O berço da existência Não é a pedra que se ergue, nem o sangue que flui no ser.
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O berço da existência Não é a pedra que se ergue, nem o sangue que flui no ser. Há um sopro que emerge, um antes que nos faz ver. Se a matéria é um corpo sem alma, um vaso sem o que há de conter, quem desenha a linha da palma? Que inteligência faz o ser? Não é o acaso, a vã corrente, nem o pó que se aglomera. Há um desígnio, uma mente, que a forma invisível gera. Como o vento que move o moinho, sem peso, sem mão, sem cor, assim essa essência, esse caminho, é a razão do nosso fulgor. Ela tece o fio do invisível, na urdidura que a vida teima. Do Nada que se faz indizível, nasce o cosmos, o corpo, o poema. E em cada pulso, em cada fibra, no menor inseto, no mais vasto céu, ecoou a primeira vibra, da Luz que antecede o véu. Assim sou eu, reflexo e certeza, dessa Consciência que me sustém. Não sou a forma, mas a beleza do que na essência me contém. Danyyel Elan