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Frases de Crislambrecht

248 frases

Não há como sentir-se grande coisa perante a imensidão aqui fora, tudo é infinitamente distante de qualquer ponto posto ou imaginado. Horizontes que tremulam ao longe enroscando-se com o céu numa forte paixão dos dois amantes febris insaciáveis como suas grandezas colossais. Em p…
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Não há como sentir-se grande coisa perante a imensidão aqui fora, tudo é infinitamente distante de qualquer ponto posto ou imaginado. Horizontes que tremulam ao longe enroscando-se com o céu numa forte paixão dos dois amantes febris insaciáveis como suas grandezas colossais. Em pleno meio dia o celeste infinito se joga sobre o solo escaldante num frenesi amoroso qual dura até entardecer, quado carinhosamente esperam deitados juntos o surgir das estrelas, testemunhas das carícias noturnas deste isolado recanto abandonado.

Esvai-se o tempo paralelo aos precipícios seus passos ressoam pelas paredes e correm para longe ouve-se nada
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Esvai-se o tempo paralelo aos precipícios seus passos ressoam pelas paredes e correm para longe ouve-se nada De olhos escancarados e pernas bambas cai fita o esvoaçar das areias no céu crepusculoso esfria A noite vem chegando aos poucos sua anunciação provoca espanto medo A possibilidade cada vez mais real daquela garganta vir a tornar-se a sua tumba seu eterno descanso repouso sem lamúria de um cadáver que aos poucos derrete calmamente sendo apreciado com elegância pelos vermes de outrora e sempre A noite sem os ventos traz o ensurdecedor silêncio que até conforta O céu super estrelado surge na fenda que se estende por cima dos olhos Como se estivesse frente a frente com um rasgo na imensidão única do espaço, numa brecha para as estrelas, distantes luzes a vagarem violentamente pelo negro esplendor entre as galáxias emaranhadas nas teias do cosmo. Leve, separa-o do chão flutuando hipnotizado pelo infinito espaço celeste conduzindo seu espírito elevado para além do cânion , para além do vale, percebe-se afastando de si seu mundo deixado para traz, pronto para abandoná-lo à própria condenação. Vai para o eterno abismo escuro onde o mundo ainda está a cair, cercado por distantes pontos de luz flutuando no vazio. Torna-se ausência... some Enquanto seu corpo o perde de vista mergulhando entre os astros, deixa de sentir, morre o tato, olfato e paladar. Como uma pedra qualquer, ignora sua dureza e passa a afundar na areia levando consigo a insensibilidade fria para o passeio petrificado de quem nunca sai do lugar. A partir de agora é vaga lembrança de si, aos muitos esquecida e mil vezes fragmentada em poeira de olvidamento.

(...) Vaga a mente numa exaustão profunda e encontra o fim do que parece ser a tolerância, trama o plano de fundo fronteirando o inalcançável, segue o longo, estreito e profundo abismo estendido infinitamente sob o céu escarlate de poeira vermelha vagando com o vento seco levand…
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(...) Vaga a mente numa exaustão profunda e encontra o fim do que parece ser a tolerância, trama o plano de fundo fronteirando o inalcançável, segue o longo, estreito e profundo abismo estendido infinitamente sob o céu escarlate de poeira vermelha vagando com o vento seco levando consigo resquícios de esperança qual clama por seguir adiante e atravessar o desfiladeiro dos cânions abissais que cercam e emparedam-o aos cantos escuros das sombras geladas. Teme os estrondos longínquos que vagam pela grande vala, das nuvens carregadas em algum lugar a despejar torrentes de águas a escavar e aprofundar valetas no solo que de tão seco não enxarca. Tempestades que ameaçam dar por fim um gole sedento e refrescante engolindo para o fundo dessa garganta todo irrelevante presente, presos, entalados, incapazes de se defenderem do tumultuoso reboliço gélido e embarrado da saliva secular que torna a jorrar dos céus para terra numa faxina destrutiva reiniciadoramente confortável. O sol lá fora ferve e frita os que vagam num passeio infernal por entre as areias escaldantes e entorpecedoras, passos que levam o ser cada vez mais perto do fim de seus curtos tempos. Enquanto lá em cima desejam o fechar do tempo e o cair da chuva, aqui em baixo só se procura sentir novamente um confortável sopro de vento refrescante. Cansado de olhar para a silhueta das bordas do precipício, vaga procurando por algo caído, folhas, galhos, flores, sementes, qualquer coisa que alimente a esperança desconfiada da remota chance de sair dali, espera que esteja descendo rumo a um lago ou riacho, pelo menos o fim dessas paredes que o engolem mais a cada hora que passa, a cada passo que hora em hora ficam mais insensíveis à caminhada fatídica infindável do vale que engole a todos e digere até mesmo a sanidade. Restos de carniça, abandonada, esquecida, refugada pelos livres urubus a voar tão alto que daqui parecem moscas no risco de céu que se vê. O derreter paciencioso da carcaça fedorenta vai sendo banqueteada calmamente por vermes lúgubres habitantes isolados nesta garganta que a tudo abandona deixa morrer se findar acabar porque ela final não possui. Desprovida de fim serpenteia a eterna víbora por entre o quente e desértico solo, rico em ausências e espaços, imensidões vazias que põe qualquer infeliz vivente à condenação de ser devorado mais pelo tempo que pelos vermes. Vastidão isolada de qualquer presença, tendo o uivar dos ventos no alto das entranhas como companhia, o aguardar paciente das aranhas em seus emaranhados nós tricotados com exímia destreza milenar, calmamente a espera de um inseto qualquer que por azar o destino lhe finda a vida neste fim de mundo enrolado numa teia tendo suas últimas lástimas ouvidas por um vagante tão azarado quanto ele que de tando andar no fundo do abismo já alucina e ouve lastimando a pequena criatura que alimenta o predador com suas energias, lembranças, sentimentos e sonhos nunca alcançados. (...)

Ignorando o horário levanta-se e caminha rumo à janela, respira fundo e requenta o café despreocupado. Sentado à mesa pensa e some rumo às infindáveis possibilidades de seus sonhos que outrora terminara porém remoía o fato de não tê-lo aproveitado como devia, voava toda noite co…
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Ignorando o horário levanta-se e caminha rumo à janela, respira fundo e requenta o café despreocupado. Sentado à mesa pensa e some rumo às infindáveis possibilidades de seus sonhos que outrora terminara porém remoía o fato de não tê-lo aproveitado como devia, voava toda noite com maestria sobre surreais visões de sua sedenta imaginação, lúcido apalpava o infinito e desmontava o universo ao seu redor sorrindo em gritos enquanto tudo derretia como assim desejara. Torna a mirar o longínquo horizonte tateando o calor da xícara, contando os dedos indagado da tamanha distancia sem distorção que sem cansar os olhos observa, fita e encara; seria seu o mundo que rodeia-o, seriam quem os passantes na rua ao lado que ouvia sem saber se ali estavam de fato, paranoiado corre para o quarto e se esconde na cama. Treme e trama o voo que não ocorre e o trauma traz e matiza-o de desespero à tagarelice que balbucia suas desfronteiradoras e sábias palavras de fuga e despertadores feitiços elucidantes que por desconhecido empecilho trava-o trancando suas brechas de tenras escapatórias a um ponto inalcançável do pulo, do salto, do voo falho. Silêncio, silêncios perturbadores, o disparar do coração faz-o perder o folego e transpirar, agora enfiado debaixo da cama teme o chegar de alguém, teme ouvir passos do chuveiro, talvez da cozinha, teme ter deixado o café à vista de todos que logo descobririam da sua presença e fariam aquele escândalo ao caçarem o intruso. Remói a remota chance do alçar voo, derrubar as paredes, jogar para o alto a cama e seus ocupantes sonolentos, Silencio! Alguém pode de fato ouvir sua ofegante respiração amedrontada e gritar, assustando-o de tamanha grandeza a fazê-lo ter um ataque, de pânico, grito, choros, respiratório, cardíaco. Socorro!!! Ai, arrasta-se habilmente para a porta e corre pelo curto corredor, joga-se por baixo da mesa, por cima do sofá, rola em cambalhotas até a porta, pára e treme. Com muita cautela vira-se lentamente e olha para traz, o suor escorre pelo rosto e pulsa com a forte batida do coração que faz saltar a camiseta, tum tum, como um alto-falante, alto, elevado, caindo... na real, é só o despertar inquieto do solitário vivente que teme o prosseguir das caóticas experiências diárias trancado dentro de casa feito uma barata. Teme tanto estar acordado quanto o fato de não possuir controle sobre seus lúcidos sonhos.

Jorrava ao papel Abundantes palavras Por vezes falhava
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Jorrava ao papel Abundantes palavras Por vezes falhava Teimando a caneta Enlouquece o autor Longe da mesa No meio da mata Sacode e assopra Olha ao redor Já impaciente Lembra do lápis Perdido no bolso Um toco de nada Salva o texto Alegra e agrada Feliz satisfeito Retorna da caça No caderninho amassado Mais um poema está feito

Prosa Experimental 'Engolido" (...)
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Prosa Experimental 'Engolido" (...) Vaga a mente numa exaustão profunda e encontra o fim do que parece ser a tolerância, trama o plano de fundo fronteirando o inalcançável, segue o longo, estreito e profundo abismo estendido infinitamente sob o céu escarlate de poeira vermelha vagando com o vento seco levando consigo resquícios de esperança qual clama por seguir adiante e atravessar o desfiladeiro dos cânions abissais que cercam e emparedam-o aos cantos escuros das sombras geladas. Teme os estrondos longínquos que vagam pela grande vala, das nuvens carregadas em algum lugar a despejar torrentes de águas a escavar e aprofundar valetas no solo que de tão seco não enxarca. Tempestades que ameaçam dar por fim um gole sedento e refrescante engolindo para o fundo dessa garganta todo irrelevante presente, presos, entalados, incapazes de se defenderem do tumultuoso reboliço gélido e embarrado da saliva secular que torna a jorrar dos céus para terra numa faxina destrutiva reiniciadoramente confortável. O sol lá fora ferve e frita os que vagam num passeio infernal por entre as areias escaldantes e entorpecedoras, passos que levam o ser cada vez mais perto do fim de seus curtos tempos. Enquanto lá em cima desejam o fechar do tempo e o cair da chuva, aqui em baixo só se procura sentir novamente um confortável sopro de vento refrescante. Cansado de olhar para a silhueta das bordas do precipício, vaga procurando por algo caído, folhas, galhos, flores, sementes, qualquer coisa que alimente a esperança desconfiada da remota chance de sair dali, espera que esteja descendo rumo a um lago ou riacho, pelo menos o fim dessas paredes que o engolem mais a cada hora que passa, a cada passo que hora em hora ficam mais insensíveis à caminhada fatídica infindável do vale que engole a todos e digere até mesmo a sanidade. Restos de carniça, abandonada, esquecida, refugada pelos livres urubus a voar tão alto que daqui parecem moscas no risco de céu que se vê. O derreter paciencioso da carcaça fedorenta vai sendo banqueteada calmamente por vermes lúgubres habitantes isolados nesta garganta que a tudo abandona deixa morrer se findar acabar porque ela final não possui. Desprovida de fim serpenteia a eterna víbora por entre o quente e desértico solo, rico em ausências e espaços, imensidões vazias que põe qualquer infeliz vivente à condenação de ser devorado mais pelo tempo que pelos vermes. Vastidão isolada de qualquer presença, tendo o uivar dos ventos no alto das entranhas como companhia, o aguardar paciente das aranhas em seus emaranhados nós tricotados com exímia destreza milenar, calmamente a espera de um inseto qualquer que por azar o destino lhe finda a vida neste fim de mundo enrolado numa teia tendo suas últimas lástimas ouvidas por um vagante tão azarado quanto ele que de tando andar no fundo do abismo já alucina e ouve lastimando a pequena criatura que alimenta o predador com suas energias, lembranças, sentimentos e sonhos nunca alcançados. (...) Esvai-se o tempo paralelo aos precipícios seus passos ressoam pelas paredes e correm para longe ouve-se nada De olhos escancarados e pernas bambas cai fita o esvoaçar das areias no céu crepusculoso esfria A noite vem chegando aos poucos sua anunciação provoca espanto medo A possibilidade cada vez mais real daquela garganta vir a tornar-se a sua tumba seu eterno descanso repouso sem lamúria de um cadáver que aos poucos derrete calmamente sendo apreciado com elegância pelos vermes de outrora e sempre A noite sem os ventos traz o ensurdecedor silêncio que até conforta O céu super estrelado surge na fenda que se estende por cima dos olhos Como se estivesse frente a frente com um rasgo na imensidão única do espaço, numa brecha para as estrelas, distantes luzes a vagarem violentamente pelo negro esplendor entre as galáxias emaranhadas nas teias do cosmo. Leve, separa-o do chão flutuando hipnotizado pelo infinito espaço celeste conduzindo seu espírito elevado para além do cânion , para além do vale, percebe-se afastando de si seu mundo deixado para traz, pronto para abandoná-lo à própria condenação. Vai para o eterno abismo escuro onde o mundo ainda está a cair, cercado por distantes pontos de luz flutuando no vazio. Torna-se ausência... some Enquanto seu corpo o perde de vista mergulhando entre os astros, deixa de sentir, morre o tato, olfato e paladar. Como uma pedra qualquer, ignora sua dureza e passa a afundar na areia levando consigo a insensibilidade fria para o passeio petrificado de quem nunca sai do lugar. A partir de agora é vaga lembrança de si, aos muitos esquecida e mil vezes fragmentada em poeira de olvidamento. (...) O vendaval o desperta, caído, esgotado, já havia desistido de manter-se em vida. Caído aguardava esvaziar-lhe os pulmões e findar-lhe as batidas cardíacas gritando aos ouvidos; 'estais a viver', insuportável verdade que lhe implica a inspirar novamente o escasso ar empoeirado da vala, a garganta seca que lhe engolira já não se sabe quando e porque. Deitado observa o cair dos grãos de areia e alguns galhos velhos, as nuvens correm de um lado para outro sobre a poeira enlouquecida, cada vez menos se ouve o coração que a pouco ensurdecia-o pois trovões rolam das alturas como despencar de imensas pedras. Dá um pulo e põe-se de pé quando muito próximo o chicotear de um raio lhe arranca a alma do corpo por um instante, acerta em cheio o solo que cospe para cima estilhaços e deixa um rasto de fumaça a vagar perdidamente pela ventania. Tentando esfregar os olhos cheios de areia para entender o que acontece ao seu redor, avista um javali apavorado fugindo em sua direção, foge do temido gole titânico da garganta abissal, uma onda de água barrenta carregando pedras, galhos e tudo o que houver na caminho; carcaças, aranhas, sonhos de um inseto, esperança de um vagante perdido. Engolido é, o caldo lhe arrasta moendo sua sanidade rumo a longa digestão em algum lugar do bucho deste gigantesco demônio do serrado, tudo some, se finda, acaba. Liquidificando e varrendo suas entranhas num gargarejo infernal o monstruoso cânion solta murmúrios assustadores de enfurecimento ouvido pelas estendidas planícies. Aridez que ansiava à meses por algumas gotas tem agora o solo lavado e levado com as enxurradas seus pedaços de qualquer coisa que por aqui para sempre se perde. Caem ao longe raios sobre o resistente mato seco que rapidamente se torna uma roça de altas labaredas erguidas contra as nuvens, labaredas que parecem alimentarem-se da chuva, enquanto o vento lhes dão força para seguir devorando o restante do que estiver sobre o solo estalando um pipocar diabólico e apocalíptico neste agora caótico recanto abandonado. (...) Escorrem violentamente as turvas águas barrentas por dentre a garganta cada vez mais larga avermelham as terras baixas e formam um gigantesco lago sujo como sangue coagulado pus pedaços hemorrágica manifestação barrenta de um fim de mundo. Lá no meio daquilo tudo secretado expelido abortado de sua paranoica semi-existência o vagante perdido se encontra.

Aí sempre houve um escutar silencioso e paciente surtando as mãos loucas para riscar.
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Aí sempre houve um escutar silencioso e paciente surtando as mãos loucas para riscar. Impaciente parte da mete para logo retornar e mostra-se companhia frequente. Satisfaz-se a vertente de suas próprias profundezas riscando o leito o escorregar vagaroso de sinuosas linhas ao mar Incomodada à estranha sensação de pulsar outras intensidades ruminar do seco à água limpa após o filtro Mal-feitio do homem bicho lixo entorpecedor Logo as fontes se findam para longínquas lembranças Tais a ver diariamente inícios e fins de inícios e fins o início do fim continuamente segue seu rumo pelas esquinas e encruzilhadas de estradas passadas à memórias póstumas neste imenso túmulo de amontoados desconhecidos misturados volvidos ao pó dos tempos em obsoletas inverdades inabsolutas tornados nada então Estremece fronteiriço ao inimaginável tantas pontes ao léu entrelaça e desfaz o que havia se esquecido por inconsertável ser Há penas que vêem-nos como companhias desprovidas do vento dos tempos e de inexistência Torna-se lodo fétido sobre a nascente profunda o tempo rígido do passageiro caído.

Preserva como outrora a culpa semelhante mente
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Preserva como outrora a culpa semelhante mente inquieta corcoveia bate dos ombros o pó de tanto tempo mirando horizontes distantes sob o sol desnudo foca nos pés os olhos tortura a fonte e retorna o engolir dos dos dias atemporal. 20190213

Seria covardia? me alimentar tão sorrateiramente de quem nem devia desconfiar? Mas tal é a desconfiança grandiosa que me acompanha e de ninguém ressalva o mau hábito imposto à mim por garantia de distancias e solidão. Traiçoeiramente pré-julgando-os me alivio ao denotar oblíquo s…
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Seria covardia? me alimentar tão sorrateiramente de quem nem devia desconfiar? Mas tal é a desconfiança grandiosa que me acompanha e de ninguém ressalva o mau hábito imposto à mim por garantia de distancias e solidão. Traiçoeiramente pré-julgando-os me alivio ao denotar oblíquo suas possíveis características fantasiadas como sendo maliciosas e imperfeitas pessoas. Covarde sim, julgando-te cegamente afundado na ignorância de ser um rato à espreita com medo de que tragas contigo afazeres tais que retirariam-me da confortável preguiça dos passares dos dias, esgueiro-me pelas fendas escuras para cruzar despercebido dos olhares presunçosos pairando sobre tal lealdade ao conformismo que me toma sempre em grandes goles. Escondo-me o quanto posso, alimento-me do poço da injúria que aponta-te o dedo e diz assombrosas maldades: és mentirosa, imperfeita. Desejando que sofra longe do meu conforto, para que não abale a vida boa de rato. Purgo-te de mim, safo tardiamente da sua presença a minha. Não fite, se vá, você e suas malditas humanas características, pois sou rato, sou resto de moídas e remoídas salientes feridas postas com cautela nas costas de quem ronda-me aos passos próximos do meu lodo. Digo que sois da maldade filha e mãe, fracos os homens sucumbindo ao injusto que aos meus olhos de rato trapaceiam e mentem. Vão, pelas calhas da humanidade corrupta fomentando a deslealdade e nutrindo rancores e cativando a guerra, vossa sublime criação, que como a minha, é de grande truculência o surgir. 20190228

Ambição Me falta em demasia Almejava antigamente
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Ambição Me falta em demasia Almejava antigamente Um futuro Pelo qual aprendi lutar Porem A peleja se mostrou um circulo Qual sem fim Tonteia-me em seu girar Enjoa a todos que a mim formam Nascidos da solidão Lutando uma batalha que começa a estender-se Entre paredes que se fecham Encurralam Cada vez menor se torna o mundo Que sem ter pr'onde correr Amoitado permaneço Estremecendo de medo Da queda Que outrora fascinava Da qual fugi Pela mão que a mim se estendeu Levantou E pôs-me a lutar No circular coliseu Mosh pit centrifugador da sanidade Drena cada gota de energia Que a cada dia mais difícil se torna Repor

(...) Sapiens sapiens Conhecedores da própria existência
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(...) Sapiens sapiens Conhecedores da própria existência Criadores do tempo e das outras metrias Das vozes a ecoar no espaço vazio do universo Sós Despidos Bicho-homem das cavernas pregnantes que pariram ao mundo o imundo Filhos do medo das angústias das necessidades Homens geradores da própria grandeza Desvalorizam seu tamanho. (...) 20190916

Pedra levada no bolso Para ser atirada Caída
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Pedra levada no bolso Para ser atirada Caída Esquecida Ignorada Observando imóvel Na beira da estrada O caminho sem fim que leva a nada Mais do que uma pedra Viajante do tempo Livre da necessidade Das correntes de liberdade da mobilidade É pau, é pedra, é caminho O tempo não existe É um redemoinho

Um passo,pulei Passaram-se quatro anos Grande desvio este
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Um passo,pulei Passaram-se quatro anos Grande desvio este em queda vertical Estagnei Houve uma mão estendida Levantei-me congelado Desfiz-me de mim Não há mais estrelas no céu Meus pés não me levam mais Como um pingente sou cadeado e corrente peso Arrasto-me De folha seca tornei-me pedra, árvore,enterrado A mão se estendeu a mim Com a pá enterrou Da terra que tanto amo tornarei-me parte Os vermes levam-me em pó de estrela que sempre fui Aos ossos, lembranças de marcas malfeitas das quedas as curas as manchas que um dia na pele repousaram

Energize-se Vá sob o sol sem bambear
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Energize-se Vá sob o sol sem bambear Firmes passos de quem vai pelo caminho que escolheu Lutai a própria batalha Sentir-se-á vitorioso cada crepúsculo Triunfará o amanhecer Saciando-se de ser...

O planeta esta cheio de mais. Egocentrico. O caos é desconfortavelmente mesquinho e compatível à massa cinzenta da massa.
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O planeta esta cheio de mais. Egocentrico. O caos é desconfortavelmente mesquinho e compatível à massa cinzenta da massa. Tudo esta em segundo plano o mundo e a vida que já eram breves tornam-se agora imperceptíveis passam e somem até mesmo do passado. O presente é uma fração cada vez menor.

Curtas noites Longos dias como flor de passiflora os olhos arregalados seguem o traçado dia a dia implorando calmaria entre a batalha de mamangavas e abelhas
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Curtas noites Longos dias como flor de passiflora os olhos arregalados seguem o traçado dia a dia implorando calmaria entre a batalha de mamangavas e abelhas abelhas e insetos pousam nos meus olhos e levam o que outrora escorriam, lavavam levam para o derramar contínuo do tempo nos ninhos das vertentes que em vão procriam relevada, inútil abundância Envenenados os ventres não mais ferroam Asas não batem apenas sentem a agonia das flores dos girassóis enfileirados sobre os desfiladeiros das enormes montanhas mudas a soluçar no cosmos os sonhos.

O homem precisa acreditar em deus porque não percebe sua existência. Crer em deus é duvidar da sua existência, da sua evidência, da sua presença. É ter necessidade de produzi-lo a cada fala. Se o homem percebe que deus está dentro dele, não tem porque acreditar, deus simplesmente…
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O homem precisa acreditar em deus porque não percebe sua existência. Crer em deus é duvidar da sua existência, da sua evidência, da sua presença. É ter necessidade de produzi-lo a cada fala. Se o homem percebe que deus está dentro dele, não tem porque acreditar, deus simplesmente existe, sem a necessidade de igreja, culto ou altar: 24/12/2011

Desprecavido andava sem portar o risco da eternidade qual crava como garras gravaram na casca um dia da árvore o sinal. O sinal da escalada que por descuido se perdeu dentre tantas nuvens a se misturar pelos céus do esquecimento, lotado de ausências insentíveis pois tal é a nóia…
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Desprecavido andava sem portar o risco da eternidade qual crava como garras gravaram na casca um dia da árvore o sinal. O sinal da escalada que por descuido se perdeu dentre tantas nuvens a se misturar pelos céus do esquecimento, lotado de ausências insentíveis pois tal é a nóia poesia a borbulhar no crânio a(s)cendido de sensações censuradas e reclusas donde saltam ao vazio espaço do esquecimento, em vão, tenta ligeiramente rasgar o papel afiado onde a tinta transborda o pulsar dos sentidos pensamentos trajados de arte vadia, sem rumo nem futuro a seguir balbuciando o que outrora flutuava afastada do solo firme a prender gravitalmente quem pesado liberta a sumir suas crias paridas prematuras mortas e desfiguradas. Segue abortando um rastro de passos vazios sob o espaço do oco pensar habitado por Chronos enquanto num canto o nóia se esconde a riscar o fogo. Paranoico riscar ligeiro de corpo preso à pesada e infeliz realidade sem noites nem sonhos. 201912231601

ONIROTRIP - O CAMINHO DA LUCIDEZ 1 - Perdido Entre Bolhas Vermelhas O sonho mais antigo do qual consigo me lembrar eu tive aos três ou quatro anos de idade. A princípio me despertava
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ONIROTRIP - O CAMINHO DA LUCIDEZ 1 - Perdido Entre Bolhas Vermelhas O sonho mais antigo do qual consigo me lembrar eu tive aos três ou quatro anos de idade. A princípio me despertava curiosidade e confusão, depois se tornava desconfortável e assustador. Este sonho eu tive várias vezes na época: Um cenário visto em primeira pessoa, onde tudo era vermelho e cheio de esferas ou "bolhas" do meu tamanho para maior. Não havia chão, teto ou paredes, apenas aquelas bolas vermelhas à flutuar. Geralmente era só isso, eu acordava e pensava naquilo por um momento e esquecia. Uma vez neste sonho, vi a imagem do meu pai entre as bolhas, eu tentava alcançá-lo mas ele se distanciava e desaparecia no ambiente, o que me causou pânico e medo. Não sei se sonhei outras vezes com isso, mas sempre me recordei, é a lembrança mais antigo que possuo de um sonho. 2 - Moscas Volantes e Pensamento psicodélico Ainda aos três ou quatro anos, lembro-me de estar deitado na cama olhando para o azul do céu e brincar com as moscas volantes, minhas primeiras alucinações, tentava controlá-las me concentrando e a cada piscada elas retornavam a posição de antes, fazia isso até pegar no sono. Desde sempre tive pensamentos psicodélicos e a lembrança de interagir com as sombras nos meus olhos é a mais antiga indução à alucinação visual que posso recordar. 3 - Sonhos Assustadores Sempre tive uma imaginação muito aguçada assim como energia hiperativa, brincava bastante sozinho e achava bom, passava o dia todo fantasiando coisas. A forma de criação da minha família sempre teve um certo exagero quanto aos perigos, o temor sempre foi incentivado e cresci com medo de muita coisa, um medo alimentado em demasia também na minha imaginação. O temor de certas coisas como cobras, rios e bois, levei para dentro dos sonhos onde vivenciava pesadelos quase todas as noites. Sempre acordava muito assustado e ficava pensando nestes pesadelos, logo após acordar e também durante o dia. Às vezes adormecia relembrando dos terríveis sonhos, o que fazia com que se repetissem, muitas vezes eram sonhos idênticos ou continuações. Muito intensos e vívidos os pesadelos se destacavam, apesar de apavorantes, me fascinavam. 4 - Imaginação + Memória Depois dos seis ou sete anos de idade minha imaginação foi ficando cada vez mais rica, incentivado por programas de TV como Power Rangers e Dragon Ball eu passei a criar elaboradas histórias e vastos universos para minhas brincadeiras, vivia no mundo da lua. Toda a minha imaginação inundava os sonhos com monstros, nuvens voadoras, personagens diversos e fim do mundo. Nesta época, não só os pesadelos, mas também os sonhos comuns se tornaram bastante mais vívidos e detalhados. Eu tentava recordá-los durante o dia, juntar todas as partes em ordem de cada acontecimento. Neste ciclo de imaginação e memória, fui me aproximando cada vez mais do mundo onírico, tornando-o cada vez mais familiar. 5 - Rios, Cobras e Bois Os pesadelos que eu tinha eram basicamente vividos com minha reação instintiva ao medo. Ao sonhar com um rio, naturalmente eu tentava manter distância dele, me afastar se possível. Mas a simples presença da água tornava a situação muito desconfortável e conforme o medo tornava-se intenso eu era atraído para aquilo que me assustava. Pesadelos com rios eram os mais "leves", tirando a agoniante experiência dos afogamentos. Sonhar com cobras era diferente pois geralmente elas apareciam de forma inesperada, como na vida real, tornando uma situação boa ou neutra em algo instantaneamente desagradável. Como sempre o sentimento de medo prevalecia, incapacitando-me de qualquer ação, com frequência minha pernas paravam de funcionar deixando-me exposto e sem reação ao ataque. Porém, as experiências mais assustadoras e agoniantes eram os pesadelos com bois e vacas; Assim que surgia no cenário algum cercado ou pasto, a minha mente ficava em alerta, o ambiente do sonho começava a mudar aos poucos, cada vez mais com clima de suspense e apreensão. O medo antecipado sempre fazia surgir um ou vários bois, que perseguiam-me aterrorizando noite adentro. 6 - Reconhecendo Padrões e Alterando o Ambiente Com tamanha frequência desses pesadelos com vacas, passei a reconhecer vários padrões nos sonhos. Sendo uma situação previsível, ficava em alerta com cenários familiares, mantendo a calma e me concentrando, tentava assim evitar que o sonho fosse para um lado mais sombrio. Tais pesadelos possuíam um certo padrão, geralmente eram iguais; uma situação boa se tornava aos poucos desconfortável, o ambiente se mostrava hostil e estranho, cada vez mais o medo era intensificado e então de forma crescente o terror seguia até um ápice de horror despertando-me apavorado. (Era só mais um pesadelo!). Em vigília, tentava lembrar o que eu tinha sonhado, cada vez mais me atendo aos detalhes para evitar esses pesadelos. Aos poucos pude desenvolver um certo raciocínio e estratégias instintivas dentro dos pesadelos, me aproximando assim da lucidez. Minha primeira ação espontânea dentro de um sonho foi tentar modificar o ambiente, de hostil para agradável. Passei a reconhecer cenários prováveis à pesadelos e evitá-los. Lembro-me de estar em situações desagradáveis e alterá-las de forma consciente. A primeira vez que fiquei lúcido dentro de um sonho foi no auge do medo, enquanto fugia consegui pensar em uma forma de encarar o pânico; parei e me voltei para o que me perseguia. Imediatamente o pesadelo acabou, tornado-se um sonho tranquilo novamente. Foi apenas um segundo de lucidez, mas aquilo me intrigou por dias. Depois disso, eu tive vários pequenos momentos de lucidez para fugir de pesadelos. 7 - A Descoberta dos Sonhos Lúcidos Com o tempo aprendi a criar ambientes no sonho, alterar cenários e situações, mas ainda assim sem estar completamente lúcido. Eu agia de forma instintiva, como defesa. Cada vez mais eu focava em recordar os sonhos e seus detalhes, minha relação com o sono e o estado de vigília foi se tornando cada vez mais íntima. Não demorou muito para que eu começasse a ter experiências de lucidez interagindo com o universo onírico, estados lúcidos que duravam cada vez mais tornando-me fascinado por tudo aquilo. Por muito tempo achava que era algo só meu, pois ao falar com outras pessoas a respeito disso causava um certo espanto, ou diziam que eu era mentiroso ou que era algo espiritual. Na minha pré adolescência passei a ter contato com a internet, pesquisei bastante a respeito de sonhos mas tudo que encontrava era significados e predições. Foi por acaso que encontrei no Orkut uma comunidade com um nome muito chamativo; "Sonhos Lúcidos". Foi onde descobri o que era SL, descobri o filme ''Waking Life'', aprendi sobre exercícios e os testes de realidade. Dormir nunca mais foi a mesma coisa. Com exercícios e um pouco de conhecimento sobre o assunto tive vários SL, alguns muito longos e proveitosos. Vários vôos, diálogos, viagens, criações, experiências incontáveis e inexplicáveis. 8 - Na Contramão da Realidade Me tornei um Onironauta, o mundo dos sonhos era meu lugar preferido... A frequência dos sonhos, os falsos despertares, os exercícios em vigília tudo foi ficando cada vez mais intenso afetando de forma negativa a minha realidade. As lembranças misturaram-se e eu as confundia. Comecei a não ter mais certeza absoluta do que era real, o universo onírico havia me afetado demais, e aos meados da adolescência temia pela minha sanidade. Iniciei um processo de afastamento dos sonhos, parei com os exercícios e tentei focar na realidade. Cada vez mais responsabilidades e preocupações foram ocupando a minha cabeça, mergulhei numa rotina intensa e nunca mais voltei a sonhar, buscando sanidade com medo de me perder abandonei os sonhos para tentar encontrar O Caminho da Lucidez. 9 - Com o Pé na Estranha Estrada Hoje, com vinte e oito anos, estou tentando retornar aos sonhos Com calma e sabedoria imagino que esteja mais seguro viajar para os confins desta estranha estrada. Sem pressa, primeiro dormir, para depois sonhar Vou lembrando sonhos e fazendo mapas marcando padrões e revisitando o subconsciente Sei bem por onde andei cá estou novamente onironauta desperto! Crislambrecht

Sumidouro No espaço quebrado do tempo que se apaga lentamente
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Sumidouro No espaço quebrado do tempo que se apaga lentamente Sem sombras de dúvida ao que devorar ferozmente Desmente mitificando sem voz todo traço de certezas absoluta fraqueza equívoc(ação) Suga às tripas o mundo universo suas luzes ligeiras passageiras no trono do tempo, imperando solidificando abstratos pedaços traçados tortos caminhos à serpentear no escuro vazio da inexistência insistente que resta que sobra linha reta que dobra o sopro voraz

-Rosa Branca-⁠ Como poderia fazer a ponte
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-Rosa Branca-⁠ Como poderia fazer a ponte para chegar até o Mar O único pedaço d'água deste mar é tão pequeno que mal escorre dos olhos verdes como nossos passados que se descruzaram e foram pra tão longe de si Entardeceres que me traziam tanto alívio só por saber que a noite viria e seu acalento (a)calma(ria) analfabetizava-me sentindo com inteligencia perfeita simetria era o olhar ao infinito de meu ser nada sendo tornando-me ser de longe a ti próximo Em frente à sua morada sempre passo passo a passo vagas lembranças do que não aconteceu mas poderia ah sim deveria Vacilo meu nosso talvez pesar peso Mar..

⁠ Tempo é o que importa Quanto resta, não se sabe Sábio mudo, economiza
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⁠ Tempo é o que importa Quanto resta, não se sabe Sábio mudo, economiza todas suas palavras Tais que mudam com o tempo Pendulares batidas de grãos de areia a cair uns sobre os outros afastando-nos da origem tão distante quanto o fim (?) Que mais é senão medida? Mutável, desprovido de limites Beirando a inexistência pois sem nós, desaparece Nos mata, envelhecendo Nos angustia enquanto passa tragando-nos em pacienciosa contemplação da eternidade.