...O teu nome é o que justifica o poema."
Frases de Carminha Barreto Campello
69 frases
Agora sou a que sempre fui mesmo não sendo
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Agora sou a que sempre fui mesmo não sendo às vezes..."
...E assim somos amor e somos ódio paixão e tédio,ciúme
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...E assim somos amor e somos ódio paixão e tédio,ciúme riso e dor que as vestes da alegria e da tristeza se alternam ao sabor das circunstâncias e enquanto a vida se enreda e desvencilha somos apenas personagens de nós mesmos..."
...Em solidão essencial em solidão estou. Trago-te um punhado de silêncio
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...Em solidão essencial em solidão estou. Trago-te um punhado de silêncio branco como o pão. Todos os dias me construo como um muro me incorporo e me acrescento penosamente me completo e sou..."
Hoje amanheci com um odor de madrugada e gosto de pólen em minha boca.
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Hoje amanheci com um odor de madrugada e gosto de pólen em minha boca. Meus cabelos pendem como folhas molhadas meus braços se distendem em floração. Há um sol plantado em mim um verão aceso e toda me percorre uma seiva de mel..."
...De mim não sei do meu lugar. Sei que sou fluida e móvel tão pouco sei de mim e agora menos
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...De mim não sei do meu lugar. Sei que sou fluida e móvel tão pouco sei de mim e agora menos quando meu ontem surpreende o meu agora..."
Do livro MIRADOURO (1982) Miradouro A terra me foi aprisco
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Do livro MIRADOURO (1982) Miradouro A terra me foi aprisco ao coração inquieto. Nada sei de longes e vagos. Sei apenas que meu nome É e estou (árvore) plantada em teu coração adormecido. do meu miradouro olho-me, olhando a vida. Tenho olhos de calendário uma voz e um canto. Nas minhas mãos afloram raízes de Mim - estou no talo do imponderável. Agora não é mais que ontem amadurecido: caio como um fruto exato e vertical. Estas talvez sempre sejam minhas últimas palvras: É preciso ter fome para sentir-se Sede para saber-se úmida e subterrânea..."
Do livro PARTITURA SEM SOM (1983) Tenho medo: inauguro o desconhecido Se não me conheço
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Do livro PARTITURA SEM SOM (1983) Tenho medo: inauguro o desconhecido Se não me conheço não me explico..."
Um dia manchei-me de amarelo em um girassol e restou-me pólen em minha boca
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Um dia manchei-me de amarelo em um girassol e restou-me pólen em minha boca daí que minha palavra é germinal.
...Às vezes tenho saudades de mim e me recrio nas minhas constantes mutações; ontem fui flor e amarela. Mas agora me chegam estes ares de vésperas
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...Às vezes tenho saudades de mim e me recrio nas minhas constantes mutações; ontem fui flor e amarela. Mas agora me chegam estes ares de vésperas este desejo de adormecer esta vontade de estar estando tanto que se eterniza o gesto provisório..."
Do livro DE ADEUS E BORBOLETAS (1985) ...Em vão colher o tempo na semeadura: sou chão de lavas não de florescer.
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Do livro DE ADEUS E BORBOLETAS (1985) ...Em vão colher o tempo na semeadura: sou chão de lavas não de florescer. Inútil a primavera no teu rosto inútil o gesto de reter as borboletas. As coisas só me chegam com gosto de adeus."
Empresta-me teus olhos. Quero ver quanto vês quando eles pendem como girassóis exaustos...
Não me perguntes (eu não saberia) sei apenas que componho estas paisagens
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Não me perguntes (eu não saberia) sei apenas que componho estas paisagens e sou um nome em trânsito."
Retrato E me espanto de mim: - não me sabia assim
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Retrato E me espanto de mim: - não me sabia assim não me sabia de mim de mim que surpreendo agora com esse olhar oblíquo e triste esse jeito de sentar e de sorrir não sabia desse mim que a moldura do poema aprisiona pousando, no retrato, entre frutas maduras e tendo o sonho aos pés por escabelo."
...Como quem de repente cala na hora de dizer e não parte mais quando deveria ir..."
...E este coração que se faz semente de sonho nesta terra devastada de mim
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...E este coração que se faz semente de sonho nesta terra devastada de mim que farei de um coração feito de espanto que se recusa a morrer e se faz canto?"
Do livro SER EM TRÂNSITO" (1979) Amigo, daí o meu silêncio
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Do livro SER EM TRÂNSITO" (1979) Amigo, daí o meu silêncio esse olhar ambíguo e um certo ar viajante de quem não está-estando a mão pendida numa mala ausente. E daí esse soluço que me trava a voz, se na flor da boca um nome irrompe como um sol nascente. ... Mas por que agora me dói teu nome e ao ouvir teus passos me estremeço?"
... Minha história, não me agrada o enredo: procuro-me e não encontro personagem. Um homem se constrói
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... Minha história, não me agrada o enredo: procuro-me e não encontro personagem. Um homem se constrói como se constrói um muro, pedra sobre outra pedra argamassada, mas há em mim um vazio que não posso preencher. (não me peças, não quero querer.". Minhas mãos se abrem em dedos que não me apontam rotas.)"
Sobe de dentro de mim uma ternura vinda de antes que se elabora da rosa onde pousas a mão
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Sobe de dentro de mim uma ternura vinda de antes que se elabora da rosa onde pousas a mão (com ela amarras o nó da solidão) É ela que te descerra os olhos para a manhã que se inicia..."
Resisto nos andaimes de mim sustento-me na arquitetura dos meus ossos.
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Resisto nos andaimes de mim sustento-me na arquitetura dos meus ossos. Há uma força que me impele / me repulsa e me faz temer que - morrerei sem dizer a palavra que quero..."
Amigo, somos combatentes derrotados de outras lutas presos na armadilha fatal que nos armaram
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Amigo, somos combatentes derrotados de outras lutas presos na armadilha fatal que nos armaram e no entanto sabes que o mel da ternura corre em nossa boca..."
Meu tempo não é este não é este tempo inóspito em que transito, estrangeira de mim..."
Todas as coisas estão quietas e plácidas, Todas as coisas estão em paz e não se atormentam
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Todas as coisas estão quietas e plácidas, Todas as coisas estão em paz e não se atormentam e tranquilas restam como quem guarda um grande segredo que as torna felizes..."
Poema em Solidão nº4 De tempo e dor Se tecem nossas fibras.
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Poema em Solidão nº4 De tempo e dor Se tecem nossas fibras. Éramos e, de repente, já não somos aqueles que o tempo encontrou ontem. A cada nova hora, somos outros. De dor e de espanto nos fizemos. Todos os dias me construo como um muro, a cada novo instante me edifico. Nossos olhos (como muralhas) nos guardam e, atrás de nossos olhos Somos, prisioneiros em solidão..."