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Frases de Douglas Trindade

28 frases

Há situações em que prefiro não citar minhas ações e assim me situar "normal"
Pobre indivíduo, individado como só ele É o destino, diaxo! O todo poderoso Se soubesse que ia ser assim, não teria entrado na casa do cifrão
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Pobre indivíduo, individado como só ele É o destino, diaxo! O todo poderoso Se soubesse que ia ser assim, não teria entrado na casa do cifrão Só queria ter um lar, um cantinho para chamar de seu Quanta hipocrisia ronda esse popular Acreditou no anúncio e viu no que deu Agora só resta rezar E marcar na memória O quanto um falso sorriso doeu Essa é a verdade do país continental Onde o malandro tem sempre seu lugar No pesadelo de cada trabalhador Inclusive no meu

⁠SILÊNCIO Que longo silêncio nos consome Que até o pingo suave da chuva
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⁠SILÊNCIO Que longo silêncio nos consome Que até o pingo suave da chuva Retumba seco E ecoa na alma Que até a freada de um carro distante Se torna presente e freia minha fala tímida tremula E rasa Que longo silêncio Que derruba calado Nosso olhar desviado Para o canto da sala E no canto que cruzam Paira o longo silêncio Paira o pingo da chuva E outro carro que freia E a mão que não toca E o calor que não vem Pois a fala apertada Sem querer quase fala Que no canto da sala O olhar que não cruza Já cruzou outro alguém

⁠O GRITO No caminho que passo ouço um grito mecânico
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⁠O GRITO No caminho que passo ouço um grito mecânico dum anônimo percalço metálico ato anímico das cordas vocais de aço daquele outro Eu andante no morno dia terroso ante aquela semana ambígua do mesmo mês afoito havia uma pedra no meio do caminho e tantos outros sólidos que descalço percorria o outro Eu errante nesse universo interior que transpasso todo dia

⁠DA POESIA INDIGESTA Corro, recorro Penso, repenso
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⁠DA POESIA INDIGESTA Corro, recorro Penso, repenso Sem pressa a prece em socorro Em absurdo meu Eu absorto Num rastro de uma dúbia linha Agora tênue linha transpasso E creio Na pele na carne E no espaço Quando nem homem resta Do que sobrou Do risco Da fresta Sem rima Na via sem volta Da poesia Por fim Em mim, indigesta

⁠O SAPATO Marquei o traço do passo apurado, do sapato seco.
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⁠O SAPATO Marquei o traço do passo apurado, do sapato seco. Partia torpe no calor, eu o via árido no beco. Quem o calçava passava aperto naquela fuga. Era a gravata cara voada ao vento. Era ruga. Olhos famintos, não minto, suando, sem rumo, sufoco! Atenta doutro lado, a vida, passando o pisado oco. Não esqueço o dia daquela trajetória ruim. Tempo que passar. Marquei-o tanto na memória, que a mim doía caminhar.

⁠Perco-me em pensamentos, e quando o vento retoca a beleza das folhas do ipê ao lado de minha janela, a vida num sopro mostra-se branda. O peito antes apertado, agora expande-se como se fosse abarcar tudo que a vista alcança. Minha angústia dissolve com tamanha rapidez que parece…
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⁠Perco-me em pensamentos, e quando o vento retoca a beleza das folhas do ipê ao lado de minha janela, a vida num sopro mostra-se branda. O peito antes apertado, agora expande-se como se fosse abarcar tudo que a vista alcança. Minha angústia dissolve com tamanha rapidez que parece nunca ter existido. E eu, retomo o prumo de minha existência; e como aquele vento, sigo a retocar a beleza de tantas outras folhas por aí…

⁠PÁLIDAS PAREDES BRANCAS Quando olhei, pálidas paredes brancas Tão gélidas que congelavam-me o pudor
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⁠PÁLIDAS PAREDES BRANCAS Quando olhei, pálidas paredes brancas Tão gélidas que congelavam-me o pudor Cercavam um pequeno espaço irregular De um lado o peso do tempo Intacto e sólido Do outro, o peso do corpo Disperso e flácido E no centro de tudo O olhar do retirante Ríspido e desconexo Acuado pelas pálidas paredes E pelo esboço de uma era Que sucumbiu ao veneno das meias verdades E do riso frouxo e estéril

⁠SONÂMBULO Vitória para ti sonâmbulo Que perambula na tessitura da noite
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⁠SONÂMBULO Vitória para ti sonâmbulo Que perambula na tessitura da noite E no relevo das notas, ruidosas noturnas Deita teu corpo cansado e disperso Enquanto o sono esconde o sonho mais belo Dado ao guerreiro como troféu de ouro e sonífero Pela odisseia noturna da todos os dias No limbo e na relva do acordado desgosto Onde o ruído do ventilador é ode ao calor E também uma das sete pragas do Egito de tuas entranhas E do fervor infernal de teus pensamentos Tão agarrados a tua carne Que parecem fios de linho do lençol que nunca o cobre O corpo que nunca para Por hora vago e flutuante Sozinho e tenso Imagina o sol já se pondo E sem armas nas mãos, o olhar desfalece A coluna estala, mais uma ruga aparece O alarde das horas marcam tua pele frígida Náufrago, que durmas de olhos abertos Absorto na sede da indigesta vitória Pois nas tuas olheiras mais um dia floresce A guerra acaba O sono cede Amansa teu prumo E vai trabalhar

⁠POEMINHA DO DESASSOSSEGO Foge agora o sentimento cerne bruto a lapidar
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⁠POEMINHA DO DESASSOSSEGO Foge agora o sentimento cerne bruto a lapidar pelo gorjeio do tormento sobre o afago do luar; turvo ensaio a rima sinto pulsar o coração anseio pela obra-prima ao moer minha paixão; e os gritos antes imersos no silêncio sem coragem agora rasgam estes versos e desatinam minha imagem; e tudo vaza e tudo grita num acalanto sem perdão e pela artéria da escrita navega a esmo a razão; então voo feito nada leve ao sopro de Caeiro sem o olhar da musa amada resta a pena e o tinteiro; ouço sutil minha essência como harpa nota a nota sou faísca da existência na vã redoma da revolta; caio desperto em teimosia fôlego de tolas incertezas e quando vejo é poesia divina dama das tristezas; surge rubra em vasto alarde arrebata o mundo que percebo tem ela o poente da saudade dor da verdade que recebo; foge agora o sentimento foge o ar, o verso e a aflição foge o assombro em pensamento foge o desassossego em questão; - Posto em um arranjo sem o espanto de outrora vejo a face de agora juro, sonha, parece anjo!

⁠SUMA NOTURNA Repousa no vidro frontal a noite enigmática
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⁠SUMA NOTURNA Repousa no vidro frontal a noite enigmática agora negra e vazia apática e horizontal; Inicia o sereno final quando encontra um nó do mundo que desata precoce e profundo no carro, em sono, na vertical; Antes sozinho no arcado metal nó do homem, nó do destino fundido e imerso na teia do inverso irreal; Claro ponto polido e dual no abraço do banco que o segura dorme a figura já combalida e em vida flutua na noite fatal.