Hoje em dia eu nem sei mais
O que é claro e o que é escuro
Nem sei mais a diferença
Entre o raro e o banal
Hoje eu não mais compreendo
O que é vento e o que é mar
O que é lento ou está parado
O que é fumaça e o que é ar
O que não tem graça
e o que é pra rir
Quem está contra mim
e quem está ao meu lado
Quando eu vou dormir
está de um jeito
Quando eu acordo
Não sei se acho feio ou bonito
deixaram tudo misturado
Não sei se o Mundo anda esquisito
Ou se sou eu
Que ando meio pirado
Agora mesmo eu estava lendo
Um artigo que dizia
Que aquele problema antigo
Que parecia resolvido
Será recebido de volta
e com festa
E nessa festa haverá música
e serão cantadas
canções sem nenhuma poesia
dizem que a moda agora é esta
Eu olho pros lados
e não sei dizer quem é homem
Parece que o normal
hoje em dia é ver a fome
Como coisa natural
E que os salvadores
na verdade
São aqueles
Que a todos comem
Me disseram que agora a cobra voa
Eu concluo que por mais que eu diga
Estarei falando à toa
Pois hoje o mal é coisa boa
Hoje em dia eu nem sei mais
O que é claro e o que é escuro
Nem sei mais a diferença
Entre o raro e o banal
Hoje eu não mais compreendo
O que é vento e o que é mar
O que é lento ou está parado
O que é fumaça e o que é ar
O que não tem graça
e o que é pra rir
Quem está contra mim
e quem está ao meu lado
Quando eu vou dormir
está de um jeito
Quando eu acordo
Não sei se acho feio ou bonito
deixaram tudo misturado
Não sei se o Mundo anda esquisito
Ou se sou eu
Que ando meio pirado
Enquanto todo mundo quer mais
Meu coração deseja um pouco menos
Menos astúcia, menos desconfiança
e um pouco menos angústia
Meu coração de criança
deseja que não houvesse
este excesso de falsas promessas
Proferidas por tantas mãos
unidas em prece
Eu queria que no mundo houvesse
Menos dor, menos rancor e falsidade
Procedente deste excedente de má vontade
Queria viver, enquanto há vida
Uma vida que fosse, ao menos levemente
uma vida de verdade
Enquanto meu coração pede menos
Os meus olhos pedem mais
Mais abelhas entre as flores
Mais aviões no Céu
todos feitos de papel
Mais sapos a cantar na noite
Mais estrelas visíveis
No clarão da madrugada
Mais sonhos possíveis
Mais frutas nos pomares
Promessas verdadeiras
Agradecidas nos altares
Sorrisos costumeiros
e cumprimentos matinais
e poemas madrigais
e que houvesse lugar pra todos
O último e o antepenúltimo
O primeiro e o segundo
Meus olhos desejam ver
Um pouco mais de amor neste mundo.
A cada vez que eu penso
Em deixar de ser quem eu sou
Imagino então outros três
A viver o que eu vivo
e fazer o que eu faço
Um deles não fala, nunca tem vez
O outro não pensa, tampouco se abala
e o terceiro tem nariz de palhaço
Acho que na verdade
Eu já sou os três
Em um concentrado
Ou um quarto
Que é sempre deixado de lado
Portanto
Se ninguém se importa com o que sinto
tanto faz
Vou deixar de lado o Mundo
e transmutar-me
em um quinto homem
daqueles que somem
naquelas horas em que o procuram
Aqueles que dele precisam
Vou tornar-me somente
O Mudo e esquecido
Homem invisível
Um nariz de palhaço flutuante
e seguir adiante
Nesta vida
Que dizem ser uma festa
Onde me oferecem aquilo que resta
Quando alguém me convida
Abrace antes o Mundo
E encare a vida face a face
Mergulhe fundo nos teus sonhos
Antes que os anjos se afastem
E o tempo leve seus melhores amigos
Não deixe que seus desejos
Se transformem em sonhos antigos
Sem que antes tenha tentado
Não existe nenhuma garantia
de que vão se realizar
Mesmo assim
Não permita que um dia
Você mesmo se cobre
Pelo arrependimento nada nobre
de ter visto a vida passando
e que você não disse
não fez, não foi e nem viveu
por medo
Não permita que enterrem
Junto a ti
Os teus segredos
Viva os teus sonhos
Grandes ou pequenos
E permita que eles permaneçam vivos
depois de você
Os anos se passaram
O tempo passou
Os minutos passam em fila
dois minutos
jamais passaram lado a lado
Faça as contas e confirme
Que agora, neste momento
Você já está no passado
Passou de tal maneira, tão tranqüila
E nem ao menos percebeste
Que este momento já é o seguinte
Somos espectadores, coadjuvantes ou ouvintes
Jamais protagonistas
em nossas frustradas conquistas
A vida passa
E por mais que a natureza nos ensine
Assumimos somente a autoria
daquilo que em vitórias resulte
Não insulte o tempo
Ele é um ser magoado
Que se vai e nunca volta
O minuto presente
Um dia há de fazer falta
Tente você
Tentemos nós
Honrar nossos compromissos
Assumidos com o Mundo
E poder olhar sorridentes
Os segundos que haverão de vir após.
Tantas lembranças eu tenho
Algumas afogadas em taças de vinho
Outras eu queria não ter visto
E que a vida houvesse sido
Qualquer outra coisa
Exceto isto
Todas deixadas ao longo do caminho
Algumas dessas dores eu cobri com flores
E de uma maneira ou outra
Nós vamos vivendo
Bebendo essses remédios que a vida dá
Sem ao menos ler as bulas
Sorrindo quando o Sol
Sem me dar alternativa
ilumina a minha cara
e chorando de forma furtiva
No silencio impenetrável
das infindas noites escuras
Em que à beira de fogueiras
Às vezes minh'alma dança
Triste ou feliz
Por haver em minha vida
A sorte ingrata de haver no coração
Tantas lembranças.
O Universo permanece imparcial
Mesmo quando parece que não
E qualquer coisa pareça
receber um tratamento especial
Desigualdade é ilusão
O reverso e o avesso
O Céu e o chão
Filhos da mesma natureza
A Natureza é um amor
Cuja confiança nós desmerecemos
Uma tábua de leis
Que nós não lemos
E que às vezes
se apresenta enfurecida
Nos forçando a reaprender
O lado leve da vida
A vida, curto e eterno
Período de tempo
No qual dividimos energia
Com o ar, com os mares e as pedras
Poeira de estrelas
e com a própria vida
Que compõem e se espalha
Por este imenso Universo
Onde, apesar de nossas ilusões
Nada falha
A luz e a escuridão
Divididas com plena igualdade
Onde a única ilusão existente
É a existência do mal
Que não existe
Portanto, não fique triste
Pois o Universo
Permanece imparcial
Não gosto de manhãs chuvosas
Elas causam-me melancolia
Sinto o oposto pelas noites estreladas
E apesar disso
As estrelas e as gotas de chuva
Não estão interessadas
Em nada que eu sinta
Simplesmente caem ou brilham
Estrelas brilham quando saem
Gotas de chuva brilham quando caem
Estrelas caem do Céu em noites claras
Em raras manhãs a chuva pára
Após terem caído sem mostrar
durante a noite
Seu brilho sem par
A melancolia
Também é algo assim
Simplesmente uma saudade ímpar
de coisas que eu não vivi
ou manhãs das quais eu me esqueci
Nem tudo no Mundo muda
Quando amanhece
Mas tudo na vida vai mudando um pouco
Conforme vai passando o dia
Quando nada mais houver
E se não restar
nem mesmo a dor
Agradeço pelo que tive
Mesmo estando assim
tão distante do começo
fico feliz pela tarde
Quando chove
Observo o alarde que faz o mundo
e agradeço, mesmo quando
dentro de mim
Nada mais se move
Me apego ao apreço
Que um dia, porventura
houver existido
pela pessoa que eu era
A vida não passa
Nós passamos pelo Mundo
a vida espera
às vezes fingida e mentirosa
e há dias em que é sincera
e claramente fria
Quando mais nada houver
e acabar-se o que havia de melhor
assim como também não existir
amor, calor ou dor
estio ou frio
Nada pra sentir
e nenhum lugar aonde eu ir
Ainda assim
Espero que ainda possa ver
as aves no Céu
Simplesmente pra se olhar
Mesmo que em meu caminho
haja apenas as quedas
E esta vida eu já nem viva
Nesse dia talvez eu compreenda
Que por mais que a vida tente
e a gente jamais aprenda
Seja ela gentil, sutil ou incisiva
haverá de existir pra sempre
A alternativa de vivê-la
desta maneira
um tanto contemplativa
Hoje eu vou
Passear com meu amor
do jeito que a gente queria
Vamos rir e nos divertir
esquecer um pouco
dos problemas desta vida
e vivê-la
Vamos caminhar na praia
Antes que o Mar se esvaia
Ver o nascer o e pôr do Sol
Se Sol houver
Se não tiver praia e nem Sol
Não tem nenhum problema
Estaremos na companhia um do outro
e isto, na vida
é tudo que vale à pena.
Se por promessas vazias
Fiaste em vão tua vida
E se tudo agora
nada mais significa
Te lembres sempre
De uma Promessa anterior
De que do teu coração
Seria varrida toda dor
Esta promessa não morreu
Esta Palavra é a que fica.
A escuridão só pode existir
até determinado ponto
à partir do qual ela já nem cresce
A escuridão simplesmente
não mais escurece
Assim também pode ocorrer
Com a claridade
Com a sua idade
e até mesmo com a vaidade
Existem limites latentes
embutidos ou inerentes
Existem limites para a nossa paciência
A nossa ciência também
é por demais limitada
Existe sim, um fim para o nada
Assim como os há para quase tudo
Mas não existem limites
Para o amor e o conhecimento
Apesar de nós mesmos
Através do uso
de todas as nossas limitações
Impormo-nos limites
a todo momento
Porém para todo momento
Também existe um fim.
Um anjo montava guarda
vestido de branco
Tinha em suas mãos
o fogo da espada
Guardando os portões
dos túneis da História
e tudo que se passou
de alguma forma
lá ainda está
Os últimos que embarcaram
naquele trem sem volta
Os primeiros a ser encontrados
Milhares de anos depois
E aqueles que desapareceram
pra nunca mais voltar
Os segredos que foram queimados
E os portais que se abriam
pra dois lados
É como se fosse uma fotografia
de um rio que correu em outros dias
Passou e permaneceu
E continua a correr
Em outros casos
Nem nasceu ainda
Aquilo que começa
e tudo aquilo que finda
de alguma forma
hoje, agora; Está tudo lá
Toda vergonha e toda a Glória
Atrás daqueles portões ainda estão
levados pelo rio
revelados na fotografia
escondido há milhares de anos
Aquilo que estava e não estava nos planos
Tudo isso aconteceu
e ainda vai acontecer
Hoje, antes que termine o dia
Cada amor que nasceu
tendo ele acontecido ou não
Tendo que passar obrigatoriamente
Por todos aqueles rincões
e aqui
Senhor, Deus do infinito
Que se faça hoje em minha vida
Tudo aquilo que disseste
Caia sobre mim, Tua Luz Celeste
e tudo mais que Está Escrito
Aquilo que me foi revelado
e tudo mais, que porventura
Ainda me for oculto
Tudo que acho e sempre achei
Muito bonito
Mostra a mim, Meu Pai
Teu Rosto, Tua Verdade, Teu Vulto
Revela a mim Tua Bondade e Teu Amor
Retira a dor do meu caminho
Retira a mim mesmo do caminho dos homens
Me mostra, Meu Pai, como é doce a Tua Companhia
Se, porventura, houver chegado ao fim minha missão
Senão, esclarece-me uma vez mais
Por teu amor e compaixão
Só não me deixe aqui no chão
Vivendo à esmo
Faz então, um cisma em minha vida
Eu sei que o Senhor pode dividí-la
Como bem lhE aprouver
Me mostra o que o Senhor quer
e pretende de mim
Pois muita coisa aqui, chegou ao fim
Portanto
Não me abandona, Senhor
Vivendo de um modo qualquer
Uma vez e apenas uma vez
nesta longa vida
Repleta de sentimentos mundanos
a gente acaba por conhecer alguém
uma vez e apenas uma vez
nesta curta vida
a gente acaba por amar
uma pessoa, que outra igual, não tem
uma vez e apenas uma vez
o que restava da minha, eu quis dividir
meus próximos cinquenta
talvez, sessenta anos
ela se chamava Nadir
Me fazia feliz
Me fez chorar e me fez rir
Me fez sentir
Vontade de ficar
Quando era hora de partir
Vontade de voltar
Sempre que precisava ir
E uma saudade
que ficava além de qualquer vontade
Uma vez e apenas uma vez a gente ama
e sente vontade de dividir tudo que tem
dá vontade de nem ter nada
dá vontade de trocar tudo
pelo som de uma risada
Que há de ecoar
Na lembrança e no coração
por anos e anos e anos
Ficar longe
é algo que não estava nos planos
uma vez e apenas uma vez
nesta tão ingrata vida
Acaba aquilo que a gente tentou
e a gente tenta de novo
e tenta e tenta e tenta
tenta quarenta, talvez cinqüenta
mas, se mesmo assim algo se acaba
o coração se fecha
E ali ninguém mais entra
O mundo desaba
vem a dor
vem a saudade
mesmo assim
Nunca se acaba o amor
Quando ele é de verdade.
A sutileza de certas nuances
Não permite que teu pensamento
alcance com exatidão
a noção do que resultará
daquilo que acabaste de fazer
Num primeiro momento
Você simplesmente
Se auto felicita
Acredita com toda convicção
Que se acha coberto de razão
A razão é lacaia do tempo
Não há quem sempre saia
de toda contenda na qual se enfurna
Invariavelmente correta
Os dias passam e tudo se encaixa
Quanto menor a prepotência
Menos prejudicial a ti mesmo
Será tua queda.
Quanto mais distância toma
Mais podemos enxergar as formas
disformes e tortuosas
das normas que cumpríamos
descobrindo assim
O quanto é bom chegar ao fim
um tempo em que vivemos
de alegrias fictícias
Saber que nunca houve
Primazia e nem primícia
chegar ao dia
Em que finalmente a gente pode
escrever a mais bonita
Poesia infinita
dedicada à tristeza que acabou.
Pra eu gostar
não é preciso ter nada demais
me basta aquela beleza
que não se vê
pois esta não se desgasta
Uma franqueza única
daquelas que não se explica
tampouco sabe que tem
simplesmente existe
Quando tudo mais se vai
é isso que fica
aquele tipo de alegria
que não carece de sorriso
Que não quer e nem se ocupa
Em pensar no que a gente pensa
Deixa a gente feliz
com sua modesta presença
Não é preciso fazer festa
nem ter nada que mande buscar
aquilo que o mundo venda
As pessoas de maior valor na vida
São aquelas que não se compra
A pessoa mais bela
nada diz e nem pergunta
sabe daquilo que a gente gosta
e faz
sabe o que a gente não gosta
e não faz
e gosta do que eu faço
sem fazer propaganda
Não obedece e nem manda
e mesmo assim, faz tudo certo
Se eu gostar
Quero que esteja por perto
e conte comigo
Praquilo que vier e não vier
e que me faça sentir saudade
Sempre que não estiver
Hoje o mundo ainda não é mágico
Mas seria fantástico assim mesmo
Se vocês estivessem aqui
Enquanto vocês dormem seu sono profundo
procuro corrigir este lugar
A cada segundo, tentando melhorar o ar
Que haveremos de respirar
No dia em que nos reencontrarmos
Aqui, nada flutua à toa, ainda
Mas a gente cultua uma Divindade
Suprema e muito linda!
A mesma que os acolheu ai no Céu
Existem sim, tardes infindas aqui
desde que vocês partiram
Muita coisa mudou
Outras permanecem muito iguais
E assim permanecerão
Não existem mais aqueles lamaçais
tão divertidos
Que a gente pisava
nos ensolarados domingos de manhã
de nossa, a cada dia mais distante
rica e saudosa infância
Mas no meu coração
Muita coisa permanece como antes
Pois a aliança firmada com os anos
nada e nem ninguém haverá de quebrar
mesmo que o destino
tenha mudado os nossos planos de meninos
Até o dia
Em que novamente nos virmos
Fica guardada aqui no peito
do mesmo jeito
aquela profunda amizade
amados amigos e primos
irmãos de verdade
Que a vida me deu
e que o tempo levou
Tem gente que diz que sou louco
Não gosto e também não discordo
Sua opinião resulta
do muito pouco que entende
Eu creio que a gente
não depende de muitas coisas
que nos ensinaram: Estava errado.
mas a imensa maioria
as abraça hoje em dia
Como a Verdade Universal Iluminada
Desde que não lhes tirem nada
Que disseram que era nosso por direito
Mesmo assim eu creio que ainda é possível
haver Perfeição no Mundo e na Humanidade
Acredito que a Verdade nunca esteve oculta
Ela está nas palavras ditas exatamente
Nas horas e lugares em que todos estavam
Pensando em outra coisa, olhando pro lado
ou... não raro e normalmente
Preocupadas com o próprio umbigo
Admirando a sí mesmos
diante dos seus espelhos
Agradecendo a Deus por Tê-los feito
Tão espertos, tão bonitos, tão perfeitos
...tão senhores de si
sabedores de todas as respostas.
Que chegam a comentar intimamente
com seus egos,
"É de mim que Deus mais gosta
olha o resto, veja esta gente:
Eu sou muito mais bonito e inteligente"
Tem gente, então que me acha louco,
por crer piamente que isso tudo
é perfeitamente dispensável
A qualidade essencial de uma vida
É aprender a ouvir a voz que sopra o vento
Conversar com a Lua
ler mensagens nas estrelas
Sentir o carinho nas gotas de chuva
Quando a chuva cai.
Enxergar as irradiações positivas
de energia telúrica
emanando da Terra em direção ao Sol
Toda tarde quando o Sol se vai
reconhecer o olhar de um passante
Transmutado em andarilho
buscando um lugar
pra dormir na rua
compreender que ali vai meu Pai
e aqui está seu filho
É assim que enxergo a vida
é nisto que eu creio
Esta é a minha crua opinião
e, sinceramente
tampouco importa-me a sua