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Frases de Cláudia Valéria Alves dos Santos

3 frases

⁠Imagine um pássaro experimentando a liberdade de um vôo, pela primeira vez, após fugir de uma cômoda gaiola. Imaginou? Pois é esta a sensação de final de curso. A sensação de liberdade (pelo que passou) versus o medo (do que há de vir). Foi durante o período de vigência deste cu…
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⁠Imagine um pássaro experimentando a liberdade de um vôo, pela primeira vez, após fugir de uma cômoda gaiola. Imaginou? Pois é esta a sensação de final de curso. A sensação de liberdade (pelo que passou) versus o medo (do que há de vir). Foi durante o período de vigência deste curso que sai do ninho e dei o meu primeiro vôo. Cai, algumas vezes, cortaram as minhas tenras asinhas, mas, aquele a quem me chamo de Pai (Deus) sustentou-me, tal como o lírio dos vales, e disse-me: “Ide!”. Fui. Mesmo com a sensação do medo que eu sentia do ‘bicho-homem” eu voei e experimentei: lágrimas, tormentos, pavor, alegrias, amores, vida, sonhos, e, finalmente, a morte. Mas, tal como o lendário Fênix, que renasce das cinzas, continuei e continuo a voar. Autoria: Cláudia Valéria/ Kakal (@claudia.valeria.kakal)

Retrospectiva - as roupas das estações. Em Março estava escrava, vestida de razão,
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Retrospectiva - as roupas das estações. Em Março estava escrava, vestida de razão, coberta de desejo e nos pés: calçados feitos de pele de mim mesma. Em Junho me estranhei e me olvidei. Percebi sobre mim um chapéu que desconheço, um tecido de ansiedade e bordados de passado. Eis que estava escrito: na certeza do presente, a minha floresta jaz, ardente. Em Setembro me vi invencível, armada, até os dentes: de ódio, raiva e outros pensamentos descontentes. A roupa da vez? Solidão. No início de Outubro despi-me das pessoas e Contei-lhes uma mentira: “está tudo bem”. Testei as fases da água em meus olhos. Deixei a tristeza passar do abstrato para o estado líquido, a saudade se converteu em lágrimas. Autoria: Cláudia Valéria/ Kakal (@claudia.valeria.kakal)

⁠O caixão da alma Presa em uma casca de dor, Aprisionada em uma pele d’onde se transita flor.
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⁠O caixão da alma Presa em uma casca de dor, Aprisionada em uma pele d’onde se transita flor. Releio Augusto dos Anjos, poeta preso em fantástico caixão alheio, Sinto similaridade com a dor dele, hoje. Dor, coração e um triste sossego. Presa em teu sonho selvagem, curto metáforas de Clarice Lispector, repenso Antônio Nóbrega, todos poetas que profetizaram a dor, a morte, o caixão em badalado, triste e feio. Presa. E estar em cárcere machuca. É um acordo feito consigo mesma. É um contrato social a qual a gente olha e diz: -Por que você está destruída? -Se sou eu a única pessoa que precisa ser salva? Ora, por que me fazes chorar? Suas cicatrizes são minhas, sabia? Presa na obra de um carpinteiro, meu corpo lança um: “não te amo, mais”, A alma na pele que habito, tal como Almodóvar e seu percevejo. Presa em uma cama fria, Em um hospital onde a morte olha, vazia. Aprisionada entre o sim e o não, Entre a vida e o não. Presa em um corpo de morte, tal como preconiza Paulo, presa, simplesmente aprisionada, Rousseau já dizia que por todos lados sigo acorrentada. Presa. Simplesmente aprisionada. À minha alma que segue inerte, desejando que a dor galope e não me veja. Mas, Clarice só me apontou a hora, e “dos Anjos” me avisou da mão que apedreja. Presa em muros poéticos, onde o sonho e a morte dançam e combinam, juntas, o seu mais próspero desejo. Presa em um caixão d’alma, aprisionada pelo karma, ancestralidade, herança genética, por traumas e desejos. Morta em um vivo caixão de peles, de feles e méis. Simplesmente, presa. (instagram: @claudia.valeria.kakal)