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Frase de EdsonRicardoPaiva

⁠Havia uma nuvem pintada Numa parede da minha infância Eu olhava pra tela e pensava Que nuvens pintadas não chovem Não se movem com o vento Não matam a sede e nem fazem crescer as flores Passa o tempo, isso arrepia! As pessoas partem noutras nuvens frias E as imagens que trazemos Vivem à margem dessa nossa realidade Mas, como eu disse, o tempo passa Enquanto isso, nós passamos juntos Apesar de juntos, sós As nuvens de verdade, elas choveram todas Num ciclo eternamente interminável O mar arrebenta Mas aquela velha amiga nuvenzinha Ainda ostenta a mesma idade Meu Deus, se ela me visse agora Talvez fosse a vez dela, então, se perguntar Por que é mesmo que as pessoas choram Por que o tempo não demora um pouco mais Mas, cada coisa tem o seu lugar no espaço e no tempo Hoje, logo cedo, os dois sairam pra brincar Lembrança guardada Se meus braços te alcançassem Se hoje meus olhos te vissem Como a vejo em meus olhares Hoje eu te diria, minha amiga nuvem Que é bem pouca a diferença Nessa dimensão, cá onde estou O tempo lento passa mais depressa Chego mesmo a ter a impressão Que ele, cruel, nos atravessa Enquanto isso, você No perene silêncio do seu céu de nuvem pintada Atravessou comigo um universo e a vida Choveu nos meus dias Regou sim, muitas flores Em cada poesia que eu lia, era ela Soprando, nos ventos que as moviam E foram muitas as sedes saciadas Sim, de alguma maneira e apesar da distância Também veio junta Desde aquela vez, na infância Pois não há nada na vida Cuja função seja nada. Edson Ricardo Paiva.

EdsonRicardoPaiva

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Outras frases de EdsonRicardoPaiva

"E tudo acaba Sendo eternamente igual Não se divide o invisível
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"E tudo acaba Sendo eternamente igual Não se divide o invisível Em partes iguais Ponto final Nada mais." Edson Ricardo Paiva.

⁠Nasce o dia na janela Bela luz que resplandece Cresce o canto de pássaros lá fora
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⁠Nasce o dia na janela Bela luz que resplandece Cresce o canto de pássaros lá fora Poesia infinita pra olhares falantes Olha o ar com olhar de ouvinte Um certo manto vem cobrir-me a alma O momento, o instante, o segundo seguinte Um mágico nascer de dia A magia sobrepõe-se à lógica Transcende ao frio caminhar das horas Põe as coisas onde estão Aquece o caminho Navega o mar sem pressa Atravessa bem devagarinho todo o ar que me permeia Se compõe, se sobrepõe, vagueia e aquece Nasce o dia como a prece que agradece a poesia primeira Tem que ver como é bonito Quando o espírito da gente Volta lá na primeira manhã Relembra o quente que era Cada sol que alvorecia e mostrava Toda gota brilhante Cada instante percorria a nova primavera Vivida ou vindoura Cada lágrima chorada Pois a vida é nada, se a gente não chora também Se são elas que douram as lembranças De todas as dores e alegrias Noites bem ou maldormidas Manhãs orvalhadas São as horas da vida e há de sempre faltar Vamos sempre carecer daquele mero instante Irmãos e irmãs, um olhar aos ponteiros Corre o tempo, passa tudo O nada, a saudade, a solidão, um sorriso e a gratidão Nasce o dia na janela, é preciso viver E se a vida é bela ainda Cada um de nós precisa ouvir A voz que tem o coração Só ela pode dizer. Edson Ricardo Paiva.

Quando o teu relógio Finalmente despertar Pode ser recordação
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Quando o teu relógio Finalmente despertar Pode ser recordação Ou a frase que porventura Lhe vier à cabeça Em mais uma oração Um ponteiro tardio Mostrando que a hora passou Um palco vazio A cortina, há muito fechada A roda gigante da vida girou Teus relógios brilhantes Mostram sempre as mesmas horas Mas os tempos são outros Este mundo está tão diferente Luzes apagadas Não há nada, não há mais ninguém Um dia o relógio desperta É momento de despedida Nesta vida Pra tudo existe a hora certa. Edson Ricardo Paiva

Margarida. O ponto de mutação Um canto de pássaro
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Margarida. O ponto de mutação Um canto de pássaro Aquele traço profundo Meus passos cada vez mais lentos Quatro ventos Quatro pontos Quatro estações Não sei em qual delas eu desço desde o começo eu desconfiava Que essa estrada Não leva a lugar nenhum Pressinto o quinto dos infernos Resumindo tudo isso Eu meço a distância e concluo a relevância do nada E é nisso Que tudo consiste Sigo mudo e cego Ouvidos ouvindo absurdos A cada dia mais corretos E cada vez menos lerdos Á minha esquerda Jaz a margarida Quase apagada Semi-desenhada na parede Milhões de Céus Bilhões de mundos Eu no chão É quando chego ao ponto Porém este de interrogação Edson Ricardo Paiva