A diferença está na razão oculta
que nos faz pensar constantemente
porque os dias passam
e carregam a juventude absoluta,
o vigor e o ânimo de viver,
posto que dessa sensação ainda não resoluta
só fica mesmo a insensatez, a velhice,
a dicotomia da alegria e do sofrer.
Demagogia?
As vozes dentro de mim ecoam suas falas.
Estou constantemente numa encruzilhada de decisões:
Isso ou aquilo, certo ou em vão.
Nada é eterno,
Posto que partícula nada absoluta.
Minha mente, tão pouco resoluta,
Insiste em minha indecisão.
Aprisionado por vozes de gigantes
Vou me transformando num marionete.
Apesar disso, minha consciência,
Um pêndulo suspenso em meus delírios,
Liberta o que eu respiro do espiar constante
Da autarquia de meu próprio pensar.
Não se pode dizer sim àquilo que em vão
Escorre entre os dedos para o chão.
Libertar a mente é a semente
Que plantada em campo fértil
Germina e produz frutos,
Outrora amargos,
Agora, doces.
Se a minha mente
Agora isso me aduz
Só mesmo tais palavras
São promessas
Que seduz.
Silencia o clamor que há em mim,
Sossega o calor,
Me revela o amor
Que somente os teus lábios,
Tão juntos aos meus,
Podem apagar essa dor,
Que é tão ruim.
Quando acordo, fico a procurar seu corpo.
seus lábios não estão perto do meu rosto,
de modo que não posso te amar.
Estremecido pelo seu perfume,
minhas veias transportam mais oxigênio,
posto que do desejo dos seus beijos,
estou mesmo a me fartar.
Sei que por hora nosso amor é impossível,
mas para que ficar no prejuízo de não te encontrar?
A relva é minha cama, onde faço minha trama
de imprevisivelmente nos unir,
pois se o coração palpita,
o corpo de carência levita,
não pode o perfume, da essência os laços cortar.
De tudo isso, sei que seu nome
jamais sairá da minha boca.
Muito te querer é a sina
que minha mente projetou
no meu ser sem ti...
Sonho de valsa
O amor é aquilo que se entrega
no breve espaço entre dois corpos,
na proximidade entre seus rostos,
que estão prestes a se doar.
O amor é dança, é música, é festa,
fascínio puro da conversa
em que a noite beijou o luar.
O amor é dor, é fogo, é calmaria,
é o gesto que abranda o medo
mas desperta a fantasia
de estar num sonho e não acordar.
Inspirado com tamanha alvura e beleza
quero exclamar ao mundo,
imensa é a certeza de tão grande paixão.
Fascínio? Não é somente isso.
É muito mais.
É a candura de ter tão ternos lábios
pela eternidade unidos aos meus,
e, mesmo que dure poucos segundos,
crer que o mundo se cala
quando os amantes se entregam
num amor só seu.
Digam o que disserem,
minha sorte é o que espero
antes da solidão.
Peça à vida um prêmio,
a morte com galhardia responderá:
- Sua certeza é unicamente meu não...
Talvez nada disso possa fazer sentido,
mas é só mesmo a vida
para fazer de nosso inferno
tão inebriante e singelo paraíso.
Assim, talvez a vida não seja sorte
de somente fazer de tudo antes que chegue a hora,
hora irredutível, aquela em que todos esperam a morte.
Talvez não haja nem mesmo separação,
entre aquilo que alguns creem ser momento de encontro,
e o adeus que as mãos a acenar dizem ao choro,
daqueles que entre os outros ficam,
- Não diga nada, tenha certeza do meu não..
Dia após dia sem sentido vou vivendo
clamando ao mundo,
suplicando tudo,
à brisa que passa junto aos quatro ventos
pois nada é eterno
e se quero a morte
ela me dá seu afável amor
aquele que entre irmãos se chama fraterno...
Não há mais nada a sonhar,
a morte me roubou o sono,
de modo que somente em poucos segundos
a vida exprime
entre tropeços e tombos
o que o corpo quer falar
... E desde o ventre materno,
seu sorriso, tão cativante, eu vislumbrava.
E meu coração palpitante
me dava a certeza
que desde aquele momento
eu te amava...
Entre o entardecer e o anoitecer
Em cada encruzilhada
vidas inteiras se cruzam
num incessante
entroncamento de laços.
Mesmos rostos,
mesmas vozes,
lentos passos.
Estamos continuadamente
a nos encontrar.
Um dia, nosso adeus final
impede-nos de entre
os vivos continuar.
Tudo é doce demais
para o amargor
que inevitavelmente
temos que experimentar.
Nem tudo é alegria,
pois a morte,
com sua harpa a tocar,
ceifa as vidas
nos impondo um último
e sôfrego acenar.
Portanto, antes que
tudo acabe,
seria interessante
esquecermos contínuo alarme,
pois apesar das pesadas correntes
nas quais a vida nos arrasta,
nada é pior que a morte,
com sua orquestral trapaça.
Barco dos amantes
De repente me percebo amando,
Nos braços de tão bela moça,
Que entre beijos e carícias,
Creio que só possa estar sonhando.
Como é improvável este sentimento amar.
Outrora pelo mesmo motivo,
Reservava-me ao bucolismo e ao sofrimento,
Quase minha carcaça atirando ao mar.
Hoje, no seio de minha amada
Posso ver estampado que tanta tristeza,
Lamento, fraqueza, era resquício de outro tempo,
Que o destino não trará mais.
Portanto, nesse barco vou velejando
E a cada parada vou descobrindo ainda mais,
Que as águas que deixo para trás
São a prova mais contundente
Que o amor não se faz sonhando.
Ah! Como é bom
estar inundado
de um amor tão calmo,
que na ânsia de nossos beijos,
une, aproxima, torna somente um,
esses nossos lábios.
Ah! Esse manjar dos deuses,
abre- me os olhos para a vida,
o quanto me desperdicei em dores,
em tristeza, em lágrimas sofridas.
Gota a gota
nosso amor vai se construindo.
Sei que te amo,
principalmente,
quando graciosamente
vejo seu rosto me sorrindo.
Mas, quando vai se permitir
abrir os olhos para o amor?
As páginas vão se escrevendo
com os espinhos,
que outrora adornava aquela flor,
mas que agora fere meu coração,
transformando em sangue
o que a ampulheta do tempo
poderia transformar em paixão...
Seus olhos; Doce boca
As janelas suspensas em sua face
Mais parecem duas sombras
Que me invadem.
Não sei realmente se posso confiar,
Porém seus beijos
Depõem o contrario,
Dizem que seu corpo
É um mar de sensações
No qual posso me perder
E mais ainda,
No qual posso me afogar.
Seus gestos calmos e sutis
Fazem- me querer a ressaca
Do mar que saem dos seus olhos,
Mas quem é que vai me garantir
Que de tão bela moça
As mentiras não sejam o veneno
Que sempre saem nas palavras
Proferidas por sua deliciosa boca.
Ah! Cigana oblíqua e dissimulada,
Se Bentinho te rejeitas
Venha, deixe de lado os ciúmes
E me faça também querer tê- la
Pois da infâmia que te acusam
Nem mesmo a virgem Madalena
Pode se livrar,
Tamanha é a calúnia...
Soberana, amada, profana...
Inebriante são seus lábios,
farto- me com a volúpia
de seu corpo,
beijo dois rios inteiros
que nascem na beleza
de seu delicado rosto.
Amor tão pueril,
maior não há,
pois na inconstância
dos dias,
no frenesi
de incontáveis problemas
o mar me desperta
assim tão calmo,
nos versos deste poema.
Peço aos céus
que abençoem
esta união.
A terra, que testemunhe
o vagar de dois corpos,
dois amantes,
dois irmãos...
A morte que impeça,
que a inexistência da vida
finde o amor,
tão grande amor,
chama de nossa paixão...
Pensamentos...
memórias póstumas de momentos
que a saudade não trará mais.
Percorro meus delírios,
afinal, o que houve?
Não sei se tudo foi
só um sonho ruim,
ou se a simples necessidade
de ter você aqui
nos distanciou ainda mais.
Amar sem medida
é a desgraça dos enamorados.
Embriagam-se com um amor,
tão incontrolável,
que é fácil dizer que estão
apaixonados.
Escravizam-se por migalhas,
resquício de um sentimento
tão profano
que dizer que é amor
é o mesmo que dizer
que foi engano.
Pois, dizer que tudo foi paixão,
já que de algo tão repentino
percebemos nossa pequenez,
o quanto somos somente
seres humanos...