A tantas pressas que tive na vida
Tento entender meus motivos
A vida há de passar
E realmente passou
Hoje eu olho pros lados
daquilo que vivi
Não se revive um instante
Hoje
Simplesmente vivo
Não adianta correr de nada
Nem vale a pena se apressar
A gente nunca sabe onde começa
Não dá e nem recebe a devida atenção
Enquanto ali no meio
Mas por meio de alguma coisa
Um dia isso tudo termina
Já me entristeci
Por causa de muitas causas
Faço uma pausa pra pensar
Elas tinham morrido no início
Foi meu vício em tentar vivê-las
E minha pressa
Em crer em promessas
Que não me permitiu viver
Enquanto vivo
Hoje o meu viver
Tornou-se facultativo
E meu tempo
de comum acordo com a ciência
Continua sendo relativo
Portanto
Procuro não mais viver
Tentando causar alívio
O dia inicia e termina o dia
Enquanto isso
eu vivo.
Edson Ricardo Paiva
A tantas pressas que tive na vida
Tento entender meus motivos
A vida há de passar
E realmente passou
Hoje eu olho pros lados
daquilo que vivi
Não se revive um instante
Hoje
Simplesmente vivo
Não adianta correr de nada
Nem vale a pena se apressar
A gente nunca sabe onde começa
Não dá e nem recebe a devida atenção
Enquanto ali no meio
Mas por meio de alguma coisa
Um dia isso tudo termina
Já me entristeci
Por causa de muitas causas
Faço uma pausa pra pensar
Elas tinham morrido no início
Foi meu vício em tentar vivê-las
E minha pressa
Em crer em promessas
Que não me permitiu viver
Enquanto vivo
Hoje o meu viver
Tornou-se facultativo
E meu tempo
de comum acordo com a ciência
Continua sendo relativo
Portanto
Procuro não mais viver
Tentando causar alívio
O dia inicia e termina o dia
Enquanto isso
eu vivo.
Edson Ricardo Paiva
Evite escolher demais
Nunca chegue antes no lugar
Por medo de se atrasar
Um dia teus olhos
Haverão de perceber
Que tanto quem fez
Quanto quem não fez
Ambos
Não fizeram nada
Nada bom
Nada perfeito
Somente aquilo
Que ninguém queria feito
...além de ter feito errado
Mas isso você só vai saber
Quando tudo estiver pronto.
...e tudo estiver perdido
Cedo demais ou atrasado
O fato é
Que seria melhor não ter ido
Não importa quantos lugares
existem neste mundo
Um dia, pra você
Todos eles vão estar ocupados
Evite fazer escolhas
Nem se deixe ser escolhido
Viva a sua vida
Aprendendo sempre e todo dia
Mas procure esconder o que sabe
e chorar no escuro
e... se for pra sorrir
Sorria em lugar reservado
O mundo odeia quem sabe,
e despreza quem chora e quem ri
Evite ser odiado
Este mundo tem ódio
e desprezo demais
Procure não ser o culpado.
Edson Ricardo Paiva.
"O Mundo é muito ruim
E a vida não é bonita
Deus é um cara muito distante
e não vê o que eu faço
nem sabe o que eu penso
hoje há de ser um dia
bem pior que ontem
não tenho nada pra agradecer"
E foi por pensar assim
Que passaram-se os dias
E muita gente parou no meio...
a vida seguiu sozinha
tornou-se vazia
Um dia o pano cai
mas a mente não muda
Os sonhos são varridos pela chuva
Os livros que foram lidos...esquece
agora as preces são apenas
pra que o dia não tivesse amanhecido
ou que o rio não tivesse passado
Em momentos assim
Saltam aos olhos as diferenças
Entre a mente aberta e a cabeça vazia
A vida da gente
Chega a ser inexistente
O presente é apenas
Algo que alguém desejou
A cortina se abriu
O rio correu
de gota em gota
pensamento em pensamento
palavra em palavra
o veneno transborda
e não existe outro veneno
pra curar ou ferir
Foi só abrir a janela pra saber
Que novamente não havia Sol
Pois o Sol que irradia mais forte
É o que brilha lá dentro da gente
O caminho tornou-se uma trilha
Perceba
Que as voltas do mundo
vão mudando tudo de lugar
E o passado Deus não muda
Perceba que a paz
não se resume a uma palavra
quem planta mentiras não colhe verdades
e quem semeia ilusão
há de colher desilusões.
Edson Ricardo Paiva
Pode ser que lá distante
Nem por isso tão longe assim
Pode ser que seja perto
Nem por isso diante de mim
Pode ser que em outra cidade
Seja algo que não se sabe
Mas somente desconhecemos
Até que nos contem
Pode ser em lugar distante
Porém, não assim...tão longe
Ou quem sabe
A gente até que conheça
A notícia de amanhã
de coisa ocorrida ontem
Assim vai passando a vida
A vida passando assim
A chuva que pode ser
Mas também pode ser que não chova
E pode ser que chova assim
Pode ser que a chuva nem caia
Pode ser que chova, sim
Porém, pode ser que não chova
Quem sabe ela caia em mim
Pode ser que a chuva desabe
Não nos cabe saber tanto assim
Pode ser que a chuva nem chova
Pode ser que me molhe, sim.
Edson Ricardo Paiva
Alma leve
Pensamento suave
Coração em paz
de repente a lembrança:
brinquedo esquecido
da criança que eu fui um dia
Sem querer algo me pesa
Uma certa tristeza
Vem sempre junto à saudade
e o tempo prosseguiu fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Pensamento é quase tudo
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças que entristeçam
Quando a fruta apodrece
A semente germina
Uma coisa termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Quer dizer ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Mas as coisas prosseguem
Estando aqui e ali
A vida rumando
A caminho de um fim
Talvez tudo simplesmente
Seja nada a caminho de nada
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente seja isso
Creio
Que talvez seja difícil agora
Olhar a tudo e compreender
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Pois a paz tão procurada
Quanto o brinquedo esquecido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo isso um dia a gente vai achar
Escondido nas dobras do tempo
Portanto
Mesmo que não sejam
Aquilo que imaginamos vazio
Precisa ser e estar
em equivalência com o Todo
O tudo e o nada
de forma a permanecerem
Perene e eternamente
Perfeitamente equilibrados
E é nisto que tudo consiste
Universo Perfeito
Alegria demais inexiste
e em contrapartida
nada pode ser assim... tão triste
Edson Ricardo Paiva
Uma brisa mais leve
Um breve pensamento
E talvez eu me lembre
Onde foi que perdeu-se o brinquedo
Da criança que um dia eu fui
Mas o tempo prossegue fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças tristes
Quando a fruta apodrece
A semente germina
E assim que termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Vai representar ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Porém se não o fizer
Morrerá sem descobrir
Por que as coisas estão
Aqui e ali
E mesmo assim
Todos prosseguimos caminhando
A caminho de um fim
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente represente um nada
Creio
Que talvez seja difícil agora
Compreender a tudo isso
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Que seja pouco mais que nada
A paz tão procurada
E aquele brinquedo perdido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo, com toda certeza permanece
Escondido nas dobras do tempo
E o tempo jamais se esquece
Portanto
Se de fato nada existe
Pense que isto traz a conclusão
da impossibilidade
de realmente inexistirem
Afinal, você pensa
E é nisto que tudo consiste
E, se tristeza não há, então
Nada pode ser assim... tão triste
Edson Ricardo Paiva
Vita.
Nesta pouca vida
Quase tudo é verdade inventada
Uma grande quantidade de ar azul
Deserto suspenso, que de perto, é nada.
.
Penso ser tudo olhar da mente
Todo dia é sempre dia
de partida, chegada e olhar desatento
O mundo gira pro mesmo lado, sempre.
.
Essa vida é um castelo de cartas
Uma folha no chão
Uma pluma no vento.
.
Pluma, vento, chão , mente que mente
A gente só vê ao que quer e inventa
Quando a lente do olhar aumenta: é o nada.
Edson Ricardo Paiva.
O ato de querer
Nisto consiste a vida
De fato, é isto que impede
Da gente viver por viver
Imperfeito, o coração deseja
Os olhos anseiam
A alma implora
de tanto querer
O coração fraqueja
A alma pesa
Os olhos ... esses choram
Deplorável carência
Louvável vontade que existe
Num triste querer de verdade
Querência ... daquela que dói
Rói o coração
Quase pára, bate lento
Na dor que dói, tão doida
Então, por que será que a gente
Insiste tanto em viver
Se nisto consiste a vida?
Edson Ricardo Paiva.
Quão grandes desejos
A gente vive nesta vida
Estariam sempre ali
Ao alcance dos dedos
Ah, se você tivesse
Acordado mais cedo!
Mas o tempo, exauriente
Faz o medo da vida
Uma constante companheira
Um dia, os dias não são mais
Tão longos bastante
Estamos mais perto da partida
Que da hora da chegada
Os desejos, reluntantes, permanecem
Vontade em conhecer felicidade
Sempre ali, francamente retraída
Eu a pude sentir entre os dedos
Se todo mundo aceitasse o que procura
No momento certo em que vê
Mas prefere o deserto profundo
E coloca entre a gente e o mundo
Na ausência que fere
Essa dor que perdura
Parece que tiveste preferência
Em ferir-me de morte
De sorte que durasse a vida toda
Dividida entre desejo e sofrimento
O espaço de um abraço
Os laços do lado oposto
Sarcasmo em cuspir-me no rosto
Hoje pensa em falar-me de ofensa
Em sentir-se ofendida
Quão grande era o desejo
Eu pude senti-lo entre os dedos
Eu queria ter sido feliz
Esta vida foi tão rude
Vida, eu te juro que fiz o que pude
E de troco, recebi tão pouco!
Edson Ricardo Paiva
A beleza duradoura
No lugar onde o tempo inexiste
Esperança
Em tudo que podia, sim
Ter ou não ter sido
Só presente
Sem futuro ou passado
Beleza eternamente bela
Aquela na qual se acreditou
Tendo ela acontecido em mim
Assim eu vou levando a vida
Lembrando da esperança
e da fé que depositei
Agora estou vivo ainda
Perdidas tantas apostas
Creia ainda na beleza das promessas
da vida que há de existir depois desta
Onde a gente simplesmente
Depositou tanta esperança
Beleza ilusória
Alegria inexistente.
Edson Ricardo Paiva.
Veja sim
O Mal em mim
Pés que pisam em flores
Porém
Outros pés
Pisam sementes
Eu ouço a tudo calado
O Mal, por demais ocupado
Lançando fora os pomos colhidos
Chega a ser tão triste
A mesma história repetida
Desencontros marcados
Aquilo que queria
Sem saber que queria
A terra, o Sol, as sementes
Os pés que as pisaram
Hoje, olhei pro Céu
O Sol ainda arde
Hoje, lembrei de palavras
Há muito esquecidas
Ainda guardadas
Nada vai mudar tua decisão
Então
Não pense no mal que há em mim
Olhe pra dentro
E assim
Pés, sementes, tempo, vida
Hoje o Sol ainda arde
Agora é outro dia
O tempo que não se viu
Nem se quis o que se queria
Longe vai
A vida passou
O Sol se põe
Tarde
Agora é tarde.
Edson Ricardo Paiva.
Que cresça livre o matagal
Sopre o vento e desafie pássaros
Amanheça amanhã meu quarto escuro
E no silêncio da alvorada
Eu possa sim
Não pensar em mim
Que flua a vida sem direção
Ninguém pode me dizer onde dói
Quando sou eu sentindo a dor
Liberdade
Nem sempre é queda livre
Por mais que eu caia
Jamais saltei de tão alto
Fazer tudo que tem vontade
Não é liberdade
Que cresçam livres as flores
Recomece a vida
Não há nada além de nada
Sopre livre o vento
Lentamente eu me levanto
Abro a janela
Entre a luz na minha vida
Que cada amanhecer
Seja sem dor nem despedida
A vida é composta de tempo
Não é todo mundo que aprende
Mas a solidão da noite ensina
Que toda escuridão termina
Pois quanto mais se escuta
Mais encontra luz no silêncio
Edson Ricardo Paiva.
Mas é claro que essa luz clareia
Na dúvida, resta sempre o óbvio
Mas ninguém presta atenção
A culpa que se esconde
Meia-lua, lua e meia dupla
Noite escura, lua-cheia
Escuridão na vida
Na certeza, uma ponta de dúvida
Uma corda, uma pedra, uma ponte
Atrás da porta fechada
Um tudo ou nada
Por detrás de uma janela aberta
A pesada cortina
Uma luz apagada
Uma dúvida certa
Uma vaga certeza
Mas é claro que essa luz se apaga
Como há de se apagar
A própria vida.
Edson Ricardo Paiva.
Mais daquilo que pode ser
Se ao menos valesse a pena
A palavra ouvida
A frase escondida nas entrelinhas
Poderia mudar tanto a vida
Que segue muda
A vida
Longa estrada, distraída
Um dia, lá no final, se percebe
Que a frase despercebida
Não foi lida
Nunca vamos saber
O que é que teria sido
Se tivesse sido
Do jeito que não se fez
Agora não tem mais jeito
Está desfeito
O que podia ser.
Edson Ricardo Paiva
Tem dias que se olha pro Céu
E procura encontrar figuras nas nuvens
Prende o coração no peito
Com pedaços de arame
E, não havendo outro jeito
Segue a vida
Repleta de dados imprecisos
Indiferente ao nome que a gente a chame
Esconde tristeza no sorriso
Sorrindo onde estiver
Até quando o sorriso durar
de resto, nada
Laços azuis por trás das nuvens
Um espaço, um pequeno indício
do que um dia
Podia ter sido vida
Fadada ao fracasso, desde o início
Esquecimento
O endereço e o rumo de tudo isso
No desenho das pegadas
E poeira da calçada.
Edson Ricardo Paiva
Talvez as palavras
Nós somos os únicos
Seres de toda uma criação
Que aprendemos desde muito cedo
Que existe um coração dentro de nós
E temos medo das palavras
Por não saber usá-las
Talvez o silêncio
Que sempre cede espaço ao pensamento
Pode ser que esse
Seja o maior culpado de tudo isso
Por haver em nós esse jeito
Em abusar do direito
de pensar sem compromisso
Na palavra
Que mata e que fere
Palavras nas quais
Muitas vezes pensa-se agora
Mas falou-se
A mesma palavra, por ora trouxe
E depois mandou embora
Talvez esquecimento
Que não se lembra exatamente
Do que se quer e procura
No momento em que a gente acha
Mas tem sempre tem a palavra dura
Que desconhece a força de fera
A lei da espera e da tortura
A verdade mais pura
É saber que este mundo é uma esfera
E ela gira
Tudo muda de lugar
Em um segundo
E de segundo em segundo
A vida passa.
Edson Ricardo Paiva
No som do silêncio
Eu ouço o ruído
das coisas que penso
Muita coisa faz sentido
Outras apenas se sente
E tanto se sente
Que o corpo fica dormente
O som do silêncio
Se torna um zunido
Uma coisa constante
Como as coisas que penso
E se penso tanto agora
Talvez seja porque não pensei
Quando era hora
A hora voa
Flutua no som do silêncio
Talvez a vida não seja boa
O mente atordoa e se esquece
Talvez de cansaço
Talvez seja entrega
Tarde demais pra pensar na vida
Ouvindo cada vez mais longe
O ruído das coisas distantes
Que mereciam ter sido esquecidas
Adormeço ao som do silêncio.
Edson Ricardo Paiva.
A gente vive
Mas não é preciso viver
A gente nem nasceu porque quis
E se acaso quis nascer
Esqueceu-se do porquê
Ninguém precisa ser feliz
Desnecessário ser triste, ou coisa assim
E há de ser até o fim
Essa coisa sem sentido e torta
Muita coisa sem começo
E todas elas tem fim
Tudo fica no pretérido
Vegetação sem raiz
Sem ar e sem luz
Mas a gente vive
E mesmo se a gente voasse
A vida é sempre só aqui
Por mais lugares você fosse
A conclusão sempre fatal
As coisas são diferentes de longe
Mas de perto é tudo igual
Fatalmente
A gente não tem pra onde ir
Tudo isso quando se vive
Olhando pra fora da gente
Pode acontecer
De um dia finalmente olhar no espelho
E chegar à conclusão
Que o mundo que se procura
Nunca esteve ao lado da gente
Muito menos lá na frente
No espaço ou no passado
Eu sou a melhor pessoa
Eu sou o melhor lugar para estar
Todo o resto
É tempo perdido à toa
Pois eu sei quem sou e me conheço
Nesse momento eu começo
A gostar de mim
De um jeito que eu sei que mereço
Ainda não me lembro porque nasci
Também não sei se foi porque quis
Mas, já que estou aqui
Finalmente estou decidido
A viver
ser feliz.
Edson Ricardo Paiva.
Quem poderia dizer
Que hoje seria assim
Se tudo que dá na terra
Acontece por sob ela
Ocorre com o passar do tempo
O frio em calor transforma
E assume outra forma
Cada essência traz um gosto e seu aroma
Acontece nas fibras mais íntimas de tudo
Entrelaçando e trançando
Coisas que cegos que enxergam
Acreditam tê-las visto em linha reta
Resultado inesperado
E o jogo ainda no meio
Alguns crendo saber tudo
Sem ao menos suspeitar
Onde vai e a quê veio
Faça as tuas apostas
A resposta aparece ao anoitecer
Numa linha de tempo diferente
Tênue e muitas vezes branda
Mais ou menos parecida
Com o jogo de mais e menos
A mesma luz
Que faz a química da vida
É a luz que desvenda a mímica mal feita
da terceira versão
Nisso consiste a perfeição da vida
Onde cada um de nós se conduz
No escuro caminho da solidão
É tudo espetáculo de sombra e luz.
Outro dia
Nada é eterno
Lá fora o escuro
E agora só chove
Molha a roupa do varal
E tanto faz
Não chega a ser tão mal assim
Essa noite está tão morna
Nada excede
Tudo em seu lugar
Distante, como sempre foi
O tempo parece eterno
Mas só o que dura pra sempre
É sua lenta passagem
Correndo eternamente
Numa viagem sem volta
A chuva caindo do Céu
A noite sem sentido
O ruído do vento
E o sentido do tempo é pra frente
Nada é eterno
Tudo passa eternamente
A gente é que não vê.
Edson Ricardo Paiva.
Pensamento
Eu pego uma porção
Do silêncio que me acaricia
Divido em pequenos momentos
Escolho a parte mais bonita
E depois eu a guardo
No mesmo lugar, onde durante uma vida
Eu sempre procurei guardar
Um sorriso reservado
Pra tantas alegrias sinceras
Que ainda estão ali, guardadas
Divididas
Entre um e outro pensamento
Embrulhadas em porções
de pequenos momentos
À espera do esquecimento
Visitadas amiúde
Tão somente
Pelo som desse silêncio
Que tristemente me acaricia.
Edson Ricardo Paiva.
Por mais que a verdade doa
Nunca minta pra si mesmo
Como quem mente
Com tanta desenvoltura
Que chega a crer
Na verdade das próprias mentiras
E jura que viu o não visto
Quando nega ter feito o malfeito
Insiste em não ver o que vê
Mas o tempo vai passando
E desvenda o oculto
A verdade mal contada
Um dia destoa na orquestra da vida
A lágrima contida
Com certeza um dia vai rolar
Se quiser, aproveite a hora pra chorar
Todo mundo sabe
Não existe um choro reprimido
Que um dia não doa
E dor, se muito guardada
Quando manda uma notícia
Não costuma ser notícia boa
Nem sempre sorriso é alegria
Assim como rotina
Não precisa ser igual todo dia
Alguma coisa acontece
Não há nada que se faça
Ou se possa fazer, quanto a isso
Existe um compromisso
Selado, assinado e não-escrito
Aproveita o teu tempo bonito e sorria
Mais dia, menos dia
A vida acontece
E quando acontece
O igual não é mais igual
Pra bem ou pra mal
As coisas mudam
São mudanças que se queria
Quando se queria que nada mudasse
Que bom seria
Se o mundo soubesse sonhar
Pois a vida acontece
E às vezes acontece
De um jeito que ninguém
Nem sequer sonhou que aconteceria.
Edson Ricardo Paiva
Vivendo a vida
É assim que se vive a vida
Viver é coisa tão simples
Que a gente não vê
Em qual altura da vida
O viver se tornou complicado
A vida nada explica
Apenas fica
Viver a vida
É dar tudo que tem
Pra quem
Faz festa e nem te convida
Vivendo a vida a gente vê
Que nesta vida
A gente chega sem nada
E fica
Aos poucos
Tudo complica
E
Ao que tudo indica
Um dia a vista enfraquece
A cabeça passa a esquecer
O quanto a vida esqueceu a gente
Então
Simplesmente se vive
E se erra tudo novamente
E vai vivendo na marra esta vida
Tempo perdido
Dedicado a fazer
E vai fazendo por ser lembrado
Tendo ao lado
A vida
Esquecida e complicada
da qual
Um dia a gente sai
E quando vai
Não leva nada.
Edson Ricardo Paiva