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Frases de Crislambrecht

248 frases

⁠ 20210501 As inquietudes que perturbavam-me não mais açoitam estes ombros empoeirados, pois a calmaria acalenta-me neste silêncio que tranquilamente me cerca de paz onde posso repousar como pedra qual em nada pensa nem sente nem faz ou deseja. Atravesso o olhar pelo nada infini…
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⁠ 20210501 As inquietudes que perturbavam-me não mais açoitam estes ombros empoeirados, pois a calmaria acalenta-me neste silêncio que tranquilamente me cerca de paz onde posso repousar como pedra qual em nada pensa nem sente nem faz ou deseja. Atravesso o olhar pelo nada infinito e vislumbro o natural nada.

⁠Adoecimentos cercam e espremem e compactam até o estouro O ouro Ao fim do túnel
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⁠Adoecimentos cercam e espremem e compactam até o estouro O ouro Ao fim do túnel Buraco que se cava e vai em frente em frente ao fundo e mais ao fundo tal profundidade cuja luz da entrada não mais é vista e vai-se mais ao fundo esperando encontrar o esperado retorno que se acaba no fundo do buraco agora desmoronado e soterrado encontra-se quem nem mais respirava ao pulsar das veias inquietas doentes ao ponto de cavar e cavar após a vida se encerrar e a luz não mais enxergar pois cego cava a cova que fim não tem pois fim é sua íntegra existência lá no fundo esquecido e irrelevante tal como a inexistência da sua presença frente ao fim da cova agora fechada para sempre num eterno abraço onde repousa todas suas angústias e sonhos e utopias e planos nunca alcançados juntamente com as palavras nunca ditas à pessoas que para nunca se lembrarão...

⁠ Batizou-me Solidão Aquela que ao silenciar de tudo e todos
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⁠ Batizou-me Solidão Aquela que ao silenciar de tudo e todos fala, grita, urra O silêncio que preserva com tanto zelo valioso é Tal tesouro assemelhou a mim De tudo que sou me resumiu: Espírito dum riacho preso ao serpentear dentre a floresta calmo e sutil minha sonoridade de águas cristalinas à vazar sobre o solo folhas, raízes, pedras Quietude tão silenciosa tal silencio cuja a solidão é a única a proporcionar Fez-me companhia porém sou solidão Fez de mim controvérsia dilema Porém preciosa tamanha raridade que me engrandeço e sorrio só Desde a nascente até o encontro onde me perco pois sou solidão Sabrina espírito dum riacho presa ao próprio serpentear Infinito surgir Para sempre se acabar, sumir deixar de existir.

⁠ VIAGEM TEMPORAL São seis e quarenta da manhã, olho para o céu ainda indeciso, não sabe se chove ou faz sol, se vai embrumar de nuvens ou resplandecer. A mata parece escura, maior, imponente, como se fosse o seu todo de muitos anos atrás, hoje é apenas um pedaço que restou.
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⁠ VIAGEM TEMPORAL São seis e quarenta da manhã, olho para o céu ainda indeciso, não sabe se chove ou faz sol, se vai embrumar de nuvens ou resplandecer. A mata parece escura, maior, imponente, como se fosse o seu todo de muitos anos atrás, hoje é apenas um pedaço que restou. A neblina cinzenta sombreando a pequena mata me lembra de quando andei de barco a primeira vez, não faz muito tempo, peguei o motor e fui, apenas assisti um vídeo e meio na internet até perceber que o manual de instruções era mais prático. "Quando se está de barco, o tempo é outro" diziam, "Não é como andar na estrada, demora-se muito mais para chegar onde quer". Eu não fazia ideia de quanto tempo leva um barco para subir o rio até o sítio do meu amigo, preparei tudo e fui sem pressa. O motor praticamente novo funcionou logo de cara, no momento parecia bom, pois nunca tinha ligado um motor de barco antes. Comecei a subir o Arinos com paciência e calma, lamentando por ver a barranca lotada de chacrinhas uma do lado da outra, pesqueiros e caminhos para descer o barco, casas e terreiros, cada um havia derrubado o tanto de mata que achava o suficiente para si. O tempo passou tanto quanto quando se anda pela estrada, passei pelo sítio e nem percebi, até porque eu nunca tinha visto-o do rio, apenas do tablado. Quanto mais subia, menos chacrinhas com pesqueiros se via, a mata agora dos dois lados ficava cada vez mais densa. Cerca de duas horas de subida depois eu já não via mais pesqueiro nenhum, era como se eu voltasse no tempo cada vez mais que subia o rio, que outrora reto como um aeroporto, agora cheio de curvas como uma serpente em agonia. Em alguns momentos eu tinha a sensação de estar navegando em círculos, mas é claro, o rio só corre para um lado. A mata agora se impõe, tento me abrigar no centro do rio, que apesar de ter mais de quarenta metros de largura, ainda fica espremido pela floresta. Floresta densa, escura, antiga, aqui parece que nem o fogo lhe alcançou. Quando olho para uma mata eu penso no passado, em tudo o que pode ter acontecido por ali durante séculos de isolamento e todo o caos das poucas décadas perante o poder dos homens. Estando ali no meio daquelas curvas, o silêncio predador, o cheiro das folhas e da água, o sol que parece quente e fresco ao mesmo tempo, tudo isso parece primitivo. Enquanto acelerava pelas curvas, o sol tentava me seguir lá no céu. Nunca tinha o visto se mover daquele jeito, girava de um lado para outro sobre as árvores, tentando me alcançar. Como não havia sinais de vida civilizada naquela altura da viagem temporal, decidi retornar e seguir o fluxo das águas do tempo, rumo ao futuro, rumo ao lugar de onde vim, onde conheço, onde nada é tão novo assim. Constantemente me recordo daquele dia, geralmente quando amanhece escuro e enevoado sobre a pequena mata aos fundos de casa, lá na baixada, onde a neblina demora a ir embora nestas manhãs. A mata perde seu negror noturno, mas prevalece sua escura-essência primitiva, de quando era inteira e não resto, de quando era viva e pulsante, de quando era silenciosa e imponente. Me entristeço ao ver algo que outrora fora tão grandioso e imoldável desaparecendo, ver apenas o seu fim, sua triste memória. Me alegro de ainda poder me embrenhar e sentir o cheiro do mato, o ar abafado às sombras murmurantes, de ver o que foi, com meus olhos vivos nesta viagem temporal. Crislambrecht 18/01/2024

⁠201909101019 Esgotamento, desânimo, desmotivação, cansaço, preguiça, depressão, angústia. Empurrar goela-abaixo uma ambição artificial, dia a dia plantando e colhendo frutos que não são alimentos para o egoísmo virtuoso que ansia por criar.
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⁠201909101019 Esgotamento, desânimo, desmotivação, cansaço, preguiça, depressão, angústia. Empurrar goela-abaixo uma ambição artificial, dia a dia plantando e colhendo frutos que não são alimentos para o egoísmo virtuoso que ansia por criar. Eis um mundo cinzento do qual se espera abondonar fechando os olhos que tornam a abrir-se de preocupação. Um estado morno, sonolento, fraco, sem reação. O pulso lento mantendo nas vias a força para continuar de pé enquanto espera o cair da noite acolhedora. Noite que pousa sobre o peito e pesa a respiração de quem se entrega ao engolir do tempo a moer grãos de sanidade tornando-os 'em' farinha amarga de loucura. A fome que deforma o ser, que em pé no banquete sem garfos ou dentes está, nem faca nem mãos, apenas olhos entreabertos e um tremular nas pernas que se negam a levantar o corpo exposto em feridas abertas. Aberração do moinho dos dias e noites quentes, tão quentes que o cérebro cozinhou no próprio fluído evaporando pelas orelhas entupidas de merdas lançadas mundo afora como moscas perdidas no vento fétido deste presente surrealmente insano. Hei de abrir a boca bem aberta e lançarei o grito contra o muro cada vez mais alto separando ao infinito a sensatez do homem. Mundo tóxico. 1040

⁠202409261602 Vivo meses por dia cada dia meses
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⁠202409261602 Vivo meses por dia cada dia meses dias e dias um longo e pesado dia A noite passa devagar infindável mas o dia é infinito vivo uma vida por dia E no fim do dia O sol se vai Me vou novamente Na noite que cai Vai-se daqui vou em nova mente vago e me vago enchendo o espaço vazio Por mais dias assim meus cabelos brancos em um mês caem com o sol e as estrelas se vão.

202410300949 Por um momento só. A sós e só; tinta, papel e o pó.
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202410300949 Por um momento só. A sós e só; tinta, papel e o pó. O pó nas falanges, fóssil de um bicho outrora voraz. Pó, do tempo a moer-se pelos ventos de si mesmo, este que não existe é alucinação. Tempo que marca, a marca, daqui até aonde? De lá até outra hora. Horas que se vão com os dias que não voltam e noites que somem ao clarear da aurora outrora esperada com ânsia e agora esquecida com a noite entre as noites e dias e o tempo que marca e não existe e engole a tudo e a todos tornando-nos nada, alucinação. Como tal. Qualqueira que seja é pura vontade, desejo, fantasia, que surge e se esvai como águas em um só oceano de esquecimento de gotas irrelevantes. 30\10\2024

202603032332 E então percebo que estou a cultivar em mim uma nova pessoa; ou estaria resgatando alguém que fui outrora?
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202603032332 E então percebo que estou a cultivar em mim uma nova pessoa; ou estaria resgatando alguém que fui outrora? Poderia muito bem cultivar alguém que sabe dizer "não"; "Não quero comprar sem antes analisar", "não estou disponível para visitas hoje", "não vou sucumbir aos impulsos". A leitura parece similar, mas sou outro e leio com outros olhos. A escrita soa como antes, mas experimento coisas novas. O chá é outro, completamente diferente. Poderia aos poucos estar voltando a "sentir com inteligência, pensar com emoção" (?) [Bobagem!] Sei que sinto a chuva (com inteligência?), sinto a noite (com emoção?) sinto os sons de ambos (pensando?). Sei que sinto. Sinto no mais profundo do meu eu. Inteiramente sóbrio. Sinto..