toda Porque ninguém experimentará O sabor que se proliferará Apenas na sua boca. . Não seja inimigo da luz Que em sua alma se traduz Como as intenções mais belas Ilumine o seu lado breu Pois ao lançar luzes ao Céu Em troca ele lhe dá estrelas.