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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Na paz de mais um dia Que eu vejo amanhecer assim; sereno Olho pra Terra, olho pro Céu
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Na paz de mais um dia Que eu vejo amanhecer assim; sereno Olho pra Terra, olho pro Céu Imagino a imensidão deste infinito Impossível calcular A vastidão deste Universo, tão bonito Difícil crêr Que este Sol tão imponente já nem brilha Num espaço relativamente curto Que eu perceberia Se pudesse seguir esta trilha Olho pra Terra, olho pro Sol Instintivamente me sinto Parte integrante de Algo muito maior Sou parte do Todo que existe Daquilo que vejo e que não vejo Acontece e aconteceu Disto tudo fazemos parte Você e eu Aquele que partiu e o que ainda não nasceu De alguma forma estivemos e estaremos sempre Tanto lá quanto aqui Na paz de mais um dia Dia que há de passar Pois tudo passa Hoje o Sol brilha no Céu Sua Luz me abraça Eu também haverei de passar Como passam os dias Mas outros dias virão Outras pessoas também As coisas vem e vão passando Passaremos eu e o dia Pra sermos ainda lembrados Vez em quando Tudo que existe aqui haverá de existir mais além deixo às crianças do futuro Um "bom dia!", um abraço e um "Amém"

Tem coisas que vem com o tempo e chegam exatamente No momento que a gente nem lembrava
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Tem coisas que vem com o tempo e chegam exatamente No momento que a gente nem lembrava Acontece naturalmente Deve ser coisa da idade Saudade das pessoas Vontade de dizer e de fazer e de viver Somente coisas boas Isso tudo havia no passado Mas no presente Todas elas chegam assim Acompanhadas do saber consciente Que simplesmente são impossíveis A gente pode sim, escrever uma canção Que traga uma certa alegria ao coração Mas pra ser feliz, plenamente É preciso ser criança Ou egoísta Se a pujança fosse coletiva O Mundo seria uma festa Haveria muita alegria Haveria dança Haveria harmonia Mas não há Não me pergunte por quê Tudo que nos resta É esperar E não perder a esperança É não deixar de ter vontade Tudo isso é possível Mas é impossível Tem coisas que a vida esconde E que a idade não responde Enquanto esperamos uma chance de viver Vamos vivendo

Às vezes eu me sinto assim Sozinho e esquecido e é nesses dias
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Às vezes eu me sinto assim Sozinho e esquecido e é nesses dias Quando eu me vejo perdido Que percebo O quanto eu pensei em outrem Enquanto nem pensava em mim Ontem, perto do final do dia Chovia, choveu bastante Meus olhos delirantes e meu pulso vacilante Concluiam, quase que perplexos O quanto que de tempos em tempos A vida se revela Algo que parece carecer de nexo e o tempo, apesar de complexo Muitas vezes me parece desconexo A gente se esquece quase sempre Que a chuva exagerada de uma noite No dia seguinte desaparece Não deixa marcas Muitas vezes, pensamentos simples daqueles que nos chegam aos poucos e aos poucos nos invadem de repente te fazem olhar a sua vida e perceber que pode ser tarde, muito tarde São coisas assim que deixam marcas Maiores que as maiores tempestades.

O Universo O Verbo divino o Criou Povoou o Céu com Estrelas
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O Universo O Verbo divino o Criou Povoou o Céu com Estrelas Pra que você pudesse olhá-las e dizer que Deus não existe Afinal, chegaste à Lua! Quem pode ser melhor que você? Hoje és Político Crítico de Arte Oficial de carreira Cientista, Artista, Cineasta Cantor, Ator, Poeta Basta! Todo aquele que se vê e se crê Como grande E não crê na divina grandeza Não passa de um imensurável Pateta Em pleno gozo da sua falta de capacidade utilizando suas piores faculdades Em escalas menores Inversamente proporcionais Elétrons rodeiam Prótons e Neutrons Como se Planetas fossem Um dia haverá de compreender Ou morrerá sem saber Que tudo que existe É Energia E que está tudo interligado Conectado, exatamente pesado Inter-relacionado Não haverá beleza em lugar algum Enquanto um de nós...apenas um Ainda se mantiver excluído E deixar os demais a sós Pois enquanto estiver imbuído da prepotência e ignorância Que te mantém na condição de Homem As divinas realizações Simplesmente somem Perante teus olhos opacos Maravilhados diante de fracas conquistas Imagina-te divino Não passas de incauto menino.

Nada além disso Só isso Nada além de arte
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Nada além disso Só isso Nada além de arte Pequenos pedaços de vida Pequena vida dividida em partes Em constante movimento No mesmo momento em que algo chega Algo também parte Mas partindo, deixa sempre algo de si Aquilo que passa, se não deixa marcas Não tem graça E nenhuma utilidade E eu não quero Não pretendo e não procuro Nada além disso é so isso Não vivo e nem quero jamais Viver, se não existir Algo que me faça sentir Que existe sim, um compromisso Leve e breve Porém profundo e duradoro como a morte Que por sorte ainda não veio Enquanto isso Vamos todos vivendo Rindo, amando e fazendo poesia Se chove hoje Não me esqueço Que ainda ontem Ardia um lindo Sol Esta lembrança Me provoca, então Forte alegria Lindas e simplíssimas palavras dançam ao redor do coração Que apesar de tudo Ainda é de criança Apesar de já não ter o mesmo viço E é isso que me faz feliz Nada além disso Apenas isso

Quantos meses do ano ainda viveremos cercados Por uma vida repleta de enganos?
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Quantos meses do ano ainda viveremos cercados Por uma vida repleta de enganos? Começa mais um Janeiro E o Mundo continua sendo Um simples viveiro de Seres Humanos Perdidos no tempo e no espaço De fracasso em fracasso Vai passando Fevereiro Fingimos dar as mãos Esquecemos dos irmãos e pensamos em dinheiro De fracasso em fracasso Atravessamos o mês de Março Progresso ninguém viu Não viu ao menos passar o mês de Abril Assim você caiu E assim eu também caio De corte em corte de taio em taio Passa Maio De egoísmo em punho Atravessamos Junho Enchendo o Mundo de Lixo e entulho A Humanidade passa Julho O Governo cria outro imposto e a gente elege um novo encosto Assim chega o mês de Agosto A família recebe um novo membro e passa Setembro, Passa Outubro Passa novembro Humanidade, raça ruim! O Ano e o Mundo Cada vez mais perto do fim Chega Dezembro E a gente continua e há de prosseguir Pra sempre assim.

Amanhece mais um dia A luz distante desvia a atenção de meu amigo solitário
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Amanhece mais um dia A luz distante desvia a atenção de meu amigo solitário Pois prenuncia o nascer de um lindo dia A tristeza no coração desse homem Que muitos pensam ser de lata Faz pensar em lembranças que o consomem Sentindo-se perto do fim Fica na duvida Se ele simplesmente não se mata Ou se cuida do jardim Afinal, Talvez chova hoje à tarde Melhor não pensar nas dores Se eu me infligir este mal Quem é que vai cuidar das flores?

Novamente estou aqui Aqui e ali sempre sozinho Eternamente só
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Novamente estou aqui Aqui e ali sempre sozinho Eternamente só E é só isso que eu sou Sempre perdido Um rosto desconhecido Em meio à floresta anônima Árvores e mais árvores de almas desarvoradas Onde ninguém Absolutamente ninguém Não quer, não pode e nem significa Muita coisa, além de nada Atravessando a rua Espiando através da vidraça Caminhando pela calçada Uns parados pensando Alguns sumiram Tem gente que apenas passa Pessoas pequenas Ocupadas Com seu mundo, menor ainda A melhor parte dessa história é que ela um dia Finalmente finda.

Em um dia, não muito distante Eu sei, não estarei mais aqui A vida passou-se em instantes
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Em um dia, não muito distante Eu sei, não estarei mais aqui A vida passou-se em instantes Poucos deles realmente eu vivi Mas guardei no meu coração E levarei comigo, onde estiver A lembrança dos meus amigos trechos de uma oração E o nome de uma mulher Desta vida que passou voando deixo ao Mundo alguns poemas Singelas lembranças E, talvez, alguém pense em mim de vez em quando

Quando eu era jovem Prometi que um dia eu ia Realizar um sonho que eu tinha
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Quando eu era jovem Prometi que um dia eu ia Realizar um sonho que eu tinha E buscar a Lua pra ela A Lua seria dela E ela seria minha De mão dadas nós iríamos caminhar até aquela linha Onde o Sol encosta na Terra Hoje Eu olho pro Céu e não vejo mais As mesmas coisas que eu via Agora as nuvens são verticais Os olhos dela também Não exibem aquele brilho Que pareciam dizer "Se eu estiver com você então, tá tudo bem, meu filho" Olho pro espelho e percebo Que não foram apenas o Céu E o brilho nos olhos dela que mudaram Meus traços também se alteraram e muito Porém aquele espaço Que eu tenho no coração pra guardar um amor E a vontade de dar um abraço toda vez que eu a vejo São ainda muito grandes E muito Muda a maneira de vêr e olhar Hoje Até mesmo as ondas do Mar Parecem quebrar diferente Mas tem coisas Que por mais que o tempo passe Não passam Portanto Basta querer que eu te abrace Que meus braços, felizes te abraçam

Quando perco a esperança Minto pra mim mesmo e dentro desse engano
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Quando perco a esperança Minto pra mim mesmo e dentro desse engano Faço de conta que ela vai voltar No tempo da primavera O vento me arrasta, o Mundo gira a vida dança e o tempo me alcança Tento dar uma guinada Quando vejo Estou novamente rumando Exatamente na direção errada Sem ter o que fazer Não faço nada E também não me entrego Parece que tem dias Em que vivo somente um voo cego E quando ele termina Eu cheguei à uma noite vazia Mais uma Me entrego então a ela Pois em meus sonhos Ali existe, sim Uma esperança, ainda que pequena De poder olhar a tua cara, tão bela! As pessoas vão passando Não é esta e nem aquela Quem dera, esta noite talvez eu tivesse a sorte de olhar novamente as estrelas e finalmente; por um momento Poder ver a você e somente você Linda como a luz da primavera

A tarde me convida a fazer nada Olho pro Mundo, obra mal acabada Esse convite tem um sentido profundo
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A tarde me convida a fazer nada Olho pro Mundo, obra mal acabada Esse convite tem um sentido profundo é chegada a hora dos noves fora Meu conhecimento, muito raso nesse assunto Mesmo no Céu, nada se move O dia todo eu passo à toa A noite perde a validade Este tempo sem qualidade Não permite ao menos que a garoa Que vejo cair distante Me possa servir de distração Fazer desenhos com a ponta dos dedos Nos vidros da janela de maneira singela Disfarçar esses meus medos Ledo engano Nem mesmo a água de todos os mares Seria capaz de convercer-me a desistir de todos aqueles planos Ano a ano, a cada dia mais longe Perto de mim, somente a tarde Que me faz lembrar Que agora é tarde Pra fazer desenhos Fazer planos Pintar vasos De repente a chuva vem e nesse caso Haverá de ficar por anos

Vida minha, amada vida Te agradeço por vivê-la Mesmo que às vezes eu sinta
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Vida minha, amada vida Te agradeço por vivê-la Mesmo que às vezes eu sinta Que talvez eu não mereça tê-la Cresce em mim a cada dia A alegria de poder viver Vida, te prometo Que até o meu último suspiro Você não há de ser perdida E que mesmo nos piores Momentos de delírio Não haverei de sentir Medo de vivê-la Tenho sim Vontade de fazer Muita coisa que eu não faço Aquelas que, portanto Você, minha vida, permitir fazer Se acaso pra longe eu tenha que ir Eu vou até lá para vivê-la E viverei, durante a viagem A alegria de enxergar A linda imagem da minha chegada E mesmo que lá não haja nada Viverei a alegria da volta Vida, imensa vida Cuja existência, muita gente acha que deve ser vivida animalescamente Permita, vida Que o vento leve estas palavras E as entregue a alguém Que mereça recebê-las Diga à ela, vida Que antes que você se acabe Eu gostaria muito de poder Conhecê-la E que ela finalmente Reconhecesse o que me faz. Vê-la Sentí-la Beijá-la E, quem sabe, dizer que por ela Valeu-me viver minha vida.

Faço comigo mesmo Uma guerra noturna declaro um armistício
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Faço comigo mesmo Uma guerra noturna declaro um armistício pra tentar me destruir Me convenço de que é chegada a hora de morrer Penso que passou da hora de partir Tenho uma breve lembrança dos lugares onde eu fui das pessoas com quem eu estive será, que uma vida só se vive? Creio que não tenho quase certeza que não tenho certeza que não não. É que a gente distorce tanto a realidade Que nem sabe mais distingüir a qualidade do que é real ou fantasia pode ser que este dia e esta hora sejam agora, somente ilusão e eu esteja em outro lugar no despertar de outra Aurora

O pássaro pulou Voou de galho em galho cantarolou bem baixinho
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O pássaro pulou Voou de galho em galho cantarolou bem baixinho Meu amor, a minha flor-de-maio dormia ainda Não viu esta parte linda do meu dia Tomara que ao menos sonhe comigo Vai ganhar café na cama Meu amigo passarinho vai pro chão Pegar bichinhos nas flores que cairam de vez em quando ele pia depois voa Todo voo é poesia Voar à toa Creio que seja A coisa mais boa que existe Eu não voo e nem por isso sou sempre triste mas me pergunto: Passarinho, por que sumiste? Mesmo assim meu dia é bom Pois eu sei que você e ela Existem.

Olho pro Mundo, hoje há chuva No silêncio deste mágico momento Eu tento entender a lógica
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Olho pro Mundo, hoje há chuva No silêncio deste mágico momento Eu tento entender a lógica Que faz a Terra girar pra um lado e a gente caminhar pro oposto É mês de novembro e eu respiro um ar de mês de agosto Só não sei de qual ano ele é Parece que igual a mim Muita gente que se encontra nesta Cidade Simplesmente perdeu-se no tempo O coração se deixa invadir Por uma estranha alegria tristonha Houve dias em minha vida Em que as unhas do tempo arranhavam minha porta, que eu abria Entravam sonhos dos mais variados tamanhos Eu os mesclava à realidade e vivia da maneira que o Mundo deixasse Alguns estéreis e fecundos Outros profundos O Mundo e os sonhos Também foram me deixando aos poucos Agora, nestes loucos dias que correm O tempo anda pra trás O Mundo parece parado De vez em quando as águas chovem E eu ainda vivo os poucos sonhos que me vem Enquanto eles também não morrem

Meu coração é algo assim Duro e versátil Parece tecido de brim
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Meu coração é algo assim Duro e versátil Parece tecido de brim As lágrimas verdadeiras eu as escondo Vou pondo onde ninguém acha Você pode até pensar Que eu tenho baixa auto-estima Meus segredos estão todos Guardados nas rimas Pois é nas palavras Que eu faço sangrar Desfaço-me assim das tristezas Tem sido assim por anos Não faço planos impossíveis Posso voar por todos os Céus e todos os níveis Pra todas as portas que se fecham Eu tenho uma chave-mestra O que hover de canhestro em meu passado Eu corrijo com a destra Se o bem não alcanço O mal não me pode alcançar

Meu coração é algo assim Duro e versátil Parece tecido de brim
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Meu coração é algo assim Duro e versátil Parece tecido de brim As lágrimas verdadeiras eu as escondo Vou pondo onde ninguém acha Você pode até pensar Que eu tenho baixa auto-estima Meus segredos estão todos Guardados nas rimas Pois é nas palavras Que eu faço sangrar Desfaço-me assim das tristezas Tem sido assim por anos Não faço planos impossíveis Posso voar por todos os Céus e todos os níveis Pra todas as portas que se fecham Eu tenho uma chave-mestra O que hover de canhestro em meu passado Eu corrijo com a destra Se o bem não alcanço O mal não me pode alcançar

Não sei o quê, que eu gosto mais em você E nem porquê, que eu gosto tanto de você Só sei dizer que eu não me canso de querer
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Não sei o quê, que eu gosto mais em você E nem porquê, que eu gosto tanto de você Só sei dizer que eu não me canso de querer Talvez teu cheiro, que eu desejo o dia inteiro Eu viajo até no teu nome Tornei-me outro homem depois de você Creio que seja este teu jeito bonito A maneira que você me olha Não me deixa escolha, não me dá saída Por você eu mudei minha vida Pra estar com você Eu mudo até de crença Saber que você vai chegar é a coisa mais legal que tem Depois de você Não vai haver mais ninguém.

Outro dia, em sonho, entrei na mata E à beira de uma cascata eu vi sentado Sem qualquer possibilidade de fuga
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Outro dia, em sonho, entrei na mata E à beira de uma cascata eu vi sentado Sem qualquer possibilidade de fuga Não sei se era tartaruga Não sei se era Jabuti Não sei se era Cágado A única certeza que eu tenho É que foi numa tarde de sábado Num galho pertinho dele Me olhava manso, o Sabiá Não me canso de lembrar Que cansado que eu estava Disse quase resfolegando Fica tranqüilo meu amigo Em minha presença não há perigo Hoje ando quase tão lento Quanto a Preguiça e quanto a ti Minha passagem por aqui é coisa que invento Pra espantar a solidão Nem trago no coração A antiga maldade de outrora E somente o que peço agora É um pouco de companhia E então o bicho respondeu Pois eu há muito espero este dia Pois já te vi correr como o vento E percebi quando começaste a ficar lento No meu íntimo, também conheço os teus intentos Apesar da aparência de bicho Sou alguém que há muito conhece e nunca andei depressa Apesar das tuas preces: Meu nome é tempo Aquele, que mesmo quando você me esquece Te encontra nas ruas e ainda te reconhece Quando do tempo eu tentei fugir O Pássaro encantado Que até então, se encontrava calado Olhou pra mim como que rí e simplesmente falou: Bem-te-ví

Enquanto os povos, os reinos e os governos Judiam e vilipendiam desta pobre nave Eu rezo aqui no meu canto uma Ave-Maria
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Enquanto os povos, os reinos e os governos Judiam e vilipendiam desta pobre nave Eu rezo aqui no meu canto uma Ave-Maria E quando este mundo se encharca de vinho Eu, aqui permaneço sozinho e desço ao inferno No final de cada dia Eu sei que todos pensam Que tudo isso aqui é eterno Porém ninguém sabe Que eu cavei pra mim uma sisterna Cuja entrada, escrustada de diamantes está E tudo será diferente De hoje, de ontem ou de antes.