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Frases de Crislambrecht

248 frases

Esperando O trem chegar À beira da ferrovia
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Esperando O trem chegar À beira da ferrovia Ansiosamente Nos trilhos Esperando A morte chegar Voltei ao meu livro imaginando qualquer outra coisa Não pude imaginar que aquele velho realmente havia morrido bem ali Simplesmente infartou, ao atravessar os trilhos, caiu sobre eles Assustador, bizarro o barulho da queda um corpo subitamente sem vida.. Muitos foram os curiosos que cercaram o recém falecido, estudando a situação Logo retiraram-no dos trilhos, o deitaram no chão Tentaram ouvir o coração e a respiração O pulso Não pulsava Ao chegar o trem Ouvi alguém gritar -Foi infarto! Sobrecarregou o coração Pereceu de tanta emoção Ao atravessar a linha Esperaria a chegada do trem Pois neste dia havia Prometido reencontrar alguém Que lhe fazia sentir tão bem Quem diria O mundo passa diante da janela, tudo parece ficar para trás Entorpeço-me observando sem parar Trago à tona o livro novamente Pra tentar continuar Escrever meu ver Meu imaginar Minimizar A vida Breve Em Si Torna-se então desconsertante a ansiedade saltante de que logo chegará o fim da linha, a hora de saltar e seguir adiante em passos precisos acompanhados de preciosos pensamentos passados à pegadas no papel amassado impregnado de palavras borradas escritas tão apressadamente que não serão lidas e sim esquecidas num lamento impresso às pressas num grito de solidão. Sei que a intensidade da arte pode levar ao infarte Um velho romântico e eterno apaixonado Fez de tamanha devoção seu sentimento Que não pôde conter as lágrimas ao cair Desfalecidos, os olhos do desvivido Desejava ter trazido As flores que imaginara Que a pressa Impediu-o de comprá-las Foi tamanha beleza sua partida Tão terrível e marcante Pincelada precisa Profunda Na tela Tenaz

A VALA Dos esgotos ao riacho, a água suja levando todo tipo de relaxo humano. Aqui embaixo, no vale dos escrotos, pouco se vê daquela selva de concreto onde a vida abstrata torna a todos os cinzentos viventes robôs, inorgânicos por natureza consumista destrutiva. Minha pele fer…
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A VALA Dos esgotos ao riacho, a água suja levando todo tipo de relaxo humano. Aqui embaixo, no vale dos escrotos, pouco se vê daquela selva de concreto onde a vida abstrata torna a todos os cinzentos viventes robôs, inorgânicos por natureza consumista destrutiva. Minha pele ferida pelo tempo passado dentro de manilhas ásperas e contaminadas, enfraquecida pela carência do sol, marcada pelo desespero. Considerava-me parte deste submundo de fezes e lixo, entre os ratos e as baratas, partilhava de suas rotinas o mesmo espaço, porém, hoje percebo que sou apenas mais um fruto da desumanidade, um resto inútil que um dia foi descartado. Pelos canos rastejei buscando abrigo, porém minha presença opressora prejudica a liberdade no esgoto, não sou resto suficiente de algo, talvez seja eu restos de nada, talvez nada. O córrego de merda desperta-me o desejo de navegar, de sair pra ver o céu, respirar um pouco melhor este ar. Principio de um desejo a jornada rumando junto à corrente, das paredes abissais escorrem desesperança, mas, o trajeto da grande valeta parece me trazer o sentimento de um futuro favorável. Segui-lo hei na minha aventura, embrenhado na pequena mata baldia sigo, e a cada passo que dou me sinto um pouco mais vivo, pelo menos, a sensação de que o coração ainda bate me conforta. Ruídos, buzinas, freadas, sirenes, latidos, roncos, pancadas, batidas. A cidade é um monstro estranho, não pretendo compreende-lo. Deveria me assustar, apavorar, mas ele já arrancou de mim todo o medo, consumiu-me até não restar bagaço à desfazer, ando por suas entranhas como um fantasma anônimo, perdido, avulso, perambulando leve nulo desumanizado. Avanço pela fenda cada vez mais larga, distante dos tubos, enquanto acompanho o escorrer do denso regato fétido sou observado pelos habitantes das fossas, um desirmanado só, errando extraviado de todo o resto, perdido. Mas por que julgar de tal modo o olhar curioso das criaturas? Por que estabelecer tais qualidades tão desprezíveis à mim mesmo? Talvez minha imaginação tenha sido arruinada, uma cabeça desprovida de sonhos e esperanças, uma cabeça oprimida e comprimida de forma a servir um propósito alheio não mais pensa livremente para si. Deparo-me com uma comunidade às margens do riacho, estranhamente sinto pelos que ali vivem o horror de ser humano lixo, descartados como bosta deste monstro conhecido como cidade. O crepúsculo triste de um sol que não se vê, torna aquele lugar mais estranho. Na escuridão vejo uma tímida fogueira, queimando lixo, iluminando e aquecendo rostos anônimos a queimar e fumar a dura pedra da decepção, cravando desilusões na mente já ludibriada pelo desapontamento vívido vivido desde a infância. Peço-lhes fogo, para atear em minha própria fogueira, longe da desesperança e do lamento, aquecerei meu desejo de seguir adiante e matarei minha sede longe do olhar desconfiado dos que receiam. O cheiro das fezes lançadas pelos tubos empesteia a noite, e não há noia que catingue tanto a ponto de nos fazer esquecer que o vale dos escrotos foi enterrado com esterco e pavimentado com ignorância. A chuva cai sobre nós lixos, evaporando do solo toda a podridão tornando o fedido cânion um caldeirão infectado, que logo é tomado por uma enxurrada de chorume decomposto lavado das ruas levando indiferente tudo o que havia ou não pela frente. Fui junto, tornei-me mais um corpo inchado boiando na merda removido com repulsa e enterrado com repugnância, despido de qualquer pingo de empatia tido como resíduo inútil de uma existência desnecessária. Tornei-me lembrança passageira de alguns ratos de esgoto, o homem que foi lixo do homem, um lixo de homem na vala de lixo.

Pensamentos pré-fabricados Cabeça fossilizada Ano após ano
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Pensamentos pré-fabricados Cabeça fossilizada Ano após ano Onde nenhuma água correu Petrificados pelo tempo Imutável solidez Nem pó virarás Ao vento apenas reduz-se A luz ao longe Donde apenas o calor se sente Um pesar pela falta de sentir A maleabilidade aconchegante da fonte Seu plano deserto Seco há anos Leva para longe a chuva E mantém-se longe da humidade Seu plano certo Feito há anos Lava as mãos e a luva E mantém-se longe da humildade Vida longa à humanidade..

Contaminado como estou Os Piraíns afastam-se de mim Estou sujo e pareço com os porcos
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Contaminado como estou Os Piraíns afastam-se de mim Estou sujo e pareço com os porcos As cabras O gado Os cães As galinhas E os ratos Toda fumaça deixou-me cinza E essa água poluída quase me matou O alimento contaminado me adoeçeu Mas volto E percebo-os aqui Os Piraíns lembram de mim Apenas mantém-se afastados Esperando o retorno de mim

O gato branco chama-se Noé Pra quem assim o chama E a chama do seu amor
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O gato branco chama-se Noé Pra quem assim o chama E a chama do seu amor É fogo fátuo É assombro sem vida Persegue-te noite adentro O novelo se desenrola A trama da novela Enquanto dura Enquanto mole A luta pela sombra mais fresca Seria então o seu fim Se não fossem os cães de rua Que latem noite a dentro Ladram para a lua Roubam e viram latas Barulho, lixo, incomodo E o gato branco é apenas um reflexo Da lua que vagueia pelos céus Vaga-lumeando com seu grande poder Noite a dentro Da boca pra fora De lá pra cá É vertical E a queda Nunca tem fim Há de cairmos em pé de guerra? Em pó de terra Ao pó branco Da lua Do gato Dos dentes rangindo Sorrindo e sangrando palavras Terra Gato Lua Pó . E o impulso Ainda pune

Não acredito em algo como o nunca mais Pois é como para sempre Outro tanto como um
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Não acredito em algo como o nunca mais Pois é como para sempre Outro tanto como um São nada Sequer São Não tem como não relembrar Depois de lembrado é dificilmente esquecido Se é áspera a partida de uma boa memória A grande cartada é não lacrimejar Já que não irá embora Não esqueça de lembrar Pois para parar basta estar em movimento E a parada é pesada como paixão

Vou para as águas Atrás destes olhos negros Destes cabelos ondulados
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Vou para as águas Atrás destes olhos negros Destes cabelos ondulados De um sorriso revitalizador À beira da areia O cheiro salgado E a brisa relaxante Me entorpeço Que cresçam estas mechas Que estas raízes se estendam Do seco sertão longíncuo Ao início ou fim dessas águas Quero voltar a caminhar Sobre a espuma branca Sob o céu azul; extensão do mar azul..

Um talvez poeta Taxado de louco Sobre o asfalto negro
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Um talvez poeta Taxado de louco Sobre o asfalto negro Sussurra vermelhas palavras Feliz, sim Expressa sentimentos Enquanto anda Em busca do silencio Uma cinzenta e densa massa metálica Ameaçada pelo que não vê Por detrás dos muros mandam sinais E escondem-se debaixo do cobertor A covardia medrosa uniformizada surge Violentamente calam o suposto insano Plantando uma rosa vermelha no asfalto preto Como as palavras que subiam ao céu noturno Invisível

Vozes Vozes vorazes Devoram-me
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Vozes Vozes vorazes Devoram-me Devoram meu sono Levam-no de mim Devolvem os vultos envoltos por um envelope transparente Transcorrem noite adentro um discurso semi-indecifrável Desmentem e mentem tanto quanto nada se entende Entrelaçados com pernas e braços de sons epilépticamentes iningnoráveis Meu sono? Deu lugar a sede Uma insaciável vontade Que apenas Às vezes Raramente Cansa-me Uma confortável fadiga mental que explode em vontades Oh! Agora apenas tenho sede Não posso falar da fadiga Talvez apenas com ela Digam-me Fadiga, Cansaço, Exaustão; Para onde foi Nesta bela noite Meu querido sono? Oh, tempo! Oh, vozes! Há tanto tempo ouço vozes Fantasmas..

Em plenas trevas Em minhas eras Trevas cristãs
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Em plenas trevas Em minhas eras Trevas cristãs Uma pausa Para um mar de sangue Injustiças mil A caça às bruxas Condenada à fogueira Sabrina queima Solta gritos de dor Mas ela é imortal Eterna Como o seu sofrimento E eu sigo Como um exército de fantasmas

Há vozes na minha cabeça Que parecem pensamentos Ou, talvez
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Há vozes na minha cabeça Que parecem pensamentos Ou, talvez Sejam pensamentos que parecem Vozes O fato é que eu não consigo controlar oque ouço Não consigo fugir de quem fala É como um diabo sentado no meu ombro Sussurrando sem parar Parte da culpa é minha Foi eu quem há muito tempo o convocou para me ouvir E hoje ele faz parte de mim Eu desabafo, mas também sou obrigado a ouvir Geralmente fala de pessoas O quanto não são confiáveis O quanto são prejudiciais E eu ouço Geralmente falo de mim O que me preocupa e me entristece Meus medos lhe revelo Mas não sei se ele ouve, nem faria diferença Se não estou bem Se não estou chapado Se estou triste, se irritado Ele fala E eu Ouço-o

Tens dela o sorriso Talvez Mas
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Tens dela o sorriso Talvez Mas Mesmo que não Es muy hermosa Te quiero E dane-se Todos Sei que pensas diferente Do mar de gente E da minha solidão Talvez Mas Mesmo assim My young syster Te quiero Por um instante Eterno Eternidade à-la Drummond À-la-nós Nosso tipo De pensar Sem pesar Ande Sem endereço Cantos E encantos E vozes

Desculpe Mas sou apenas um fantasma Sou um fugitivo
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Desculpe Mas sou apenas um fantasma Sou um fugitivo Vendi minha alma E o demônio vem me cobrar Todo o dia Por isso fujo Corro deste deus Ele sabe que tenho algo a fazer Tenho que escrever meu livro póstumo E ele o quer agora A eternidade é complicada de se entender Às vezes Nem eu nem deus nem ninguém Existimos Nunca é sempre

Azul Canto doce Vindo do porão
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Azul Canto doce Vindo do porão Trancado numa gaiola Azul no escuro Percebe a luz Explode as grades Voa para longe Queima suas asas Azul Caído no chão Recolho-o E torno a deixá-lo no porão Azul..

Que se irreleve o incompreendido Deixado de lado Soterrado
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Que se irreleve o incompreendido Deixado de lado Soterrado Se possível for Se for Importante Não importará Desde que se vá Aos poucos ou de repente Mas ando de um lado à outro Às vezes no litoral E a maré traz a mim Tudo o que joguei ao mar Sabe se lá o que Se foi Importante Importará Desde que não me lembre O porque de tê-lo jogado Se foi incompreendido Se foi irrelevado Por quê? Círculos Infinitos E um peso cada vez maior Na carga do velho burro Que, cada vez mais fraco Anda sem saber Se sabem Se importa Ao burro O que é relevante? Círculos, círculos Fantasmas pesados Chão de areia Passos Correntes Chaves Cadeados Ferrugem Canhada Lágrimas Silencio Fantasmas ..

A última rosa da roseira Já pálida Pálido branco de uma derradeira rosa branca
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A última rosa da roseira Já pálida Pálido branco de uma derradeira rosa branca cravada no coração arrancado O afiado galho com velhos espinhos afiados Escorre o sangue Perfura o púrpura cor vermelha Atira-os ao Mar Tudo avermelha-se A rosa branca O Mar Vermelha fica Mantém-se o silêncio Na praia A rosa pálida Pálido rosa Quase não mais é vermelha como outrora Agora murcha E morre Vermelha Rosa AO Mar

Apressado Chega atrasado Sem perceber
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Apressado Chega atrasado Sem perceber Estava muito preocupado Onde estariam Os que buscariam O pacote amassado Entrelaçado nos braços Junto ao peito Do mesmo jeito Como se fosse feito Para abraçar Chega finalmente A hora esperada Traga de uma vez A dita embalagem Esta que foi esquecida Por tanto tempo de lado Abramos logo Tire este disco Ponha no rádio Não há mais disso hoje em dia

Apenas levante-se e caia fora daqui Abrace a tua querida sobriedade Encha o copo
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Apenas levante-se e caia fora daqui Abrace a tua querida sobriedade Encha o copo Surte E suma Transpareça na quietude do ser Atípico por dentro Floresça suas solenes necessidades escreventistas Saia sem se mexer Mova-se em silencio e com discrepância ao tal Textualize rapidamente Beba mais um E vá Volte Torne-se Não digas nada Não estás mais preso Ela também não Esqueça que tudo ali é congelado Pois nada fica apegado à imobilidade das prisões sabrinais Ela é livre E os bloqueios Podem ser quebrados vá e livre-os de ti..