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Frases de Edgardo Xavier

35 frases

"Lisboa" Lisboa Reflexo doce do Tejo
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"Lisboa" Lisboa Reflexo doce do Tejo Caminho de luz coada De encontros Com água Azul E pedras da calçada Gente e brumas Cheiros e mágoas Lágrimas de um tempo que se esgota Penoso Quando nos afastamos E nos esquecemos De amores Barcos E gaivotas

Não me olhes assim Não me olhes assim Não olhes
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Não me olhes assim Não me olhes assim Não olhes que fico trémula e temo que os meus olhos ceguem e apenas te sigam em caminhos da noite Tenho medo de ver-te só pela rota dos dedos na lisura do teu corpo apetecido Não me olhes assim Não olhes Vilma Nunes- Edgardo Xavier

Outra Pele Sinto a luz da tarde como outra pele
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Outra Pele Sinto a luz da tarde como outra pele e saio de mim O gosto é acre no tempo das promessas e o ar anil quando arde no teu corpo de seda e jasmim Não leio palavras nos teus olhos mas sei a prata dos silêncios e o barulho dos sentidos Sei que pelo amor até as pedras adoçam os gumes e se moldam à mão que lhes trava o voo Pelo amor sangram as escarpas seixos e papoilas Há vermelho nos trigais

AMAR É CRESCER POR DENTRO Contigo todas as palavras São de renda ou de cristal
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AMAR É CRESCER POR DENTRO Contigo todas as palavras São de renda ou de cristal Contigo vestem-se de prata as manhãs E as horas Suspendem-se dos teus olhos Imóveis Como fotos do tempo Sou a pedra em que te apoias Acordo ao som do teu nome E cego para tudo o que não seja A luz que vem de ti Cantam em mim as tuas alegrias Soam cá dentro as tuas mágoas Sou toque de ave-marias Sou som de todas as águas Sou o arrepio das folhas Na bebedeira do vento Amar é ser tudo isto Amar é crescer por dentro Sintra, 04/05/2007 Edgardo Xavier

Mágoas Inquieto desço pela margem da tarde
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Mágoas Inquieto desço pela margem da tarde para a lisura do teu colo Piso as horas pelos caminhos do teu olhar e mergulho no tempo até que venhas e me beijes com a verdade do teu riso Nunca o tempo foi preciso no parado das noites vazias como então Nunca antes a aurora emudecera no limiar da luz como no dia em que te cobriste de indiferença para ficando sair Navegavas pelas palavras com rigor de pedra à superfície do amor

Paixão Paixão é uma cascata de luz No rio cego da noite
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Paixão Paixão é uma cascata de luz No rio cego da noite Um estrondo no ermo da nave gótica A violência doce de um fim anunciado O tudo e o nada Do tempo que nos remete Sem mapa Para a certeza das galáxias Sem ti sou uma pedra aos tombos Na calçada Umas vezes batida Outras parada Só nos teus olhos me faço ave E voo sem destino À gargalhada.

Em Silêncio Amar-te em silêncio E estar só
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Em Silêncio Amar-te em silêncio E estar só Não é ser forte, É queimar a alma Devagar Como brasa sob cinza Á revelia do olhar O desejo queima E acorda o corpo Para um destino De fogo Ou de mar E sou crista de onda Ou céu de prata E a lua é só uma lata Sem valor Sempre que estás comigo Só então me reconheço Como um pedaço de ti Que recusa a independência Sou livre sempre que voas!

Pelas Mãos te Sei Pelas mãos te sei pelos dedos te leio
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Pelas Mãos te Sei Pelas mãos te sei pelos dedos te leio formas e vazio luz e esteio corpo sede raiva e os olhos magoados de claridade agreste Espessos os lábios presas as palavras na garganta e o teu olhar a ditar estes silêncios de veludo Mudo também é o som da noite imenso jardim de estrelas e passos sem destino Basta saber que me esperas à esquina de qualquer hora Basta-me sentir a vida como um sopro leve no rosto e provar o mosto do teu vinho rubro e aceso com sabor de vida ao jeito da idade Homem menino velho destino e o tempo a tecer rugas e mágoas a gerar fontes onde choramos os amores perdidos na calma podre das seivas Petrificadas

Pausa Vem e traz o ar de posse As certezas e a intimidade
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Pausa Vem e traz o ar de posse As certezas e a intimidade Sê a estátua de carne Neste momento de silêncio Muda e quieta Como uma boca pousada No meu sono Traz-me de ti O tudo e o nada Do abandono E acampa no trevo Acre e macio Deste corpo em festa Depois, vê o que resta Da minha fome e do cio Retoma a tua gesta Deixa-me vazio

Perto Risco o teu nome na areia Ao silêncio dos reflexos
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Perto Risco o teu nome na areia Ao silêncio dos reflexos Sais-me dos dedos Mas é na boca que me deixas O sabor a rosas que há em ti Sei de caminhos e ruas Sei de tempestades Sei de corpos e cidades Mas a ti amor Só te adivinho Contigo As ausências São a pausa desejada Tu é que trazes Estrelas e luar À minha noite fechada Amanhã quando vieres A este pedaço de céu Que iluminas Estarei do outro lado Da circunstância Ao alcance do olhar

Sentinela do Tempo Sentinela do tempo, Vigio o teu corpo
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Sentinela do Tempo Sentinela do tempo, Vigio o teu corpo Adormecido E aguardo por ti À esquina da aurora Plena de vida Para partilhar Mais que a boca Beijam-me os teus olhos Na lisura da manhã Mais que o corpo Afagam-me os teus dedos Sob a coberta de lã E sem palavras ardemos Carne, sangue e beijos Com sabor de hortelã

Ai tanto caminho andado Ai tanto caminho andado Tanto tempo
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Ai tanto caminho andado Ai tanto caminho andado Tanto tempo Tanto fado Tanta pedra no meu prado Tanta cinza Nas minhas nuvens de Maio Ai tanto caminho andado Em silêncio Em agonia Antes de ter-te a meu lado A partilhar o telhado Na minha terra bravia Ai tanto caminho andado Na monda dos meus trigais Sede de Agosto e papoilas Água fresca Céu aberto Riso aceso E a tua boca tão perto

Duelo À carne expectante anuncio o meu corpo
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Duelo À carne expectante anuncio o meu corpo em trovoada de sentidos Há dores cheiros gemidos na tua terra queimada Na promessa de redenção crestam-se os lábios E as chagas É tempo amor Sangra-me a sede mais feroz e mistura a tua noite ao meu veneno

Apolo Vens do fundo desta noite Como uma aurora vibrante
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Apolo Vens do fundo desta noite Como uma aurora vibrante Trazes-me o sol e o tempo Doces Como mel a escorrer Da memória Vens do fundo desta noite E do centro da glória Lavar-me o olhar De silêncios e deserto Desperto Sou a tua seara em flor O teu azul do mar O teu céu Sou o Apolo que viaja Nos teus olhos