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Frase de Carlos de Castro

VINTE ANOS E ⁠Contei os natais com ela Maria, minha mãe. Vinte e tantos no presépio Comigo, José filho, Em nome de meu pai, Manuel. Era a Gruta de Belém, Porém, Quase parecendo a outra, Era o meu Natal puro, Que os meus de agora esconjuro, Neste destino cruel! Foi-se a mãe; Meu pai, seguiu-a além, Fiquei eu, menino patético! Que natal tão estépico, Mais senil que poético, Este de agora meu Pobre que sou pigmeu, Desde que minha mãe morreu Há distância de esperanças mil, Depois das águas de Abril. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-12-2022)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)