Frase de Cláudia Valéria Alves dos Santos
O caixão da alma Presa em uma casca de dor, Aprisionada em uma pele d’onde se transita flor. Releio Augusto dos Anjos, poeta preso em fantástico caixão alheio, Sinto similaridade com a dor dele, hoje. Dor, coração e um triste sossego. Presa em teu sonho selvagem, curto metáforas de Clarice Lispector, repenso Antônio Nóbrega, todos poetas que profetizaram a dor, a morte, o caixão em badalado, triste e feio. Presa. E estar em cárcere machuca. É um acordo feito consigo mesma. É um contrato social a qual a gente olha e diz: -Por que você está destruída? -Se sou eu a única pessoa que precisa ser salva? Ora, por que me fazes chorar? Suas cicatrizes são minhas, sabia? Presa na obra de um carpinteiro, meu corpo lança um: “não te amo, mais”, A alma na pele que habito, tal como Almodóvar e seu percevejo. Presa em uma cama fria, Em um hospital onde a morte olha, vazia. Aprisionada entre o sim e o não, Entre a vida e o não. Presa em um corpo de morte, tal como preconiza Paulo, presa, simplesmente aprisionada, Rousseau já dizia que por todos lados sigo acorrentada. Presa. Simplesmente aprisionada. À minha alma que segue inerte, desejando que a dor galope e não me veja. Mas, Clarice só me apontou a hora, e “dos Anjos” me avisou da mão que apedreja. Presa em muros poéticos, onde o sonho e a morte dançam e combinam, juntas, o seu mais próspero desejo. Presa em um caixão d’alma, aprisionada pelo karma, ancestralidade, herança genética, por traumas e desejos. Morta em um vivo caixão de peles, de feles e méis. Simplesmente, presa. (instagram: @claudia.valeria.kakal)
Cláudia Valéria Alves dos Santos
No pensador.ai desde