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Frases de Clisomar Lima

10 frases

IGUALHA Num coletivo público ás 19h30 Tantos rostos de aparências diferentes
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IGUALHA Num coletivo público ás 19h30 Tantos rostos de aparências diferentes Mas de expressões iguais Em cada um O cansaço por si insulta Mais um dia de luta Num supermercado em dia de vencimentos Nos rostos também há igualdade No descontento com a carestia Na redução do que antes consumia No dia comum Nas favelas e assentamentos do meu país Pude ver rostos mais parecidos Juntando-se, soma-se a todos nós Em cada um o descaso da elite E o direito de não dar palpite Num hospital público enfrentando filas Se une todos em números e doenças Em cada um o cansaço, a redução do que antes consumia O descaso da elite e de novo o mesmo diagnóstico Ser povo

PATRIOTA Sou patriota Terra minha
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PATRIOTA Sou patriota Terra minha Nem para planta um horta Sou indigente Sem parentes influentes A polícia me aborda Dando surra Se for de cor Castigo dobrado Maior a dor Minhas roupas Gastas e sujas Já foram cascas de alguém Que teve vida melhor que eu tenho

Conheci um homem muito rico Que no dia do seu enterro Vestia um terno fino
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Conheci um homem muito rico Que no dia do seu enterro Vestia um terno fino Seu esquife de madeira trabalhada E de flores pela beirada Conheci um homem muito pobre Que no dia do seu enterro Uns trapos lhe cobriam Seu caixão estava mais para um caixote E nas beiradas muita gente Chorando sua morte Depois de alguns dias Não se via diferença Da terra que os cobria Diferença talvez Só além do que meus olhos viam Caixão ou caixote Pro verme não se conta Nem a sorte

O Luxo e o Lixo Sou camarão ou escargot que enfeita o prato do gourmet Sou a dor da fome, que faz sua barriga doer!
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O Luxo e o Lixo Sou camarão ou escargot que enfeita o prato do gourmet Sou a dor da fome, que faz sua barriga doer! Sou granito que veste seu chão; Sou terra batida, no seu barracão. Sou piscina, com laterais gramadas; Sou esgoto, a lama em frente a sua casa... sou enxurradas. Sou o relógio rolex de ouro; Sou algema no braço do touro. Sou o carro importado que mandaram blindar; Sou o sujeito do qual precisam se cuidar. Sou a conta bancária, no paraíso fiscal; Sou o nome no DPC, pobre mortal. Sou vidraça da sua cobertura; Sou brecha no barraco, em cada curvatura. Sou a faculdade pública dos que podem pagar; Sou a mensalidade dos que deixaram de estudar. Sou móveis finos, que embelezam sua sala; Sou o colchão ganho, que cheiro de urina exala. Sou o Lago Sul, moradia de nobre; Sou invasão, moradia de pobre. Sou político que conseguiu se eleger; Sou o voto que não soube escolher. O luxo só precisa do lixo para continuar a luxar; O lixo, continua onde está. Dependendo da maneira que se vê: O luxo é o lixo, ou vice-versa?

Fala Brasil (A voz Brasil) Em Brasília 19h Começa agora um Brasil
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Fala Brasil (A voz Brasil) Em Brasília 19h Começa agora um Brasil Que nunca existiu Mas quem está no poder Precisa de meios Pra se defender Ou tentar convencer Em Brasília 19h15 O aumento do imposto compulsório Contribuiu para segurar O aumento do petróleo Em Brasília 19h30 Não existe inflação Brasileiros comem mais frango E mantivemos o preço do pão Em Brasília 19h45 No nordeste brasileiro A seca castigou Mas foi resolvida Com as frentes de trabalho Que o presidente autorizou Em Brasília 20h Começa agora O Brasil de outrora

HÁ TEMPO Há tempo de sorrir Há tempo de chorar
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HÁ TEMPO Há tempo de sorrir Há tempo de chorar Há tempo de acalentar Há tempo de parar Há tempo de recomeçar Há tempo de aprender Há tempo de ignorar Há tempo de crer Há tempo de si perder Há tempo de achar Só não sei quanto tempo Tem de tempo Pra ter tempo De ter tempo O tempo que passou E nada aproveitou São tempos perdidos Que nem ao tempo Importou